sábado, 7 de novembro de 2009

Buraco de rua

Todo dia faço o mesmo caminho para ir ao trabalho ou levar o filho à escola. Com as últimas chuvas e a falta de manutenção - histórica - do asfalto, os buracos de rua se proliferam como mosquito da dengue em água limpa, parada e sol quente.

No meu trajeto cotidiano, vi nascer um buraco no meio da rua. Começou como todo bebê: pequenino, frágil, indefeso, incapaz de praticar maldade. Vi aquele buraco de rua crescer, foi ficando cada vez maior, robusto. Já não era mais indefeso e sua índole era de praticar maldade. Sua especialidade: quebrar o carro alheio.

Mas sempre mantive uma relação de cuidado. Desviava para não passar por cima dele. Diminuía a velocidade. E percebi o quanto as pessoas são intolerantes. Quando muitos não o viam, xingavam, praguejavam. As pessoas realmente não entendem a natureza de um buraco de rua.

No meio do caminho havia um buraco. Havia um buraco no meio do caminho. Havia porque aquele buraco de rua morreu. Taparam a sua boca. Sua existência findou-se. Hoje passo pelo mesmo caminho e há uma mancha denunciando que um dia ali existiu um buraco de rua. Talvez ele volte um dia com a ajuda da chuva intensa.

Eu não sabia, mas os buracos de rua apresentam ramificações, do tipo metástase, para manter a própria espécie. Depois que aquele buraco de rua se foi, deixou sementes e outros vieram ao longo do meu trajeto cotidiano. Agora vejo nascer outros buracos de rua. Começam como todos os bebês: pequeninos, frágeis, indefesos, incapazes de praticar maldade.

3 comentários:

Eliane disse...

No Calçadão, a gente pode facilmente levar um tombo; Nas calçadas, fazemos uma "caminhada com obstáculos"; Nas ruas, o problema é pros carros. Realmente, Londrina restringe o nosso direito de ir e vir. E tá aí algo com que não se pode ser indulgente: buracos de rua. Eles têm de ser exterminados ainda jovens, sem piedade. Aliás, a eles nunca poderia ter sido dado a chance de nascer. Como sou má!

TyZ disse...

Eu não alimento carinho pelos buracos de rua, Rei =D
Até porque já os vi fazer muito estrago por aqui, hehe
Uma vez, na ladeira que é a minha rua, um motoqueiro passou desavisado por um buraco que já era velho conhecido e odiado nosso. Resultado... A moto deslizu um pouco, mas ele foi quicando até o fim da ladeira!
Hehehe
É da vida!

Reinaldo C. Zanardi disse...

Olá Tyz, eu também não nutro carinho algum por buracos de rua. Encontrei na ironia uma forma de falar mal dessas pragas que se proliferam por nossas ruas. Aí ou aqui. Hahahah