domingo, 14 de junho de 2009

Como é boa essa família


Viver em família é assim mesmo, a gente vai negociando, cedendo aqui para ganhar ali. E a vida segue seu ritmo.

A rotina da minha casa sempre foi muito interessante. A minha mãe nunca deixou de nos dar carinho, mas também sabe muito bem repreender quando é necessário. Ela é rígida e, ao mesmo tempo, amorosa. Todos nós, os filhos, a amamos muito. Não imaginamos viver sem ela.

Me lembro de um episódio quando era pequeno. Eu não queria ir para a escola, porque tinha uns moleques maiores – sempre eles – que me agrediam. Falavam coisas muito chatas. Ser vítima de preconceito é uma coisa realmente triste. Quem já sentiu a discriminação cortar, sabe do que estou falando.

Pois bem, a minha mãe mandou um recado para a professora no caderno de anotações, mas a professora fez nada. Ela até parecia se divertir com a situação. A escola, não deveria, mas é um lugar fértil para discriminação. Quanta! gente – pequena e grande – preconceituosa. Não é nesse espaço que a criança deve aprender a ser cidadão? Como aprender isso, com professores que têm preconceito de todo tipo?

É por isso, que nunca esqueço uma frase que li numa pichação no muro da própria escola. __Nunca deixei que o período que passei na escola influenciasse na minha educação. Mas voltando ao caso dos moleques... contei tudo para a minha mãe. Ela foi na escola, deu de dedo na professora e esperou os moleques no portão. O aviso teve poucas palavras que surtiram muitos efeitos. Aquele grupinho nunca mais me encheu.

Viver em família é um aprendizado diário. Você cede um pouquinho, os outros cedem mais um pouquinho e a convivência vai se tornando possível. Já pensou se ninguém cedesse? Foi assim, quando tivemos – eu e o Lucas – que dividir o quarto com a chegada do Marquinho. Eu disse que não tinha problema ficar com o beliche, desde que fosse a parte de cima. Então deu tudo certo.

E dá certo mesmo na hora do almoço. Cada filho tem uma função. Um ajuda a preparar os alimentos. O outro põe a mesa ou lava a louça. Mais um varre o chão. E assim vai. No dia seguinte, todo mundo troca de tarefa. É para não cansar e todos sabem que a responsabilidade tem que ser dividida.

E responsabilidade lá em casa tem muita. No quintal, cada filho cuida de um pedaço. Eu por exemplo, tenho a missão – diga-se prazerosa – de cuidar do jardim da frente de casa. Eu já plantei muitas flores, mas tenho a minha preferida. Um jasmim branco. Ele reflete a luz nessas manhãs frias, com um sol tímido, mas que teima em atravessar as folhas e galhos. É muito bonito.

E bonito mesmo, foi a minha festa de aniversário. A minha mãe caprichou no bolo, um de cenoura com aquela cobertura durinha de chocolate. Até chapeuzinho e língua de sogra, eu tive. Todos na casa se lambuzaram com os brigadeiros que o tio Arnaldo trouxe. Ganhei de presente uma calculadora científica. Sei que é uma bem baratinha, mas tem um significado especial. Eu usarei muito essa calculadora. Ainda vou para a faculdade de engenharia.

E assim eu tenho mais um ano com a minha mãe e meus irmãos. Fiz 17 e, quando completar 18, devo deixar o abrigo. É uma regra do lugar. Triste, mas é a realidade. Vou aproveitar muito esse período com a minha mãe social. Estão arrumando um lugar para eu morar. Depois que fiz o curso profissionalizante, consegui estágio e tem promessa de ser efetivado. Sei que minha vaga no abrigo será preenchida por alguém que precisa, assim como eu precisei. Por isso, desejo a quem ocupá-la a maior sorte do mundo. A minha já está encaminhada. Ainda bem!

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