sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ai... as celebridades

"Eco e Narciso", de John William Waterhouse, 1903. 

Quando um chef de cozinha se torna maior que seus pratos, ele deixa de ser chef e vira celebridade.

Quando um professor se torna maior que o ato de ensinar, ele deixa de ser professor e vira celebridade.

Quando um padre e pastor se tornam maior que Deus, eles deixam de ser padre e pastor e viram celebridade.

Quando um jornalista se torna maior que a informação, ele deixa de ser jornalista e vira celebridade.

Quando um advogado se torna maior que a sua causa, ele deixa de ser advogado e vira celebridade.

Quando um juiz se torna maior que o processo, ele deixa de ser juiz e celebridade.

Quando um promotor se torna maior que a acusação que faz, ele deixa de ser promotor e vira celebridade.

Quando um empresário se torna mais que a sua empresa, ele deixa de ser empresário e vira celebridade.

Quando um político se torna maior que a política, ele deixa de ser político e vira celebridade.

E celebridade vive do que mesmo?

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Inquietudes (371) do Rei

Seria divertido não fosse trágico, mas o fim de Aécio, cuja ficha corrida foi escondida por muito tempo, é merecido por causa do fogo que ele ajudou a acender quando não respeitou as urnas em 2014. E o apoio do PSDB ao governo Temer mostra que os tucanos fazem exatamente o que condenavam nos petistas: o poder pelo poder.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Inquietudes (370) do Rei

Charge: Amarildo.

O tal Joesley Friboi Batista corrompeu, corrompeu e corrompeu, mas está livre e leve. No mundo da delação premiada, recurso usado e abusado na Lava Jato, o delator bandido vira herói. Isso mostra também a incompetência/incapacidade dos órgãos de investigação (PF, MP...) em provar a culpa do corruptor. Como não provam, precisam dele para pegar - pelo menos - o corrupto. Assim, o bandido delator ganha um bom acordo, inclusive com dinheiro sujo para gastar de forma limpa. O crime, para o bandido delator, compensa.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

De políticos a cidadãos comuns

Foto: Jose Lucena/Futura Press. Reprodução: Estadão.

A Operação Bullish da Polícia federal (PF), deflagrada hoje em Brasília, entre os diversos atos, conduziu coercitivamente funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Segundo a Agência Brasil, a operação "investiga irregularidades em aportes de R$ 8,1 bilhões da BNDES Participações (BNDESPar) ao grupo JBS".

A Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES) divulgou nota na qual seu presidente, Thiago Mitidieri, condena a condução coercitiva de funcionários da instituição. “O funcionário do BNDES não tem nada a esconder. Todas as informações que foram perguntadas, a gente vai fornecer isso.” A declaração consta na matéria da Agência Brasil. 

Como repercussão contra a condução coercitiva dos funcionários do banco, durante esta sexta-feira, colegas de trabalho do BNDES fizeram manifestação em defesa do corpo funcional da instituição. Veja galeria de fotografias no site da Associação dos Funcionários.

A condução coercitiva é uma medida em que pessoas são levadas pela polícia para depor. O instrumento é uma previsão legal do Código de Processo Penal (CPP), quando a testemunha, vítima, suspeito ou perito se recusa ou não comparece para depor diante de intimações anteriores. Ou seja, conduzir coercitivamente - sem intimação anterior - é ilegal.

A estratégia ficou famosa em outra operação, a Lava Jato, que banalizou o recurso, tendo na condução coercitiva do ex-presidente Lula, em março de 2016, o seu ápice. Parte do Brasil comemorou a decisão do juiz Sérgio Moro, condenada por advogados e juristas. A medida de Moro foi criticada, inclusive, pelo juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.

A medida de Moro expôs ainda mais a polarização política que vem sendo alimentada no Brasil, nos últimos anos. Nas redes sociais, desafetos desancam a Lava Jato e fãs a entronizam. Coisa típica de uma sociedade que precisa de heróis e vilões. Não devemos confundir justiça com justiçamento.

A condução coercitiva, sem intimação anterior, é uma prática ovacionada orgasticamente contra políticos e empresários acusados de corrupção. Agora, a medida atinge cidadãos comuns. Este é o efeito prático quando a sociedade aplaude a ilegalidade contra seus adversários. Ela própria - a sociedade - também se torna vítima.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Inquietudes (369) do Rei



As capas das revistas "Veja" e "Isto é", desta semana, são reveladoras. Ambas colocam Lula e Moro em um ringue como oponentes.

Para a "Veja", Lula e Moro estão em luta livre; para a "Isto é", ambos são boxeadores tentanto acertar o outro. 

Uma pergunta básica. ?Se Moro fosse imparcial, ele não seria retratado como um juiz a mediar e julgar as acusações do Ministério Público Federal?

