quarta-feira, 15 de março de 2017

Inquietudes (363) do Rei

No país da verdade alternativa e da justiça seletiva, caixa 2 tucano é limpinho e caixa 2 petista é sujinho. Crime é crime. O que difere é a pena, apenas. O resto é interpretação para blindar o próprio aparelho excretor.

domingo, 12 de março de 2017

Sobre legitimidade e reducionismo

Tenho medo do discurso dos que carimbam como legítima apenas a ação daquele que vive o que defende, o beneficiário direto de uma causa.
Isso é reducionismo e ajuda em nada a luta de quem luta.

Eu não preciso viver na favela para defender o direito à moradia e à qualidade de vida.
Eu não preciso morar em um assentamento do MST para defender o direito do sem terra à terra. 

Eu não preciso ser doente de aids para defender o direito do paciente ao tratamento.
Eu não preciso morrer nem estar na fila por um rim para defender a doação de órgãos.

Eu não preciso ser negro para defender a luta pela igualdade e combater o racismo.
Eu não preciso ter uma xoxota para defender o direito das mulheres à igualdade e combater o machismo.
Eu não preciso dar a bunda para defender o direito dos homossexuais ao casamento e à adoção.

Os oportunistas que se aproveitam de um discurso para promoção pessoal têm de ser combatidos.
E é fácil reconhecê-los.
Basta ver o histórico das defesas que eles fazem.

Deslegitimar a legitimidade dos que defendem uma causa, por não serem beneficiários diretos desta causa, não é inteligente.
E pode ainda condenar a guetos aqueles que lutam.

sábado, 4 de março de 2017

Sobre rótulo, estigma e preconceito


Para além dos rótulos da relação religião-moralismo-homossexualidade, uma questão chama a atenção na notícia "Pastor da Assembleia de Deus, preso em Joinville, matou o namorado a facadas", publicada no jornal Gazeta de Joinville, neste sábado (4 de março). 

Leia os trechos da reportagem. 1) "Edilson Turato, é acusado de matar seu companheiro, com quem mantinha um relacionamento homoafetivo." 2) "Segundo relato do próprio pastor a justiça paulista, o relacionamento homossexual com seu  companheiro, Marco Antonio Gomes, era conturbado devido ao excessivo ciúme de Marco e o constante uso de drogas do pastor."

Edilson Turato, o assassino, é homem. Marco Antonio Gomes, o assassinado, era homem. Os dois homens mantinham uma vida a dois. Classificar, portanto, o relacionamento dos dois e homoafetivo, neste caso, implica em duas imprecisões da linguagem.

A) Se era conturbado e havia ciúmes em excesso, não era um relacionamento construído no afeto, tanto que chegou ao assassinato de um dos dois. B) Se o relacionamento é entre dois homens, está claro que se trata de homossexuais. Então por que ressaltar que Edilson e Marco Antonio mantinham um "relacionamento homoafetivo" ou um "relacionamento homossexual"? 

Jornalisticamente nem se trata de uma informação porque o relacionamento entre dois homens já diz do que se trata, ou seja, a informação é o relacionamento entre os dois. Afinal, dois homens que transam não têm uma relação hétero. O valor notícia está no fato: o assassinato cometido pelo pastor.

Do ponto de vista linguístico, as expressões "relacionamento homoafetivo" ou "relacionamento homossexual" também não servem para muita coisa, exatamente porque o sentido não está inscrito nas próprias, mas no discurso a que elas remetem. 

Trata-se de um discurso preconceituoso que gera a diferenciação entre o gay e o não gay. Por acaso, quando alguém se refere ao ex-goleiro Bruno, condenado por mandar matar Eliza Samudio, sua ex-namorada, assinala que ambos mantinham um relacionamento heterossexual? 

Outro viés deve ser considerado no uso da expressão "relacionamento homoafetivo", o da linguagem politicamente correta, necessária, mas que também comete exageros. Seria este um exemplo disso? Qual o termo mais correto para o uso jornalístico: relação entre dois homens ou relacionamento homoafetivo? Do ponto de vista do sentido e do discurso, não são a mesma coisa.

Enfim, a resposta não é definitiva e, como se trata de linguagem, as mudanças são rápidas porque a língua é dinâmica. No entanto, uma coisa é certa.  Quando o jornalismo usa esse tipo de rótulo (casal gay, beijo gay, relacionamento homossexual), a pretexto de informar, acaba estigmatizando ainda mais os envolvidos que não precisam dessa ajuda. Afinal, morte, prisão, religião já são campos férteis para os rótulos.

O Brasil do escárnio atual

é aquele onde o goleiro Bruno, condenado por mandar matar a ex-namorada, é solto pelo STF e presos – sem julgamento – continuam presos.

