sexta-feira, 23 de julho de 2010

Proteção e tapas oficiais

O episódio no qual o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, agrediu um cidadão sul mato-grossense durante uma passeata em Campo Grande, mostra o quanto os brasileiros não são iguais perante a lei.

Realmente o papel aceita tudo, até que pobre é igual e tem direitos semelhantes aos de ricos, poderosos e donos de status social. A prática brasileira, porém, desmente e cala a legislação.


Segundo O Estadão, o governador André Puccinelli, que é candidato à reeleição "deu um tapa de mão aberta no rosto do eleitor Rodrigo de Campo Roque, 23 anos, montador de acessórios para automóveis."

O tabefe oficial foi desferido pelo governador-pugilista anteontem (dia 21), quando o governador-candidato, e seus asseclas de plantão, realizava uma passeata e falava com moradores da periferia da capital sobre as obras realizadas pelo governo.

__Você lê jornais? Você notou quanto que esse governador já fez por Campo Grande e pode fazer muito mais?

As perguntas, segundo O Estadão, foram feitas pelo governador-pugilista a Rodrigo de Campo Roque.

__Li também que o senhor é ladrão.

A resposta do operário foi abafada com um estalado tapa, "assistido por pelo menos 50 pessoas."

Mandam as normas de educação, não perguntar algo quando não se quer ouvir a resposta. É comum político - de todos os gêneros, estirpes, caráter e coloração partidária - perguntar algo e querer ouvir apenas o que quer ouvir.

Portanto, além de mimado porque quer respostas apenas positivas, André Puccinelli se mostrou extremamente autoritário, ou seja, ele cala seus críticos a tapas. Semelhanças com regimes ditatoriais não são meras semelhanças. Esta é a natureza da maioria quando assume o poder.

E o pior de tudo. Depois de levar o tabefe oficial, Rodrigo de Campo Roque foi dominado pelos seguranças - pagos com dinheiro público - enfiado numa viatura policial - paga com dinheiro público - e fichado por ter cometido "injúria real contra o governador", por um delegado - pago pelo dinheiro público. Ou seja, o cidadão paga para ser sacaneado por aqueles que deveriam protegê-lo. 

E o que aconteceu com o governador-pugilista? Continua em campanha, muito bem obrigado. E convenhamos, pela cultura brasileira de que quem pode mais..., era para acontecer alguma coisa?

É simplesmente revoltante, aviltante e dilacerante ao coração humano sensível - sim porque há muitos corações que deixaram de ser sensíveis e humanos - ver como o estado brasileiro trata mal o cidadão. A legislação em si não tem culpa se quem deveria aplicá-la seleciona como, quando e para quem vai aplicar, porque infelizmente nem todos são iguais perante a lei.