quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Exibidos e equilibristas

Nas folhas do hibisco,
besouro pernóstico
não corre risco.
Abelha exibida faz pose.
Decidida, quer close.






























A aran
ha arranha os fios
tecidos com destreza,
e
sperteza.
Sem ligeireza,
a presa acaba presa,
vira ceia.
















Exibem-se
do topo fálico do antúrio,
um marimbondo
e um besourinho.
O primeiro parece morimbundo
.
O segundo é barrigudinho.














terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Campanha para mal-educados

Educação no trânsito é um tema muito interessante mesmo. Se o sujeito (e a sujeita também) é mal-educado na vida, como terá educação no trânsito? Outro dia, a Creide estava revoltada. Ela gosta de parar antes da faixa e dar permissão para o pedestre atravessar. E fez isso. Como era pista com duas vias, um motorista de uma caminhonete não parou ao lado dela e quase o coitado do pedestre acabou sob as rodas da importada. O pedestre, se não fosse rápido, morreria com as marcas de um pneu estrangeiro.

E o mesmo motorista, mais à frente, invadiu a preferência numa rotatória e quase fez um motoqueiro comer grama no canteiro. Tudo bem que muitos motoqueiros abusam da sorte e brincam com a vida (a própria e a dos outros) no trânsito, mas fazer comer grama no canteiro não daria certo porque a maioria usa capacete. E muitos ainda não são vegetarianos.

Piadinhas à parte... é por isso que a Creide costuma dizer que se campanha educativa educasse mesmo ninguém contrairia o HIV ou criaria mosquito da dengue como bicho de estimação ou morreria de acidente automobilístico. Sabe que é verdade mesmo. Campanha educativa até que conscientiza, mas não interfere a ponto de as pessoas mudarem de comportamento. A menos que...

A tese é defendida por muitos e a Creide concorda: multa para os mal-educados (e para as mal-educadas também). Quando o Código Nacional de Trânsito foi implantado no final dos anos 1990, nos anos seguintes à implantação houve uma queda significativa de mortes por acidentes de transporte, como chamam os técnicos da saúde. As pessoas ficaram com medo das multas pesadas e mudaram a forma de dirigir e isso teve reflexos diretos na mortalidade no trânsito.

O tempo passou, as pessoas se acostumaram e o valor das multas deixou de assustar. Resultado: os índices de mortes no trânsito hoje são parecidos com os registrados antes do Código Nacional. Quando não morrem, muitos são mutilados e as consequências acompanham pelo resto da (sobre)vida.

E o problema parece não ter fim. A frota de veículos nas grandes cidades aumenta a cada ano. O número de motos também. Falta planejamento urbano, alternativas para o transporte coletivo. E o pior a falta de educação dos motoristas parece não ter limites.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Inquietudes (10) do Rei

Por que quando pedimos paciência a Deus, Ele não dá e ainda envia uma situação para testar a nossa pouca paciência?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Joões e joanas


















Ele e ela

ou serão duas joaninhas?
Dois joaninhos?

Não são joaninhas
nem joaninhos,
diriam os entendidos
em ciência,
É claro!

À família besouro coleóptera
pertencem os manchados,
A ciência,
deixe de lado.
Contemple
somente

Sobre a folha de uma maria-sem-vergonha
lugar tão apropriado,
apenas brincam.
Puro deleite sexual,
sacanagem natural.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sem volta


Geraldo é um homem muito mal-humorado. Ele reclama de tudo. Se a comida está quente demais. Se está fria demais. Do silêncio. Do barulho. Dos dois filhos. Da mulher. Da sogra. Do pai. Da mãe. Do cachorro.

Celeste tenta fazer de tudo para agradar o marido, criado no sistema antigo. A relação familiar é construída sob pouco afeto, muitas regras e disciplina excessiva.

No trabalho, Geraldo é outra pessoa. Se mostra compreensível, generoso, prestativo. Sempre tem uma solução para os problemas do trabalho. É o que os atuais chefes de RH chamam de funcionário proativo.

Em confraternizações de finais de ano, os filhos cansam de ouvir dos colegas de trabalho do pai o quanto ele é bacana. Acham até que o pai tem dupla personalidade. Conformada, a mãe tem certeza que o verdadeiro Geraldo é que o se apresenta em casa. Todos os dias.

Geraldo não consegue elogiar a esposa e os filhos. Aliás, a repreensão é mais forte. A dedicada Celeste não recebe nem um obrigado por manter a casa em ordem, as refeições em dia, a roupa lavada e passada.


