sábado, 10 de abril de 2010

Língua queimada


A língua portuguesa é rica e altamente complexa, mesmo para quem tem nela a matéria-prima para a sua atuação profissional, como professores e jornalistas e jornalistas-professores como o meu caso.

Dizer que alguém conhece essa língua inteirinha e que nunca erra é temerário por vários motivos. São milhares de palavras e muitas regras. Muitas mesmo. Além disso, a língua escrita difere da língua falada em estrutura simplesmente por causa do modo de produção e uma pode influenciar a outra.

Além disso, há que se considerar que a gramática não é a mãe biológica desse processo, afinal a estilística tem sua importância e determina o uso de palavras e expressões condenadas pelos gramáticos ortodoxos.

Em recentes inquietudes nestas Letras Crôncias, tratei de um tema comum a muita gente: o uso do palavrão, exorcizado pelos mais puritanos e deliciado pelos bocas-sujas de plantão.

Na primeira versão, assinalei que um bom palavrão deveria ser proparoxítona e citei como exemplo o caralho. Ótimo e péssimo exemplo. Ótimo porque tem expressão e entonação. Péssimo porque não se trata de uma proparoxítona.

Caralho é uma palavra trissílaba e paraxítona. A tônica é a segunda sílaba de trás para frente. No caso a tônica é o RA. Tudo bem que com três sílabas, uma paroxítona sempre terá a ênfase na segunda sílaba seja de trás para frente ou de frente para trás. Afinal sempre será a sílaba do meio. Detalhe: as paroxítonas nem sempre são acentuadas.

O mais engraçado de tudo isso é que caralho é classificada como paroxítona e a palavra paroxítona é uma proparoxítona e proparoxítona também é uma proparoxítona.

A proparoxítona sempre terá a sílaba
(olha uma proparoxítona aqui!) tônica (olha mais uma proparoxítona!) na terceira sílaba de trás para frente e sempre será acentuada, sendo trissílaba (olha outra proparoxítona!) ou um palavrão: palavra grande com quatro ou mais sílabas, mesmo não sendo um palavrão: xingamento ou referências obscenas.

CA-RA-LHO!

8 comentários:

Danilo disse...

Caralho, Rei! Esse texto ficou muito legal! rsrsrs

Que tal você começar a dar umas dicas de livros? Abraços!

Guilherme Palma disse...

é muita regra para xingar hein
rss

DOUGLAS FERNANDO disse...

regras até na hora de xingar

Ana Carla Barbosa disse...

CA-RAM-BA! Tô de volta: anacarlabarbosa.blogspot.com

Zaratustra disse...

entao cu nao é palavrão.

Reinaldo C. Zanardi disse...

Zaratustra, neste sentido CU é uma palavrinha, a menos que esteja inserida no contexto do modo imperativo do verbo IR (VAI) + o infinitivo do verbo tomar (TOMAR).

O que isso significa? Significa que o boca vai falar um grande palavrão - palavrãozão - e, ao mesmo tempo, mandar o cidadão ou a cidadã para um lugar inóspito.

Zaratustra disse...

Se for pra usar o tamanho da palavra como premissa, então eu chamaria de palavrona, uma vez que a palavra "palavra" é substantivo feminino. E deixaria o palavrão sendo o que sempre foi.

Reinaldo C. Zanardi disse...

Palavrona?
Faz sentido.