segunda-feira, 5 de abril de 2010

Flores artificiais

Rosângela é gerente de uma loja de R$ 1,99, a "BB - Barato é Bom". Ela reconhece que atualmente a concorrência é desleal. Os chineses são uma praga. Na produção, eles não respeitam direitos trabalhistas, meio ambiente - essas coisas de país desenvolvido - e o contrabando esparrama mercadoria mundo afora. É a concorrência é desleal mesmo!

Mas ela se gaba em dizer que o estoque da loja - in-tei-ri-nho - tem nota fiscal. Tudo dentro das conformidades exigidas pela lei. O problema atual, segundo ela, são os fornecedores. Gentinha sem palavra essa! Quando vem duas semanas, não vem nas duas próximas e assim vai. Aí é o coitado do estoque que sofre. Falta mercadoria para contentar os clientes exigentes.

A gerente da loja comenta o caso de um fornecedor de flores artificiais. Há um ano, Ernesto fornece vasos para a loja. A variedade é assustadora. As flores não têm cheiro, mas são brancas, azuis, amarelas, vermelhas, laranjas, violetas, verdes e algumas tem todas essas e mais muitos matizes. De tecido, de plástico, de papel, vasos e vasinhos enchem os olhos. Há ornamentos florais para cada cantinho da casa: mesa de centro, mesa de jantar, criado-mudo, banheiro, estante da TV, em cima do fogão, em cima da geladeira, enfim...

O problema é que o Ernesto nos seis primeiros meses forneceu rigorosamente toda semana. Agora está em falta. Não comparece mais com a mesma frequência e isso tem irritado a clientela. Segundo Rosângela, dona Sebastiana que se apaixonou pelas flores aparece toda sexta-feira. É que o dia do Ernesto fazer as entregas é de quarta ou quinta-feira. Dona Sebastiana está tiririca da vida porque não consegue mais comprar os arranjos que quer para presentear as amigas.

Rosângela conta que no começo era tanto arranjo que conseguiu fornecer até para os enfeites de mesa de um casamento da cidade. Segundo ela, o que mais a noiva gostou é que os arranjos eram diferentes. Das 57 mesas, não havia dois vasinhos iguais. E é claro, a noiva pagou mais por isso. Exclusividade e originalidade têm preço. E isso fez a festa das convidadas. Algumas até ensaiaram trocar sopapos para levar o vasinho de cima da mesa. Se a noiva não escondesse o da mesa dela, ficaria sem o seu arranjo, mais imponente que os das mesas comuns - é claro!

E não foi só flor para casamento que a "Barato é Bom" forneceu. A loja de R$ 1,99 - que para ser sincero tem pouca coisa por uma R$ 1,99 - enfeitou batizado, festa de debutante, aniversário e até Bodas de Ouro.

Pena que o Ernesto está em falta. Nos últimos meses ele apareceu duas vezes e a variedade não era mais variada. Ele alegou que a Kombi que usa no transporte quebrou algumas vezes e ficou muito tempo na oficina. Rosângela, para ser exata, diz que nas últimas quatro semanas não consegue falar com Ernesto. O celular dele vive desligado. Ela tenta todos os dias. __Por que ele não atende o telefone?

Irritada, Rosângela tenta o celular de Ernesto mais uma vez. Ela jura por Deus que será a última vez. __O telefone chamado está desligado ou encontra-se fora da área de serviço. A gerente desliga o telefone e liga a TV. Hoje o expediente será longo. Terá que cobrir uma colega que faltou e almoçará na própria loja.

Entre a arrumação de uma estante, a cobrança de uma compra e a verificação de mercadorias no estoque, Rosângela acompanha um programa policial na TV. Uma chamada do apresentador desperta a atenção da gerente.

__E veja depois dos comerciais uma história no mínimo curiosa. Ernesto é o maior cara de pau. Esse homem que vocês estão vendo no vídeo roubava cemitérios da região e vendia vasos de flores artificiais para lojas de R$ 1,99. Não perca. Eu volto já!

2 comentários:

Bruna Ferreira disse...

Que hilário! =) ADOREIIIII E RACHEI DE RIR REI! Parabéns!

artigosemvalor disse...

ahahah
e isso acontece bastante hein