domingo, 27 de junho de 2010

Corporativismo vergonhoso


Pior que a conduta do policial Carlos Roberto Almeida, no caso da porta giratória do Banco Santander divulgado pela imprensa, é a posição do delegado-chefe da Polícia Civil, Sérgio Barroso. É comum o corporativo rasteiro da Polícia, mas não deve ser admissível. A Polícia, quando acusada, deve investigar o comportamento de seus integrantes e, por favor, delegado-chefe, atenha-se aos fatos.

Barroso disse ao JL que o policial "foi constrangido e humilhado." Julgamento público sem averiguação é manipulação. E se for apenas opinião de Vossa Senhoria - delegado - sobre o policial Almeida, guarde-a para si. O cidadão e a cidadã não pagam impostos para suas autoridades emitirem juízo de valor antes das investigações necessárias.

Comentário enviado ao Jornal de Londrina em setembro de 2008. Não vi se foi publicado.

Mudança de sexo

A decisão do Ministério da Saúde em bancar a cirurgia de mudança de sexo é um prato cheio para polêmica. Para refletir. Por que o SUS gasta milhões de reais todos os anos com motoristas imprudentes que se arrebentam em acidentes? Por que o SUS gasta milhões de reais todos os anos com doenças originárias no sedentarismo e na falta de prevenção das próprias pessoas?

A repercussão da decisão da mudança de sexo certamente encontrará gente desfavorável, muitas vezes, baseada num conceito puramente moral. Os que invocam a prioridade de gastos devem achar que seus problemas são mais urgentes que os dos outros. E o preconceito não é a melhor companhia para definir política pública. Parabéns ao Ministério da Saúde pela coragem de pautar o assunto.

Comentário publicado no Jornal de Londrina, em junho de 2008.

Fila e adoção

Leitores do JL mostram indignação com a fila de espera para adoção e criticam a burocracia. Essa é uma parte da verdade. A maioria de quem espera até cinco anos na fila não se dá por mero capricho da legislação vigente, mas pelas exigências que os casais fazem na hora da adoção: recém-nascido, branco e menina. Isso já foi divulgado pela própria Vara da Infância e da Adolescência.

Se não fizessem tais exigências a espera seria bem menor. Então ficam duas perguntas. Quem opta por adoção é por que não consegue reproduzir e quer uma criança semelhante à família? Aí têm sentido as exigências. Ou são casais que querem exercer a paternidade e a maternidade? Neste caso, a condição da criança (sexo, idade e cor) é secundária porque o amor é maior que tudo.

Comentário publicado no Jornal de Londrina, em janeiro de 2008.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Inquietudes (26) do Rei

Pior que a ação de uma pessoa sem consciência de classe - a dita alienada - é a ação de uma pessoa consciente que faz o jogo de quem e daquilo que deveria combater.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Bala hallscista

Intrigantemente, um aluno em sala de aula diz que a bala Halls é racista. Ele sustenta a sua afirmação no fato de que todas as balas têm a embalagem e a bala com a mesma cor. A embalagem da verde tem bala verde; a da vermelha é vermelha e somente a da embalagem preta tem a bala de outra cor.  A embalagem preta tem bala branca. __Por que? pergunta o estudante inquieto.

__Porque ela é uma bala hallscista.

E fim de discussão.

domingo, 20 de junho de 2010

Inquietudes (25) do Rei

Leio a repercussão de uma matéria na internet, que trata sobre a adoção de crianças por casais homossexuais. Decisão do STJ permitiu que uma segunda criança fosse adotada por pais do mesmo sexo.

Um dos argumentos daqueles que são contra a adoção por casais homossexuais é que a criança - a partir do exemplo - se tornaria homossexual. Ai a Creide surtou.

__Peraí, se filhos de casais homossexuais se tornariam obrigatoriamente homossexuais, como é que nasceram homossexuais de casais heterossexuais? Eles não deveriam ter seguido o exemplo papai-mamãe?

Éh... a Creide faz cada pergunta difícil!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Não suporto Copa do Mundo - parte II

Em dia de jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, quem não suporta Copa do Mundo vai poder realizar algumas fantasias, fetiches ou simplesmente subversões cotidianas. 

Uma sugestão é tomar vinho com antidepressivo, tirar a roupa e desfilar pelo Calçadão de Londrina. Tudo bem, não haverá platéia para acompanhar a performance - digamos bizarra. Afinal balangar o danado em praça pública - digamos é bizarro.

Por outro lado, quem fizer essa proeza subversiva à moral e aos bons costumes (não sei de quem) também não vai parar na cadeia porque os policiais não estarão lá para encher o saco do cidadão, ou melhor, ver o saco do cidadão.

Sabem por que? Nossos nobres e valentes PMs mais ocupados estarão no quartel assistindo à partida pela televisão, com aquela narração - insuportável do Galvão. Confesso, que nem sei se é ele que vai narrar os jogos. É só para rimar.

E toda a imprensa focada estará nas notícias da copa. Melhor ainda, o cidadão balangador em praça pública não terá o próprio saco exposto em rede nacional porque afinal os jornalistas de plantão também direcionados estarão para o saco da seleção.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu só pedi uma moedinha

__Moço, dá um dinheirinho.
__Infelizmente não tenho senhor.
__Só uma moedinha, por favor.
__Olha... se o senhor quiser eu posso chamar o Sinal Verde.
__Que é isso moço?
__É um programa para ajudar as pessoas em situação de vulnerabilidade social e risco pessoal.
__Que?
__Éh... um programa municipal que realiza abordagens a pessoas com vivência de rua, faz os encaminhamentos e dá a assistência conforme as necessidades de cada indivíduo.
__Como?
__O senhor necessita de algum tipo de encaminhamento?
__ Não obrigado!
__O senhor quer ajuda ou não?
__ Mas... moço, eu só pedi uma moedinha.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Não suporto Copa do Mundo


Não suporto gente que não sabe o nome de um único clube brasileiro de futebol, virando torcedor de carteirinha.

Não suporto gente que não sabe quantos jogadores têm um time de futebol e que - agora - vive com camisa da seleção, corneta e boné verde-amarelo.

Não suporto gente que não sabe dizer o nome de um único campeonato de futebol, dando palpite na escalação da seleção brasileira.

Não suporto gente que diz que tem vergonha dos políticos brasileiros, que não defende a reforma agrária, que fala mal das políticas de transferência de renda, que diz que as cotas são racistas e que - agora - diz que tem orgulho de ser brasileiro.

Não suporto gente que diz que esse país não tem jeito e também não faz nada para ajeitar, afirmando - agora - que é patriota só porque torce para a seleção de Dunga.

Não suporto gente que diz que torcer para a seleção brasileira é sinal de patriotismo. Tudo bem... é um sinal, mas não o único.

Não suporto gente da mídia que só sabe falar da copa como se o Brasil e o mundo - agora - não tivessem outros assuntos importantes.

Não suporto gente em anúncios - agora - que vende refrigerante, aparelho de TV, geladeira, móveis, cerveja e kit-machine-revolution-qualquer-coisa com apelo verde-amarelo.

Não suporto gente que não suporta gente que não suporta Copa do Mundo.

Eu gosto da Copa do Mundo e torço para o Brasil, mas não suporto o que fazem com o Brasil, com os brasileiros e o que os brasileiros se deixam fazer - agora - durante a Copa do Mundo.