sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Vai, mas volta

O presidento Michel Temer anunciou, ontem, a reforma do ensino médio (EM) com redução de disciplinas e, hoje, disse que o texto da Medida Provisória estava errado, ou seja, voltou atrás. 

Temer extinguiu o MinC (Ministério da Cultura), depois voltou atrás. 

Temer exonerou o presidente da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), que tem mandato por lei, depois voltou atrás.

Temer anunciou aumento para os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), depois voltou atrás. 

Temer disse que não faria nomeações políticas para estatais, depois voltou atrás. 

Se pressionar direitinho, Temer volta atrás até do impeachment. Há!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Inquietudes (338) do Rei

Muita gente está lamentando o futuro do Brasil, com a reforma do ensino médio. Entre esses, havia quem berrava "fora, Dilma"; que político é tudo igual; que não há diferença alguma entre os partidos e seus projetos; que não existe mais esquerda nem direita. Tire a sua camiseta amarelo-CBF da gaveta e vá à luta. Não? Ah! tá, você defende o estado mínimo. Então, seu lamento não é tão sincero assim.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Inquietudes (337) do Rei

A desigualdade é perversa demais e se revela até na morte. Alguns mortos valem mais que outros porque a vida de alguns vale mais que a de outros. Se existe consolo, todos cairemos no esquecimento depois da morte. Os "melhores" só levarão mais tempo para serem esquecidos.

Convicção sem prova cabal

O Ministério Público federal (MPF) não tem provas cabais contra Lula, mas o mesmo PMF tem muita convicção de que “Lula era o comandante máximo da organização criminosa”. 

A coletiva-show da semana passada, para denunciar Lula, mostra que o estado democrático de direito respira por aparelhos.

Como pode um operário chegar à Presidência e não ter roubado? 

Como pode um retirante nordestino ter chegado à Presidência e não ter enriquecido ilicitamente? 

Como pode um trabalhador de nove dedos ter chegado à Presidência e não ter desviado recursos públicos? 

Como pode um analfabeto ter chegado à Presidência e não ter beneficiado sua família com esquema de corrupção? 

Lula roubou, enriqueceu ilicitamente, desviou dinheiro público e beneficiou a família com a corrupção. 

O MPF tem a convicção, mas não tem provas cabais.

E daí? 

O jogo segue.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Longe do fim!

Charge: Laerte

A cassação do deputado federal Eduardo Cunha, na madrugada desta terça-feira (dia 13) foi comemorada por muita gente e lamentada por outro tanto, mas seu afastamento está longe de resolver a crise política na qual enfiaram o país. Aliás, se ele abrir a boca, essa crise vai descer mais alguns degraus do poço, que achávamos ter visto o fundo.  No cenário nacional, há várias pontas de um quebra-cabeças que vai aos poucos sendo montado. Alguns fatos para recordar.

1) O ex-todo-poderoso Eduardo Cunha foi alçado à condição de presidente da Câmara pela oposição à Dilma Rousseff e ao PT; contou com apoio de parte da mídia tradicional que escondeu a ficha corrida dele. Nas últimas semanas, vários veículos de comunicação pediram a cabeça de Cunha, concretizada nesta terça-feira.

2) O senador Aécio Neves e outros nomes do alto tucanato apoiaram Eduardo Cunha por revanchismo ao perderem  as eleições de 2014. Interessava muito ao partido tirar Dilma do poder. Tanto que o PSDB apoiou as pautas-bomba de Cunha para desestabilizar a ex-presidenta, o que aprofundou a crise econômica.

3) Eduardo Cunha teve pedido de afastamento endereçado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2015. O ministro Teori Zavaski somente concedeu a liminar afastando-o vários meses depois, a tempo de Cunha encaminhar o pedido de votação da admissibilidade do impeachment de Dilma. 

