domingo, 31 de maio de 2009

São lembranças


Elas são o que são / nada mais / nada menos

Lembranças são o que são.
Ruins.
Boas.
Amargas.
Doces.
E são nossas.

Nos transformam no que somos.
Nos transformam no que seremos.
E o que queremos?

Depende apenas de nós.

Culpar os outros?
É transferir responsabilidade.
Culpar a si próprio?
É penitência!
É auto-flagelo!

Prender ou soltá-las?
Elas são o fim.
E o começo.
O começo do fim.
O fim do começo.

Lembranças são o que são.
Somente lembranças.

domingo, 24 de maio de 2009

A rotina do Almeida


Dizem que ele sofre de transtorno obsessivo compulsivo, mas não admite, nem quem procurar um médico. Todo dia antes de sair de casa, ele faz uma verdadeira via sacra.

Almeida é um cara metódico. Dizem que sofre de transtorno obsessivo compulsivo, o tal do TOC. Deve ser verdade. Ele tem cada mania que deixaria qualquer psiquiatra doido de pedra. É urgente que ele procure ajuda médica, mas não admite que tem problemas e vai levando a vida do jeito que as manias mandam. Dizem que de médico e de louco, todos têm um pouco. Mas o Almeida tem as duas partes é de louco mesmo.

Todo dia antes de sair de casa, ele faz uma verdadeira via-sacra. Primeiro vai aos quartos e verifica se as janelas estão trancadas mesmo e conta até três. Pra ter certeza, força a fechadura para comprovar que estão trancadas. Depois vai aos banheiros e confirma que as torneiras e o chuveiro estão desligados. Pra ter certeza que não tem gota pingando ele coloca a mão embaixo e conta até três. E sai. Volta uma, duas vezes e repete a operação. Quando a gota pinga, ele seca a mão e conta até três novamente.

Depois dos banheiros, ele vai para a cozinha, verifica as sete bocas do fogão. A sétima é do forninho. Bem que a mãe dele sugeriu que comprasse um fogão de quatro bocas. Teria menos trabalho. Depois de ver que está tudo certo ele abre o armário planejado e fecha o registro de gás que alimenta o fogão. Pra ter certeza, passa a mão no registro e verifica que está na posição off. _ _Mas e se o vazamento começar no botijão? pensa Almeida, com medo de começar um incêndio.

Então ele abre a primeira porta da área de serviço, depois a segunda que vai para a varanda e fecha também o registro dos botijões. Pra ter certeza que está fechado, passa a mão no registro e verifica que está na posição off. Depois, ele volta fecha a segunda porta, a da varanda, força a fechadura e conta até três. Depois, ele fecha a primeira porta, a da área de serviço, força a fechadura e conta até três _ _ Será mesmo que fechei a porta da varanda? Então, ele abre a primeira porta, força a fechadura da segunda e conta até três. Depois, ele fecha a primeira porta, a da área de serviço, força a fechadura e conta até três.

Agora, Almeida está pronto para sair. Ele pega sua maleta e vai em direção à porta principal, fecha a porta, força a fechadura e conta até três. _ _ Será mesmo que eu fechei direito as janelas dos quartos? _ _ E se eu não fechei, entrar alguém e levar o que eu tenho? _ _ Eu não tenho seguro e vai ser difícil comprar tudo de novo. Então, Almeida abre a porta e olha para trás pra ver se não vem alguém. _ _ E se entrar alguém enquanto estiver nos quartos e se esconder na sala? Por isso, volta, fecha a porta principal e olha pela sala de TV, copa e sala de estar para conferir se ninguém se escondeu.

Vai aos quartos e verifica se as janelas estão trancadas mesmo. Pra ter certeza força a fechadura para comprovar que estão trancadas mesmo e conta até três. _ _ Será que não fechei as torneiras e o chuveiro? A insegurança martela os pensamentos de Almeida. Por isso, vai aos banheiros e confirma que as torneiras e o chuveiro estão desligados. Pra ter certeza que não tem gota pingando ele coloca a mão embaixo, conta até três e sai.

