sábado, 25 de abril de 2009

Saudades


Falam. Calam. Cantam. Encantam. Congelam. Revoltam. Modelam. Aquietam. Acomodam. Saudades são apenas saudades.

Saudade faz...
Lembrar, querer e sentir.
Relembrar, requerer e agir.
Acusar, defender e cobrir.
Recusar, endurecer e ferir.
Arquivar, absolver e admitir.

Saudade
É dor
Porque afeta.
É calma
Porque aquieta
A alma.

Saudade
Eu tenho todos os dias,
Da infância, sadia.
Da juventude, rebeldia.
Da família, tardia.
Da vida que via,
Tudo passar.
De olhos abertos.
De olhos fechados.

Saudade
Do amor, não vivido.
Do calor, digerido.
Da vida,
Desperdiçada,
Despedaçada.
Conquistada.
Festejada.

Saudade
Dos amigos amigos.
Do abraço que conforta,
Da mão estendida,
Do ombro disponível
Do sim.
E do não.
Saudades
Formam palavras.
Reformam sentimentos.
Endurecem corações.
Deformam sensações.
Confortam corações.

Saudades
São apenas saudades.
Que falam!
Que calam!
Que cantam!
Que encantam!
Que congelam!
Que revoltam!
Que modelam!
Que aquietam!
Que acomodam!

Saudades são apenas
Momento e reflexo.
Nexo e desconexo.
Instantes e constantes.
Começos e recomeços.

Saudades são apenas...
Saudades.

domingo, 19 de abril de 2009

Minha casa


É grande, mas pequena. Sofisticada, mas básica. Rica, mas pobre. Vazia, mas cheia. De gente. De sentimentos.

Minha casa.
É onde vivo bem.
É onde me protejo.
Sem problemas.
Onde curto cada coisa.
Revelada. Conquistada.

Minha casa.
É um barraco.
Pobre.
Onde sobra.
Nada.
Onde moram.
Sogra, filho e nora.

Minha casa.
Tem estrutura.
Onde sobra.
Piscina sem marolas.
Vazia banheira.
Desligada sauna.
Residência de mim mesmo.

Minha casa.
É popular.
Tem agito.
Todos os dias.
Entram vizinhos.
Vizinhos saem.
Trocam coisas.
De afeto a pão caseiro.
Casa de gente.
Muito simples.

Minha casa.
É no condomínio.
Gente pra todo lado.
Número em vez de nome.
Gente que não conheço os sonhos.
Um bom dia forçado.
Uma boa tarde obrigada.
Uma boa noite, sem resposta.

Minha casa.
É de todos.
Está aberta, de porta arreganhada.
O filho atrai amigos.
A molecada não sai nem com sol.
Na TV, vídeo game com pipoca.
Bicho de estimação e bicicleta.
São joões, pedros, lucas.
Muitos nomes.

Minha casa.
É minha vida.
É meu refúgio.
Com endereço certo.
Minha casa não é muito.
E é tudo.
Minha casa.
É minha.
Precisa mais?

sábado, 11 de abril de 2009

A vida a dois


É fácil, mas difícil. Tem prazeres e obrigações. Pede e exige. Quem tem, reclama.
Quem não tem, busca.


A vida a dois.
É mais fácil.
É mais difícil.
É somar.
Quando se quer dividir.
É dividir.
Quando se quer somar.


A vida a dois.
Tem muitos prazeres.
Tem muitas obrigações.
Prazer obrigado.
Obrigações prazerosas.

A vida a dois.
Permite ser o que é.
Exige ser o que não é.
É bom.
É ruim.
Apenas. É assim.

A vida a dois.
Produz.
Mais um.
Mais dois.
Mais outros.
Nós substitui eu.

A vida a dois.
Ganha identidade.
É a Marlene do Reinaldo.
Perde identidade.
É o Reinaldo da Marlene.
Reinado.
De poucos súditos.

A vida a dois.
Pede e exige.
Sorri e chora.
Abre e fecha.

A vida a dois.
É amor.
É sexo.
É amor sexual.
É sexo amoroso.

A vida a dois.
Quem tem.
Reclama.
Quem não tem.
Busca.

A vida a dois.
É melhor.
Que vida a um.
Mas viver em um.
É também opção.
Ou não.
Mesmo assim...
A vida segue.

domingo, 5 de abril de 2009

O tempo...


Ele define. Também conceitua. Cria adjetivos. Substitui sentidos. O tempo é.

O tempo...
Pra que?
Marcar de rugas a expressão?
Amolecer o que foi rígido?
Lembrar que ele manda?
Sim. Não. Talvez.
Os três.
Juntos.
Separados.


O tempo...
Ah! o tempo.
É relativo.
Porque envelheço.
Porque infantilizo.
Porque melhoro.
Porque pioro.
Sou cada vez mais eu.
Com o tempo.

O tempo...
Diz nada.
Quando quero ouvir.
Diz tudo.
Quando não quero.
Impiedoso.
Generoso.

O tempo...
Faz crescer.
No próprio ritmo.
Faz viver.
Coisa pra ser vivida.
Faz querer.
O possível e o impossível.
Faz arrepender.
Das coisas malfeitas.
Das coisas nãofeitas.

O tempo...
Faz acreditar.
Em tudo que posso.
Faz vibrar.
Com o miúdo da vida.
Faz amar. Por amar.
Faz odiar.
E amarga o coração.

O tempo...
Caminha quando não quero.
Para quando quero ir além.
É tudo.
É nada.
Por nada.
Por tudo.

O tempo...
É luz.
É falta dela.
O tempo.
É.
O que quero.
Que seja então.
Apenas em tempo.