sábado, 19 de abril de 2008

Nada além de sonhos


Eles e elas têm muitos sonhos. De crescer. De ter filhos. De ter uma profissão. Será que vão conseguir realizá-los? Esse destino anda mesmo pregando peças.

Camila quer ser veterinária quando crescer. Seu sonho é estudar muito. Muito mesmo. Até fazer Doutorado em Medicina Veterinária. Suas pesquisas pretende direcionar para o estudo das doenças transmitidas dos animais para os seres humanos. Ela acredita que se encontrar respostas para as doenças provocadas pelos animais, pode também encontrar - nos animais - as repostas para muitos outros problemas de saúde do ser humano. É uma hipótese.

Henrique é muito afoito. A adrenalina parece sua substância predileta. Ele quer desafiar a gravidade, testar seus limites, quebrar recordes. Também decidiu o que quer fazer depois de grande. Vai ser um atleta. Seu maior sonho? Representar seu país nas Olimpíadas e, quem sabe, faturar medalhas de ouro e, assim, tornar-se ídolo de toda uma geração, influenciando seu comportamento. Para uma vida saudável, longe das drogas.

Maria sabe que é predestinada. Vai se dedicar ao cultivo da fé. Ela acredita que falta semear amor, solidariedade, união, abnegação, gentileza e outros atributos - que outrora foram mais humanos. Por isso, já se decidiu! Depois de grande, vai ser freira e trabalhar numa ordem de irmãs que se dedicam à proteção e ao cuidado de pessoas. Assim, ela espera com o poder da oração, do amor incondicional e do trabalho voluntário, contribuir para deixar o mundo um pouco melhor.

Gabriel também está decidido. Quer trabalhar com a área da ciência e da tecnologia voltadas para a medicina. Para ele, ambas podem ser usadas para amenizar as dores do mundo. Ele também quer ser médico. Médico de gente. Gabriel diz que não vai medir esforços até descobrir a cura para o câncer. Depois de adulto, vai se dedicar incansavelmente a seus objetivos. Que por ora, são apenas sonhos.

Mariana também alimenta sonhos. Muitos. Ela quer ser empresária. Dessas bem sucedidas que podem interferir no desenvolvimento sócio-econômico de toda uma região. A partir da geração de empregos, ela pretende distribuir riquezas. Pelo menos para o quadro de funcionários do empreendimento que pretende comandar. Para ela, a divisão de lucros para quem ajuda a construir uma fortuna, é mais que uma obrigação moral. É um prazer que deve ser saboreado de forma coletiva.

Juliano não gosta de injustiça e quer lutar contra todas as formas de opressão aos já debilitados. Aqueles que não têm vez, não têm voz numa sociedade consumista e de aparência. Ele deseja brigar pelos marginalizados que nem direito à Justiça têm. Por isso, vai ser advogado e promete atuar em causas populares, em associações que defendem direitos humanos, especialmente, de ribeirinhos, de quilombolas, de atingidos por barragem, de indígenas...

Carolina é sensível, amável e muito gentil. Quer ser enfermeira. Para ela, a medicina cuida muito bem das doenças e, por isso, quer se dedicar aos doentes, principalmente, os que vivem em casa de repouso. Ela pensa em fazer o que muitos filhos não fazem pelos seus velhos, seja lá por qual motivo. Quando fala da enfermagem, ela lembra um guia de profissões, afirmando que observar, cuidar, evoluir o paciente, orientar sobre saúde e medicação, coordenar o trabalho de técnicos estão entre as funções deste profissional.

Bruno também está decidido e sabe que não vai encontrar um cenário fácil, depois de grande. Quer ser professor. Aprender e ensinar são mais que dois verbos. São duas atitudes. Postura de vida que pode levar à transformação. Aliás, ele pretende ser professor para ajudar a transformar. A escola anda desvalorizada; o aprender, desnecessário; o ensinar, desestimulado. Mas ele não teme os desafios e se diz pronto para eles.

Camila. Henrique. Maria. Gabriel. Mariana. Juliano. Carolina. Bruno. Em comum, todos têm sonhos e muita expectativa de vida. Em comum, fazem planos, projetam metas, traçam diretrizes. Em comum, querem viver. E muito. Se vão conseguir realizar seus sonhos? Depende do destino. Este que anda pregando peças. Em comum, Camila, Henrique, Maria, Gabriel, Mariana, Juliano, Carolina, Bruno têm mais uma coisa. Todos são embriões e estão armazenados em um botijão de nitrogênio a quase 200º C negativos, alimentando sonhos. Apenas isso.

4 comentários:

Red & White Cigarettes disse...

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marianacolletti disse...

Reinaldoooo
vou virar fã eim...
adoreiii...
As fotos então, SHOW !!!
cada imagem postada instiga a leitura e a curiosidade de saber o pq dela?!
Mais ainda a sede de saber o final sempre inesperado!
Parabénsss mais uma vezz...

cibele porto disse...

Sonhar e realizar é tudo uma questão de hipóteses. Certo? Não. É uma questão de oportunidades!
(ou não tbm...)
Anyway, adorei Rei!!!

karen disse...

oi Reinaldo...

Excelente crônica!
Como sempre, o final surpreende o leitor.
E a foto casou perfeitamente!

A crônica me fez recordar do trabalho de comunitária que fizemos no abrigo.
Crianças, sonhos, possibilidades(...)

Abraço
Karen