quinta-feira, 21 de junho de 2018

Ainda bem!

Sempre me interessei pelo politicamente correto, enquanto comportamento humano e objeto de estudo científico. Não foi uma - nem duas vezes - que torceram o nariz quando eu dizia que pesquiso esse tema. Ouvia coisas do tipo. __O mundo está ficando chato.

Ver machistas, homofóbicos e racistas sendo detonados - inclusive por quem criticava o politicamente correto - por comportamento inadequado e brincadeira preconceituosamente sem graça não tem preço. O mundo está mais conscientemente correto. Ainda bem!

Aborto, de novo?

__Sou contra o aborto porque defendo a vida.
__Em todos os casos? Até de estupro?
__Aí não. Nesse caso, sou favorável.
__Mas um feto de estupro não é uma vida?
    Cri... cri... cri... cri....

Inquietudes (410) do Rei

É impossível ver o Brasil em campo e não me lembrar de uns fantasmas amarelo-CBF. Xô, satanás! Há!

terça-feira, 5 de junho de 2018

Você não precisa ser

Mulher, você não precisa ser feminista para usufruir de muitos direitos conquistados por outras mulheres, que pagaram com a vida o enfrentamento que você não faz e não quer fazer.

Trabalhador, você não precisa ser filiado a um sindicato para usufruir de muitos direitos conquistados por outros trabalhadores, que pagaram com a vida o enfrentamento que você não faz e não quer fazer.

Negro, você não precisa ser militante de movimento social para usufruir de muitos direitos conquistados por outros negros, que pagaram com a vida o enfrentamento que você não faz e não quer fazer.

Pobre, você não precisa se organizar na periferia para usufruir de muitos direitos conquistados por outros pobres, que pagaram com a vida o enfrentamento que você não faz e não quer fazer.

Gay, você não precisa integrar entidades de homossexuais para usufruir de muitos direitos conquistados por outros gays, que pagaram com a vida o enfrentamento que você não faz e não quer fazer.

Estudante, você não precisa participar do movimento estudantil para usufruir de muitos direitos conquistados por outros estudantes, que pagaram com a vida o enfrentamento que você não faz nem quer fazer.

Empregado, você não precisa entrar em greve para usufruir de muitos direitos conquistados por outros empregados, que pagaram com a vida o enfrentamento que você não faz e não quer fazer.

Cidadão, você não precisa fazer militância partidária para usufruir de muitos direitos conquistados por outros cidadãos, que pagaram com a vida o enfrentamento que você não faz e não quer fazer.

Você não precisa ser feminista, nem filiado a sindicato, nem militante de movimento social, nem se organizar na periferia, nem integrar entidades de homossexuais, nem participar de movimento estudantil, nem entrar em greve, nem fazer militância partidária.

Muitos direitos que você tem foram conquistados por outros. Então... seja - pelo menos - grato a quem fez isso. As conquistas não são aleatórias; são fruto do esforço pessoal e coletivo de muita gente, entidades e movimentos.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Saudades da barbárie

Foto de Silvaldo Leung Vieira, do corpo do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 no Doi-Codi de São Paulo, nos porões da ditadura militar. 

Tenho visitado alguns posts e páginas no Face, que tratam da ditadura militar, com fotos e informações da repressão militar e fico estarrecido ao ler comentários. Reproduzo, com máscaras e luvas, alguns.

"Eu nasci e passei parte da minha infância nessa época , meu pai nunca apanhou de polícia"

"Pra início de conversa, no Brasil nunca houve Ditadura e sim REGIME MILITAR."  

"Meu pai [...] 61 anos. Disse q foi a melhor época desse país."

"Pergunta pra qualquer trabalhador honesto, se na época da ditadura ele sofreu tanto assim.."

"Meu sonho esse tempo voltar. O dia que vagabundo, fumador de maconha e ladrão voltasse a cair na taca."