4) Eduardo Cunha que ajudou Temer a chegar ao posto máximo da República deve estar se sentido traído pelos antigos aliados: o próprio Temer e mais de duas centenas de deputados federais . Se Cunha resolver falar, o governo Temer vira pó, porque em ruínas está desde o seu começo.

5) Na semana passada, a revista Veja, que atirou semanalmente em Dilma, abriu fogo contra Temer, dando voz ao ex-advogado Geral da União, Fábio Medina Osório, demitido na sexta (dia 9). Osório declarou que o governo tenta abafar a Lava Jato. Representação para se investigar o nome forte do governo Eliseu Padilha, por obstrução da justiça, já foi feita à Procuradoria Geral da República (PGR). Basta ver se o procurador-geral, Rodrigo Janot, terá a mesma disposição que tem contra Dilma e Lula.

6) Temer está envolvido pessoalmente na Lava Jato. Ele foi citado em delação de Sérgio Machado, para quem teria pedido propina direcionada à campanha do PMDB. Mesmo que não possa ser investigado por fatos anteriores à posse, o fato continua sendo um peso para sua imagem pessoal e de seu governo, que ostenta vários nomes entre os acusados de cobrar propina.

7) Na semana passada, o senador Aécio Neves declarou que o PSDB – empenhado na derrubada de Dilma desde que perdeu as eleições de 2014 – não vai tolerar o governo Temer, se este não fizer as reformas e os ajustes fiscais conforme a agenda tucana neoliberal. As críticas ao governo vieram de vários nomes do partido. 

8) As medidas anunciadas pela “equipe econômica dos sonhos” do governo federal - no tempo da interinidade e, agora, na efetividade - não têm repercutido na recuperação da economia. Hoje, o dólar subiu e a Bolsa de Valores de São Paulo desceu. E nada de investidores estrangeiros colocarem dinheiro no país, como foi prometido com a queda de Dilma. Afinal, quem espantava os investimentos era Dilma, não era?

9) A popularidade de Temer continua ladeira abaixo por suas propostas que sacrificam ainda mais o trabalhador. Sua chegada ao poder se consolidou como um golpe na democracia e esta narrativa será difícil de ser revertida. As manifestações contra o governo aumentam e tendem a aumentar ainda mais com a apresentação das medidas que o governo quer implantar, entre elas aumento da jornada de trabalho e limite de 65 anos para aposentadoria. 

10) Paralelamente ao processo de impeachment de Dilma, corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  processo que avalia a cassação da chapa Dilma/Temer. O vice solicitou que a prestação de contas da campanha de Dilma separasse as contas do vice. Na semana passada, o TSE determinou que a prestação de contas tem de ser conjunta e feita por Dilma e Temer.

Ao cruzar fatos passados com acontecimentos recentes surgem alguns questionamentos. Qual o interesse da revista Veja e de outros veículos em dinamitar os pilares do governo Temer depois da empreitada para tirar o PT do poder? Por que tanto esforço do PSDB e de outros partidos da oposição tirar Dilma e “eleger” Temer e, agora, seu governo ser abandonado? Um governo Temer fraco e frágil pode ser motivo para tirá-lo do poder, a exemplo do que foi feito com Dilma? Se o TSE cassar a chapa Dilma/Temer ainda em 2016, haverá novas eleições pelo voto direito, mas se for cassada em 2017, haverá uma eleição indireta e o presidente será eleito pelo Congresso Nacional. Quem seria candidato?

Como se vê, a crise política está longe do fim! A pedra e a vidraça somente mudaram de lado. 

Seja o que você quiser, desde que


Você pode ser gay, desde que se comporte - socialmente - como masculino.
Você pode ser lésbica, desde que se comporte - socialmente - como feminina. 
Você pode ser negro, desde que se comporte - socialmente - como branco.
Você pode ser pobre, desde que se comporte - socialmente - como elite.
Você pode ser ateu, desde que se comporte - socialmente -  como cristão.
Você poder ser diferente, desde que se comporte- socialmente - como normal.