Já na sala de estar, Almeida aproveita a oportunidade e verifica mais uma vez que as bocas do fogão estão fechadas. Depois de ver que está tudo certo ele abre o armário planejado para conferir o registro de gás fechado que alimenta o fogão. Pra ter certeza, passa a mão no registro e verifica que está na posição off. _ _Mas e se o vazamento começar no botijão? pensa novamente Almeida, com medo de começar um incêndio.

Então ele abre a primeira porta da área de serviço, depois a segunda que vai para a varanda e verifica também o registro dos botijões. Pra ter certeza que está fechado, passa a mão no registro e confere se está na posição off. Depois, ele volta fecha a segunda porta, a da varanda, força a fechadura e conta até três. Depois, ele fecha a primeira porta, a da área de serviço, força a fechadura e conta até três.

Agora, Almeida está pronto para sair. Então ele fecha a porta principal. _ _ Será que eu apaguei todas as luzes da casa? Com medo de lâmpada acesa esquentar demais e provocar um incêndio ele volta para verificar em cada cômodo da casa que as luzes estão apagadas mesmo. Aliviado, ele fecha a porta principal e vai em direção a carro.

_ _ Mas será que eu deixei algum eletro ligado na tomada? Mais uma vez, Almeida abre a porta principal, fecha pra que ninguém entre e se esconda atrás do sofá e começa a inspecionar as tomadas. Verifica se não tem aparelho ligado e pra ter certeza mesmo, passa a mão em algumas tomadas. Depois, ele fecha a porta principal, respira fundo e entra no carro. Tranca o carro e pra ter certeza mesmo que está fechada a porta, ele força a maçaneta interna e conta até três.

Agora, Almeida está pronto para sair.

domingo, 17 de maio de 2009

Muleque questionador


Ele tem uma perspicácia invejada por muitos da família, mas se torna inconveniente quando começa a questionar tudo e todos.

Bruninho é um muleque precoce, que tem o poder de questionar determinadas coisas que deixam os adultos corados de vergonha, não pelo tema em si, mas pela capacitar de desconsertar a todos nas mais informais conversas. O muleque é mesmo um talento. Todo mundo fica feliz com a inteligência dele, mas se irrita quando vira alvo das suas avaliações.

Ele já passou daquela fase de perguntar se papai Noel existe, por que coelho é símbolo da Páscoa se não bota ovo e de onde vêm os bebês... Aliás, neste último tema ele soltou uma pérola dia desses para a funcionária da casa, a Francinalva. Bruno e os pais moram com os avós. Ou os avós moram com Bruno e os pais? Enfim...

A Francinalva reclamava com a avó do Bruno – a Maria Dolores, que o Geraldo – marido da Francinalva – não dá sossego di noite. O pedreiro quer porque quer e não respeita nem dor de cabeça. Depois de ouvir, atentamente, Maria Dolores fica sem reação. Não é que o muleque ouviu a conversa sussurrada e deu a receita!

__Francinalva, isso não é nada bonito e muito menos coisa de garanhão, viu? Isso é doença. Li numa revista que a compulsão por sexo é um distúrbio psiquiátrico e precisa de tratamento.

Francinalva e Maria Dolores miraram o muleque com cara de espanto, entenderam nada, mas continuaram conversando depois que a avó o mandou para outro lugar.

__Bruninho, vai andar de bicicleta e deixa a gente conversar em paz. Isso coisa de mulher.

Obediente, Bruno pega suas revistas e jornais, mas não foi andar de bicicleta. Foi para o escritório.

Nos últimos dias, o muleque está encafifado com a repercussão do caso do deputado estadual paranaense que se envolveu em um acidente de trânsito que acabou matando dois jovens curitibanos. Ele se questiona como pode um deputado continuar dirigindo se a carteira de motorista está suspensa. _ _ A fiscalização é muito fraca mesmo. Isso é, se existe!. Os pensamentos do muleque estão a mil. Ele devora as informações dos jornais e pesquisa muito na internet.

