sábado, 16 de agosto de 2008

Esse meu mau humor!



Situações irritantes existem aos montes. Uma que me deixa bravo são perguntas idiotas. Tolerância zero. Dou respostas à altura.


Meu nome é Mário e não me venham com aquela piada infame do armário. Desde criança eu ouço essa e é irritante. Talvez isso tenha contribuído para formar um mau humor crônico na minha pessoa. Como tolero muito pouco algumas situações ainda têm aqueles que, depois de respostas à altura para perguntas idiotas, me mandam procurar um médico. “__A agressividade ainda vai matar você, Mário.”

Tudo bem!... eu vi num telejornal dia desses uma matéria sobre pessoas estressadas e que o mau humorado teria mais chances de sofrer um ataque cardíaco. Duvido! Na minha humilde opinião, só tem ataque cardíaco o mau humorado que não exerce seu mau humor. É por isso que não tolero determinadas situações.

E elas pioram quando a conversa é pelo telefone. Não tem coisa mais irritante que gente desavisada do outro lado da linha. Exemplos? Não faltam. Outro dia, me ligou uma atendente de uma operadora de celular no meu celular e perguntou se eu tinha celular. Disse que não, que estava falando de um orelhão e que não tinha interesse no serviço. Desliguei. Minha mulher – a Rita – me repreendeu. “__Ela só está fazendo o serviço dela!” “__Então que faça bem feito”, devolvi. “__Nossa! como você é mau humorado, Mário.”

Outro exemplo de pergunta idiota ao telefone? Cheguei ao trabalho, sentei-me à mesa e o telefone. “__Trrrrrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiin!” “__Gerência de Mercados; Mário. Bom dia!” “__Quem fala?”, perguntou do outro lado. Se eu já tinha dito Mário, por que o infeliz perguntou meu nome? Quase respondi “__Dunha, aquele que raspou seu (bip) coa unha.” Desta vez, engoli seco e falei meu nome. “M...á...r...i...o!” E a conversa deslanchou.

Nem sempre ela deslancha. Os procedimentos de serviço de telemarketing são de enlouquecer qualquer ser bem humorado, imagine então um mau humorado por natureza. Minha TV a cabo deu um probleminha simples e liguei para o 0800. “__A empresa FulaNEP agradece a sua ligação.” Começou bem! você já viu empresa agradecer? Quem agradece é a pessoa, o tal do componente humano.

Isso me lembra aquelas placas horrorosas em obras. “Desculpe o transtorno. Estamos trabalhando para melhor atendê-lo.” Num shopping eu vi essa placa e fui à gerência. “__Por favor, o Seo Transtorno está?” “__Como?”, perguntou a secretária com cara de mesa de escritório. “__É que eu vi na placa da ampliação do shopping que é para desculpar o transtorno. Quando você encontrá-lo diga que o Mário esteve aqui para desculpá-lo". “__Mário? Que Mário...” Virei as costas e saí. Infelizmente não tinha na sala nenhum armário.

Voltando ao 0800 da FulaNEP, a gravação continuava. “__Para contratar serviços, clique um. Para reparos, clique 2. Para faturas fechadas, clique 3. Para novos lançamentos, clique 4. Para cancelamento de serviços, clique 5. Para reclamações, clique 6. Para sugestões, clique 7. Para elogios, clique 8. Para conversar com um de nossos atendentes, clique 9.” Só faltou – para repetir tudo de novo, clique 10. Ninguém agüenta! Desliguei o telefone e fui procurar o Procon. E não é que o 151 não atende! E depois eu que sou mau humorado.

E aquele amigo deprimido que volta e meia liga para a sua casa, geralmente, às duas da manhã. Aí você levanta no escuro, sai tropeçando no chinelo, acende a luz e lembra que se esqueceu de trocar a lâmpada, quase bate a cara na porta e o telefone insistindo... Lá no sétimo toque, você consegue atender com aquela voz pastosa e o amigo deprimido dispara. “__Oi Mário, você estava dormindo?” “__Não, fiquei acordado sentado na beirada da cama porque sabia que você ia me ligar pra fazer terapia.” E depois eu que sou mau humorado.

A Rita também é campeã em fazer esses tipos de perguntas. Depois de um dia de trabalho em que nada dá certo, você pega um trânsito de mais de uma hora, passa na padaria do lerdo e leva 21 minutos e 10 segundos para comprar três pães, 200 gramas de mortadela, 200 gramas de queijo e dois litros de leite, finalmente chega em casa. O telefone toca e nem abri a porta ainda. Ao tentar fazer isso com a compra da padaria e a pasta cheia de trabalho, quase tudo vai ao chão. Você corre e atende ao telefone lá pelo oitavo toque. “__Nossa amor, você já chegou?” “__Não Rita, é meu corpo astral. O corpo físico ainda está a cinco quadras de casa.” E depois eu que sou mau humorado.

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