quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Inquietudes (47) do Rei

O que a virada do ano tem de tão especial, quando pensamos em nós mesmos? Comemorar o fim ou o começo? Fim e começo do que? No dia seguinte, tudo volta ao normal e, em muitos casos, com dores de cabeça. Quando estamos bem, a companhia dos nossos é suficiente. O resto é carência.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sobre gravidez, mulher e homem

Leio reportagem na Folha de S. Paulo, de hoje, em que um bebê, nascido na véspera do Natal, sobreviveu a uma queda de dois metros, depois de ter sido atirado dentro de um saco plástico pela mãe, que acabava de dar a luz. Na reportagem, um tom sutilmente condenatório, a começar pela manchete "Recém-nascido é abandonado pela mãe e sobrevive a queda de 2 metros em Belém".

Os motivos da mãe, uma jovem de 20 anos. Segundo a Folha,"foi o medo de ser descoberta por sua família, que é do Maranhão e não queria que ela engravidasse, e pelos patrões em Belém, que a contrataram para ser babá e de quem escondia a gravidez." As informações para a Folha são da Polícia Civil de Belém.

Realmente, a atitude da mãe não é bonita, mas a imprensa quando aborda mães que abondam seus filhos publicam os fatos de maneira sensacionalista e não contextualizam o sofrimento que a mulher passa. Apenas e somente o sofrimento do bebê. Que é real e não deve ser subestimado.

Mas mães que abandonam seus filhos podem sofrer de distúrbios e doenças, por exemplo? Nessas matérias, essa reflexão não é feita. Prevalece o senso comum. Ao final da leitura, a sensação (não! certeza) que fica é que a mulher é um monstro, não tem alma e que não merece ter filhos.

Essa sensação é reforçada pelos comentários dos leitores na reportagem: "Uma vaca jamais faria isso com seu filhote"; "Peste (a progenitora, porque isso não é mãe nunca)"; "lixo humano (a mãe, lógico)." Naturalmente que nem todos os comentários são desse nível. Há leitores que refletem sobre o que lêem.

E por falar em refletir sobre o que ler, façam isso também sobre o que escrevo. Faz sentido ou não? E aqui vão alguns pontos que lanço ao debate. Aviso os navegantes: são pontos generalizados e existem exceções belíssimas. Aqui são provocações para a discussão.

. Por que reportagem desse tipo nunca cita o pai do bebê? Por que a imprensa não busca responsabilizá-lo também? Por que toda responsabilidade pela gravidez é da mulher? Mães que abandonam seus filhos recém-nascidos não engravidaram sozinhas. 

. Gravidez indesejada é consequência e não causa. Consequência da falta de informação, da falta de planejamento familiar, da busca pelo prazer a qualquer custo (de ambos, não só dela hein!) e, principalmente, da falta de educação sexual. De ambos, não só dela hein!

. Questão de gênero 1. A gravidez é responsabilidade exclusiva da mulher. O homem é coadjuvante (talvez por isso, muitos dêem no pé quando a namorada engravida). E muitas famílias viram as costas para a mulher (filha, irmã, sobrinha...), restando-lhe sortes variadas.

. Questão de gênero 2. A sociedade não aceita a mulher que rejeita ou não quer ter filhos. É normal confundir gravidez com maternidade. Conheço excelentes mães que não engravidaram e muitas que engravidaram e que não são boas mães. Por que a mulher tem que parir? É um processo natural? É um processo construído socialmente?

. No caso específico da reportagem em questão 1. Como é a relação dessa garota com a família (e como os pais a tratam?) para ela encontrar coragem para jogar seu bebê pelo muro e não ter coragem para enfrentá-los? 

. No caso específico da reportagem em questão 2. Ela diz que tinha medo dos patrões que a contrataram. Medo de perder o emprego por estar grávida? Quantas mulheres grávidas são demitidas por causa da gravidez tendo seus direitos trabalhistas desrespeitados? Isso não é desumano também?

Se analisarmos a notícia fora do tom condenatório da reportagem da Folha, veremos que a mãe que jogou o filho pelo muro de dois metros não é a única ré da história.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Promessas e sonhos

Promessas renovadas também renovam as esperanças.
Enquanto elas não morrem, ainda podemos sonhar.
Sonhos...
movem,
concretizam,
conquistam,
realizam.
Bastam atitudes.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Inquietudes (46) do Rei

Noel, que não se cansa das viagens, passou e deixou - para todos - paz, saúde e muita luz.
__E os presentes?
__Esses, a gente encontra no shopping mesmo.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ah! essa televisão

Em época de final de ano, a televisão se supera. Exibe programas e reportagens que repetem as fórmulas do ano passado, do ano anterior, do ano anterior, do ano anterior, do anterior... enfim! E o pior, é que a gente assiste.

__Veja as dicas para não cometer gafes no presente do amigo secreto.

__Espumante ou frisante? Veja as diferenças para não fazer feio no fim de ano.

__Aprenda a fazer um peru recheado, macio e - o melhor de tudo - saboroso.

__Vai viajar? Faça uma revisão do carro para não ficar na estrada.

__Veja o que usar na ceia de Natal. Dicas para ela e para ele. 

E a repórter pega o barco com um grupo de voluntários para distribuir brinquedos para crianças em comunidades distantes, que sobrevivem do que a mata oferece. Papai noel magrelo está à caráter. Travesseiro na barriga, barba longa e desfiada, gorro esfolado e o típico casaco vermelho. O voluntário noel assa a 40ºC na subida da barranca do rio. A criançada delira com bolas, bonecas e carrinhos de plástico com rodas que não giram. A repórter pergunta a um menino.

__Você gostou do presente?

À pergunta cretinamente óbvia, uma resposta inocentemente óbvia. Ai se em vez de espírito natalino, o moleque fosse tomado pelo espírito de porco. Ele poderia responder.

__Não! Detestei! Mas como é de plástico, vou levar esse carrinho pra casa e reciclar.

Inquietudes (45) do Rei

Por que Papai Noel parece representante de associações de comerciantes e de promotor de vendas?

Uma coisa simples

Ele é um menino de apenas 5 anos de idade e já sofreu muito. Hoje cresce num abrigo com pais sociais dedicados. O pai dele está preso porque matou a mãe. Ele não viu a cena, mas sentiu cada golpe. Os quatro irmãos foram separados. Cada um dos três foi morar com um tio. Ele foi parar no abrigo porque foi recusado pela família. Ele tem deficiência visual severa. Faltam alguns dias para o Natal e ele escreve uma cartinha para Papai Noel. A mãe, no abrigo, ajuda o menino.

__Querido Papai Noel! Eu não quero muita coisa nesse Natal. Eu quero uma coisa simples: uma família. Papai Noel, um abraço.

Pedidos a Papai Noel

Papai Noel, eu não tive tempo de escrever a minha cartinha de Natal antes.

Eu queria que não existissem preconceito e discriminação.

Eu queria que não existisse gente com fome.

Eu queria que não existisse gente morando na rua.

Eu queria que não existisse desemprego.

Eu queria que não existisse concentração de renda.

Eu queria que não existisse violência no Brasil.

Eu queria que não existisse criança sem pais.

Eu queria que não existisse criança fora da escola.

Eu queria que não existissem políticos corruptos.

Eu queria que não existisse elite corrupta.

Eu sei que o senhor é apenas o Papai Noel.

Eu queria que o senhor existisse para atender os meus pedidos.

domingo, 28 de novembro de 2010

Controlar não é censurar – final


Controlar a partir da participação popular é a chave e o mecanismo para a construção de veículos de comunicação mais democráticos. Chave para abrir os segredos que cercam os interesses dos grupos de comunicação - cujos proprietários juram ser coletivos. Mecanismo para facilitar o acesso do telespectador, ouvinte e leitor ao conteúdo dos meios - tanto de informação quanto de entretenimento.

Esse processo, naturalmente, não será rápido nem construído do dia para a noite, muito menos pela caneta de qualquer representante político. É uma necessidade que deve ser gestada na própria sociedade que deve reivindicar. E negociar. E cobrar. E pressionar. Enfim, participar.

Controlar não é censurar – IV

E por abordar os conselhos, vale lembrar a experiência do jornalista Washington Novaes, no Diário da Manhã, de Goiânia (GO). Experiência registrada no livro "A quem pertence a informação?", editado pela Vozes. Em 1982, o jornalista foi convidado para dirigir o diário goiano e instituiu inicialmente um Conselho Editorial. Participavam todos os editores e as reuniões eram diárias. Os editores podiam levar para a discussão um repórter ou redator. Nas reuniões "um editor fazia a crítica do jornal inteiro (...) Todas as divergências eram resolvidas por votação e todos os votos tinham o mesmo peso. Inclusive o dos donos do jornal."

O jornal começou a ser levado aos bairros da capital goiana para discutir os problemas diante de autoridades que tinham autonomia para dar soluções para questões como saneamento, educação segurança. O jornal promovia debates públicos que eram publicados e grande parte dos problemas era resolvida.

