sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Humor (de humor duvidoso)


Quando o assunto é eleição os ânimos se exaltam e a argumentação beira o gramado, ou seja, lembra coisa de torcedor em partida de clássico de futebol. A lei eleitoral que estabelece regras, inclusive para programas de humor (de humor duvidoso), tenta tornar o processo igualitário para os partidos e candidatos. Afinal num país onde todos são iguais (apenas) perante a lei, não é de duvidar que quem tem mais dinheiro e poder faça programas mais requintados. 

Neste sentido, limitar a ação das piadas prontas em programas de humor (de humor duvidoso) visa, inicialmente, barrar as TVs de fazerem propaganda política subliminar, ou nem tão subliminar assim. Um programa humorístico pode ridicularizar um candidato em benefício do outro? Essa atitude pode influenciar o processo eleitoral e o voto do eleitor?

Se a resposta for sim, vale a lei eleitoral também para programas de humor e humoristas (de humor duvidoso). Isso não se trata de censura como alegam muitos. Trata-se de responsabilidade. A liberdade de expressão não é um valor absoluto e não está acima de outros valores. Ninguém, em nome da liberdade de expressão, pode ofender ou difamar. Isso também é próprio do jogo democrático.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Existem... cristãos e cristãos

__Cristão não vota neste ou naquele candidato.

Este é um argumento que incomoda no atual processo eleitoral, talvez em todos, para presidente da República. Fiquei pensando que na história mundial a igreja cristã andou de mãos dadas com reis e ditadores.

Muita gente foi queimada viva, degolada, enforcada... por não comungar com as crenças hegemônicas. A maioria esmaga a minoria. Na história, por obra de cristãos, muitos não cristãos pagaram com a própria vida.

Cristão que é cristão não deveria pedir que não se votasse em determinado candidato ou candidata. Afinal, ele também conhece (ou deveria conhecer) o livre arbítrio. 

O estado é laico. E assim deve continuar. Afinal, quem invoca Deus também o faz, muitas vezes, de um ponto de vista moral. E o preconceito não é a melhor companhia para se estabelecer políticas públicas.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Deus e os outros

Acredito em Deus e não nos homens - nem nas mulheres - que se julgam porta-vozes Dele.

Inquietudes (33) do Rei

Em tempos democráticos,
contra a opressão institucionalizada,
que cala,
que exclui,
não bastam intenções!
Contra a repressão oficial,
tentativa de diálogo não alivia a exclusão!
É preciso lapidar a organização,
estimular a participação,
forçar a inclusão.
A pressão é necessária.
E legítima.

Inquietudes (32) do Rei

Em tempos militares,
contra a opressão oficial
que mata!
Que tortura!
Que faz desaparecer!
Não bastam flores.
É preciso ação coordenada.
Contra a repressão oficial,
diálogo e pedido de paz não aliviam...
o peso do coturno sobre o pescoço.

domingo, 15 de agosto de 2010

O senso comum é uma praga...

Porque se alastra com muita rapidez, em todos os lugares e sem bom senso.

Porque atinge pessoas de todas as classes sociais, raças e idades, independente da educação formal e do nível intelectual.

Porque faz vítima - do operário ao letrado - em condições leigas e científicas.

Porque se reproduz no pré-conceito que gesta o preconceito.

Porque não avança além da manchete, manipulada, da primeira página.

Porque é reproduzido por gente, que se diz bem informada, porque leu a Veja e assistiu o Bonner no Jornal Nacional. 

Porque é construído no diz-que-diz e no-ouvi-dizer.

O senso comum é uma praga...

Porque se multiplica no não-adianta-discutir.

Porque defende opinião isenta como se fosse possível fazer juízo de valor, sem valor.

Porque encontra eco na voz do vendedor que concorda para não perder o cliente.

Porque a turma-do-deixa-disso diz que política não se discute.

Porque o empresário que paga propina é sempre vítima de extorsão do político ladrão.

Porque justifica o assassinato do pobre na periferia por envolvimento com o tráfico de drogas.

Porque lembra que o menino rico, desviado pelas más companhias, teria um belo futuro pela frente.

O senso comum é uma praga...

Porque classifica o rico como inteligente e o pobre como esperto, numa luta de classe linguística.

Porque legisla que todos são iguais perante a lei.

Porque argumenta que o poder público não funciona e que o setor privado é bom por natureza.

Porque aplicar multa em motorista irregular é um meio de aumentar a arrecadação.

Porque estabelece ao condenado, em dia com a justiça, o direito de ser reintegrado à sociedade que, diariamente, diz não à sua reinserção.

Porque autoriza padres e pastores a intermediar a relação do fiel com Deus.