Na hora do almoço – é um sábado e toda a família se reúne no sábado porque no domingo todos vão comer fora porque ninguém quer cozinhar – o assunto do deputado infrator domina a refeição.

__É um absurdo. Imagina se fosse um cidadão comum? Estaria frito, rosna o tio Alfredo, economiário e funcionário de banco estatal.

__A sociedade tem que se mobilizar, não podemos deixar isso assim, diz a tia Tatiana, professora de manhã num colégio público e de tarde num colégio particular.

__Está certa a família dos jovens. Tem que pressionar porque senão ninguém paga pelo crime, afirma o pai do Bruno, o Bruno pai.

__É! nossos políticos não prestam mesmo, afirma o vô Aroldo.

Bruninho está calado, pensativo e com um ar mais sério que o de costume. Todos notam. E o tio Alfredo provoca o sobrinho.

__Você não vai falar nada Bruninho? Você sempre sabe tudo.

__Estava pensando...

__No que? interrompe o tio Alfredo.

__Na hipocrisia.

__Como? quase engasga o tio Alfredo, que entendeu nada.

__Vi que o Paraná e até o Brasil já condenaram o deputado e colocam os políticos todos num saco só, que político é tudo igual, que ninguém presta...

__Mas tudo isso é verdade meu filho, sentencia professoralmente a tia Tatiana.

__É e não é, titia, diz o irônico muleque. __A senhora condena o deputado por dirigir bêbado e com a carteira suspensa, mas outro dia quando fomos ao shopping a senhora bebeu duas cervejas com a mamãe e na volta fez uma conversão proibida. Qual a diferença? O tamanho do risco para a senhora e para os outros?

__Esperaí Bruninho, são coisas muito diferentes, esbraveja o tio Alfredo.

__Tio, o senhor mesmo está com a carteira suspensa. Eu ouvi o senhor falar pro meu pai outro dia. E veio dirigindo aqui hoje. Ou não veio?

__Bruno Caldas, olha a educação... ia dizendo a mãe do muleque quando foi interrompida pelo avô Aroldo.

__Deixa ele, Clara. Vamos ver onde quer chegar.

__Tio Alfredo, como o senhor, somente no Paraná tem 112.208 motoristas com a habilitação suspensa e que não procuraram o Detran para resolver a situação. Eu li isso na Folha de Londrina. E o que é pior, também li na Folha, que de janeiro a abril deste ano 284.480 motoristas foram notificados pelo Detran. Tio, esse número é 7% do total de motoristas do estado. O senhor não acha muito?

__O que você quer dizer com isso, que eu sou pior que o deputado que matou dois jovens no acidente e que ele deve ser inocentado? espuma o tio Alfredo.

__Não! O senhor é um tio muito bacana. O deputado deve sim pagar pelo crime que cometeu, como todos os cidadãos que também cometem seus crimes. A impunidade gera mais impunidade. Mas o que eu quero dizer mesmo é que os políticos são o reflexo da sociedade. São o nosso reflexo. Nem melhor. Nem pior.

__Ah bom, Bruninho, achei que você tava me ofendendo, acalma-se o tio Alfredo.

O avô Aroldo, que sempre dá corda para Bruninho, desta vez se espantou com a perspicácia do muleque. Até ensaiou algumas reações, mas viu que a argumentação do muleque faz sentido. Ninguém diz mais uma palavra e avó Maria Dolores vai fundo.

__Gente, vamos comer senão a comida esfria.

domingo, 10 de maio de 2009

Que bebê mais lindo!


Ser mãe é um desafio diário, uma batalha a ser vencida a cada dia, mas tudo é recompensado com o sorriso mais bonito do mundo.

