quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Palavras indecentes

O politicamente correto tomou conta das expressões e dos vocábulos. A língua já não é mais a mesma. Mas tem gente que teima em desobedecer as regras...

Carlinhos tem 7 anos de idade, é cego...

__ Senhor Narrador! Cego? Carlinhos tem 7 anos, é uma pessoa com deficiência visual. Corrigiu-me a professora do Carlinhos. Então, tá...

Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que na vila dele, um menor infrator foi preso pela Polícia porque era drogado...

__ Ops! Senhor Narrador! Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma criança com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa.

__Obrigado professora!

Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma criança com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente analfabeto. Ele tinha retardo mental, e...

__ Senhor Narrador, que coisa feia! Atente-se para os bons modos vocabulares! Havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais, e...

__Professora, obrigado!

Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que o bicho pega. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, uma flor de garoto, com trejeitos boiola,

__Mais uma vez, senhor Narrador! Apure o verbo! E é aí que a situação começa a dar ares de complicação... e Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual.

__Obrrrrigado, professora...

Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que a situação começa a dar ares de complicação. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual. Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da vagabunda da vila; o Paulão, o filho do mecânico picareta e corno, ...

__Que absurdo, senhor Narrador! Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da mulher de índole e moral duvidosas da vila; o Paulão, o filho do mecânico desonesto e vítima de adultério em seu matrimônio.

__Arg! Professora...!

Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que a situação começa a dar ares de complicação. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual. Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da mulher de índole e moral duvidosas da vila; o Paulão, o filho do mecânico desonesto e vítima de adultério em seu matrimônio. Como uma das guias da excursão - dona Geni - uma velha simpática. Ela odeia ficar em casa encostada e, muito menos, fazer sapatinho de tricô para os netos mal educados e mimados. Tanto que ela se juntou a outras duas donas para cuidar da excursão. Dona Gervásia, pra lá dos 60 e separada do marido; e Gertrudes, que amigou com o seo Raimundo.

__ Pare, senhor Narrador! Suas palavras soam difamação, cheiram a calúnia. Como uma das guias da excursão - dona Geni - uma senhora simpática. Ela não gosta de ficar em sua residência vivendo de forma passiva e na sua melhor idade não gosta de fazer sapatinho de tricô para os netos de comportamento difícil e temperamento controverso. Tanto que ela se juntou a outras duas senhoras para cuidar da excursão. Dona Gervásia, com mais de 60 anos e divorciada; e Gertrudes, que vive maritalmente com o seo Raimundo. Viu?! Senhor Narrador!

__Put... Sim, professora...!

Carlinhos tem 7 anos de idade, é uma pessoa com deficiência visual. Ele contava que, no conjunto periférico onde mora, além de um adolescente autor de ato infracional que foi apreendido pela Polícia porque era usuário de substância psicoativa, havia um adolescente que apresentava déficit de aprendizagem porque se tratava de um portador de necessidades especiais! E é aí que o bicho pega. Mudou-se para o conjunto periférico onde moravam os três: a criança com deficiência visual, o usuário de substância psicoativa e o portador de necessidades especiais, o Kaká, um garoto com tendências à orientação homossexual. Os quatro resolveram aderir à excursão para Camboriú, organizada pela Associação de Pais e Mestres da escola. O ônibus tinha vários lugares e foram ocupados pela Tina, a filha da mulher de índole e moral duvidosas da vila; o Paulão, o filho do mecânico desonesto e vítima de adultério em seu matrimônio. Como uma das guias da excursão - dona Geni - uma senhora simpática. Ela não gosta de ficar em sua residência vivendo de forma passiva e na sua melhor idade não gosta de fazer sapatinho de tricô para os netos de comportamento difícil e temperamento controverso. Tanto que ela se juntou a outras duas senhoras para cuidar da excursão. Dona Gervásia, com mais de 60 anos e divorciada; e Gertrudes, que vive maritalmente com o seo Raimundo. Durante a viagem aconteceu uma desgraceira. O filho da puta do motorista dormiu no volante da merda do ônibus, caiu numa ribanceira horrorosa e poucos sobreviveram. Apenas o cego, o drogado, o viadinho e as três velhas...

__ Chega! Senhor Narrador. Isso é demais! Durante a viagem aconteceu algo terrível. O coitado do motorista dormiu ao volante do veículo, caiu num precipício de difícil acesso e poucos sobreviveram. Apenas...

Sei, sei , professora... a pessoa com deficiência visual, o usuário de substâncias psicoativas, o garoto com tendências à orientação homossexual e as três senhoras da melhor idade. Ai! Ai! Estou tendo troço. Uma dor na cabeça terrível. Deve ser um derrame...

__Senhor Narrador! Nem nessas horas! Esse xilique é um AVC - acidente vascular cerebral!

* * *
Crônica publicada originalmente no WebJornal ComTexto/Unopar em 30 de maio de 2007.

Um comentário:

TyZ disse...

Ou um ADP - Ataque de Pelanca
XD

Adorei a crônica!