A iniciativa deu tão certo que foi criado o Conselho de Leitores, formado por 50 pessoas representantes, de partidos políticos, sindicatos de trabalhadores e patronais, igrejas, universidades, entre outras. As entidades "se reuniam quinzenalmente, no princípio, e semanalmente, depois, com o mesmo propósito: discutir o jornal, criticar, sugerir. Os debates eram publicados".

Conforme o jornalista, no livro, o jornal sofreu muitas pressões, mas "tinha por norma contar ao leitor sempre que isso acontecia (até para que não se repetisse)." A experiência durou 19 meses e os resultados ficam por conta do próprio jornalista relatar.

"(...) a circulação do jornal multiplicou-se por cinco e ele passou a vende mais, de terça a sábado, que seu concorrente principal (pertencente a um grupo que é afiliado da rede Globo e podia anuncia maciçamente seu jornal na TV, sem custo). Aos domingos, perdia por pouco para esse concorrente, por causa do caderno de TV de O Globo que este reproduzia (dados do IV). Na publicidade, o Diário da Manhã, que perdia de 20 para 1 do concorrente, ao final dos 19 meses já vencia de 5 a 3."

Os resultados falam por si, mas é necessário lembrar que a experiência de Novaes em participação popular num veículo de comunicação tem ainda mais peso se levado em consideração que foi desenvolvida durante o regime militar, mesmo que no final da ditadura, quando o Brasil vivia intensamente o processo de redemocratização.

O aumento da tiragem - as lideranças sociais e comunitárias passaram a se ver no jornal - e da publicidade mostram que um processo de transparência do jornalismo na publicação de notícias só faz bem, naturalmente, para quem não tem nada a esconder. Faz bem para o jornal, para o leitor, para a notícia, para a democracia.

Um conselho de leitores, de ouvintes e de telespectadores só faria bem para os veículos de comunicação que poderiam recuperar a credibilidade - tão propalada em seus anúncios publicitários. E tal experiência teria êxito nos dias de hoje? A resposta é sim, com base em outro meio, a internet, que mostra existir - de maneira informal - um conselho de internautas a partir da publicação de comentários em jornais on line e blogs; e grupos de discussão. No entanto, para que dê certo nos outros meios (impresso, rádio e TV), antes de tudo, os jornalistas têm de descer do pedestal de dono da informação e os proprietários de veículos de donos do poder.

Controlar não é censurar – III

Qual é a solução para que a programação da televisão e de outros meios de comunicação? A participação popular. E esta pode ser de duas formas: através de conselhos de conselho social e conselho de telespectador que podem ser estendidos a qualquer veículo de comunicação; rádio com conselho de ouvintes e jornais, com conselho de leitores.

A prática popular da participação não é novidade no Brasil e vem se consolidando em várias áreas. A da saúde é, talvez, a que tenha um dos processos mais intensos em todo o Brasil. Usuários de saúde, trabalhadores, prestadores e gestores discutem, acompanham e aprovam propostas para a melhoria da qualidade do acesso e dos serviços de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) apresenta ainda muitos problemas, mas alguém tem saudades do antigo Inamps? E foi a participação popular que ajudou a alavancar e a consolidar o SUS.

Por que não um conselho de comunicação social para discutir a qualidade da cobertura dos veículos de comunicação e dos valores da distribuição publicitária de recursos públicos municipais, estaduais e federais? Isso somente para citar dois objetivos.

É necessário qualificar a participação popular com representantes de toda a sociedade imbuídos do interesse coletivo e, com isso, alcançar os melhores resultados para o setor. Existem algumas experiências de conselho municipal de comunicação social [como em Porto Alegre (RS); Camaragibe (PE) e Goiânia (GO)] com aspectos positivos e negativos que podem ensinar o restante do Brasil. Recentemente, a Assembléia Legislativa do Ceará aprovou a criação do Conselho Estadual de Comunicação Social. Ponto para a democracia.

Não cabe neste artigo relatar a experiência desses conselhos, mas chama a atenção nos três casos, cujas realidades são diferentes, que os representantes dos veículos de comunicação foram, na criação do órgão, contrários à proposta e não reconheceram a legitimidade da iniciativa. Este é mais um fato que se torna argumento favorável para a criação dos conselhos.

E a participação - também nos meios de comunicação - não será construída sem pressão dos movimentos populares e sociais. Aqui vale citar, a professora Cicília Peruzzo que lembra o pensador Pedro Demo. Diante dessa situação, concordamos com Demo, ao afirmar que a participação 'não é dada, é criada. Não é dádiva, é reivindicação. Não é concessão, é sobrevivência. A participação precisa ser construída, forçada e recriada'.”

sábado, 27 de novembro de 2010

Controlar não é censurar - II

Censura aos meios de comunicação todo mundo sabe o que significa, até porque a memória do brasileiro em relação aos mecanismos da ditadura militar está viva. No entanto, existe um tipo de censura que poucos conhecem, poucos admitem e poucos discutem: a autocensura. Não se trata de um processo organizado em manual nem sistematizado na redação, mas é perverso para com a informação e o público consumidor de notícias e de entretenimento.

Como funciona então? O comunicador neste caso, o jornalista no dia-a-dia - independente do meio - conhece muito bem a política editorial do veículo para o qual trabalha. Assuntos que não são pertinentes a esta linha e aos interesses do proprietário, muitas vezes, não viram pauta do noticiário.

Algum exemplo? Alguém se lembra de a imprensa londrinense ter publicado o nome dos estudantes de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que invadiram e soltaram rojão no Pronto Socorro do Hospital Universitário para comemorar o fim do ano letivo? Alguém se lembra do nome dos médicos residentes do mesmo hospital que caluniaram a saúde pública, funcionários e gestantes atendidas pelo hospital em comunidade do orkut? Não. A imprensa não publicou.

Agora, a publicação do nome do adolescente que assaltou a farmácia, do nome do pobre acusado de furtar no supermercado e do nome do outro pobre preso durante uma perseguição policial não sofrem restrições e são publicados, às vezes, com destaque. Se duvidar, publicam até o endereço do pobre infeliz. Ter dois pesos e duas medidas na publicação de notícias é autocensura. Diriam muitos, que se trata de senso de preservação do próprio couro ou senso de sobrevivência. Enfim...

O jornalista sabe que rico - se não conhece a legislação - tem dinheiro para contratar advogado que conhece as leis para propor ações contra profissionais e veículos de comunicação, enquanto os pobres - muitas vezes - nem sabem que seu nome foi publicado na imprensa. O jornalista sabe que tal tratamento é diferenciado e que atende aos seus interesses já que está em jogo a capacidade de retaliação dos envolvidos.

Controlar não é censurar - I

O debate sobre a criação dos conselhos de comunicação feito pela grande mídia: os chamados jornalões e as emissoras de TV, é distorcido para confundir a opinião pública. Controlar não é censurar. É uma necessidade, desde que o controle seja popular e transparente com regras construídas coletivamente, para que o poder dos veículos de comunicação seja descentralizado, distribuído, democrático.

O artigo 223 da Constituição Brasileira estabelece que "compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal."

Portanto quando se discute o papel dos veículos de comunicação e sua influência na sociedade não se deve fazer essa discussão apenas na perspectiva do interesse privado - como se faz atualmente e sempre - mas na perspectiva do interesse público, do coletivo, do cidadão e da cidadã comuns. Afinal, rádio e TV são concessões públicas repassadas à exploração privada. E esses grupos ganham muito dinheiro, diga-se de passagem.

O modelo brasileiro de concessão pública repassa à iniciativa privada a exploração de muitos serviços como telefonia e rodovias, ao mesmo tempo em que estabelece regras para a execução de um serviço com qualidade. No entanto, existe um problema sério, as regras não são fiscalizadas e a qualidade do serviço ao usuário deixa a desejar, mas isso é tema para outro artigo. Mesmo assim, as regras existem.

Neste sentido, as concessões públicas fazem parte de uma política pública em que o interesse coletivo deve nortear, inclusive, a sua programação. Então por que não criar parâmetros de qualidade para a TV brasileira, por exemplo? Não há necessidade. Elas já existem e são princípios assegurados pela Constituição de 1988. O artigo 221, que trata da "produção e a programação das emissoras de rádio e televisão", determina que tanto rádio quanto TV atenderão aos seguintes princípios:

"I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família."

Portanto, parâmetros para a qualidade da programação da televisão existem. Faltam mecanismos eficientes de fiscalização e de cobrança para que esses parâmetros repercutam na qualidade dos programas. Discutir este tema levanta os que são contrários à proposta e que invocam a liberdade de expressão como valor absoluto dos veículos de comunicação.

A liberdade de expressão também é um princípio constitucional garantido no artigo 220. "A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição." E com base neste pressuposto, comunicadores invocam o direito de não dar satisfação de nada para ninguém e é aí que reside o perigo.

