sábado, 17 de maio de 2008

Meu irmão mais velho


O irmão mais velho é muito legal. Além de brincar ele cuida do mais novo. E depois de casado, oferece o filho como afilhado. Aos finais de semana sempre tem churrasco.

Sempre gostei muito de brincar com meu irmão mais velho. Ao mesmo tempo em que eu me divertia, me sentia protegido porque ele cuidava de mim. Sempre atencioso. Fazíamos muita bagunça juntos. Nossa mãe dava bronca, mas no fundo ela gostava do barulho. Mais de uma vez, eu a peguei sorrindo depois de fazer cara de brava.

Um dos nossos passatempos, quando éramos pequenos, era assistir o Sítio do Pica Pau Amarelo. A primeira temporada é memorável. Lá pelo final dos anos 1970 era emocionante se envolver com as histórias do Pedrinho e da Narizinho. Os melhores, vividos por Júlio Cesar e Rosana Garcia. Nunca esquecerei a endiabrada Emília, a boneca de pano da Dirce Migliaccio. E a dona Benta da Zilka Salaberry? Era a avó que todos queriam ter. A ingênua tia Anastácia da Jacyra Sampaio. Dá para citar muitos outros inesquecíveis, como a intelectual espiga de milho que atendia pelo nome de Visconde de Sabugosa, personagem carismático do André Valli.

Quem não se lembra do atrapalhado Zé Carneiro, do magricelo Tonico Pereira? Nem de longe lembra o atual gorducho e bonachão Mendonça, da Grande Família. O canarinho imortalizou o Garnizé e saci, até hoje, tem nome. É o Pererê do Romeu Evaristo. Gente boa mesmo era o Tio Barnabé, do Samuel Santos. Ai! que saudades daqueles tempos. Assistir o Sítio do Pica Pau Amarelo, com abertura na voz do Gilberto Gil, era programa de família, mas antes a gente assistia o Globinho, com a delicada Paula Saldanha. Na programação tinha dois desenhos que não perdia por nada. A Família Barbapapa e a Linha. E há quem nem se lembre.

Meu irmão compartilhou muitas coisas comigo. Ele era atencioso. E a gente se divertia mesmo. Dos desenhos me lembro de alguns que curtíamos juntos. Acho que muitos na época se sentiram um pouco He Man. De fracote a fortão. De príncipe Adam para o herói He Man que livrava Etérnia das garras do Esqueleto e seus asseclas inseparáveis. O abestado Homem Fera. O raivoso Mandíbula. A traiçoeira Maligna. Esse grupo queria mesmo era tomar o Castelo de Grayskull, protegido pela sonsa da Feiticeira. Beleza! Ela era do bem, mas era sonsa.

Quem não se lembra do medroso Pacato sendo transformado – no melhor estilo “Pelos poderes de Grayskull” em Gato Guerreiro? Oh! tempinho bom aquele. Quanta inocência! Mas muita coisa intrigava. O que me chamava a atenção, e eu não entendia mesmo, era como podia o reino de Etérnia, tão tão distante, ter como rainha uma terráquea: Malena, casada com o rei Randor.

Entre um desenho e outro; um programa de TV e outro, competíamos em animadas partidas de basquete. A bola foi presente da avó Cândida no meu 11º aniversário. A molecada da rua preferia futebol. Até torceu o nariz no começo. Como eu e meu irmão insistimos sozinhos, acabamos convencendo o resto. Chegou uma hora que todos tentavam encestar a bola num aro de bicicleta amarrado na árvore.

Mas enfim, esse tempo passa e a gente cresce. Não tem jeito de ser Peter Pan. Chegou a adolescência e com ela os conflitos. As brincadeiras ficaram na infância. Começava um período de muitas descobertas, responsabilidades, contradições, responsabilidades, medos, responsabilidades. Oh! período conturbado! Você não é mais criança, mas também não é adulto. Estudar para passar no vestibular. Procurar emprego. Namorar.

Neste quesito, não tinha pra ninguém. Meu irmão era o cara. Todas o achavam simpático. Educado. Sempre tinha namorada. Saíamos juntos. Era possível ir a pé para os bares e festas, voltar tarde da noite. Em segurança. Na faculdade, nos envolvemos com o movimento estudantil. Dava gosto naquela época. Havia luta. Pintamos a cara e exigimos Fora Collor! Derrubamos o presidente. A gente podia. Não éramos apáticos. Curtíamos o trivial com militância. Havia consciência.

E as coisas continuaram mudando. Meu irmão se casou. Teve dois filhos. Sou padrinho do primeiro. A mulher dele, gente fina. A família se reunia todo final de semana. Churrasco não faltava. Me casei também. Tive filhos. Vida de pai de família não é fácil. Obrigação. Obrigação. Obrigação. Mas dá para conciliar lazer e prazer. E no final das contas tem obrigação prazerosa também.

Todas essas coisas vividas juntas com meu irmão foram fantásticas. Se tivessem acontecido de verdade seriam melhores ainda. Não! ele não morreu no parto. Apenas não existiu porque sou filho único. Mas no fundo o irmão que não tive esteve comigo em muitos momentos da minha vida. Mas por via das dúvidas tive três filhos. Ele brigam, mas se entendem. É melhor não se meter.

3 comentários:

Anônimo disse...

Poderia comentar cada texto em seu espaço mas como sou afobada faço tudo de uma vez. Adorei novamente os textos,principalmente este tom nostálgico que sempre me remete a minha infância.
Parabés

Maria disse...

Nossa o texto realmente me emocionou. Pq sou filha unica e em varios momentos pensei cm eh gostoso compartilhar acontecimentos cm alguem junto cm um irmão, o final eh triste mas foi o q mais gostei pq foi oq me emocionou. Resumindo adorei!!!Parabens.

Anônimo disse...

Poxa me deu medo de envelhece agora, eu tenho inveja de vocês que aproveitaram os melhores anos, tudo era tão.. N tenho palaras para explica mais era tipo as crianças eram feliz de verdade, brincavam de varias coisas, n tinha o computador para nos tranca em casa td bem tinha o video game mais era uma coisa diferente pq sempre vejo gente desse tempo falando que qnd comprava fita nova de joguinhos iam um para casa do outro jogar e depois que zerava ia pra rua brincar pq os jogos n llevavam dois anos pra poder zera kkk e mesmo assim aposto que era tudo bem mais feliz que hj em dia, eu sinceramente tenho 15 anos e n vejo graça alguma no mundo. Acho que nem preciso dizer os motivos né, bom o que importa é que seu texto ficou magnifico, bentido google obrigado por me mostra algo que vale a pena, meu comentário via ficando por aqui digitar pelo celular é ruim rsrs xau vlw pelo texto..