Dê-se ao respeito e você será respeitado.
Você poder ser o que você quiser, só não demonstre – socialmente – o que você é.

Crédito da imagem: “La Décalcomanie”, René Magritte – 1966.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Do arremedo a um tucano nativo


Capa da Veja, deste final de semana, sai atirando no Mr Fora Temer, com o ex-titular da Advocacia Geral da União, Fábio Medina Osório. Este caiu hoje e acusa o presidente Mr Fora Temer de querer abafar a Lava Jato. Como não acredito que Veja voltou a fazer jornalismo, muito menos está preocupada em combater a corrupção no país, só há uma opção.

O ministro Gilmar Mendes, indicado por FHC ao Supremo Tribunal Federal (STF), é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que avalia cassar a chapa Dilma-Temer. Nesta semana, Mendes confirmou que as contas são de Dilma, de Temer e do tesoureiro da campanha. Temer tentou separar a prestação de contas da presidência e da vice para, em caso de cassação da chapa, não ser atingido.

Se o TSE cassa a chapa em 2017, haverá uma eleição indireta realizada pelo Congresso Nacional. Também nesta semana, o senador Aécio Neves reclamou da falta de pulso de Mr Fora Temer e disse que o PSDB não vai avalizar o governo por não fazer o jogo para o qual foi necessário derrubar Dilma: as reformas previdenciária e trabalhista, com um duro ajuste fiscal.

Se a chapa Dilma-Temer é cassada, quem se candidata? Um tucano nativo seria melhor que o arremedo neoliberal e impopular do Mr Fora Temer. Veja esforçou-se demais para ajudar a criar o clima para o impeachment de Dilma. Por que, agora, uma semana após a posse definitiva de Temer, a revista abre fogo contra o seu pupilo? A menos que ela queira um pupilo melhor ainda na cadeira da Presidência da República. E a ajuda que Gilmar Mendes pode dar, neste sentido, é inestimável.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A presidenta e o atleta paralímpico

Veja como são as coisas. Parte do Brasil não aceita a palavra presidenta, mesmo existindo na Língua Portuguesa há muito tempo. Essa mesma parte nem questiona (e muitos ainda não perceberam) que os atletas paraolímpicos brasileiros viraram atletas paralímpicos e este termo não existe na Língua Portuguesa. A mudança ocorreu por determinação do Comitê Paralímpico Brasileiro para se alinhar à nomenclatura usada em todo o mundo.

Condenam a palavra presidente por raiva à Dilma e ao PT, mas usam a palavra paralímpico sem questionamento algum. Nos dois casos, a atitude linguística está ancorada nas próprias crenças e também nos próprios preconceitos. Presidenta é coisa de gente vermelha, esquerdista. Paralímpico é coisa de gente de status, vem de fora. Ah! se Nelson Rodrigues fosse vivo, perceberia que o complexo de vira-latas continua firme e forte. 

A atitude linguística tem os dois pés fincados na postura política e na ideologia. Isso mesmo! O uso de uma forma (variante linguística) em detrimento de outra revela uma postura política, que pode – ou não – ter relação com a política partidária. Assim, muitos dirão que somente o uso da palavra presidenta revela-se ideológico, o que não vale para paralímpico. 

Ideológico é sempre o outro, certo? Errado. O que muitos não sabem é que a ideologia se materializa na linguagem, seja nas variantes estigmatizadas seja nas de prestígio, este conferido pela classe social de quem fala. Viva o linguista russo Mikhail Bakhtin que teve a sacada conceitual da ideologia materializada na linguagem. Essa materialização ocorre em todas as modalidades, não apenas na linguagem do outro. Isso vale para presidenta e paralímpico.