A liberdade de expressão não pode ser usada como valor absoluto e não está acima da própria constituição. Quem assim o defende pode imaginar que alguém pode usar um espaço na TV (ou em outros veículos) e afirmar que "Fulano não tem moral para falar porque é negro" ou "Ciclano, que é homossexual, não merece respeito." 

A constituição condena a discriminação racial, por orientação sexual, religiosa, de gênero e outros tipos. Portanto, a liberdade de expressão tem limite, não é absoluta, e vai até onde a expressão não se configure ofensa, discriminação e apologia ao crime.

domingo, 14 de novembro de 2010

Inquietudes (44) do Rei

__Mas a auto-estima de muitos negros brasileiros que eu conheço é muito baixa. Eles mesmo têm preconceito de negros.

__É verdade. Gerações e gerações de negros cresceram ouvindo que não prestavam e você quer que eles ainda tenham orgulho disso? 


Viva o Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro.

Inquietudes (43) do Rei

Tenho náuseas quando ouço:
__Brigado eu.

É horrível! Não o agradecimento, mas a expressão.

 

Eu aprendi que quando alguém agradece, o outro responde:
__De nada.

Simples e eficiente.

Inquietudes (42) do Rei

Eu tinha pago. Eu tinha chego. Odeio essas expressões que tentam dar ar
sofisticado ao que não é. Eu tinha pagado. Eu tinha chegado. Por acaso
alguém fala eu tinha cago?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Meu Banco - Sua Desgraça

"O pagamento deste boleto pode ser feito até a data do vencimento em qualquer agência bancária. Depois do vencimento, somente nas agências bancárias do Meu Banco - Sua Desgraça. Após 15 dias, não receber esse documento."

O recado ou aviso ou instrução de pagamento ou ameaça, como descrito acima, geralmente estampa os carnês de pagamento de compras a prazo. Odeio entrevista de economista em telejornal brasileiro que diz que o consumidor deve dar preferência às compras a vista já que a prazo, os juros são maiores. Oras... e quem não sabe disso? Precisa um economista ficar lembrando o pobre infeliz que não tem dinheiro que ele não tem dinheiro?  

Enfim... voltando ao carnê do Meu Banco - Sua Desgraça, o recado ou aviso ou instrução de pagamento ou ameaça vira caso de assédio moral, em muitas oportunidades. O telefone toca.

__Alô, bom dia. Por favor, o senhor Fulano.
__Sim. Sou eu.
__Senhor Fulano, aqui estou falando em nome do Meu Banco - Sua Desgraça.
__Pois não?!
__O vencimento da fatura do seu
[qualquer coisa comprada a prazo em parcelas iguais às das Casas Bahia] venceu há dois dias. Quando o senhor fará o pagamento?
__Venceu quando?
__Há dois dias, senhor. Quando o senhor está programando o pagamento?
__Por que? Vocês não vão cobrar os juros?
__ Um momento senhor... Obrigado por esperar, senhor. Essa medida não está constando da política da empresa.
__Então por que você está me ligando?
__Para programar o pagamento, senhor.
__Mas eu posso pagar até quando?
__ Um momento senhor... Obrigado por esperar, senhor. O pagamento pode ser efetuado até 15 dias depois do vencimento, senhor.
__Então por que você está me ligando?
__Para programar o pagamento, senhor.
__Mas se eu tenho até 15 dias para pagar depois do vencimento por que você está me ligando 13 dias antes?
__Um momento senhor... Obrigado por esperar, senhor. Para programar o pagamento, senhor.


Depois você perde a paciência, fala um monte de impropérios de baixo calão, manda o atendente para lugares inóspitos, você se torna mal educado, grosseiro, ríspido, mal humorado e outras características negativas. Agora, convenhamos... Se você tem até 15 dias depois do vencimento para pagar o carnê do Meu Banco - Sua Desgraça, por que ligam dois dias depois do vencimento?

__Para programar o pagamento, senhor.


Isso não é normal!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Inquietudes (41) do Rei

Pobre se organiza, rico faz lobby. Por que a imprensa é contra a participação popular na comunicação e distorce o debate? Por que a participação é bem-vinda em áreas como saúde, educação, assistência social, criança e adolescente, cultura, meio ambiente, entre outras, mas é rechaçada na comunicação? Conselhos de Comunicação já, com participação popular na definição das diretrizes da política do setor.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Inquietudes (40) do Rei

Pior que o senso comum é o senso comum da classe média brasileira. Esta que se atribui o status de formadora de opinião e possuidora de alto senso crítico.

__Livrai-nos de todo o mal.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Paz: ideal, utopia e lutas


Nunca entendi esse negócio de paz e pomba branca.

Nunca entendi esse negócio de fazer passeata pedindo paz; para quem? De que forma?

Nunca entendi esse negócio de abraçar lagos, vestido de branco.

Haverá paz quando houver justiça social.

Haverá paz quando todos forem iguais na prática e não apenas perante a lei.

Haverá paz quando houver distribuição de riquezas.

Haverá paz quando houver desconcentração da propriedade.

Haverá paz quando houver desconcentração da palavra com o fim do monopólio das comunicações.

Haverá paz quando houver punição efetiva para todos os corruptos, seja da esquerda, seja da direita.

Haverá paz quando a democracia for democrática.

Haverá paz quando a justiça for justa com e para todos.

Haverá paz quando acabar o jeitinho brasileiro (político e cidadão) de levar vantagem.

Haverá paz quando o salário da mulher for igual ao do homem.

Haverá paz quando o negro tiver as mesmas oportunidades que o branco.

Haverá paz quando acabar a discriminação em todas as suas formas.

Haverá paz quando a sociedade e o cidadão tratarem o pobre da mesma forma que tratam o rico.

Será que um dia haverá paz?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Empresário neoliberal

Numa entrevista àquele jornal que cultua celebridades e um certo tipo de políticos, o empresário eleva o tom e defende o seu projeto de desenvolvimento para o país.

__Governo não é pra se meter no mercado. O estado tem que ser mínino. O poder público não tem que interferir porque o mercado se regula sozinho. É assim em países desenvolvidos e se quisermos alcançar essa condição teremos que fazer o mesmo.

O repórter daquele jornal que cultua celebridades e um certo tipo de políticos, pergunta quais os planos do empresário.

__Temos um plano de expansão que inlui gerar 2.500 empregos nos próximos três anos. O projeto já está pronto. Vamos pleitear no município a doação do terreno e a insenção do IPTU e do ISS por 10 anos. No estado, vamos protocolar o pedido de insenção de impostos por um período de 20 anos.

domingo, 10 de outubro de 2010

Varejo e atacado

Enquanto a polícia mata pobre e preto na periferia,
as classes A e B exigem a PM como instrumento de segurança patrimonial.

Aquela em que a vituara passa protegendo as residências.
Para que PM?  Para proteger a vida?
Você confiaria sua vida nas mãos da polícia?

A boca de fumo estourada é notícia de jornal.
O traficante do morro é varijsta e se dá mal.
O dono do atacado mora nas melhores glebas das cidades.
Condomínio fechado. Proteção pessoal.
É amigo de deputado e relaciona-se com juízes.
Janta com quem deveria combatê-lo.
Pois é! Ainda bem que todos os brasileiros são iguais perante a lei.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O MST e os bisavós

No bebedouro, no intervalo do trabalho, eles falam sobre a ação do MST.

__É uma absurdo! Não pode deixar os sem-terra entrar porque se invadir nunca mais tiram eles de lá.
Ela ouve a conversa e concorda com eles.

__É verdade! Se entrar não tira nunca mais. Olhe o exemplo dos nossos avós e bisavós quando chegaram no Paraná, no início do século passado. Invadiram tudo aqui, derrubaram as matas e ninguém conseguiu tirá-los até hoje.


Não é bem assim! O Banco do Brasil já tirou muito pequeno produtor cujas terras eram dos bisavós.

__Foi pra reforma agrária?

__Não! Foi pra pagar dívida com o banco.

__ E os grandes fazendeiros que não pagam seus empréstimos? Também perdem a terra?

__Não! eles contam com a bancada ruralista no congresso para arrolar as dívidas e ainda tomam um cafezinho com o gerente do Banco do Brasil.


Pois é! Ainda bem que todos os brasileiros são iguais perante a lei.

Inquietudes (39) do Rei



Mulher cristã, temente a Deus e árdua defensora da vida doa bebê recém-nacido, menino, 3 quilos 180 gramas, 51 cm, fruto de gravidez decorrente de um estupro, não aceita devolução, doação acompanha exames de pré-natal para atestar a saúde da criança.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O tiririca e o empresário

Qual a diferença política de um candidato tiririca para um empresário que nunca teve atuação política, nem filiação, nem projeto coletivo, nem defendeu uma ideia pública? Absolutamente nenhuma.

