quinta-feira, 29 de abril de 2010

Inquietudes (23) do Rei

Preguiça é uma característica intrínseca ao ser humano, apesar de ser considerada um pecado capital (coisas da Igreja). É pela preguiça que você decide fazer nada quando, como, quanto e onde. Existe coisa melhor que isso? Sim mas é tema para outras inquietudes.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Lambanças

Hoje acordei e minha cara parecia uma camiseta preta que tinha sido batida na máquina de lavar roupa juntamente com um tapete de barbante que foi feito por mulheres vítimas de violência abrigadas num projeto da prefeitura e que foi comprado numa feira de geração de renda e esse é um termo muito sem-vergonha inventado por um riquinho de papo pro ar porque eu não tenho renda tenho salário baixo mas salário que neste mês não chegou no dia 15 e estou no cheque especial que de especial não tem nada é uma desgraça por causa dos juros que queimam o bolso que a tia costureira fez e ela ganha a vida em cima de uma máquina de costura e sua especialidade é roupa para dia santo que já foi homem de pecado como diria o Zeca Baleiro ex-vendedor de balas e eu gosto de bala sete belo que tem cheiro e gosto de infância que traz à lembrança uns traumas como o sagu de sobremesa todo domingo depois do macarrão com molho de frango que não tinha hormônios como os de hoje em dia que não são gordos são inchados pelo excesso de produto químico que nem aqueles da tabela periódica credo quantos símbolos da tabela que até hoje não sei para que servem do verbo servir um interessante verbo porque lembra serviço que lembra trabalho que lembra salário que lembra que não sou rico para viver de renda e este mês termina o prazo para o contribuinte entregar a declaração do imposto uma aberração tributária que esfola a classe média que paga a conta das bolsas mochilas sacolas e a corrupção vereadores deputados governadores empresários e esse ano tem eleição para um monte de cargo eletivo e a urna eletrônica vai ficar esfolada no final do dia com tanta dedada mas do que mesmo eu estava falando
?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Kit para vagabundos


Recebo por e-mail a notícia de um kit que incentiva a vagabundagem. A história conta que um zelador em Natal (RN) pediu para ser demitido porque ganharia mais com os benefícios do governo federal. O zelador teria se espelhado no exemplo de dois cunhados desempregados.

As contas que incentivam o vagabundo brasileiro, de acordo com o autor do texto: Bolsa Escola = R$ 175,00 para cada filho que frequenta a escola. Cartão cidadão = R$ 350,00. Vale gás = R$ 70,00. Transporte gratuito = R$ 160,00. Vale refeição = R$ 420,00.

"Como o zelador tem três filhos em idade escolar, para ele é vantajoso ficar desempregado e ter esses benefícios. Seu 'salário desemprego' irá girar em torno de R$ 1.525,00, quase o dobro do que ganha trabalhando (...)"


Ainda de acordo com o texto, o salário do zelador acrescido de horas extras e outros benefícios girava em torno de R$ 830,00 por mês. Vale ressaltar que esses valores estão em conformidade com a lei. Depois de ler o texto fiquei pensando... pensando... pensando... e cheguei a algumas conclusões.

É uma injustiça mesmo! Como paga mal o mercado brasileiro para zeladores! O cara nos vê chegando em casa com um carrinho de compras que custa mais que o que ele ganha num mês. Isso sim que é distribuição de renda. Muito para poucos. Pouco para muitos.

Enquanto entramos e saímos dos prédios em nossos carros encerados, o zelador quando termina o expediente anda umas seis ou sete quadras para pegar o busão lotado. Depois de umas horas chega em casa.

Outro dia uma amiga estava em casa e disse que conheceu o namorado da amiga da filha. Ela perguntou para ele o que ele fazia.

__Eu jogo tênis três vezes por semana. 
 

Ah! Então tá. Rico que não trabalha não é vagabundo. É um bom partido.

E o namorado da amiga da filha da minha amiga também leu o e-mail e ficou indignado.

__Se os zeladores pedirem demissão para viver à custa do dinheiro que pago em imposto quem vai limpar o banheiro do prédio quando vomito naquela festa? Quem vai dar uma olhada nos meninos no parquinho quando eles dessem para brincar? Quem vai recolher o lixo de todos os andares às 3 horas da tarde? Quem vai comer o pedaço de pizza que sobra da sexta-feira à noite?

Realmente, o zelador não pode pedir demissão onde ganha pouco para viver com a bolsa esmola do governo federal que paga mais que o mercado.

__Isso é uma afronta aos trabalhadores honestos desse país. As bolsas são um kit incentivo à vagabundagem. Afinal o zelador trabalhando ganha um bom salário (R$ 830,00). E tem mais: o trabalho dignifica o homem.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Inquietudes (22) do Rei

Religião é um mecanismo de controle poderoso. O fiel tem medo de fazer algo que vai contra os dogmas. Quando cai em tentação, carrega uma culpa corrosiva capaz de fazer promessas que não serão cumpridas. Deus não prende ninguém a uma regra. Quem o faz é a própria mente carregada de valor moral.