Meu bebê está com um ano e dois meses. Está engatinhando por todos os cantos da casa, naquela fase em que temos que esconder todos os objetos para ele não brincar de arremesso. Minha mãe diz uma coisa interessante. __Não torture a criança. Se não quer que ela pegue as coisas, tire do caminho. Muito inteligente essa atitude.

E por falar em coisas no meio do caminho, outro dia encontrei a primeira roupinha que ele vestiu, ainda no hospital. Estava lindo naquele macacãozinho azul em dois tons. Guardei os sapatinhos também. Lindos. Bege e marrom escuro. Gosto de guardar porque quero que ele saiba do amor que tenho por ele.

Amor. Só isso pode explicar as coisas que acontecem quando a gente vira mãe. E amamentar é um ato de amor. E de paciência também. Amor porque você precisa se doar. Paciência porque quando o bico do seio racha é uma dor insuportável. Imagina, o bico rachado e o seu bebê mordendo. Tem que amar muito mesmo. E ter muita paciência também.

Paciência, aliás, é uma das virtudes de muitas mães. Dar de mamar e esperar aquela coisa linda e indefesa arrotar. Esperar ele terminar o coco para trocar a fralda. Dar a papinha e achar que ele não vai se lambuzar e, ainda, achá-lo lindo quando se lambuza. Até o pumzinho, que não é cheiroso, tem algo de especial. E levar aquela vomitada, então, só sendo mãe mesmo.

Você agüenta muita coisa para poder criá-lo. Quantas vezes minhas amigas ligaram querendo sair e eu não podia. Até tinha com quem deixar meu bebê de vez em quando, mas o instinto de mãe sempre dizia pra eu ficar. Não me separo dele. E não me arrependo de ter dito não aos encontros das minhas amigas.

Hoje ele já cresceu bastante e até enrola algumas palavras. E como foi lindo o dia que ele disse "mãmã". Claro que foi mamãe que ele disse. Chorei de felicidade. Só passando por essas situações para saber como é. É difícil explicar o que a gente sente. É muita emoção.

E emoção foi a marca do primeiro aniversário dele. A gente tem mesmo que comemorar porque o primeiro ano de vida de uma criança é muito difícil. Ela é muito frágil e qualquer coisa que acontece pode machucar e até mesmo matar. Acho que os pais comemoram mais por eles que pela própria criança. Afinal, o bebê não entende mesmo o que está acontecendo.

Mas como ia dizendo, o aniversário dele foi lindo. Decoramos a sala com balões azuis, brancos e amarelos. O bolo foi do Homem Aranha. Sugestão do avô dele. Havia salgadinho, brigadeiro, cajuzinho, suco, refrigerante e muita diversão. Piscina de bolinha. Cama elástica. Escorregador. Apareceram muitos primos e amigos da família. Nunca esquecerei aquela data. Aliás quero repetir, em grande estilo, todos os anos.

Ah! a primeira mamada, o primeiro banho, a primeira roupinha, o primeiro choro, o primeiro arroto, o primeiro pum, a primeira palavra, o primeiro resfriado, o primeiro aniversário. Cada coisa tem um valor indescritível. Cada coisa tem um significado particular. Vou levar isso para o resto da vida na minha imaginação.

Imaginação sim porque espero que a família do meu bebê o ame como eu, o queira bem como eu, torça para ele como eu. Engravidei e não pude ter essa criança para mim. Sem chance alguma. O pai dele sumiu quando recebeu a notícia. Minha família não deu suporte e não permitiu aborto. Coisa que também não faria. Por nada.

Entreguei o meu bebê para adoção ainda na maternidade. Não o vi nem por uma vez. Assim ele terá uma vida. Isso faz um ano e dois meses. Sei que não sou parte da sua família porque ele tem uma mãe e um pai de verdade. Não me arrependo porque foi a decisão mais acertada. Desejo a esse bebê toda a sorte e felicidade do mundo. E a única coisa que quero é me sentir bem neste domingo. Apenas me sentir um pouco mãe no Dia das Mães.

domingo, 3 de maio de 2009

Precisa-se


Genésio não perde as esperanças e começa mais uma vez, às 5h30, a sua rotina. Ainda bem que ele tem a Madalena.