Os filhos? Estudantes não fazem mais que a obrigação de estudar. Afinal é ele quem paga a conta no final do mês. E quer resultados. Sem acompanhar o desempenho escolar, ele cobra os boletins e ai! dos moleques se tiverem uma nota vermelha.


Como faz tempo que a família não viaja, os quatro combinaram um final de semana numa pousada. Os filhos ansiosos contam as horas da semana para o sábado chegar. Celeste arruma tudo e a família pega a estrada.
O fim de semana transcorre tranquilamente. Geraldo parece menos
mal-humorado e os filhos se divertem com as opções da pousada. Em muito tempo, Celeste não precisa se preocupar com o cardápio e menos ainda com a louça depois do almoço.

Na volta do passeio, o clima no carro parece mais leve. Geraldo está mais relaxado, exibe no canto da boca um sorriso de satisfação. Esconde-o. Admite para si mesmo que o final de semana foi prazeroso, mas não consegue dividir o sentimento com Celeste e os filhos.

Numa curva, um caminhão invade a pista do carro de Geraldo. Vem de frente. Geraldo não vê mais nada. Acorda dois dias depois num hospital. Sozinho. Ele demora para entender o que está acontecendo. Relembra-se da satisfação da viagem. Da curva. Do caminhão. Da escuridão. Chama o pessoal da enfermagem. Aflito, pergunta por Celeste e pelos filhos.

O silêncio aumenta o vazio do quarto. As paredes do hospital parecem ainda mais brancas, mais frias, mais úmidas. Com o coração apertado, Geraldo só consegue se lembrar de uma frase de Celeste dita numa discussão tempos atrás e que, para variar, ele não dera importância alguma.


__Nunca pergunte se você faz falta. Ausente-se e veja o que acontece.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Bem brasileiro

















Simples

Duplas
Encantadoras
Pétalas

















Cores

Intensas
Coloridos
Densos

















Da Ásia

Ao Brasil

Adaptação
Viril

















Hibisco

Chuvisco
Rabisco
Pedrisco


















Hibisco
Caseiro
Verdadeiro
Bem brasileiro

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Essas mulheres...

Que os homens são diferentes das mulheres, ninguém duvida. Tem livros de auto-ajuda que explicam e até ajudam a compreender essas diferenças, mas no dia-a-dia - quando as diferenças afloram... os mistérios do universo feminino continuam firmes e fortes.

Elas são de Vênus, eles são de marte, elas usam uma determinada parte do cérebro, eles usam outra. Aliás, elas dizem que eles não usam o cérebro. Enfim...

Um mistério feminino é, por exemplo, por que as mulheres respondem às perguntas do marido com outra pergunta? Por que elas respondem algo querendo dizer outra coisa? E o pior, mesmo conversando sobre isso, elas continuam respondendo com outra pergunta e respondendo algo querendo dizer outra coisa. E nós continuamos interpretando de forma literal.

Mulheres, os homens são racionais. Quando vocês dizem "não quero", nós entendemos "não quero" e não "sim eu quero" ou "pode ser". E o "tanto faz"? E o "talvez"? São um inferno na nossa vida. Tanto faz sim? Tanto faz não? Tanto faz mais sim? Tanto faz mais não? Socorro! E o pior quando tomamos uma decisão baseados no "tanto faz" sempre optamos pela alternativa errada.

Mulher deveria ter um dispositivo tecnológico - iguais a essas televisões modernas que até descascam laranja - que mostrasse uma legenda do que ela realmente gostaria de dizer e não o que está dizendo. Assim, enquanto a mulher fala, nós ligaríamos o dispositivo e saberíamos exatamente o que ela quer dizer, mas não disse ou disse outra coisa.

E outro mistério - pouco misterioso - ronda os casais. Quem manda em casa? Nós adoramos falar que somos nós. Numa roda, dia desses, seis homens conversavam sobre quem mandava em casa. Claro, respondemos que somos os mandões.

Na prova real, essa tese caiu por terra. Cada um perguntou para a mulher do outro quem mandava. Elas foram unânimes em dizer que são elas. E são mesmo. Elas mandam. E mandam muito bem.

E a nós - meros coadjuvantes do lar - nos resta o consolo da piada, como contou um cunhado meu, o Vanderlei.