é aquele onde o goleiro Bruno, condenado por mandar matar a ex-namorada – depois de solto – é assediado para selfies por fãs, muitos dos quais dizem ter Deus no coração, defender a vida e são contra a violência contra a mulher.

é aquele onde segurança pobre de lanchonete espanca adolescente de 13 anos que – por causa da fome – abordava clientes – por uma esfiha.

é aquele onde político corrupto aponta a corrupção do outro.

é aquele onde a justiça tem decisões diferentes para crimes iguais, atuando conforme a cara e a posição político-ideológica do acusado.

é aquele onde a população vai para as ruas, derruba governo acusado de corrupção e coloca no poder outros acusados de corrupção.

é aquele que indica – para o cargo mais alto da diplomacia – um político agressivo sem trato diplomático.

é aquele onde – para defender a democracia – apoia político adorador da ditadura militar, da tortura e que promove o racismo, a homofobia e o sexismo.

é aquele onde cidadão de bem faz discurso de ódio e incita a violência contra seus adversários políticos.

é aquele onde pastor, indiciado por safadeza em esquemas de corrupção, ataca a “safadeza” da Disney por apresentar um beijo gay em desenho animado.

Pensando bem... o escárnio no Brasil não é tão atual assim, visto que esse tipo de situação não nasce de um dia para outro.

O escárnio era latente e floresceu porque encontrou condições no Brasil atual.

A grande questão é: o que o Brasil atual fará com o seu escárnio?

Fantasia amarelo-CBF

O MBL e o Vem pra Rua chamam protesto para o domingo 26 de março. Os movimentos - que ajudaram a inflar as ruas contra a presidenta Dilma - vão apoiar a Lava Jato, mas sem "Fora Temer". Como vão apoiar a Lava Jato, se é exatamente o governo Temer que tenta "estancar essa porra", como captado - em áudio - a fala de Romero Jucá, quando conspirava para derrubar Dilma? 

Conforme a Folha de S.Paulo, no mesmo ato de 26 de março - que não terá "Fora Temer", os movimentos vão protestar pelo "fim do foro privilegiado, fim do estatuto do desarmamento e pelas reformas trabalhista e da Previdência." Os movimentos enfiam na mesma manifestação pautas muito diferentes entre si. 

O objetivo não é combater a corrupção do PMDB e do PSDB, parceiros carnais do impeachment. Afinal, são vários os nomes no ministério de Temer, aquele um, envolvidos na Lava Jato. Trata-se de apoiar a reforma trabalhista e previdenciária. De quem é essa proposta? Exatamente de Temer e dos tucanos que governam com ele, em um projeto que não disputou as urnas.

A manifestação de 26 de março, quando protesta contra a corrupção sem protestar contra Temer, abre espaço para atacar direitos trabalhistas e previdenciários. Não será estranho ver trabalhador fantasiado de amarelo-CBF apoiando o fim de direitos trabalhistas. Afinal não foram os mesmos que para derrubar a corrupção de Dilma - puseram no poder - a corrupção de Temer?

Inquietudes (362) do Rei

O pastor Silas Malafaia propõe boicote à Disney por causa de um beijo entre dois meninos em um desenho animado. Agora há gente pedindo mais boicote: a desenhos que ensinam a lavar dinheiro. Como indiciado em esquema de corrupção, o que o pastor diz sobre tio Patinhas ensinar apego ao dinheiro?


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Inquietudes (361) do Rei

Você - que reclamou dos indicados do ex-presidente Lula e da ex-presidenta Dilma ao Supremo Tribunal Federal (STF) - diz o quê sobre Alexandre Moraes? Vai um solo de tramontina aí?

Aí, o amor de Deus

Aí... a pessoa publica mensagens de fé, correntes de oração; divulga imagens de santos.

__Deus é amor.

Eu tive de perguntar.

__Se Deus é amor, por que você comemora a morte da esposa do seu adversário, é favorável à pena de morte e compartilha links com discurso de ódio?

...

Deixa pra lá!

Inquietudes (360) do Rei

Os agentes do mercado confundem empreendedorismo com predadorismo.

PS. Os dicionários trazem predatismo e predação. Predadorismo é um neologismo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Inquietudes (359) do Rei

Uma sociedade que comemora a morte de alguém - por motivo ideológico, político ou de classe - é uma sociedade doente, infectada pelo ódio que consome. Isso não costuma terminar bem.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Inquietudes (358) do Rei

Antigo tradutor do hebraico original
diz que “a Bíblia não fala de Deus”

(Reportagem do Observador)

O problema não é Deus - acreditar Nele ou não. Eu, por exemplo, não deixo o tempo que passo na igreja influenciar a minha fé. O problema é a manipulação do homem na religião (incluindo traduções de textos históricos, considerados sagrados) para manter cativas - pelo controle do comportamento - multidões inteiras de fiéis para se acumular poder e riqueza. E isso - decididamente - não é coisa de Deus.