terça-feira, 11 de abril de 2017

Mexeu com um, não mexeu com todos!


Mexeu com uma mulher, mexeu com todas!
Não!
Só se mexeu com uma das nossas; com uma das outras, problema delas.

Mexeu com uma criança, mexeu com todas!
Não!
Só se mexeu com uma criança das nossas; com uma criança dos outros, problema deles.

Mexeu com um gay, mexeu com todos!
Não!
Só se mexeu com um gay dos nossos; com um gay dos outros, problema deles.

Mexeu com um idoso, mexeu com todos!
Não!
Só se mexeu com um idoso dos nossos; com um idoso dos outros, problema deles.

Mexeu com um negro, mexeu com todos!
Não!
Só se mexeu com um negro dos nossos; com um negro dos outros, problema deles.

Mexeu com uma pessoa com deficiência, mexeu com todas!
Não!
Só se mexeu com uma pessoa das nossas; com uma pessoa dos outros, problema deles.

O combate seletivo ao preconceito e à discriminação não combate o preconceito nem a discriminação, apenas a parte que se quer.

Afinal, como disse Nicolau Maquiavel "os preconceitos têm raízes mais profundas que os princípios."

Fonte da imagem: 
 https://br.pinterest.com/pin/84935142952515361/

É brincadeira!


Reprodução: Veja São Paulo.


No ódio cultivado nos últimos anos, a polarização política fez emergir o que já estava dividido. Com isso ganhou corpo o discurso machista, sexista, racista e homofóbico. Acentuou-se o preconceito de classe, que sempre existiu.

Esse discurso não é homogêneo e, por isso, há mulheres machistas e sexistas, negros racistas, homossexuais homofóbicos. A vida não é mesmo linear, mas precisa ser tão embaralhada?

A jornalista Rachel Sheherazade passou por uma saia justa, ao vivo, com o patrão Silvio Santos, no último domingo. Ele disse que ela - se quiser dar opinião política - que compre uma estação de TV; que foi contratada para ler notícias.

O empresário ressaltou a beleza da apresentadora e também questionou se o noivo a deixa trabalhar. Ainda persiste a noção da mulher como propriedade do homem que precisa dar permissão para que ela faça algo.

Silvio Santos, com essa postura, resvala no machismo e no assédio moral. No machismo porque ele destaca a sua beleza e não a sua capacidade intelectual. No assédio, porque está em posição hierárquica superior. Ele é o patrão que manda, e ela, a empregada que obedece.

Com a repercussão, a empregada minimizou a grosseria do patrão, a quem defendeu. "Há que haver um mínimo de inteligência para entender nossas brincadeiras!" Ok! Ela tem o direito de achar que foi apenas uma brincadeira.

Que mania! essa militância tem de estrilar com as brincadeiras! Afinal mandar a mulher pilotar um fogão e cuidar da casa, comparar o negão a um tição e rir da sexualidade do viado é só uma brincadeira, não é mesmo? Não! Não é! É machismo, é racismo, é homofobia. Você pode ser conivente ou não com isso.

Sheherazade foi humilhada ao vivo e não se deu conta. Caso tenha se dado, preferiu minimizar o ocorrido e atacar quem a defendeu do machismo sofrido (
Há que haver um mínimo de inteligência...). Ao ficar do lado do patrão, ela torna-se cúmplice do machismo que ele promoveu.

Como se vê, o feminismo ainda tem muito chão para percorrer e precisa mesmo proteger as mulheres, muitas - inclusive - do machismo delas próprias.

terça-feira, 28 de março de 2017

Inquietudes (366) do Rei

Então... você afirma o tempo todo que o futuro do Brasil está na educação. No entanto, você não se importa (e até aplaude) quando o governo reduz carga horária, corta benefícios dos professores, reduz investimento em infraestrutura e precariza as condições de trabalho. Além disso, você xinga a categoria quando ela se mobiliza para reivindicar. Quando há greve, você reclama porque não tem onde deixar os filhos, como se o professor fosse babá. Quando falar, novamente, que o futuro está na educação, não se esqueça de que não existe ensino sem professor valorizado, sala de aula adequada e condições dignas de trabalho.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Inquietudes (365) do Rei

Quando alguém tem poder demais - cedo ou tarde - abusa dele.

Inquietudes (364) do Rei

Gente do céu! Por onde anda Marina Silva? A mulher tinha opinião sobre tudo no governo Dilma. Com o governo Temer, nada. E olha que aquele um está com lama até o pescoço; quer promover a destruição da Previdência e da CLT; operação da PF detona setores da economia; juiz manda confiscar equipamentos de blogueiro. Não falta assunto para a presidenciável. Será que ela pegou uma carona no avião do Teori e ninguém ficou sabendo? Há!

Estamos perdendo a briga

Com a aprovação da terceirização irrestrita, o empregador poderá contratar empresa e não vai precisar pagar 13o salário, férias, FGTS, INSS. Você acredita que ele vai repassar esses valores para o salário de quem contratar ou vai aumentar seus lucros? 