Tiririca levanta críticas severas porque as nossas classes média e alta não gostam do que o Tiririca representa: pobre e abestado, para usar um adjetivo do próprio agora deputado federal por São Paulo. Até o termo palhaço usado pela mídia para identificar Tiririca ganhou ares secundários, pejorativos.

O empresário que defende seu projeto pessoal de vida, a Bolsa Gucci, lixando-se para o fortalecimento popular, não recebe as mesmas críticas porque o terno e a gravata ainda povoam o imaginário popular. O terno e a gravata impõem respeito. Falso. Porque é apenas aparente.

Gente simples como Tiririca (não que ele assim seja pessoalmente) incomoda porque a pobreza é repugnante aos olhos médios. Pobre incomoda. Sempre. Pobreza não deveria existir. O empresário de terno e gravata não incomoda porque ele representa sonho de ascensão social.

Mas e a militância? O projeto coletivo? O desprendimento pessoal? A defesa da coletividade? São detalhes políticos que cansam os olhos médios até em época de eleição.

Inquietudes (38) do Rei

Não sou favorável à legalização do aborto porque ele já é legalizado. Quem tem dinheiro não faz aborto, interrompe a gravidez. Por uma discussão séria sobre esse grave problema de saúde pública.

Já vi muita (o) corola de facção religiosa defender a vida de supostos inocentes e, junto, a pena de morte para criminosos. Quanto a vale a vida de um condenado? Mais, menos ou igual a de um feto? Abaixo a histeria religiosa!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sempre o aborto

Um tema sempre delicado e que causa náuseas em épocas de eleição é o aborto. Não precisa ser favorável à medida para perceber que o assunto é um problema de saúde pública. O SUS não faz aborto ilegal, mas paga as consequências de um aborto mal feito ilegalmente. Afinal, meninas ricas são levadas pelos pais e amigas ao melhor médico da cidade para interromper a gravidez, termo politicamente correto e sinônimo? para aborto.

O tema tem implicações de cunho social, moral e religioso que, muitas vezes, cegam os ferrenhos defensores da vida - humana, diga-se de passagem. Afinal, muitas vidas animais e vegetais são abortadas diariamente e não provocam a mesma indignação. Uma vida humana vale mais ou menos que a vida de bois que são mortos para alimentar? Uma vida humana vale mais ou menos que a vida de milhares de árvores centenárias, abatidas para o avanço de áreas supostamente agricultáveis? Afinal vida não é vida?

O aborto tem que ser encarado sim como problema de saúde pública e a gravidez indesejada não deve ser vista como uma punição ao prazer da mulher desfrutável em noites de deleites sexuais, sem a proteção da camisinha. Até porque numa gravidez indesejada o peso recai quase totalmente sobre a mulher. E a mesma sociedade que a condena, absolve o dono do espermatozóide, livre para continuar suas noites de deleites sexuais, sem a proteção da camisinha.

Antes de ser condenado por Bento XVI, antecipo que não sou pessoalmente favorável ao aborto, mas defendo o direito de a mulher escolher essa opção. A bebida alcoólica é legalizada. Os custos sociais da pessoa embriagada, termo politicamente correto para bêbado, são altíssimos. Assim como os custos de quem fuma e adoece. Eu não bebo (um vinhozinho de vez em quando vai bem) e não fumo, nem passivamente, mas nem por isso saio atacando bebuns e fumantes cidade afora. A lei está aí e usa quem quer.

__Mas isso vai aumentar o número de abortos. Vai ser um incentivo à promiscuidade e ao assassinato de seres inocentes.

Isso vai acontecer independente de uma lei que regularize o aborto. Sim porque o que falta é uma educação sexual séria e responsável. Enquanto os pais se omitirem de educar seus filhos de forma sexualmente responsável, estes não vão se prevenir e muito mais do que uma gravidez, que representa vida, ainda podem contrair doenças sexualmente transmissíveis, que muitas vezes representam morte.

A educação sexual deve ser democrática também. A diversidade sexual deve ser respeitada para que o tema não seja visto como tabu, como algo proibido. O preconceito é o grande atraso para o desenvolvimento das sociedades. E a pessoa preconceituosa é a grande barreira para a consolidação de uma cultura de respeito à diversidade. Ninguém é obrigado a conviver com quem não quer, mas respeito é bom. E todo mundo gosta.

Inquietudes (37) do Rei

Numa eleição, quando a cobertura jornalística é irresponsável e partidária, em vez de criar consciência política, a mídia joga a consciência do cidadão e da cidadã na vala comum.

Quem perde com isso é a própria democracia que se vê fragilizada pela falta de participação responsável.

E quem ganha com isso? Os segmentos que souberem se organizar mais.

E o eleitor comum continua achando político "tudo igual", que todos roubam e que não adianta fazer nada.

Combater a corrupção, e a imprensa verdadeiramente livre é fundamental, é uma tarefa muito maior que combater os corruptos deste ou daquele grupo político-econômico-ideológico.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O indignado e a feminista

Ele é um ser indignado por natureza.

Ela é um ser feminista por natureza.

__Por que bom dia? pergunta o reflexo dele para ele próprio no espelho do banheiro.

__A mulher deve ter autonomia absoluta sobre o seu corpo. Se quiser, deve fazer aborto sim.

 
Ele não concorda.

__Como assim?
__É isso mesmo. A decisão deve ser dela.
__Isso não tá certo. É um absurdo.
__Não é a sociedade que condena a mulher que faz aborto? Ninguém quer saber se ela tinha um namorado e quando, ele soube da gravidez, sumiu e a deixou sozinha. Então a decisão é da mulher.
__Mas é uma questão física. O homem não tem útero e ele não vai poder decidir nunca se quer a criança?
__O peso da gravidez é da mulher, tanto social, pessoal quanto profissionalmente. Então é ela quem deve decidir se vai ou não ter a criança.
__Mas onde fica o meu desejo de querer acompanhar a gravidez, curtir a gestação, crescer e brincar com meu filho?

 
Ela para, dá três tapinhas nas costas dele e encerra a conversa.

__Meu amigo, se um dia você estiver nesta situação e agir deste jeito, nenhuma mulher - na vida - vai querer tirar um filho seu.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sobre feijão, boi e embrião

Qual vale mais a vida de um boi ou a vida de um embrião humano?

Qual tem a missão mais nobre o boi sacrificado para alimentar dezenas de pessoas ou o embrião humano que virou pesquisa para curar doenças crônicas?

Quando criança, brincamos de Deus ao fazer a experiência do pé de feijão. Damos vida aos grãos e depois que nascem, crescem e a experiência acaba, os deixamos morrer. Lentamente sobre uma nuvem de algodão ou rapidamente em uma lata de lixo.

Não vale a pena lutar pela vida do pé de feijão da experiência escolar?

A vida de um pé de feijão é menos importante que vida de um embrião humano?

Alguém pode argumentar que o pé feijão não é feijão. É apenas um rascunho, um projeto. Se não vingar não será um fejião.

E o embrião é gente? Se ele não vingar também não passará de um rascunho? De um projeto?

Ambos, o feijão e o embrião, não seriam apenas o simulacro da vida?  Simulacro como "aquilo que a fantasia cria e que representa um objeto sem realidade; aparência sem realidade; visão sem realidade", pelos conceitos de Michaelis.

O conceito de vida está impregnado de valores morais, ideologicamente plantados pelas religiões numa associação divina, a partir de uma orientação bíblica ditada por Deus a santos, que segundo Zeca Baleiro, já foram homens de pecado.

Vida é vida. Defender a vida pode ser uma missão, um compromisso ou uma estratégia. Defender a vida apenas de embriões humanos pode ser oportunismo por não contemplar a vida em todas as suas espécies.

sábado, 11 de setembro de 2010

Fila única

A fila do restaurante é única e ao chegar ao balcão de comida se bifurca. Um grupo vai para um lado. O outro para o outro. O mesmo balcão. Os mesmos pratos frios. Os mesmos pratos quentes. As mesmas saladas.

Ela chega. Entra do lado direito do balcão. A fila estava mais à esquerda, para respeitar os que entram no restaurante.

Ele fica incomodado com a cara de pau porque Ela entrou na frente dele, desrespeitando todos na fila. Baixinho, Ele a denuncia para Ela mesma.

Ele: Furando fila?
Ela: São duas filas. Ninguém está nesta daqui.
Ele: A fila é uma só e quando chega aqui se divide.
Ela: São duas filas. Todos estão naquela.
Ele: A fila é uma só.
Ela: Você quer passar na minha frente?
Ele: Não se trata de passar na sua frente.
Ela: Você quer passar na minha frente?
Ele: Não! E é assim - nas pequenas coisas - que tudo começa dar errado.
Ela: É uma questão de interpretação.
Ele: É verdade! Cada um vê como quer. Eu prefiro a interpretação correta.
Ela: Eu também!
Ele: Muitos bandidos falam a mesma coisa.