Inquietudes (21) do Rei

Opinião pública. O que é isso senão a generalização da opinião privada de uns poucos pelos veículos de comunicação cujos expectadores não refletem criticamente sobre o que veem, leem ou ouvem?

Inquietudes (20) do Rei

O problema de ser professor no Brasil é que ele dá aulas quando deveria vender aulas. Muitos que não dão valor ao professor - e à professora também - perguntam aparentemente de forma inofensiva.

__Você trabalha ou dá aula?

sábado, 10 de abril de 2010

Língua queimada


A língua portuguesa é rica e altamente complexa, mesmo para quem tem nela a matéria-prima para a sua atuação profissional, como professores e jornalistas e jornalistas-professores como o meu caso.

Dizer que alguém conhece essa língua inteirinha e que nunca erra é temerário por vários motivos. São milhares de palavras e muitas regras. Muitas mesmo. Além disso, a língua escrita difere da língua falada em estrutura simplesmente por causa do modo de produção e uma pode influenciar a outra.

Além disso, há que se considerar que a gramática não é a mãe biológica desse processo, afinal a estilística tem sua importância e determina o uso de palavras e expressões condenadas pelos gramáticos ortodoxos.

Em recentes inquietudes nestas Letras Crôncias, tratei de um tema comum a muita gente: o uso do palavrão, exorcizado pelos mais puritanos e deliciado pelos bocas-sujas de plantão.

Na primeira versão, assinalei que um bom palavrão deveria ser proparoxítona e citei como exemplo o caralho. Ótimo e péssimo exemplo. Ótimo porque tem expressão e entonação. Péssimo porque não se trata de uma proparoxítona.

Caralho é uma palavra trissílaba e paraxítona. A tônica é a segunda sílaba de trás para frente. No caso a tônica é o RA. Tudo bem que com três sílabas, uma paroxítona sempre terá a ênfase na segunda sílaba seja de trás para frente ou de frente para trás. Afinal sempre será a sílaba do meio. Detalhe: as paroxítonas nem sempre são acentuadas.

O mais engraçado de tudo isso é que caralho é classificada como paroxítona e a palavra paroxítona é uma proparoxítona e proparoxítona também é uma proparoxítona.

A proparoxítona sempre terá a sílaba
(olha uma proparoxítona aqui!) tônica (olha mais uma proparoxítona!) na terceira sílaba de trás para frente e sempre será acentuada, sendo trissílaba (olha outra proparoxítona!) ou um palavrão: palavra grande com quatro ou mais sílabas, mesmo não sendo um palavrão: xingamento ou referências obscenas.

CA-RA-LHO!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Inquietudes (19) do Rei

Mandam as normas de etiqueta que não se deve falar palavrão. É feio. Convenhamos. Um palavrão bem falado, na hora certa, no contexto adequado e para os envolvidos na situação, relaxa tanto quanto uma sessão de massagem. Porém, o palavrão deve ter no mínimo três sílabas. Exemplo? "Mas que CA-RA-LHO! Parem com isso agora!" é muito mais forte que "Mas que PIN-TO! Parem com isso agora". O palavrão grande - um palavrãozão - oferece mais possibilidades de entonação, ênfase e dramatização que outros de tamanho mais curto.

OBS. Esse texto sofreu alterações depois da correção de um leitor anônimo. Ele ou ela anotou que eu errei ao classificar o caralho como proparoxítona, que na verdade é uma paroxítona. CA-RA-LHO!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Inquietudes (18) do Rei

A escola deve ser um espaço de circulação e de reflexão do conhecimento; deve ser um espaço de mão-dupla para o ensino e a aprendizagem; enquanto que a educação é um processo familiar no qual os pais são o principal elemento. Afinal o que um professor pode fazer com um aluno mal-educado?

Inquietudes (17) do Rei

A temática gay, atualmente nos veículos de comunicação, suscita uma série de explicações sobre a origem da homossexualidade. E, para muitos, é impensável um casal do mesmo sexo adotar uma criança. Argumento contrário? A criança necessariamente aprenderia a ser homossexual. Se crianças criadas por homossexuais são necessariamente homo, por que homo filho de hetero não se tornou heterossexual como os pais?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Flores artificiais

Rosângela é gerente de uma loja de R$ 1,99, a "BB - Barato é Bom". Ela reconhece que atualmente a concorrência é desleal. Os chineses são uma praga. Na produção, eles não respeitam direitos trabalhistas, meio ambiente - essas coisas de país desenvolvido - e o contrabando esparrama mercadoria mundo afora. É a concorrência é desleal mesmo!

Mas ela se gaba em dizer que o estoque da loja - in-tei-ri-nho - tem nota fiscal. Tudo dentro das conformidades exigidas pela lei. O problema atual, segundo ela, são os fornecedores. Gentinha sem palavra essa! Quando vem duas semanas, não vem nas duas próximas e assim vai. Aí é o coitado do estoque que sofre. Falta mercadoria para contentar os clientes exigentes.