Pobres já vivem a precarização da terceirização em serviços como portaria, recepção e limpeza. Agora é a vez da classe média. Imagine um hospital em que todas as categorias (enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, técnicos de raio x, psicólogos, assistentes sociais...) sejam terceirizados ou uma escola em que os professores estejam na mesma condição. 

E você pensava que tirar Dilma era para combater a corrupção. No próximo domingo, movimentos que apoiaram a derrubada dela, que não protestarão contra Temer, voltam às ruas para defender, entre tantas causas, as reformas trabalhista e previdenciária. Você trabalhador de classe média vai fazer papel de tonto novamente, fantasiado de amarelo-CBF? Isso se chama luta de classes. E nós trabalhadores estamos perdendo esta briga.

Aí, meu Deus

Aí... a Creide tem uma amiga que está agitada, se preparando para as manifestações do dia 26, aquela que reúne a massa cheirosa.

__Ai meu Deus! Tem protesto no domingo e não estou achando minha camiseta de manifestação amarelo-CBF, nem minha faixa de protesto "Vai pra Cuba". Ai meu Deus! Onde a Maria guarda as panelas. 

A Creide informa a amiga e explica di-da-ti-ca-men-te o que vai acontecer com os trabalhadores com a aprovação da terceirização irrestrita, que atinge em cheio a classe média. Os mais pobres, que são terceirizados, sofrem há tempos com a precarização em serviços como portarias, recepções e limpeza. 

__Você consegue imaginar uma escola ou universidade que terceiriza professores?

__O quê? Aprovaram a terceirização irrestrita que vai ferrar ainda mais a classe média. Vi que Temer e Meirelles querem aumentar impostos. Ai meus Deus! 

A Creide não é tonta e decreta o fim da conversa.

__Volta, querida! 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Inquietudes (363) do Rei

No país da verdade alternativa e da justiça seletiva, caixa 2 tucano é limpinho e caixa 2 petista é sujinho. Crime é crime. O que difere é a pena, apenas. O resto é interpretação para blindar o próprio aparelho excretor.

domingo, 12 de março de 2017

Sobre legitimidade e reducionismo

Tenho medo do discurso dos que carimbam como legítima apenas a ação daquele que vive o que defende, o beneficiário direto de uma causa.
Isso é reducionismo e ajuda em nada a luta de quem luta.

Eu não preciso viver na favela para defender o direito à moradia e à qualidade de vida.
Eu não preciso morar em um assentamento do MST para defender o direito do sem terra à terra. 

Eu não preciso ser doente de aids para defender o direito do paciente ao tratamento.
Eu não preciso morrer nem estar na fila por um rim para defender a doação de órgãos.

Eu não preciso ser negro para defender a luta pela igualdade e combater o racismo.
Eu não preciso ter uma xoxota para defender o direito das mulheres à igualdade e combater o machismo.
Eu não preciso dar a bunda para defender o direito dos homossexuais ao casamento e à adoção.

Os oportunistas que se aproveitam de um discurso para promoção pessoal têm de ser combatidos.
E é fácil reconhecê-los.
Basta ver o histórico das defesas que eles fazem.

Deslegitimar a legitimidade dos que defendem uma causa, por não serem beneficiários diretos desta causa, não é inteligente.
E pode ainda condenar a guetos aqueles que lutam.

sábado, 4 de março de 2017

Sobre rótulo, estigma e preconceito


Para além dos rótulos da relação religião-moralismo-homossexualidade, uma questão chama a atenção na notícia "Pastor da Assembleia de Deus, preso em Joinville, matou o namorado a facadas", publicada no jornal Gazeta de Joinville, neste sábado (4 de março). 

Leia os trechos da reportagem. 1) "Edilson Turato, é acusado de matar seu companheiro, com quem mantinha um relacionamento homoafetivo." 2) "Segundo relato do próprio pastor a justiça paulista, o relacionamento homossexual com seu  companheiro, Marco Antonio Gomes, era conturbado devido ao excessivo ciúme de Marco e o constante uso de drogas do pastor."

Edilson Turato, o assassino, é homem. Marco Antonio Gomes, o assassinado, era homem. Os dois homens mantinham uma vida a dois. Classificar, portanto, o relacionamento dos dois e homoafetivo, neste caso, implica em duas imprecisões da linguagem.

A) Se era conturbado e havia ciúmes em excesso, não era um relacionamento construído no afeto, tanto que chegou ao assassinato de um dos dois. B) Se o relacionamento é entre dois homens, está claro que se trata de homossexuais. Então por que ressaltar que Edilson e Marco Antonio mantinham um "relacionamento homoafetivo" ou um "relacionamento homossexual"? 

Jornalisticamente nem se trata de uma informação porque o relacionamento entre dois homens já diz do que se trata, ou seja, a informação é o relacionamento entre os dois. Afinal, dois homens que transam não têm uma relação hétero. O valor notícia está no fato: o assassinato cometido pelo pastor.