Ambos se servem.
Ele pega sobremesa.
Ela não.
O almoço dela não teve um final doce.

Inquietudes (36) do Rei

Um problema só é um problema quando vira um problema. Então não se antecipe aos problemas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sobre estupros e tesão IV

Segundo informações divulgadas pelo Bonde, "exame de corpo de delito realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) revela que não houve conjunção carnal" no suposto estupro a uma menina de 13 anos, por um cantor sertanejo de Ibiporã. Por correr em segredo de Justiça, os nomes não podem ser divulgados.

À equipe do Bonde, o delegado Marcos Belinati, que investiga o caso, disse que "pode ter havido qualquer outro ato que não deixa marca, isso está mencionado no laudo. Pode ter haviado outro tido de relação." O inquérito não tem data para ser concluído.


Não divulgar os nomes dos envolvidos é uma atitude interessante porque se o inquérito concluir que não houve crime, não haverá exposição do acusado. Vale lembrar a presunção da inocência. Ninguém é culpado até que se prove o contrário. Então onde está a reflexão deste caso? Exatamente nisso.

Diariamente, a imprensa e a polícia divulgam nomes, expõem acusados que - no senso comum - acabam condenados sem qualquer julgamento. Naturalmente, que esses acusados-expostos-publicamente-condenados-sem-julgamento, na maioria das vezes, são pobres, sem acesso a advogados. Ou então são acusados presos em flagrantes. Mesmo em flagrante, ainda é acusado. O que é exceção deveria ser regra. Regra do bom senso. Regra da polícia. Regra da imprensa.

domingo, 5 de setembro de 2010

Inquietudes (35) do Rei

Referenciando Sanches, o Wilson - sociólogo, professor e companheiro de Unopar - a classe média* está revoltada com os pobres** do Brasil porque estão votando com a barriga***. Engraçada e triste essa situação.

__A classe média sempre votou com a barriga e a hora que os pobres aprendem a fazer a mesma coisa, a classe média fica revoltada.

*Cidadão que consome política pela Veja, Folha de S.Paulo, Estadão e pela Globo. E acredita!
**Cidadão beneficiado pelos programas assistenciais do governo, como Bolsa Família e Prouni.
***Votar segundo seus próprios interesses.

sábado, 4 de setembro de 2010

Asas sem borboleta


Colorida e frágil.
Camuflada e delicada.
Borboleta,

asas vivas,
que trepidam por aí.

Borboleta,
asas mortas,
repousam apenas.
Belas.
Solenes.
Morte.
Beleza morta.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Comerciantes e comerciantes

O comércio respeita os direitos do consumidor.
Mais. Ou. Menos.
Quando interessa e o comerciante enxerga a possibilidade de ganhar dinheiro, ele segue a cartilha do código rapidamente.
Exemplos não faltam. Apenas dois para ilustração.

O comerciante não é obrigado a trocar peças - dadas como presente - porque o presenteado não gostou do modelo, da cor brega, do tamanho maior que seu número ou simplesmente porque quer trocar o artigo por outro.
Pelo código, o comerciante somente deve trocar as peças que apresentarem defeitos, dentro de um prazo estabelecido e com a nota fiscal em mãos.

__Mas se o comerciante não precisa trocar a peça e troca, então ele é bonzinho!
__Bonzinho uma ova! Ele é interesseiro.


Quando faz a troca, o presenteado somente pode levar outra peça do mesmo valor e como nunca consegue trocar pelo valor igual, acaba gastando mais.

__Viu, onde está a bondade e o interesse?
__Ah! agora entendi. E o segundo exemplo?


É o arrependimento pela compra de um produto, fora do estabelecimento. É o caso das compras por telefone e internet. O artigo 49, do Código de Defesa do Consumidor, diz que o comprador "pode desistir do contrato, no prazo de sete dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço."

O artigo continua no parágrafo único: "se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados."

__Ou seja, essa é uma prática difícil de acontecer. E geralmente as empresas afirmam que isso não faz parte da política interna.
__Não se trata de política da empresa. É uma questão básica de direito do consumidor.

Inquietudes (34) do Rei

Numa democracia, a imprensa fiscaliza os crimes das instituições constituídas.

E quem fiscaliza os crimes da imprensa e de jornalistas?

A sociedade organizada, com participação popular.

Isso não é censura, é controle social.

É preciso aperfeiçoar os mecanismos democráticos numa sociedade democrática.

Afinal, imprensa livre e independente não pode ser acometida de censura, mas não tem carta branca para mentir, manipular, distorcer, supervalorizar uma notícia e esconder outras, conforme seus próprios interesses.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Humor (de humor duvidoso)


Quando o assunto é eleição os ânimos se exaltam e a argumentação beira o gramado, ou seja, lembra coisa de torcedor em partida de clássico de futebol. A lei eleitoral que estabelece regras, inclusive para programas de humor (de humor duvidoso), tenta tornar o processo igualitário para os partidos e candidatos. Afinal num país onde todos são iguais (apenas) perante a lei, não é de duvidar que quem tem mais dinheiro e poder faça programas mais requintados. 

Neste sentido, limitar a ação das piadas prontas em programas de humor (de humor duvidoso) visa, inicialmente, barrar as TVs de fazerem propaganda política subliminar, ou nem tão subliminar assim. Um programa humorístico pode ridicularizar um candidato em benefício do outro? Essa atitude pode influenciar o processo eleitoral e o voto do eleitor?

Se a resposta for sim, vale a lei eleitoral também para programas de humor e humoristas (de humor duvidoso). Isso não se trata de censura como alegam muitos. Trata-se de responsabilidade. A liberdade de expressão não é um valor absoluto e não está acima de outros valores. Ninguém, em nome da liberdade de expressão, pode ofender ou difamar. Isso também é próprio do jogo democrático.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Existem... cristãos e cristãos

__Cristão não vota neste ou naquele candidato.

Este é um argumento que incomoda no atual processo eleitoral, talvez em todos, para presidente da República. Fiquei pensando que na história mundial a igreja cristã andou de mãos dadas com reis e ditadores.

Muita gente foi queimada viva, degolada, enforcada... por não comungar com as crenças hegemônicas. A maioria esmaga a minoria. Na história, por obra de cristãos, muitos não cristãos pagaram com a própria vida.

Cristão que é cristão não deveria pedir que não se votasse em determinado candidato ou candidata. Afinal, ele também conhece (ou deveria conhecer) o livre arbítrio. 

O estado é laico. E assim deve continuar. Afinal, quem invoca Deus também o faz, muitas vezes, de um ponto de vista moral. E o preconceito não é a melhor companhia para se estabelecer políticas públicas.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Deus e os outros

Acredito em Deus e não nos homens - nem nas mulheres - que se julgam porta-vozes Dele.

Inquietudes (33) do Rei

Em tempos democráticos,
contra a opressão institucionalizada,
que cala,
que exclui,
não bastam intenções!
Contra a repressão oficial,
tentativa de diálogo não alivia a exclusão!
É preciso lapidar a organização,
estimular a participação,
forçar a inclusão.
A pressão é necessária.
E legítima.

Inquietudes (32) do Rei

Em tempos militares,
contra a opressão oficial
que mata!
Que tortura!
Que faz desaparecer!
Não bastam flores.
É preciso ação coordenada.
Contra a repressão oficial,
diálogo e pedido de paz não aliviam...
o peso do coturno sobre o pescoço.

domingo, 15 de agosto de 2010

O senso comum é uma praga...

Porque se alastra com muita rapidez, em todos os lugares e sem bom senso.

Porque atinge pessoas de todas as classes sociais, raças e idades, independente da educação formal e do nível intelectual.

Porque faz vítima - do operário ao letrado - em condições leigas e científicas.

Porque se reproduz no pré-conceito que gesta o preconceito.

Porque não avança além da manchete, manipulada, da primeira página.

Porque é reproduzido por gente, que se diz bem informada, porque leu a Veja e assistiu o Bonner no Jornal Nacional. 

Porque é construído no diz-que-diz e no-ouvi-dizer.

O senso comum é uma praga...

Porque se multiplica no não-adianta-discutir.

Porque defende opinião isenta como se fosse possível fazer juízo de valor, sem valor.

Porque encontra eco na voz do vendedor que concorda para não perder o cliente.

Porque a turma-do-deixa-disso diz que política não se discute.

Porque o empresário que paga propina é sempre vítima de extorsão do político ladrão.

Porque justifica o assassinato do pobre na periferia por envolvimento com o tráfico de drogas.

Porque lembra que o menino rico, desviado pelas más companhias, teria um belo futuro pela frente.

O senso comum é uma praga...

Porque classifica o rico como inteligente e o pobre como esperto, numa luta de classe linguística.

Porque legisla que todos são iguais perante a lei.

Porque argumenta que o poder público não funciona e que o setor privado é bom por natureza.