Os donos dos comentários, em sua maioria, são jovens que afirmam ser aquele período o melhor do Brasil porque havia segurança, trabalho, educação e não tinha espaço para corrupção. Ou seja, como os militares escondiam tudo, a realidade era - e é - linda porque não era conhecida. 

Assim, como os pais desses jovens não sabiam que os militares matavam, os filhos não acreditam que os militares matavam e escondiam o corpo. Não importam as imagens. Não importam as informações. Não importam os relatórios da Comissão da Verdade. Não importam os cadáveres como o do jornalista Vladimir Herzog. Não importam os desaparecidos políticos.

Para essa gente saudosa da barbárie, que pede os militares de volta, torturar - e até matar - é uma moeda do sistema e - azar - de quem se rebelava - e se rebela. Só apanhavam - e apanham - da polícia os vagabundos e os desocupados que ousam atrapalhar e comprometer a ordem e o progresso. 

Esse é o mesmo tipo de gente - muitos com Deus no coração - que critica os direitos humanos porque são para proteger bandido, sem se dar conta de que essas garantias existem para que o estado não se transforme em bandido, no caso da ditadura militar, bandido de farda e coturno.

Sempre desconfiei do poder absoluto da informação para mudar o comportamento humano. Acho-a essencial, mas como fazê-la interferir em crenças profundamente enraizadas? Mudar uma atitude favorável ou contrária a um objeto é uma tarefa árdua demais. 

Muitos dirão que o negócio é investir em educação. Qual educação? Para quem e para quê? Afinal, como disse Paulo Freire, "quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor". Esse parece ser o sonho de boa parte do Brasil.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Inquietudes (408) do Rei

Aí... pedir a volta dos militares, na democracia, é facinho. Quero ver a tontaiada pedir por democracia na ditadura. Há!

Inquietudes (407) do Rei

É triste assistir ao Brasil no caos, mas está divertido ver quem acendeu a fogueira, para queimar os adversários, arder no fogo. Há!

sábado, 26 de maio de 2018

A mídia e os caminhoneiros


A mídia comercial, aquela que apoiou todo e qualquer tipo de manifestação contra a então presidenta Dilma Rousseff, diz que o Brasil é refém dos caminhoneiros e ataca a categoria. 

Quando faz isso, essa mídia blinda Pedro Parente na condução da Petrobras, usada para garantir o dinheiro dos investidores, sufocando o setor produtivo e os trabalhadores. 

É o mesmo Parente que liquida a Petrobrás, entrega o pré-sal e pratica uma política de preços criminosa.

Isso faz parte do programa de governo do PMDB "Ponte para o Futuro", feito para atrair a oposição agradar o mercado e trair Dilma, para tomar o poder.

"Ponte para o Futuro" tem o DNA do PSDB, partido de Pedro Parente que foi ministro do governo FHC.

Quando deixou o governo, Parente assumiu a Vice-presidência Executiva grupo RBS, afiliada à Globo no Rio Grande do Sul. Precisa dizer mais?


E você continua achando que tirar a presidenta Dilma, do cargo, foi por combate à corrupção?

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Moro e a convulsão social

O juiz Sérgio Moro cancelou audiências que faria, nesta segunda (dia 28), sobre o caso do sítio de Atibaia, por causa da paralisação dos caminhoneiros. Moro escreveu, no despacho:

"Há um movimento de paralisação de motoristas de caminhões nas estradas brasileiras. Há uma pauta de reivindicação legítima da respeitável categoria e que deve ser avaliada pelas autoridades competentes. No entanto, o prolongamento excessivo da paralisação e que inclui o questionável bloqueio de rodovias tem gerado sérios problemas para a população em geral, com prejuízos principalmente para o abastecimento de alimentos e de combustíveis nas cidades. [...] Espera-se que prevaleça o bom senso dos envolvidos, com a normalização da situação."

Moro, o Brasil está nessa situação, também, graças à forma como a Lava Jato investiga a corrupção, o que ajudou a levar Temer ao poder. Temer, o ilegítimo, implanta um programa que não disputou votos. Ao lado de quem ajudou derrubar Dilma, Temer desmonta programas sociais, ataca direitos do trabalhador e quer a destruição da Previdência.

