quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Teste da autoridade


Amiga de longa data desabafa que o filho de 4 anos testa a sua autoridade o tempo todo. E o pior, ela afirma que sempre cai nas armadilhas do anjinho e se pega em cenas de disputa mirim. Nada mais infantil que pai e mãe fazendo jogo do filho. Divertidamente, ela pergunta se quando ficam mais velhos eles param de nos testar. Doce ilusão...

Eles pioram - ou melhoram? - as estratégias de teste de autoridade materna ou paterna. As artimanhas ficam cada vez mais sofisticadas. Eles criam álibis adolescentes, têm até laudo juvenil. Tudo para provar a inocência.


Nem adianta tecnologia. Essa história de dar celular para filho ir para a balada é roubada. Primeiro, eles demoram para atender - quando atendem. Podem dizer que estão num lugar e estão em outro. É melhor acreditar o que falam se não enlouquecemos. Afinal já fomos jovens.

E o comportamento da galera - com esse substantivo me sinto na idade da pedra (polida é claro!) - é normal. Filho pequeno, pré, adolescente, adolescente tardio, adolescente idoso, sempre vai nos testar. É da natureza deles. Querem vencer pelo cansaço. E eles adoram nos pegar em contradições. E com aquela vontade típica da idade - muito sem coerência - cobram coerência dos pais.

É bom nossos filhos saberem que pai e mãe não erram, cometem enganos involuntários. (risos - amarelos é claro!)
Mesmo com os embates familiares, educar é uma tarefa prazerosa. Com uma ressalva: desde que os pais queiram. Filho dá muito, mas muito mesmo, trabalho. Inclusive quando foram planejados e quando são muito amados. Assim, fica menos doloroso trocar o meu meu pelo meu deles.

Imagine então, educar e vê-los crescer quando não foram desejados. E muitos estão nesta situação. Não acabaram de crescer e se responsabilizam pelo crescer dos seus. Deve ser muito difícil ser pai e mãe, querendo ainda ser apenas filho.

Educar realmente não é fácil, mas é gratificante. Cada dia tem uma descoberta. Simplórias - daquelas que somente o pai e a mãe acham liiiiiiiiiindo - ainda assim são dignas de Oscar, de Nobel. Afinal nossos filhos são a nossa extensão, são o espelho daquilo que nele refletimos.

domingo, 23 de agosto de 2009

Inquietudes do Rei

Quando o jornalista se torna maior que a notícia, a informação vira entretenimento e o profissional, celebridade.

Ôh coisa de póóóóóóóóbre

Ouço aquele dublê de repórter social daquele programa que causa pânico perguntar para uma celebridade.

__Mas você não tem nome duplo - co-lé-ga? Ôh coisa de póóóóóóóóbre colocar nome duplo nos filhos.

__Não! É só Juliana.

__Juliana? Não tem uma Cristina no meio? Uma Aparecida? Uma Regina?

__Não é só Juliana e o sobrenome.

__Tá bom co-lé-ga!

Me dou conta que tenho nome duplo. Reinaldo César.

Mas me consolo. É coisa de uma época. Minhas irmãs também começam com R e as duas têm nome duplo. Roseli Aparecida e Rosana Cristina.

E os primos? Também. Muitos têm dois nomes. Vânia Cristina. Paulo Ademir. Edilson Gleiton. Márcia Patrícia. Evandro Marcelo. Carlos Adriano.

Até gosto, mas não quero ser entrevistado pelo dublê de repórter que a cada três palavras fala um co-lé-ga. Já pensou ouvir isso?

__Reinaldo César? Você não tem nome duplo - co-lé-ga. Ôh coisa de póóóóóóóóbre.

Tudo bem. Posso até com o nome duplo escrever uma história de amor em estilo mexicano.

Reinaldo César seria o mocinho - claro - que disputa o amor da mocinha Francielly Camylla. O vilão Diego Douglas apronta tudo para separar o casal.