Porque aplicar multa em motorista irregular é um meio de aumentar a arrecadação.

Porque estabelece ao condenado, em dia com a justiça, o direito de ser reintegrado à sociedade que, diariamente, diz não à sua reinserção.

Porque autoriza padres e pastores a intermediar a relação do fiel com Deus.

Porque estabelece padrões. De beleza. De inteligência. De sucesso. De tantas outras coisas.

O senso comum é uma praga...

Porque - como praga - pede que as pessoas tenham senso crítico, mas não permite à crítica ser crítica.

O senso comum é uma praga...

Porque é simplesmente uma praga.

sábado, 14 de agosto de 2010

?bala perdida


A bala não é perdida.
Na confusão conceitual, esconde-se o dono da bala.
?Inventada por autoridades
?Disseminada pela imprensa

A bala perdida é do bandido.
Assinada no crime. Marcada pela violência.
A bala perdida é da polícia.
Manchada pelo erro. Cravada pela incompetência.

Se fosse perdida, a bala não encontraria alguém
...por isso tem nome e sobrenome.
Se fosse perdida, a bala não feria.
...Por isso, tem dono, que mata, que se esconde...
atrás de uma bala perdida.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vitamina S

__A gente trabalha assim há muito tempo.

__Mas vocês não podem pegar o dinheiro e com a mesma mão entregar o salgado. É falta de higiene. E vocês podem transmitir muitas doenças.

__Olha! dona, ninguém nunca reclamou.


A Creide está revoltada e jura que ainda vai às vias de fato, quando ouvir alguém justificar os próprios erros argumentando que ninguém nunca reclamou.

__Então quer dizer que as pessoas somente fazem as coisas corretamente quando alguém reclama? Ou seja ela sabe que está errada e continua errando? É demais!

Na lanchonete, a atendente não mostrou ser muito fiel às normas de higiene e, quando questionada, transferiu a responsabilidade. A Creide ainda vai às vias de fato.

__Em tempos de gripe A, as lanchonetes deveriam tomar mais cuidado quando atendem seus clientes. Vitamina S é um problema grave. S de sujeira.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aqui você não tem preferência


Às 8h, ela vai à padaria buscar a encomenda que fez, no dia anterior.

__Bom dia! Eu vim buscar a encomenda de pão sírio.


A atendente vai até a parte interna da loja e volta.

__Mas o pedido é para o meio-dia.

__Não! Eu pedi para as 8h da manhã.

__É, mas aqui está anotado meio-dia.


Com cara de tenho-mais-gente-para-atender, a atendente quer encerrar a conversa.

__Eu pedi para as 8h. A festa vai ser a uma da tarde. Como eu iria pedir para meio-dia? Eu não cometeria um engano desses.

A atendente troca olhares com a outra atendente que é filha da dona da padaria, que vai até o caixa verificar com a mãe, a dona do estabelecimento.

Depois de remexer num monte de anotações, ela verifica que são dois pedidos de pão sírio. Um para as 8h. Outro para o meio-dia.

__É! Alguém anotou o pedido, mas não agendou, diz a caixa-mãe-proprietária-da-padaria, sem resolver o problema. E o pior, olhava para a cliente como se ela fosse a responsável pela confusão.

Sem apresentar solução para o problema, a coitada da cliente sugere pegar o pão sírio mais tarde. Não quer passar vergonha com os convidados.

O padeiro-casado-com-a-caixa-dono-do-estabelecimento - de dentro da parte interna - diz que faz para as 11h, sem a menor vontade de resolver o problema que eles mesmo criaram.

Passo no caixa, pago minha conta - cinco pães, 150 gramas de carolina, 200 gramas de mortadela - e vou embora. Não sei o desfecho do pão sírio.

O fato é que o comércio está longe - generalizadamente, naturalmente - de tratar bem o consumidor. O comerciante culpa o cliente quando este está errado. O comerciante culpa o cliente quando este não está errado.

E o problema não é apenas naquela padaria-lerda-da-vila - como demora o atendimento, sem falar que as atendentes não têm capacidade de esboçar um bom dia sorrindo, até parece que acham que vou pedir fiado.... Voltando ao problema...

Essa situação no Brasil é generalizada para pequenas, médias e grandes empresas. Outro exemplo? Atendimento 0800 de operadora de celular. Um inferno! somente para ficar num substantivo-adjetivo.

Os ensinamentos de órgãos de apoio ao empresário parecem norma de etiqueta usada somente em congressos corporativos como discurso. Sim porque na prática, a teoria está longe de ser uma realidade e o consumidor crítico - que deveria ser tido como consultor gratuito - é nada mais que um incômodo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sobre estupros e tesão III

Segredo de justiça impede a divulgação do nome do cantor sertanejo de Ibiporã, acusado de estupro de uma adolescente de 13 anos. Letras Crônicas tratou do assunto em "Sobre estupros e tesão" e "Sobre estupros e tesão II"

O cantor sertanejo foi indiciado pela polícia, conforme divulgação do Bonde. O inquérito depois de concluído será remetido ao Ministério Público. E a proteção à imagem do acusado - com segredo de justiça - mostra que se trata de gente com influência e acesso a advogados.

Pobres não podem se dar a esse luxo porque advogado não é gênero de primeira necessidade. Afinal custam caro, muito caro. Por isso, quando pobre é acusado acaba execrado publicamente tanto pela polícia quanto pela imprensa. Decididamente, os brasileiros não são iguais perante a lei. Lamentável!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Inquietudes (30) do Rei


Rugas não são um problema, se acompanhadas de conteúdo.
Sem conteúdo, até formas belas são um problema.
Tudo bem... elas podem encher os olhos e excitar...
Mas não sustentam a ereção eternamente.
A convivência exige muito mais do que beleza.

Inquietudes (29) do Rei

Escrever um texto não é igual à dirréia, que sai tudo de uma vez. É preciso cuidar das palavras, da estrutura e também do conteúdo. Forma sem conteúdo pode ser fashion, mas não sobrevive ao tempo porque cria rugas.

domingo, 25 de julho de 2010

Terceirização da palmada


A Creide está revoltada com o projeto de lei, proposto recentemente, que ameaça os pais que derem palmadas educativas - ai que coisa politicamente correta! - nos filhos. A proposta enviada pelo Executivo federal ao Congresso Nacional proíbe qualquer tipo de força física, moderada e imoderada, na intenção de educar crianças e adolescentes.

Oras, já existem leis para proteger as crianças, principalmente, contra a violência. Por exemplo, em caso de lesão corporal grave, o responsável pode ser punido - conforme o Código Penal - com pena que varia de 1 a 4 anos de prisão.

Muitos pais agressores não precisaram da atual proposta para serem presos por espancar os filhos. Para a Creide, palmada nada tem a ver com espancamento.

__Reloou! São coisas diferentes.
 

E o pior foi ler, ouvir e ver um monte de psicólogos, terapeutas e psiquiatras na mídia defendendo a tal da lei, afirmando que a educação deve ser baseada no diálogo, no respeito.

__Como diálogo se muitos pais falam sozinhos? Os filhos simplesmente não escutam! Muitos pais respeitam seus filhos e são ignorados, desrespeitados publicamente. Não entendo esses psicólogos. Adoram dar receita para o filho dos outros!

A Creide é de um tempo que os filhos pediam permissão para os pais até para falar. Tudo bem que 90% do respeito dos filhos era medo puro.

__Mas funcionava.

É! a Creide não está pra brincadeira.

__Quem disse que dar uma palmada é maltrato? Nunca vi filho que leva uns cascudos na hora certa, quando faz algo errado, reclamar, reivindicar seus direitos.

E a Creide já decretou. Quando ela se deparar com uma criança no supermercado esperneando, se jogando no chão, gritando porque quer alguma coisa - porque quer - e os pais reféns da situação porque não podem levantar a mão nem desferir um beliscão na altura do umbigo, ela vai se oferecer para resolver a situação.

__O projeto diz que os pais não podem beliscar nem dar palmadas no filho, mas como eu não sou mãe do seu filho, eu posso fazer o serviço por você?

Taí uma boa idéia. Terceirizar a palmada e o beliscão. Mas isso não vale para professor na escola, porque esta é um local onde se ensina sistematicamente o conhecimento formal. A Creide sabe o que fala.

__Concordo com uma frase anônima que li uma vez: "nunca deixei que o período que passei na escola influenciasse na minha educação".

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Proteção e tapas oficiais

O episódio no qual o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, agrediu um cidadão sul mato-grossense durante uma passeata em Campo Grande, mostra o quanto os brasileiros não são iguais perante a lei.

Realmente o papel aceita tudo, até que pobre é igual e tem direitos semelhantes aos de ricos, poderosos e donos de status social. A prática brasileira, porém, desmente e cala a legislação.


