domingo, 22 de fevereiro de 2009

Nossos motoristas são...


Muito habilidosos. Dirigem bem, mas o trânsito não ajuda. O fluxo de carro é grande. As ruas mal planejadas. E ainda tem guardinha pra multar. Quem merece?

Maria Aparecida é professora, de dois turnos, e tem um pálio 2003. Ela usa o carro para ir à escola onde leciona todos os dias de manhã e três vezes à noite. A rua da escola é de mão única, mas ela anda alguns metros na contramão para acessar o estacionamento. Se fosse seguir o que manda a legislação ela teria de dar a volta na quadra uma rua antes, acessar outra, depois outra e depois a da mão certa para poder estacionar. Ela economiza com esse jeitinho, mais ou menos 200 metros de combustível.

André Maurício é operário de uma grande metalúrgica e tem um chevette 1991. Dia desses instalaram um pardal (o tal videovigia – um dedo-duro eletrônico) no semáforo de maior movimento da avenida no trajeto do trabalho e não havia placa anunciando a novidade. Ele foi multado por furar o sinal. Duas vezes. Ficou furioso. Ligou numa emissora de rádio da cidade e desancou a companhia que instalou o equipamento. Um absurdo colocar pardal no semáforo e não avisar que vai multar. É a indústria da multa mesmo e o dinheiro nem é revertido em benefícios para o cidadão que paga impostos; e que fura sinal vermelho!

Carla Amanda é bancária e tem um corsa 2006. Ela escolheu todos os acessórios e adora o carro. Aos sábados, manda lavar e pede uma cerinha para deixá-lo brilhante. Todo final de tarde, ela busca o filho na escola e, como o fluxo é grande, sempre para em fila dupla para esperar o moquele. Atrás dela, e de muitos pais e mães com o mesmo perfil, forma-se uma fila de motoristas irritados. Claro que esses se irritam e não entendem porque não têm filho que estudam em escola com rua movimentada.

Mário Sérgio é pastor e a igreja fica numa avenida ainda pouco movimentada na periferia. Ele tem um gol 1998. Como chega ao templo sempre quase no horário do culto, estaciona o carro em cima da calçada no canto do prédio, ao lado de um terreno não construído. O movimento na igreja está aumentando. E para garantir a segurança patrimonial, os fiéis estacionam sobre a grama do canteiro central da avenida, ao lado dos ipês-amarelos recém-plantados. E que o Senhor nos proteja de todo o mal!

Della Vecchya é empresário do ramo alimentício e tem um S80 2008. __Caros leitores, S80 Volvo. S80 Volvo, caros leitores. Cumprido o protocolo de apresentação, voltemos ao Della Vecchya. Ele é um grande avô e sempre que pode leva os três netos para passear. O mais velho de 8 anos vai na frente e os outros dois no banco de trás. Sem cinto de segurança. Como homem ocupado, recebe ligações pelo celular com freqüência. Ele atende as chamadas sem a menor cerimônia, ao volante.

Anunciação é aposentada e não tem carro. Ela adora andar a pé no centro da cidade. Toda sexta vai à feira comprar frutas, verduras e legumes. E não dispensa um pastelzinho. Como o prédio onde mora fica no meio da quadra, ela atravessa no meio da rua, deixando a faixa solitária na esquina. Volta e meia, corta a rua na diagonal em vez de fazer em linha reta. Dia desses, ela quase foi atropelada na frente do próprio apartamento. Também esses motoristas não respeitam pedestres. Ignoram até velhinhas com carrinho de feira no meio da rua. Credo! o mundo não é mais o mesmo.

Pedro Gabriel é estudante universitário e tem um 206 2007. Ele também mora num prédio no centro da cidade e que fica numa movimentada avenida. Toda vez para chegar em casa é um martírio. Em vez de pegar o primeiro retorno a 100 metros, ele resolve o problema fazendo a conversão à esquerda no sinaleiro que tem na esquina do prédio. É uma economia de tempo incrível. Também os órgãos de planejamento urbano insistem em dificultar a vida do motorista. Para que retorno tão longe, Deus do céu!? Além disso, as faixas contínuas proibidas para estacionar à direita, no centro, são um terror. Nada que Pedro Gabriel não resolva, parando assim mesmo, quando precisa em frente a algum prédio. Mas ele liga sempre o pisca alerta. É rapidinho.

Luiz Mauro é diretor de uma central de motoboy e tem uma titan 150 2009. O xodó da casa. Ele vai para o trabalho geralmente, com o capacete no cotovelo. Ele dirige muito bem. Entre os carros no corredor. Sai da esquerda para a pista da direita com uma destreza que não é para qualquer um. Ele se gaba da habilidade que tem no trânsito. Acidente? Somente um, mas não foi muito grave. Ele foi contornar, pela direita, o congestionamento da pista dupla onde estava e bateu numa caçamba no estacionamento.

É cada coisa que acontece. Ninguém espera mesmo. Acidentes são sempre assim. É coisa do destino.

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