Do ponto de vista linguístico, as expressões "relacionamento homoafetivo" ou "relacionamento homossexual" também não servem para muita coisa, exatamente porque o sentido não está inscrito nas próprias, mas no discurso a que elas remetem. 

Trata-se de um discurso preconceituoso que gera a diferenciação entre o gay e o não gay. Por acaso, quando alguém se refere ao ex-goleiro Bruno, condenado por mandar matar Eliza Samudio, sua ex-namorada, assinala que ambos mantinham um relacionamento heterossexual? 

Outro viés deve ser considerado no uso da expressão "relacionamento homoafetivo", o da linguagem politicamente correta, necessária, mas que também comete exageros. Seria este um exemplo disso? Qual o termo mais correto para o uso jornalístico: relação entre dois homens ou relacionamento homoafetivo? Do ponto de vista do sentido e do discurso, não são a mesma coisa.

Enfim, a resposta não é definitiva e, como se trata de linguagem, as mudanças são rápidas porque a língua é dinâmica. No entanto, uma coisa é certa.  Quando o jornalismo usa esse tipo de rótulo (casal gay, beijo gay, relacionamento homossexual), a pretexto de informar, acaba estigmatizando ainda mais os envolvidos que não precisam dessa ajuda. Afinal, morte, prisão, religião já são campos férteis para os rótulos.

O Brasil do escárnio atual

é aquele onde o goleiro Bruno, condenado por mandar matar a ex-namorada, é solto pelo STF e presos – sem julgamento – continuam presos.

é aquele onde o goleiro Bruno, condenado por mandar matar a ex-namorada – depois de solto – é assediado para selfies por fãs, muitos dos quais dizem ter Deus no coração, defender a vida e são contra a violência contra a mulher.

é aquele onde segurança pobre de lanchonete espanca adolescente de 13 anos que – por causa da fome – abordava clientes – por uma esfiha.

é aquele onde político corrupto aponta a corrupção do outro.

é aquele onde a justiça tem decisões diferentes para crimes iguais, atuando conforme a cara e a posição político-ideológica do acusado.

é aquele onde a população vai para as ruas, derruba governo acusado de corrupção e coloca no poder outros acusados de corrupção.

é aquele que indica – para o cargo mais alto da diplomacia – um político agressivo sem trato diplomático.

é aquele onde – para defender a democracia – apoia político adorador da ditadura militar, da tortura e que promove o racismo, a homofobia e o sexismo.

é aquele onde cidadão de bem faz discurso de ódio e incita a violência contra seus adversários políticos.

é aquele onde pastor, indiciado por safadeza em esquemas de corrupção, ataca a “safadeza” da Disney por apresentar um beijo gay em desenho animado.

Pensando bem... o escárnio no Brasil não é tão atual assim, visto que esse tipo de situação não nasce de um dia para outro.

O escárnio era latente e floresceu porque encontrou condições no Brasil atual.

A grande questão é: o que o Brasil atual fará com o seu escárnio?

Fantasia amarelo-CBF

O MBL e o Vem pra Rua chamam protesto para o domingo 26 de março. Os movimentos - que ajudaram a inflar as ruas contra a presidenta Dilma - vão apoiar a Lava Jato, mas sem "Fora Temer". Como vão apoiar a Lava Jato, se é exatamente o governo Temer que tenta "estancar essa porra", como captado - em áudio - a fala de Romero Jucá, quando conspirava para derrubar Dilma? 

Conforme a Folha de S.Paulo, no mesmo ato de 26 de março - que não terá "Fora Temer", os movimentos vão protestar pelo "fim do foro privilegiado, fim do estatuto do desarmamento e pelas reformas trabalhista e da Previdência." Os movimentos enfiam na mesma manifestação pautas muito diferentes entre si. 

O objetivo não é combater a corrupção do PMDB e do PSDB, parceiros carnais do impeachment. Afinal, são vários os nomes no ministério de Temer, aquele um, envolvidos na Lava Jato. Trata-se de apoiar a reforma trabalhista e previdenciária. De quem é essa proposta? Exatamente de Temer e dos tucanos que governam com ele, em um projeto que não disputou as urnas.

A manifestação de 26 de março, quando protesta contra a corrupção sem protestar contra Temer, abre espaço para atacar direitos trabalhistas e previdenciários. Não será estranho ver trabalhador fantasiado de amarelo-CBF apoiando o fim de direitos trabalhistas. Afinal não foram os mesmos que para derrubar a corrupção de Dilma - puseram no poder - a corrupção de Temer?

Inquietudes (362) do Rei

O pastor Silas Malafaia propõe boicote à Disney por causa de um beijo entre dois meninos em um desenho animado. Agora há gente pedindo mais boicote: a desenhos que ensinam a lavar dinheiro. Como indiciado em esquema de corrupção, o que o pastor diz sobre tio Patinhas ensinar apego ao dinheiro?