Segundo O Estadão, o governador André Puccinelli, que é candidato à reeleição "deu um tapa de mão aberta no rosto do eleitor Rodrigo de Campo Roque, 23 anos, montador de acessórios para automóveis."

O tabefe oficial foi desferido pelo governador-pugilista anteontem (dia 21), quando o governador-candidato, e seus asseclas de plantão, realizava uma passeata e falava com moradores da periferia da capital sobre as obras realizadas pelo governo.

__Você lê jornais? Você notou quanto que esse governador já fez por Campo Grande e pode fazer muito mais?

As perguntas, segundo O Estadão, foram feitas pelo governador-pugilista a Rodrigo de Campo Roque.

__Li também que o senhor é ladrão.

A resposta do operário foi abafada com um estalado tapa, "assistido por pelo menos 50 pessoas."

Mandam as normas de educação, não perguntar algo quando não se quer ouvir a resposta. É comum político - de todos os gêneros, estirpes, caráter e coloração partidária - perguntar algo e querer ouvir apenas o que quer ouvir.

Portanto, além de mimado porque quer respostas apenas positivas, André Puccinelli se mostrou extremamente autoritário, ou seja, ele cala seus críticos a tapas. Semelhanças com regimes ditatoriais não são meras semelhanças. Esta é a natureza da maioria quando assume o poder.

E o pior de tudo. Depois de levar o tabefe oficial, Rodrigo de Campo Roque foi dominado pelos seguranças - pagos com dinheiro público - enfiado numa viatura policial - paga com dinheiro público - e fichado por ter cometido "injúria real contra o governador", por um delegado - pago pelo dinheiro público. Ou seja, o cidadão paga para ser sacaneado por aqueles que deveriam protegê-lo. 

E o que aconteceu com o governador-pugilista? Continua em campanha, muito bem obrigado. E convenhamos, pela cultura brasileira de que quem pode mais..., era para acontecer alguma coisa?

É simplesmente revoltante, aviltante e dilacerante ao coração humano sensível - sim porque há muitos corações que deixaram de ser sensíveis e humanos - ver como o estado brasileiro trata mal o cidadão. A legislação em si não tem culpa se quem deveria aplicá-la seleciona como, quando e para quem vai aplicar, porque infelizmente nem todos são iguais perante a lei.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sobre estupros e tesão II

Também à equipe do Bonde,  o delegado de Ibiporã, Marcos Belinati, anunciou que vai continuar as investigações sobre o cantor sertanejo que teria estuprado uma menina de 13 anos. O delegado disse na semana passada que não poderia dar continuidade às investigações porque o pai da menina, o empresário Sérgio Murilo Corimbava, havia retirado as acusações.

Nesta semana, o delegado, conforme o Bonde, "constatou que uma alteração legislativa no Código Penal do ano passado dispensa a representação quando o crime de estupro for praticado contra menor de 18 anos". O delegado levou quase um ano para saber que o Código Penal, que deve ser um livro de cabeceira - ou melhor - da mesa dele na delegacia, sofrera alteração. Essa polícia...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sobre estupros e tesão

"Ela quis, não foi forçada, não teve coação. Ela consentiu."

A afirmação é do delegado de Ibiporã Marcos Belinati e foi feita à equipe do Bonde. Ele se referiu à adolescente de 13 anos cujo pai, o empresário Sérgio Murilo Corimbava, acusou um cantor sertanejo da cidade de ter estuprado a menina. A queixa de estupro foi retirada pelo empresário.

O nome do cantor sertanejo? Não foi divulgado pelo Bonde, o mesmo veículo que divulgou, e muito, o caso padre Silvio Andrei. Aí alguns podem alegar que o veículo divulga o nome quando a polícia fornece. Se a polícia divulga, a imprensa publica. Se a polícia não divulga, a imprensa não publica. Se a polícia comete um crime, a imprensa é no mínimo conivente.

Crime sim, porque se o cidadão é inocente até se prove o contrário e tem direito à privacidade, inclusive de sua imagem, por que a polícia escancara determinados personagens e protege outros? Não me venham dizer que pobre e rico tem o mesmo tratamento nas delegacias do país, a começar pelo dotor que defende os acusados. Aliás, pobre nem tem advogado.

A declaração do delegado, façamos justiça pelo menos no que foi editado e publicado pelo Bonde, é estarrecedora. Um delegado é funcionário público e recebe salário e outras regalias - ops! benefícios como diria o sindicato da categoria - que trabalhador mortal celetista não recebe. O cidadão não paga um delegado para falar besteira ao acender dos holofotes da mídia. Aliás, muitos só funcionam quando o caso ganha repercussão. Enfim...

O fato é que o delegado em questão, pago pelo dinheiro público, tratou de atenuar o suposto crime cometido cantor sertanejo. Sexo com adolescente menor de 14 anos, com ou sem tesão, com ou sem vontade, é crime. Já pensou se os delegados fossem avaliar o consentimento e o grau de vinculação das vítimas com seus algozes? Os crimes deixariam de ser crimes. Exemplos?

Propina recebida pelo policial rodoviário paga pelo motorista infrator seria cortesia.

Aborto feito pelo médico pago pela mocinha grávida seria método anticoncepcional.

Caixinha recebida por fiscais (de diversos serviços) para não multar cidadão irregular seria complemento salarial.

Pornografia infantil produzida pelos pais da vítima seria geração de renda.

Por isso, senhor delegado, cumpra os ritos processuais, atenha-se aos fatos e investigue-os à luz da legislação vigente, ou seja, faça o trabalho para o qual foi contratado.

Censura versus controle social

Volta e meia aflora a discussão sobre o controle social nos meios de comunicação. Ainda mais quando aquela revistinha resolve atacar - com seus métodos jornalisticamente débeis, mas verdadeiros para seus leitores débeis - setores partidários em época de eleições presidenciais, fazendo mais propaganda política que jornalismo.

Controle social existe na saúde, na educação e na assistência social. Isso para citar apenas três exemplos. A participação popular nessas áreas mostra a força e a capacidade da população em discutir e propor diretrizes para as políticas públicas, interferindo na qualidade e na quantidade dos serviços em questão.

Por que ser diferente na comunicação? A resposta é única. Para manter os privilégios de sempre da elite midiática brasileira. Essa mesma elite - composta por empresários e jornalistas de confiança dos empresários - adora exigir a participação popular nos governos e incentiva que a população aponte, acuse, denuncie. No entanto, essa mesma elite não suporta a ideia de que essa população participativa participe da definição dos conteúdos que veicula.

É possível que organismos populares acabem se tornando mecanismos de censura. Para evitar isso é necessário qualificar a participação popular. Afinal uma democracia somente floresce quando a participação é efetiva em amplos sentidos. Quando a mídia ataca o controle social, ela alega que a liberdade de expressão é inviolável. E é mesmo, mas não é absoluta. Ninguém pode cometer um crime em nome da liberdade de expressão.

Para confundir a opinião pública, as empresas do setor gostam de se apegar à liberdade de imprensa. Este é o direito que jornalistas e veículos têm de divulgar a informação livre e independente, mas acaba resvalando na liberdade de empresa. Esta divulga o que quer, como quer e quando quer.

A liberdade de imprensa não é tão livre quando se colocam os interesses da empresa em jogo. Interesses políticos, econômicos e ideológicos, que mascaram o interesse público da informação. Na liberdade de empresa corre solta a autocensura, pior do que qualquer censura externa, por ser silenciosa. Mesmo assim, ela dita normas do que deve ser publicado para não ferir os interesses profissionais - sobrevivência pessoal - e coletivos, do dono da empresa.

Controlar é diferente de censurar e não se pode ter medo de fazer esse debate. Um veículo proibido de divulgar uma informação sofre censura. Isso deve ser evitado. Sempre. Um veículo punido por veicular uma informação distorcida e manipulada sofre controle. E é este controle que não encontra terreno porque não conta com mecanismos e instrumentos institucionalizados.

Hoje, alguém que tem a reputação manchada por um veículo de comunicação que comete um erro (voluntário ou não) somente pode recorrer à justiça para repará-lo. Talvez com sorte, e muito dinheiro para mover processos, em alguns anos ele consiga reverter a situação - judicialmente, porque moralmente já está morto. Há muito tempo.

A falta de mecanismos de controle passa inclusive pela desregulamentação da profissão de jornalista. Acabar com a obrigatoriedade do diploma é apenas um item neste contexto, que visa uma categoria fraca, desarticulada e sem um órgão para prestar contas da sua atitude profissional. Afinal, se o jornalista faz o seu trabalho de forma honesta, seguindo a legislação ele não precisa temer nenhuma instância de controle.

A autorregulação do setor não é suficiente para acabar com os desmandos dos veículos de comunicação, os chamados coronéis eletrônicos como classificou o professor Venício de Lima. TV, jornal e rádio não gostam nem admitem pedir desculpas quando o erro é voluntário. Imagine, então, quando é involuntário. Erro voluntário? Não é erro, é má fé, intenção deliberada.