No entanto, quem não respeita a variante linguística alheia – e desqualifica-a – o faz por achar que a sua é melhor, mais bonita ou mais qualquer coisa. O preconceito revela-se no texto falado e no texto escrito. Isso mostra que a atitude linguística leva o falante a escolher como falar e esse como falar mostra muito de nós mesmos, independentemente de você querer ou não.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Inquietudes (336) do Rei

Juro que - em alguns debates com amigos, parentes, conhecidos e desconhecidos - ainda aperfeiçoarei meu lado Glória Pires.

__Não sou capaz de opinar.


Estratégia de defesa para manter a saúde mental. Há!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Meia democracia, quase ditadura


A Polícia Militar superfaturava a quantidade de pessoas nos protestos "Fora Dilma". 
A Polícia Militar não estima a quantidade de pessoas nos protestos "Fora Temer". 

A Polícia Militar fazia foto com famílias inteiras nos protestos "Fora Dilma".
A Polícia Militar ataca, com bombas e balas de borracha, famílias inteiras nos protestos "Fora Temer".

A imprensa enaltecia os protestos "Fora Dilma".
A imprensa ameniza os protestos "Fora Temer".

A imprensa tratava como pacíficos protestos "Fora Dilma". 
A imprensa trata como baderna os protestos "Fora Temer".

A sociedade tratou como liberdade de expressão os protestos “Fora Dilma”.
A sociedade trata como arruaça os protestos “Fora Temer”.

A sociedade foi cúmplice dos ataques de Moro ao estado democrático de direito quando envolvia Dilma e Lula.
A sociedade quer respeito ao estado democrático de direito, somente agora.

Um país que trata sua democracia de forma - seletivamente - bipolar não vive uma democracia plena.
Um país que trata sua democracia de forma - seletivamente - bipolar vive uma meia democracia ou uma quase ditadura.

Imagem: Ballerina in a Death's Head by, Salvador Dali.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Notas sobre o impeachment

Charge: Amarildo. Do blog do autor.

Desde 31 de agosto, o Brasil não é o mesmo com a ruptura institucional, provocada pelo afastamento da presidenta Dilma e a ascensão ao poder de um projeto que não disputou as urnas. Nesse pós-impeachment, valem algumas considerações.

1) Uma parcela significativa dos brasileiros, os que apoiaram a derrubada de Dilma, continua a afirmar que a responsabilidade de Temer, no poder, é de quem votou na petista. Argumento simplista. Por que? Temer, como vice, não assume como continuidade do projeto do PT, eleito em 2014. Ele traiu Dilma e levou - para a cama do Planalto - Eduardo Cunha, PSDB, DEM e toda a oposição do Congresso.

2)  Temer vai implantar um programa - Ponte para o Futuro – feito pelo PMDB feito em 2015 para romper com o PT. Essa Ponte não disputou as urnas, não foi legitimado pelo eleitor, pelo voto. Aliás, esse programa, sustentado pelos tucanos, foi derrotado nas últimas quatro eleições. Portanto, Temer presidente, nessas condições, é fruto – não de quem votou em Dilma – mas de quem apoiou o impeachment, inclusive você que se vestiu de amarelo-CBF, gritou nas ruas e, agora, faz cara de paisagem.

3) Na traição de Temer a Dilma, os mesmos culpam a presidenta Dilma pelo casamento com o PMDB. A traição do vice é amenizada ou simplesmente ignorada. Arrisco dizer que aqui se faz presente a questão de gênero. O marido traidor trai a esposa porque é da sua natureza ou porque sua mulher deu-lhe motivos. Ah! mas ela sabia que o PMDB não presta e é oportunista. Sim, é verdade, mas mesmo quem casa com um traste não o faz esperando ser traído. O machismo explica porque Dilma é condenada pela aliança feita com o PMDB, mas livre Temer do peso da sua traição.