Mais um dia na minha rotina que não tem sido nada interessante. Levanto às 5h30, tomo um café preto. Seco. Ouço como todos os dias. __Genésio, você terá mais sorte hoje e vai conseguir. Vai com Deus, meu véio. Ai! se não fosse a Madalena, não sei o que seria de mim. Nesses dois anos e cinco meses, a vida não tem sido fácil não. Ela sustenta a casa com o salário de doméstica e nunca me abandonou. Até o dinheiro pro ônibus, ela fornece.




"Precisa-se de motorista com experiência de cinco anos e três cartas de referência."


Vou à empresa de transporte. Durante 15 anos, dirigi numa transportadora de cargas perigosas. Estou ansioso e sentindo que vai ser a minha vez. __O currículo do senhor é muito bom, seu Genésio. Essa transportadora deu boas referências, mas precisamos de alguém mais jovem. As palavras calaram minha voz interior e me jogaram de volta na rua. Lembro da Madalena e não desanimo. O dia vai ser farto.




"Precisa-se de encarregado de depósito com experiência comprovada."

Naquela rede de confecção, o clima é bom. Fui muito bem recebido na portaria, na recepção. As meninas são legais. Durante a entrevista com a mulher do RH, senti que é a minha chance. Até ela abrir a boca. __Seu Genésio, vi que o senhor tem muita experiência em controle de estoque, mas nosso sistema é todo informatizado. Precisamos de alguém que domine o computador. De volta à rua. Mais uma vez.




"Precisa-se de folguista para cobrir à noite e aos finais de semana."


O trabalho é num condomínio de luxo. Vou à agência. Sei que posso fazer muito mais e meu currículo tem experiência e conhecimento em várias áreas, mas tá tão difícil que o jeito é pegar ou largar. __Essa vaga de porteiro já foi ocupada, seu Genésio, mas preenche essa ficha que se aparecer alguma coisa, a agência encaminha o senhor. Já era quase meio-dia. O terceiro não, mas não vou desistir.




"Temos vagas"

Como um salgado na lanchonete da avenida e sigo a minha sina. Em frente à construção do prédio aquela plaquinha me anima. Apesar de não estar no meu roteiro, vou arriscar. Vagas para que? Nem posso fazer luxo. Entro e peço o emprego. __Seu Genésio. Acabei de contratar a pessoa para a vaga. Se o senhor tivesse chegado uns 20 minutos antes. Aquela frase veio para testar a minha fé em Deus. Culpo o salgado da lanchonete. De qualquer forma, agradeço e saio. E de longe eu ouço o responsável pela contratação. __Mário, eu não mandei tirar a placa do tapume! Você não me ouviu? Faça isso agora!

"Precisa-se de açougueiro. Exige-se boa aparência e três anos de experiência."

O supermercado fica bem longe de casa, mas como trabalhei num açougue quando era moço, acho que pode dar certo. Vou arriscar mais uma vez. __Então seu Genésio, mas o senhor não comprovou essa experiência no açougue. Vou saindo da sala quando a mocinha do RH, me chama. __Seu Genésio, como açougueiro não vai dar, mas a rede está aderindo a um programa de incentivo de contratação de idosos. O senhor tem interesse em ser empacotador no caixa?



Ser chamado de idoso com 53 anos é de doer, mas negocio com meus egos e aceito a proposta. Chego em casa e conto para a Madalena que estou empregado. Ela me diz que tinha sentido isso e que tinha comprado uma camisa nova para eu estrear no primeiro dia de trabalho. Ela me abraça e me dá um beijo de confiança. Andei o dia inteiro. Estou muito cansado. Eu e a Madalena, jantamos. Vamos dormir. Preciso descansar nesta sexta-feira, Dia 1º de Maio. Vou começar já no sábado no meu novo emprego, depois de dois anos e cinco meses.