Participação popular nunca faz mal a ninguém, ou melhor, faz sim, a instituições autoritárias seja do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e da Imprensa. Temem o controle social, principalmente, os profissionais e empresários de índole e caráter duvidosos, autoritários que gostam de arrotar o que os outros devem fazer, mas eles mesmos não fazem.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Inquietudes (28) do Rei

__ Eu sou sincero. Falo na cara o que penso, doa ou não doa, seja quem for. Não escondo mesmo.

Sinceridade sem educação não é transparência nem honestidade. É grosseria!

sábado, 10 de julho de 2010

Inquietudes (27) do Rei


Bolsa Família é para criar a cultura do não trabalho, mais precisamente, a cultura do vagabundo. Esse é o argumento, principalmente, da classe média que deve imperar no processo eleitoral brasileiro. E muitos defendem, que no lugar, deveria ser criado o Bolsa Emprego. Bolsa Emprego? Quem se beneficia da geração de emprego? Profissionais qualificados, com estudo e outros itens, ou seja, miserável não consegue emprego digno porque não é o publico alvo do empresariado, que escolhe inclusive seus funcionários pela boa aparência. Coitados dos feiozinhos. Então quer dizer que emprego gera riqueza, mas não desconcentra, obrigatoriamente, a renda.

É preciso fortalecer os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, qualificando seus beneficiários para que possam andar sozinhos. Quem afirma que o Bolsa Família é esmola deve esquecer o quanto o dito setor produtivo se beneficia com as ações do governo, que o diga o Sistema S. Afinal empresário liberal quer a ausência do estado na regulação do mercado. Isso quando ele lucra, e muito. Quando há crise econômica, o empresariado é o primeiro a pedir socorro aos cofres públicos, ameaçando demitir funcionários. Assim é fácil defender o estado mínimo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

São ordens da empresária

Ela é uma mulher determinada. Teve uma infância pobre, uma adolescência necessitada e jurou que não passaria por privações. Com dificuldades, terminou a faculdade de Administração, casou-se, teve três filhos. Cansada de trabalhar como administradora numa grande empresa de móveis, resolveu montar a sua própria fábrica. Com o que juntou com o marido, abriu sua marca de móveis e não quer parar de crescer.

Assim, como o empreendimento dela, cresceu também a violência. Instalada numa região considerada perigosa, a fábrica foi assaltada algumas vezes. Levaram equipamentos. Furtaram o carro do estacionamento. Roubaram computadores. Na quarta vez, sob a mira de revólver, ela e dois funcionários ficaram presos no banheiro, por três horas e meia.

Cansada dos assaltos, das reclamações à polícia, dos abaixo-assinados, dos impostos que paga que não são revertidos em benfeitorias, ela contratou seguranças. Os primeiros meses foram tranqüilos. Nada aconteceu ao empreendimento nem aos 38 funcionários que garantem a linha de produção, os serviços burocrático-administrativos, a entrega dos produtos.

O marido? Não se mete com ela na administração do negócio da família. Ele até tenta ensaiar algumas contribuições, mas ela não deixa. Ele também cumpre as ordens dela, cuida da parte logística da empresa e se sai muito bem, mas a administração total do empreendimento é dela mesmo. E de mais ninguém.

Medo de assalto? Ela confessa que não tem mais, tanto que comprou recentemente uma arma, que está devidamente registrada. Ela está disposta a garantir a segurança do seu patrimônio já que os governos resolvem absolutamente nada. Imagina se a polícia não dá conta de proteger a vida humana, ainda vai pensar em garantir o patrimônio do cidadão!

Passada a novidade dos seguranças da fábrica, a rotina voltou ao normal. Três homens conseguiram entrar no local, render os seguranças de plantão na madrugada e levar muita coisa. Equipamentos. Carro. Computadores. Desta vez foi demais. Ela está revoltada com a ousadia dos assaltantes. Quer justiça. Não vai descansar.

Com voz mais grave que a rotina, ela mandou os seguranças da empresa meter bala em quem tentar entrar na empresa. Aderiu à prática do atira primeiro, pergunta depois. Não quer saber. É para os funcionários não terem dó nem piedade e passar fogo em quem atravessar a propriedade. É atirar para matar. Ela está cansada desses ladrões vagabundos que não trabalham e roubam quem vive dignamente.

Toda noite, ela passa na empresa para verificar as condições do empreendimento e dar instruções aos seguranças. Nessa semana ela está mais ansiosa que o normal. É que ela fará uma entrega especial. Seu primeiro lote de móveis para fora do país. Ela não se cabe com a primeira exportação. Quer acompanhar tudo pessoalmente.

A entrada dela é privativa. Quando chega com o carro, abre um portão eletrônico e pára numa garagem exclusiva na área interna que tem outro portão eletrônico. Da garagem ela tem acesso ao escritório por uma estreita escada para o segundo piso, de onde - através de um grande painel de vidro - ela vê a fábrica inteira.

A entrega do lote de móveis será amanhã. Hoje no final da tarde, ela vai ao maior shopping da cidade comprar uma roupa nova, da sua marca preferida. Quer que a ocasião seja especial e que a peça dê sorte na hora de despachar a encomenda. Ela compra a roupa nova e encontra uma amiga que convida para um café. Conversando animadamente, ela se esquece do tempo e passa algumas horas rindo com a companhia.

Quando se dá conta, ela avisa a amiga que precisa ir para casa. Elas se despedem e cada uma pega seu caminho. Na volta, ela se lembra que deixou os papéis da exportação em cima da mesa no seu escritório e, por isso, volta para a fábrica para pegar a documentação. Como é só uma passadinha, ela prefere não abrir os dois portões eletrônicos e subir ao escritório do acesso privativo da garagem.

Ela para o carro no estacionamento de visitantes e vai pela portinhola ao lado do portão da fábrica. Como a fechadura está emperrada, ela força a porta que acaba fazendo muito barulho. Ela tenta uma. Tenta duas. Tenta três vezes. A porta cede. Quando coloca o pé dentro da fábrica, ela ouve alguns disparos, não pronuncia uma palavra e cai praticamente aos pés do segurança. Ele acaba de cumprir as suas ordens.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Professor vai para o céu

Final de semestre.
Final das aulas.
Final das provas.
Final da recuperação.
Final dos exames.
Final dos relatórios de monitoria.
Final dos relatórios de extensão.
Final da paciência.


Férias?


Início de semestre e planejamento das novas atividades.

Início do preparo das aulas.
Início do preparo do calendário de provas.
Início do preparo das atividades de extensão.
Início do preparo das atividades de pesquisa.
Início do preparo das atividades de monitoria.

Final da paciência.

sábado, 3 de julho de 2010

Não suporto Copa do Mundo - parte III


Não suporto torcedor barbado chorando por causa de uma partida de futebol.

Não suporto torcedor patriota - quando o Brasil ganha - guardando rapidamente a camisa da seleção, a corneta e o boné verde-amarelo depois de uma derrota.

Não suporto torcedor que mata trabalho, se pinta de verde e amarelo, vai para a avenida ver o jogo, enche a cara quando o Brasil ganha e quando perde diz que tem vergonha da seleção brasileira.

Não suporto torcedor que transforma jogador ora em herói ora em vilão.

Não suporto jogador barbado chorando por causa de uma partida de futebol.

Não suporto jogador brasileiro milionário dando ar de preocupação com a copa perdida.

Não suporto jogador brasileiro tentando explicar que merecia ganhar, mesmo não tendo feito os gols para ganhar.

Não suporto jogador que perde uma partida tirando o mérito da seleção que ganhou a partida.

Não suporto jornalista que tenta achar um culpado a qualquer preço para uma derrota.

Não suporto jornalista adepto da "Teoria do Se". Se o técnico tivesse feito isso. Se o jogador tivesse feito aquilo. Se o juiz não tivesse...

Não suporto jornalista que diz que o mérito é dos jogadores quando a seleção ganha e o mérito é do técnico quando ela perde.

Não suporto jornalista que tenta explicar o que não precisa ser explicado.

Não suporto Copa do Mundo, principalmente, quando o Brasil perde.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sexo interurbano

Duas amigas de longa data se reencontram depois de uma longa data sem se ver.

A conversa flui rapidamente, colocam os assuntos em dia e conversam sobre banalidades.

Uma diz para a outra que tem um namorado, que nem conhece, e faz sexo por telefone.

__Nossa! E isso funciona? Dá pra gozar?

__Claro que funciona e - claro - você precisa dar uma mãozinha, menina.

__Mas como é isso? Conta tudo...

__Olha, a gente fica até duas horas no celular.

__ Duas horas? E meu marido aquele desgraçado leva menos de 30 minutos.

__Então por que você não experimenta sexo por telefone?

__Vou fazer isso, mas como o celular é muito caro, eu e ele vamos ficar na extensão mesmo.