4) Os erros de Dilma são muitos, são enormes. Ela fez parceria com o PMDB para garantir governabilidade; não tem tato político; mexeu em esquemas antigos de corrupção quando tirou diretores da Petrobrás e Furnas, sem mobilização para isso; se reelegeu com a esquerda e acenou para a direita com o Levy; propôs um ajuste fiscal desastroso; não fez reformas de base; nomeou Lula ministro fora de hora. E nada disso é motivo para o impeachment e tudo, ao mesmo tempo, é pretexto. 

5) O impeachment de Dilma, sem crime de responsabilidade, abre um precedente sério e torna o Executivo suscetível - ainda mais - à chantagem do Legislativo, claro, desde que a mídia partidarizada infle as ruas atacando uns grupos e escondendo outros. Nenhum presidente, governador ou prefeito terá a garantia de governar. As urnas não têm mais a importância de outrora.

6) Dilma não cavou – sozinha - a própria cova. Essa foi aberta também por a) uma oposição que não aceitou os resultados das urnas, liderada por Aécio Neves; b) pelo fisiologismo do Congresso Nacional, que estancar a sangria da Lava Jato (20 senadores que afastaram Dilma estão delatadas na operação); c) pela seletividade da Lava Jato que inflou as ruas com vazamentos direcionados, prisão para forçar delação premiada; d) pela cumplicidade do STF; pela partidarização da mídia, que mobilizou gente para os protestos contra o governo Dilma; e) pelo mercado que vive de juros e capital especulativo e, por fim, f) por aqueles que foram para as ruas de amarelo-CBF, que diziam que lutavam contra a corrupção de todos e estão quietinhos vendo Cunha salvar o mandato, com a ajuda de Temer. 

7) Muitos que inflaram as ruas contra Dilma e o PT reclamam que a presidenta Dilma “declarou guerra” a Temer e que os movimentos sociais incitam a violência, uma guerra civil. A violência já existia e o que pode acontecer é seu recrudescimento. Quem apóia o impeachment se divertiu quando estádios inteiros mandaram Dilma tomar no cu; não repudiou quando atacaram sedes de partidos da esquerda nem quando pregaram a morte de Lula. Os que agora reclamam, agora, aplaudiram quando ex-ministros do PT foram atacados em livraria, restaurante e até hospital; quando a Lava Jato vazou seletivamente para influenciar a opinião publicada. Quem apóia o afastamento de Dilma não se preocupou com a violência ao estado democrático de direito quando Moro incitou as ruas contra Lula ministro, com vazamento ilegal de áudio para a Globo e realizou operações casando com a agenda política do país. Agora, a “declaração de guerra” de Dilma preocupa. Não! Quem declarou guerra ao Brasil foi Aécio Neves, um mau perdedor, que apostou no quanto pior, melhor. O tucano arrastou a oposição nessa empreitada que foi patrocinada pelo mercado (carimbo da Fiesp) e pela mídia tradicional. Quem incendiou o Brasil não pode reclamar do fogo que ajudou a acender. 

8) Lembra-se dos movimentos apolíticos e apartidários que fizeram o gigante acordar? Então, muitas lideranças do Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua são candidatos às eleições municipais deste ano. Eles têm todo o direito de concorrer, mas fica a lição de que não existe movimento político apolítico e muito menos gente apartidária que toma partido. Acreditou no apartidarismo e nos seres apolíticos quem gostar de dizer que a política não presta. A política não é ruim nem nefasta. Ruim e nefasta é a política feita nas sombras, sem transparência.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Inquietudes (335) do Rei

Uma das principais propostas de Temer, para temer, é congelar os gastos federais para os próximos 20 anos (saúde, educação, assistência social, cultura, entre outras áreas). O congelamento dos gastos, se passar no Congresso, só não valerá para pagamento de juros que mantém o mercado, seus rentistas e o capital especulativo. Reparou que investimento em povo é gasto e quem investe em povo é populista, mas quem investe no mercado não é elitista, é austero?

Aí, a violência

Aí... meu conhecido se diz estarrecido com a "incitação à violência" feita por políticos que defendiam a permanência da presidenta Dilma no cargo.