Ao mesmo tempo, Temer privilegia o capital rentista e mantém os privilégios, por exemplo, de castas do funcionalismo público como os da sua categoria (magistrado). 

Moro, querido, você tem participação direta na convulsão social que pode se instalar no Brasil. Não peça bom senso à fogueira quando você ajudou a acender o fogo. 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

União por qual Brasil?

Estou lendo muita gente, que se fantasiou de amarelo-CBF, dizendo que o Brasil precisa se unir, que não adianta continuar nessa polarização, que coxinhas e mortadelas precisam encontrar o equilíbrio?

Sério mesmo? Vamos nos unir em torno do quê? Dos direitos do trabalhador ou da supressão desses direitos? Da distribuição de renda ou da concentração? Do acesso à terra ou do fortalecimento do agronegócio?

Vamos nos unir pela inclusão social, pelos direitos humanos ou pela exclusão gerada pelo congelamento de investimentos sociais? Pelo acesso à moradia digna ou pela especulação imobiliária?

Enfim... estamos falando de união pelo bem de que Brasil mesmo?

Inquietudes (407) do Rei

Não digo. Só penso. 

__Você se fantasiou de amarelo-CBF, né! 

Não grito bem feito, tonto, porque estou no mesmo barco furado.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Não é. É!

Não era pelo combate à corrupção. E não é.
Não é pelo Brasil. É pelo privilégio dos de sempre. 
Não é pelas provas. É pela convicção. 
Não é pelos fatos. É pela versão que interessa dos fatos.
Não é pela justiça. É pela vingança. 
Não é pelas leis. É pela aplicação conveniente das leis.
Não é por uma sociedade mais justa. É por uma sociedade meritocrática que mantém as desigualdades. 
E, por isso, vale qualquer coisa. 
O ódio foi bem semeado e a colheita está sendo abundante.
A elite nesse papel é natural, por ser do caráter dela, mas é preciso terceirizar essa tarefa para os estratos sociais abaixo. Isso confere legitimidade. 
O pior ódio não é o de classe. É o ódio da própria classe.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Podia muito, mas não tudo

O juiz Sérgio Moro não podia tudo, mas o TRF4 o deixou pensar que podia. Ministros do STF incensaram o juiz da primeira instância. A imprensa tradicional ignorou as irregularidades da Lava Jato incentivando, todo dia, o juiz na sua cruzada contra Lula. Parte do Brasil aplaude.

Alertas sobre ilegalidades no processo contra o ex-presidente não são novidades, para quem se informa além do Jornal Nacional. A decisão desta semana, da Segunda Turma do Supremo, de retirar de Moro o caso do sítio da Atibaia confirma: Moro não era o juiz natural do caso. Cogitam que isso pode provocar, inclusive, à anulação da decisão do triplex que levou Lula à prisão.

Entre as ilegalidades e imoralidades apontadas na operação estão: condução coercitiva sem convocação anterior; vazamento de informações de processos sigilosos; prisão preventiva para forçar delações; condenações com base na palavra de delatores e em indícios, sem provas irrefutáveis; negação para a defesa produzir provas; negativa de acesso a processos; combinação das operações com a agenda política.

A Lava Jato perdeu a oportunidade de combater a corrupção de forma efetiva porque mirou, principalmente, um núcleo de políticos, enquanto blinda outros políticos, ou seja, a tal seletividade. E, pior, pode contribuir de forma decisiva para o aumento da sensação de impunidade. Claro que vão responsabilizar os excessivos trâmites legais, o direito a recursos, as garantias fundamentais. No entanto, quem combate o crime cometendo crime ou infração não difere muito do criminoso que diz combater.

Inquietudes (406) do Rei

O impeachment da presidenta Dilma, sem crime de responsabilidade, se confirmou como golpe. E a condenação de Lula com base em reformas (que não houve) no triplex vai se confirmar como farsa?