A gerente da loja comenta o caso de um fornecedor de flores artificiais. Há um ano, Ernesto fornece vasos para a loja. A variedade é assustadora. As flores não têm cheiro, mas são brancas, azuis, amarelas, vermelhas, laranjas, violetas, verdes e algumas tem todas essas e mais muitos matizes. De tecido, de plástico, de papel, vasos e vasinhos enchem os olhos. Há ornamentos florais para cada cantinho da casa: mesa de centro, mesa de jantar, criado-mudo, banheiro, estante da TV, em cima do fogão, em cima da geladeira, enfim...

O problema é que o Ernesto nos seis primeiros meses forneceu rigorosamente toda semana. Agora está em falta. Não comparece mais com a mesma frequência e isso tem irritado a clientela. Segundo Rosângela, dona Sebastiana que se apaixonou pelas flores aparece toda sexta-feira. É que o dia do Ernesto fazer as entregas é de quarta ou quinta-feira. Dona Sebastiana está tiririca da vida porque não consegue mais comprar os arranjos que quer para presentear as amigas.

Rosângela conta que no começo era tanto arranjo que conseguiu fornecer até para os enfeites de mesa de um casamento da cidade. Segundo ela, o que mais a noiva gostou é que os arranjos eram diferentes. Das 57 mesas, não havia dois vasinhos iguais. E é claro, a noiva pagou mais por isso. Exclusividade e originalidade têm preço. E isso fez a festa das convidadas. Algumas até ensaiaram trocar sopapos para levar o vasinho de cima da mesa. Se a noiva não escondesse o da mesa dela, ficaria sem o seu arranjo, mais imponente que os das mesas comuns - é claro!

E não foi só flor para casamento que a "Barato é Bom" forneceu. A loja de R$ 1,99 - que para ser sincero tem pouca coisa por uma R$ 1,99 - enfeitou batizado, festa de debutante, aniversário e até Bodas de Ouro.

Pena que o Ernesto está em falta. Nos últimos meses ele apareceu duas vezes e a variedade não era mais variada. Ele alegou que a Kombi que usa no transporte quebrou algumas vezes e ficou muito tempo na oficina. Rosângela, para ser exata, diz que nas últimas quatro semanas não consegue falar com Ernesto. O celular dele vive desligado. Ela tenta todos os dias. __Por que ele não atende o telefone?

Irritada, Rosângela tenta o celular de Ernesto mais uma vez. Ela jura por Deus que será a última vez. __O telefone chamado está desligado ou encontra-se fora da área de serviço. A gerente desliga o telefone e liga a TV. Hoje o expediente será longo. Terá que cobrir uma colega que faltou e almoçará na própria loja.

Entre a arrumação de uma estante, a cobrança de uma compra e a verificação de mercadorias no estoque, Rosângela acompanha um programa policial na TV. Uma chamada do apresentador desperta a atenção da gerente.

__E veja depois dos comerciais uma história no mínimo curiosa. Ernesto é o maior cara de pau. Esse homem que vocês estão vendo no vídeo roubava cemitérios da região e vendia vasos de flores artificiais para lojas de R$ 1,99. Não perca. Eu volto já!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Esse é o Brasil!

No Brasil, todos são iguais perante a lei.

No Brasil, todos têm acesso à educação gratuita de qualidade.

No Brasil, não há discriminação racial.

No Brasil, salário de negro é igual ao de branco.

No Brasil, salário de mulher é igual ao de homem.

No Brasil, todos têm acesso à saúde gratuita de qualidade.

No Brasil, convênio de saúde cobre todas as despesas do usuário.

No Brasil, a distribuição de renda não é absurdamente desigual.

No Brasil, não há homofobia e o respeito à diversidade é uma realidade.

No Brasil, não há barreira arquitetônica para pessoa com deficiência.

No Brasil, detento que cumpriu pena é reintegrado à sociedade.

No Brasil, ninguém gosta de levar vantagem.

No Brasil, todos respeitam filas.

No Brasil, ninguém para em fila dupla para pegar o filho na escola.

No Brasil, todos respeitam sinal de trânsito.

No Brasil, pobre é organizado e rico não faz lobby.

No Brasil, classe média é crítica e pensa no bem-estar coletivo.

No Brasil, os pais educam e a escola é um lugar de ensino-aprendizagem.

No Brasil, o importante é o ser e não o ter.

No Brasil, a programação da televisão é educativa.

No Brasil, o pensamento é livre e os meios de comunicação são isentos.

No Brasil, todos respeitam a crença e o deus do outro.

No Brasil, o capitalismo e o empresário são solidários às causas sociais.

No Brasil, empresário não paga propina para político.

No Brasil, político não recebe propina de empresários.

No Brasil, motorista infrator não paga propina para policiais.

No Brasil, policiais não recebem propina de motorista infrator.

No Brasil, respeito ao ambiente não é só discurso; é ação.

No Brasil, não existe concentração de terra.

No Brasil, toda terra é produtiva.

No Brasil, pequeno produtor não perde a terra para o banco.

No Brasil, ninguém passa fome.

No Brasil, não existe desperdício de alimentos.

No Brasil, não existe especulação imobiliária.

No Brasil, todos têm moradia digna.

No Brasil, as pessoas lutam por um país melhor.

No Brasil, hoje é...

Primeiro de Abril.