__Fico muito triste com muita gente, que está fazendo apologia à violência, dizendo que o Brasil vai viver um guerra civil.

Eu tive de responder, com textão e tudo.

__Então quer dizer que movimentos sociais e políticos estão incentivando a violência! Acho que está mais para alerta que incitação porque a violência se revela de várias formas e faz tempo. Na Paulista, nesta semana, a PM de Alckmin desceu o porrete em manifestantes contra Temer. Onde você estava mesmo para condenar isso? Quem apoia o afastamento de Dilma - sem crime de responsabilidade - se divertiu quando estádio inteiro a mandou tomar no cu; não repudiou quando atacaram a sede de partidos da esquerda, quando pregaram a morte de Lula; quando a Lava Jato vazou seletivamente para influenciar a opinião publicada. Quem apoia o afastamento de Dilma não se preocupou com a agressão ao estado democrático de direito quando Moro incitou as ruas contra Lula ministro, com vazamento ilegal de áudio para a Globo e realizou operações casando com a agenda política do país. Agora, a violência preocupa. O cinismo não tem mesmo limites!

É que violento é sempre o outro lado, não é mesmo?

Creide-não-vai-com-as-outras!


Creide não deixa o período que passa na escola influenciar a sua educação.


Creide não deixa o período que passa na igreja influenciar a sua fé.

Creide não deixa o período que passa no trabalho influenciar a sua consciência.

Creide não deixa o período que passa em frente à TV influenciar a sua opinião.

Creide não deixa o período eleitoral influenciar a sua convicção política.

Quando crescer quero ser igual à Creide!

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Crédito da imagem: Maria-vai-com-as-outras, de Sylvia Orthof. (Editora Ática, Coleção Lagarta Pintada).

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O Brasil afunda ainda mais e você nada

Charge: Paixão. Do Jornal Gazeta do Povo.

Você foi para as ruas contra a presidenta Dilma, que não é acusada de receber propina, mas contra Temer, que é acusado de receber propina, nada.

Você foi para as ruas contra a nomeação de Lula ministro, mas contra Eduardo Cunha, que deve salvar seu mandato com a ajuda de Temer, nada.

Você foi para as ruas contra os nomes do governo Dilma na Lava Jato, mas contra os nomes do governo Temer na mesma lava Jato, nada.

Você foi para as ruas por mais saúde, mas contra o desmonte do SUS promovido por Temer, nada.

Você foi para as ruas por mais educação, mas contra o fim dos programas de Combate ao Analfabetismo, Ciências sem Fronteiras – determinado por Temer - nada.

Você foi para as ruas por mais moradia, mas contra a redução do Programa Minha Casa, Minha Vida – determinado por Temer – nada.

Você foi para as ruas por mais direitos, mas contra a idade mínima de 65 ou 70 anos para se aposentar e o ataque à CLT – promovido por Temer – nada.

Você foi para as ruas contra o desemprego e a crise econômica provocada por Dilma, mas contra o ataque de Temer ao aumento real do salário mínimo, nada. 

Você foi para as ruas por mais infraestrutura, mas contra a redução de investimento em aeroportos (de 270 para cerca de 50 – determinado por Temer), nada.

Você foi para as ruas por mais políticas públicas, mas contra a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, nada.

Você foi para as ruas por mais liberdade de expressão e pelo fim do bolivarianismo no Brasil, mas quando o governo Temer ataca manifestações dos movimentos sociais, nada.

Você foi para as ruas protestar contra os esquerdistas beneficiados pela Lei Rouanet, mas quando descobriu que os verdadeiros beneficiados eram a fundação Roberto Marinho e artistas que apóiam o impeachment de Dilma, nada.

Os movimentos e manifestações são políticos e partidários. Quem se diz apolítico e apartidário sempre tem posição política e toma partido, ou seja, tem um lado definido, inclusive quando nada faz.