sábado, 23 de agosto de 2008

Um sorrisinho amarelo


Quem nunca viveu situações que vão do engraçado ao constrangedor? Pois é, a vida reserva muitas situações dessas. O melhor é rir e fazer disso uma boa piada.

Bola fora. Cara no chão. Sorriso amarelo. Cara de paisagem. Às vezes, a gente fica procurando um buraco para entrar e sair de lá só a hora que todos forem embora. E eu tinha que abrir a minha boca, né. Ô situação! Já que a vida reserva algumas dessas, vamos aproveitar e transformar tudo numa piada. Muitos vão até achar você criativo e duvidar se realmente a situação aconteceu.

Maria era colega de turma na faculdade. Dessas que adota a turma depois de reprovar numa disciplina pré-requisito. Acho que as faculdades, hoje, aboliram isso. Você só podia fazer a disciplina 2, se tivesse aprovado na 1 e assim por diante. Bem, enfim... Maria acabou se formando conosco, mesmo não sendo do grupo original. Na formatura ostentava um barrigão. Terceira gravidez. Discursos e serpentina marcaram aquele dia emocionante. Fui até o primeiro da turma. Bem, enfim... passados alguns meses, vi Maria na rua e fui sorridente cumprimentá-la. Depois de um tempo, trocando informações, todo solícito coloquei a mão sobre a sua barriga. “__E o bebê quando vai nascer?” “__Nasceu já faz quatro meses.” Podia ter dormido sem essa, mas a barriga era tão grande...

Constrangimento eu passei mesmo foi em outra situação. Lurdinha, a minha mulher, queria muito reproduzir, gerar. Fazia um ano que tentávamos e nada. Aí só restavam os exames. Os meus. Os delas. Tem situação mais constrangedora que coletar esperma num vidrinho? É, existem outras sim. Coletar fezes também não é uma situação, digamos glamurosa. Bem, enfim... Marquei com o doutor Américo, que nunca atende na hora marcada, mas estava eu lá. Aflito na recepção. Parecia que todos riam da situação e eu suava frio. “__Reginaldo Aparecido!” Aquilo soou como uma bigorna trilitando na minha cabeça. Quis fazer de conta que não era comigo, mas a atendente parecia um xerife. “__Sou eu”, admiti desconsertado.

Peguei o recipiente e fui orientado a me dirigir à sala de coleta do material. Pasmem! Na porta da sala uma placa escandalosa escrita em letras gigantes. “Sala de Coleta de Esperma”. E pior, a sala é do lado do banheiro e de frente para a recepção, que naquele dia tinha umas 17 pessoas. É que o doutor Américo aluga o prédio para uma equipe de cardiologistas. Isso ajuda a diminuir os custos. Bem, enfim... Entrei na sala de coleta e, num dos cantos, umas playboys. Não tinha cristo que dava jeito. Tentei pensar até na Catherine Zeta-Jones. Eu fantasiado de Zorro. Mas nada. E o pior, era sair dali com o recipiente vazio. Fazia meia hora que estava na sala e não tinha coragem de sair. E a atendente bateu na porta. “__Seu Reginaldo Aparecido, tudo bem?” E a sacana ainda grita meu nome pra todo mundo ouvir.

E por falar em médico, êta racinha essa! Eu só queria uma consultinha para um problema de coluna que carrego faz tempo. Fui à lista do convênio e peguei todos os nomes. Primeira ligação. “__O doutor é especialista em pés.” Segunda ligação. “__O doutor é cirurgião e só opera calcanhar.” Terceira ligação. “__O doutor é especialista em mãos.” Eu só queria um ortopedista. Essa medicina é tão boa que não vê mais o ser humano como um ser integral. Me viam ora como um pé, ora como uma mão, ora como um calcanhar.

Bem, enfim... já não agüentava de dor quando um amigo no escritório deu o telefone do ortopedista dele. E a gente ainda insiste em chamar assim. O meu médico disso. O meu médico daquilo. Se fossem, atenderiam. Bem, enfim... liguei pela quarta vez. “__O senhor já é paciente?” Àquela altura já tinha perdido a paciência. “__Não.” “__Pois é, o doutor só atende joelhos.” “__Moça, meu problema é coluna, mas não tem problema, eu levo os joelhos na consulta.” Não teve jeito. Acabei numa crise de coluna e fui atendido num pronto-socorro.

Felizmente, essas coisas não acontecem só comigo. Tenho um colega no escritório que se meteu numa. O cara é solteiro e diz que gosta de pegar todas. Não perdoa mesmo. Um dia desses, conheceu uma mina. Papo vai. Papo vem. Tudo quase acertado para o motel, quando chega o namorado dela. Ele tenta sair de mansinho, mas a gata pede para ele ficar, que o namorado não é ciumento, que os dois estão buscando um terceiro para uma noite quente. Armando nem considerou a idéia, mas a gata era realmente gata e pedia com tamanha docilidade que Armando ficou desarmado.

Bem, enfim... Armando acabou convencido, desde que o namorado da gata não chegasse perto dele. Armando é macho e a mina uma gata gostosa. Ele contou que foram para o motel, que foi uma loucura, mas – a certa altura – bebeu tanto que apagou. Acordou sozinho e um recado na cabeceira. “__Valeu gatinho. Achamos você lindo e fizemos muitas fotos suas. Espere que elas serão postadas num blog nosso. Pesquise 'garanhão duplo' no Google.” Rapaz, o Armando surtou...

E por falar em surtar, a Lurdinha tem uma tia que vou contar, hein. Todo mundo tem uma tia, daquelas que falam de tudo e de todos. Mas vocês não conhecem a tia da Lurdinha. Essa ganha. Outro dia ela se meteu numa confusão! Estava fazendo a limpeza do altar da igreja, quando um homem entrou. Ela falou um monte de impropérios e botou o coitado pra correr. Disse que fazia isso porque a igreja deveria estar arrumadinha para a missa de logo mais. A de apresentação do novo padre. O coitado tentou argumentar, mas não adiantou. Teve de deixar a igreja. E durante a missa da noite, a tia da Lurdinha quase teve ataque cardíaco. É que ela reconheceu no novo padre, o homem que tinha botado para fora da igreja. Bem, enfim...

Um comentário:

Danilo disse...

Reinaldo Zanardi! se superou nessa hein... Reginaldo Aparecido! Coletar fezes não é glamouroso! ri sozinho aqui. Muito boa, parabéns. Só o final que não foi surpreendente, mas foi o estilo desta né. A linguagem parece conversa de comadres sentadas na calçada de casa no final da tarde. Lembrei da minha avó.