Diego Douglas não vai conseguir acabar com a felicidade do casal e vai terminar a trama com a vilã Sônia Soraya - jurando vingança.

Ôh coisa de póóóóóóóóbre.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Faça o que eu digo

O motorista segue na avenida na sua mão e é fechado por um motoqueiro. Em tempo, coloca a cabeça pra fora e dispara.

__Respeite as regras, filho da puta.

O motoqueiro nem toma ciência da situação e segue costurando, ora pela esquerda ora pela direita ora no corredor.

Mais a frente, o motorista - aquele do motoqueiro - faz uma conversão à direita. Sinal fechado. Pedestre sobre a faixa.

__Respeite as regras, filho da puta, dispara o pedestre por pouco atropelado.

sábado, 15 de agosto de 2009

O novo e o velho idoso

Na fila da lotérica, um senhor fica incomodado com outro senhor que furou a fila.

__Aquela homem já estava aqui?

__Não, respondo.

__Então por que ele passou na frente?

__Deve ser por causa da lei dos 60 anos.


__Mas eu tenho 85 e não uso essa lei!

O idoso novo vai a um balcão e pega um cartão da mega sena e volta para o começo da fila, eu já estou sendo atendido. O idoso velho fica revoltado.

__Por que o senhor furou a fila?

__Eu tenho 65 anos.

__Eu sou mais velho que o senhor 20 anos e não estou me aproveitando disso, afirmou o idoso velho rispidamente.

__Tudo bem. Essa é uma opção do senhor. Assim como é minha opção usar um direito meu.

__Mas eu não aprovo isso!

__O fato do senhor não aprovar não tira um direito que eu posso e quero usar. Aliás, agora é a minha vez. Bom dia.

domingo, 9 de agosto de 2009

Nunca é tarde


Ele foi criado de forma muito rígida. Nunca ouviu do pai um eu te amo. O pai dele também foi criado de forma muito rígida. Assim, como o pai do pai dele...

No sofá, em frente à TV ele ouve o noticiário. Fica emocionado com a história do repórter. Um pai que tinha nada. Trabalhava duro. Ralava muito. Mas todo dia, antes de dormir falava para o filho.


__ Eu te amo. E nunca esqueça isso.

Ele se deu conta que nunca havia falado para o filho o quanto o amava. Procurou o menino, que já estava dormindo. Deixou para o dia seguinte.


De manhã, teve de sair cedo. Não viu o filho acordado. Foi para o trabalho. Em cada instante imaginava como seria dizer, pela primeira vez, eu te amo, meu filho.

Na hora do almoço, a marmita teve um sabor diferente. De ansiedade. Ela contava os minutos para voltar pra casa. O dia não passava.

Mas passou. Hora de ir embora. Despede-se dos companheiros de trabalho. Junta as coisas e corre para o ponto. O ônibus não costuma atrasar. A espera é angustiante. E um barulho corta a angústia. Um carro desgovernado invade a calçada. Atinge o ponto e muitos que esperavam.

Agitação. Ele foi atingido. Comoção. Preso sob o carro. Ambulância. Um motorista bêbado. Bombeiros. Ele tem um último pedido. Um socorrista segura sua mão.

__Fale para o meu filho que amo muito ele. E que ele nunca esqueça isso.

domingo, 2 de agosto de 2009

Rejeição


De formas múltiplas. De múltiplas origens.

Rejeição?
Dói.
Machuca.
Marca.
Avilta.
Infiltra.
Desconsola.
Assola.
Viola.

Rejeição é defesa.
Dos incapazes de compreender.
Dos que não integram. Desintegram.
Dos que afastam.
Dos que não convivem. Vivem.

Rejeição tem.
Formas múltiplas.
Múltiplas origens.

Rejeição.
Reclusão.
Exclusão.
Solidão
Escuridão.

Rejeição?
Perdão.