Uma conclusão óbvia. Um juiz na condição de adversário pode promover tudo. Menos justiça.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Onde você está?

Charge: Joel Almeida.

Então... quer dizer que quem não trabalha é vagabundo!

Onde você está quando grandes corporações demitem setores inteiros e quem fica faz trabalho de vários?

Onde você está quando trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão?

Onde você está quando mulheres ganham menos que homens para fazer a mesma coisa?

Onde você está quando empregadores assediam moralmente seus funcionários? 

Onde você está quando o governo envia projeto de lei ao Congresso que destrói a CLT?

Onde você está quando o governo envia projeto de lei ao Congresso que destrói a Previdência?

Onde você está quando governos doam terrenos e isentam de impostos grandes empresas que, mesmo beneficiadas com recursos públicos, demitem?

Mesmo assim, você repete que quem não trabalha é vagabundo.
E isso diz muito mais sobre o seu caráter, do que você gostaria.

domingo, 30 de abril de 2017

Mar é


Seja bem-vindo!


Banditismo

O mercado chantageia, ameaça e quer continuar bebendo do sangue do brasileiro. Em entrevista à Folha de S. Paulo, economista-chefe do Itaú Unibanco afirma que juros vão subir se não houver a reforma da Previdência. Itaú é aquele banco privilegiado com o perdão de uma dívida de mais de 20 bilhões de reais. Quem vai enfrentar o banditismo do mercado financeiro?

Inquietudes (368) do Rei

Ainda leio e ouço gente criticando greve durante o expediente. Isso é discurso de empregador, repetido por trabalhador que se acha patrão. Vamos combinar? que fazer greve no dia da folga é o mesmo que fazer greve de fome entre as refeições ou fazer greve de sexo depois de uma rapidinha.

Notas sobre a Greve Geral

Greve Geral! Nenhum direito a menos.

Luta de classes
Reforma trabalhista e da Previdência. A modernização que a elite prega (discurso repetido pela parte tonta da classe média), nas relações de trabalho, não vai transformar o Brasil na Europa, mas em uma China. E você acreditava que tirar Dilma era combate à corrupção. Há! É a luta de classes e muito empregado prefere ficar do lado do patrão.

Greve é greve
Este recado é para você, trabalhador, e não para empregador (enquanto categoria). Se você acha que greve geral atrapalha o transporte, o atendimento em serviço público e que deveria ser feita fora do horário de expediente, então eu digo: isso não seria greve. E lembre-se de que você não precisa parar manhã. Se você for solidário e apoiar quem parar - para lutar inclusive por direitos que você usufrui - já estará fazendo uma grande coisa.

Midia minimiza
A mídia tradicional inflou os protestos contra Dilma e minimiza a Greve Geral. Que aquele um não tenha paz. Vem pra luta!

Tudo, menos jornalismo
Vi uma reportagem na Band News que é de doer. Em Goiânia, a repórter começa dizendo que o dia - 28 de abrol - foi de caos para quem precisou de transporte. Entrevista só com quem reclamava. O texto destacava ainda que era manifestação de sindicalista, MST. Não houve uma frase sobre o motivo da greve: reformas trabalhistas. Nada sobre os projetos que retiram direitos do trabalhador. NADA. Isso é tudo, menos jornalismo. 

Estatísticas
No UOL, estimativa dos organizadores (centrais e sindicatos) dizia que os protestos reuniram 40 milhões pelo Brasil. Acho que é chute. No entanto, não tendo estatísticas nas matérias significa que o número é grande e a mídia tradicional não vai avalizar o sucesso que foi a greve. Se fosse um número negativo para os movimentos, seria capa. PS. Nem a PM divulga estimativas.

Verdade e mentira

Em tempos de pós-verdade, a verdade e a mentira não interessam. A tal pós-verdade está associada ao debate político. Atribui-se um fato a alguém e foda-se! Não vem ao caso se é verdadeiro ou mentiroso. Basta sustentar, independentemente do método, a afirmação inicial. Quem perde com isso? Todos, mas sempre haverá aquele a viver na ilusão de ter saído vencedor.

Inquietudes (367) do Rei

O procurador Deltan Dallagnol e outros dois membros do MPF divulgaram vídeo nas redes sociais convocando a população para se manifestar contra o projeto de lei que pune abuso de autoridades. Na peça, os três fazem política e confundem mais que esclarecem. Eles não explicam algumas questões como:

- Autoridade que não abusa e cumpre a lei será punida se o projeto for aprovado?
- Autoridades da polícia, do MP e da Justiça que cometem abusos (ilegalidades) não podem ser punidas?
- Autoridades devem ter carta branca para agir e imunidade para não serem punidas?

Quem tem poder demais tem de ter ainda mais responsabilidade.