sábado, 30 de agosto de 2008

Quando setembro chegar


Este é um dos meus meses preferidos por ser movimentado e colorido. Movimentado porque tem conscientização pra tudo. Colorido porque marca o início da primavera.

Pego emprestado do compositor uns versos e canto diferente para um mês que promete muitas coisas. “Quando setembro chegar / eu quero estar junto a ti.” Setembro é realmente um mês muito especial. Ele marca o início da primavera, no dia 23, em todo o hemisfério sul. É um mês especial porque traz o colorido das flores. Ah! as flores são muito especiais. O vermelho da rosa fica mais intenso. O laranja da gérbera reflete mais luz. O violeta de algumas orquídeas é, ao mesmo tempo, sóbrio e fashion. O branco dos lírios traduz a singularidade da estação.

E setembro é mesmo um mês bastante movimentado. De muita conscientização. É nele que se comemora o Dia da Árvore. Precisamos de um dia, às vezes, uma semana, para nos darmos conta que devemos proteger nossas árvores. Por que? Porque nossos antepassados passaram a serra em centenárias perobas, jacarandás, jequitibás, cedros, carvalhos e muitas outras. Isso era sinônimo de progresso, de evolução, de desenvolvimento. Talvez, por isso, precisamos ter um dia para lembrarmos que a árvore é necessária à sobrevivência de seres (ditos) racionais e irracionais.

E por falar de semana, setembro é pródigo em semanas nacionais e municipais. Vou citar apenas três exemplos. Primeiro, a Semana Nacional de Doação de Órgãos, organizada pelo Ministério da Saúde. Você acredita que se investe dinheiro público para incentivar cristãos – a maioria dos brasileiros – a serem realmente cristãos? Incentivar o ser humano a ser humano? Pais, por exemplo, que perdem um filho num acidente podem doar os órgãos e salvar uma, duas, várias vidas. Dor é dor e dói mesmo. E o filho já se foi. Não está mais aqui. Aí fazem a doação não para salvar uma vida – aquela que espera até anos numa fila – mas para que quem morreu continue de alguma forma vivendo. É realmente difícil lidar com a morte.

Mas o mais curioso mesmo é gastar recurso público para educar adulto mal educado. Este é o segundo exemplo. A Semana Nacional de Trânsito, uma iniciativa do Ministério dos Transpoortes. Você já viu quantas campanhas educativas para o trânsito? Se realmente campanha educasse ninguém morreria de acidente de carro, ônibus, moto, bicicleta... Dizem que educar adulto mal educado só pelo bolso mesmo. Então não é uma medida educativa. É uma medida coercitiva. E necessária.

O motorista sabe que não pode avançar sinal. E se multado, reclama porque não foi avisado antes. O motorista sabe que não pode fazer conversão proibida, andar na contramão, parar na faixa de pedestre, andar acima da velocidade permitida, estacionar em local proibido. Se é multado, diz que tem indústria da multa. E se tem indústria da multa é porque existe a fábrica da infração. Ação e reação. E beber e dirigir? O motorista enche o caneco, arrebenta-se num poste e lá vai o Siate gastar o nosso dinheiro público. Tudo bem! a Constituição manda. Então que gastemos o nosso dinheiro do jeito que a sociedade quer.

Ah! o terceiro exemplo de setembro é local. A Semana Municipal da Paz, que neste ano está na oitava edição. Muito interessante isso, mas confesso que não entendi direito. Paz? Qual o conceito de paz? O da não violência? Então se não sou violento, sou adepto da paz? E aquela passeata em que todo mundo de branco pede paz! Pedir para quem? Para os bandidos? Para o poder público? Para o vizinho, que nem sabemos o nome? Para nós mesmos?

Paz. Paz. Paz. Isso é o que mais quero atualmente. Confesso que estou um pouco amarga – ácida até – mas é que não me deixam em paz. Me chamam de praga, querem até me exterminar. Vida de abelha arapuá não é fácil, não. Sou um inseto nativo que nem ferrão tem. Sou inofensiva porque não produzo veneno. Posso incomodar? Sim. Afinal devastaram – sabe aqueles antepassados? – minhas áreas nativas e, para sobreviver, preciso atacar com as armas que tenho. Flores, em especial algumas frutíferas, estão entre as minhas preferidas. Posso até fazer algum estrago, mas não é proposital. E, decididamente, cumpro um papel importante na polinização. Causar estrago também faz parte da minha natureza, assim como a natureza humana nem sempre é tão humana.

Um comentário:

Danilo disse...

Reinaldo! A abelha parece que fez pose pra foto!

Sua maquininha de churrasco é mágica hein... hehehehe