__Lá em casa, eu mando mais. Mando uma. Mando duas. Mando três. Mando quatro. Mando cinco vezes. Minha mulher, só manda uma vez.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Transições intransigentes


Um beijo roubado
Sem sabor compartilhado

Uma vida rompida
Duração infinita

Uma marca intensa
Com o tempo, menos

Respirar
Sentir
Continuar
Respirar

Sentindo
Sentidos
Vida

Viver
Respirando
Continuando
Sinalizando

Sinais
Finais
Fascínios
Domínios

...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Inquietudes (9) do Rei


Gosto não se discute. É por isso que tem tanta gente com mau gosto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Discussão de butiquim

A Creide me contou outro dia que estava num butiquim quando pessoas ao lado da mesa dela começaram uma discussão interessante. Uns falavam. Outros falavam por cima. Outros ouviam. Outros não acreditavam no que ouviam. E a conversa não teve conclusão alguma.

Filosofia de butiquim à parte, o fato é que depois de umas, duas, três, quatro e mais, mais e mais doses parece que o raciocício flui melhor. A língua não encontra barreira e se tiver platéia melhor ainda. O ponto central do debate etílico era o tal do livre arbítrio. Uns defendem. Outros atacam. Outros nem sabem do que se trata.

Para entender mais sobre o assunto e tomar uma posição, a Creide disse que foi buscar informações. Na internet, ela encontrou um trabalho de 1999, de autoria de Carlos Alberto de França Rebouças Junior, para o curso de Filosofia do Instituto Teológico-Pastoral do Ceará, em Fortaleza. O trabalho "A questão do mal, segundo Santo Agostinho, no livro i da obra de Libero Arbitrio" traz reflexões pertinentes.

Segundo Rebouças Junior, na obra, "Agostinho trata da existência do mal, abordando sua essência e origem. O Bispo de Hipona trata, também, de provar a existência de Deus, bem como de expor a relação existente entre a vontade do homem com o mal e do pecado e da presciência de Deus." Claro, o texto é grande, altamente reflexivo e difícil de ser resumido em poucas palavras. Por isso, quem tiver interesse de ler o artigo inteiro pode clicar aqui.

Em um trecho, o autor afirma que "é importante deixarmos claro que há uma distinção, ainda que sutil, entre liberdade e vontade, ou livre arbítrio, pois para Agostinho, vontade e livre arbítrio são a mesma coisa e fazem parte da essência do homem. Comparando a liberdade com o livre arbítrio, a diferença é que o livre arbítrio seria a capacidade de escolha que está presente no homem e a liberdade como a eficácia que essa escolha alcança ao aderir à verdade. Assim, a liberdade seria a capacidade que o homem tem de escolher o bem e evitar o mal. Consequentemente, a liberdade do homem se realiza plenamente quando este adere, por livre vontade, ao bem, afastando-se do mal(...)"

Depois da leitura, a Creide - que nem pensa em questionar Santo Agostinho, aliás não tem formação filosófica para tanto - se diz incomodada com alguns conceitos presentes no tema. Por liberdade, Michaelis define como o "estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral".

No entanto, como defende Santo Agostinho, liberdade é "a capacidade que o homem tem de escolher o bem e evitar o mal". Mas associar a liberdade à capacidade humana de escolher algo (o bem) e necessariamente excluir algo (o mal) não esconde um tipo de coerção moral? Claro ninguém quer ser mal por natureza, mas ele permeia os mundos e submundos internos, aflorando quando menos se espera.

O livre arbítrio como "a capacidade de escolha que está presente no homem" é um importante direcionador para as decisões humanas. Por isso, há tomadas de decisões erradas e as conseqüências, muitas vezes, desastrosas.

E é neste ponto que a Creide fica intrigada. Se livre, como conceitua Michaelis, é aquele "que goza de liberdade pessoal, que não é sujeito a escravidão ou servidão" e arbítrio "a resolução que depende só da vontade" por que sofrer as consequências das decisões tomadas? Exatamente porque as consequências podem afetar (prejudicando ou não) os que estão ao redor daquele que toma a decisão.

Assim, a Creide - abusada e ousadamente - propõe um novo termo em vez de livre arbítrio. Para ela, o mais adequado seria arbítrio condicional, já que - conforme Michaelis - condicional "envolve condição, ou exprime circunstância de condição". Creide lembra que para cada ação há uma reação e as circunstâncias envolvidas mostram que o livre arbítrio não é tão livre quanto o nome diz.