Porque estabelece padrões. De beleza. De inteligência. De sucesso. De tantas outras coisas.

O senso comum é uma praga...

Porque - como praga - pede que as pessoas tenham senso crítico, mas não permite à crítica ser crítica.

O senso comum é uma praga...

Porque é simplesmente uma praga.

sábado, 14 de agosto de 2010

?bala perdida


A bala não é perdida.
Na confusão conceitual, esconde-se o dono da bala.
?Inventada por autoridades
?Disseminada pela imprensa

A bala perdida é do bandido.
Assinada no crime. Marcada pela violência.
A bala perdida é da polícia.
Manchada pelo erro. Cravada pela incompetência.

Se fosse perdida, a bala não encontraria alguém
...por isso tem nome e sobrenome.
Se fosse perdida, a bala não feria.
...por isso, tem dono, que mata, que se esconde...
Atrás de uma bala perdida.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vitamina S

__A gente trabalha assim há muito tempo.

__Mas vocês não podem pegar o dinheiro e com a mesma mão entregar o salgado. É falta de higiene. E vocês podem transmitir muitas doenças.

__Olha! dona, ninguém nunca reclamou.


A Creide está revoltada e jura que ainda vai às vias de fato, quando ouvir alguém justificar os próprios erros argumentando que ninguém nunca reclamou.

__Então quer dizer que as pessoas somente fazem as coisas corretamente quando alguém reclama? Ou seja ela sabe que está errada e continua errando? É demais!

Na lanchonete, a atendente não mostrou ser muito fiel às normas de higiene e, quando questionada, transferiu a responsabilidade. A Creide ainda vai às vias de fato.

__Em tempos de gripe A, as lanchonetes deveriam tomar mais cuidado quando atendem seus clientes. Vitamina S é um problema grave. S de sujeira.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aqui você não tem preferência


Às 8h, ela vai à padaria buscar a encomenda que fez, no dia anterior.

__Bom dia! Eu vim buscar a encomenda de pão sírio.


A atendente vai até a parte interna da loja e volta.

__Mas o pedido é para o meio-dia.

__Não! Eu pedi para as 8h da manhã.

__É, mas aqui está anotado meio-dia.


Com cara de tenho-mais-gente-para-atender, a atendente quer encerrar a conversa.

__Eu pedi para as 8h. A festa vai ser a uma da tarde. Como eu iria pedir para meio-dia? Eu não cometeria um engano desses.

A atendente troca olhares com a outra atendente que é filha da dona da padaria, que vai até o caixa verificar com a mãe, a dona do estabelecimento.

Depois de remexer num monte de anotações, ela verifica que são dois pedidos de pão sírio. Um para as 8h. Outro para o meio-dia.

__É! Alguém anotou o pedido, mas não agendou, diz a caixa-mãe-proprietária-da-padaria, sem resolver o problema. E o pior, olhava para a cliente como se ela fosse a responsável pela confusão.

Sem apresentar solução para o problema, a coitada da cliente sugere pegar o pão sírio mais tarde. Não quer passar vergonha com os convidados.

O padeiro-casado-com-a-caixa-dono-do-estabelecimento - de dentro da parte interna - diz que faz para as 11h, sem a menor vontade de resolver o problema que eles mesmo criaram.

Passo no caixa, pago minha conta - cinco pães, 150 gramas de carolina, 200 gramas de mortadela - e vou embora. Não sei o desfecho do pão sírio.

O fato é que o comércio está longe - generalizadamente, naturalmente - de tratar bem o consumidor. O comerciante culpa o cliente quando este está errado. O comerciante culpa o cliente quando este não está errado.

E o problema não é apenas naquela padaria-lerda-da-vila - como demora o atendimento, sem falar que as atendentes não têm capacidade de esboçar um bom dia sorrindo, até parece que acham que vou pedir fiado.... Voltando ao problema...

Essa situação no Brasil é generalizada para pequenas, médias e grandes empresas. Outro exemplo? Atendimento 0800 de operadora de celular. Um inferno! somente para ficar num substantivo-adjetivo.

Os ensinamentos de órgãos de apoio ao empresário parecem norma de etiqueta usada somente em congressos corporativos como discurso. Sim porque na prática, a teoria está longe de ser uma realidade e o consumidor crítico - que deveria ser tido como consultor gratuito - é nada mais que um incômodo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sobre estupros e tesão III

Segredo de justiça impede a divulgação do nome do cantor sertanejo de Ibiporã, acusado de estupro de uma adolescente de 13 anos. Letras Crônicas tratou do assunto em "Sobre estupros e tesão" e "Sobre estupros e tesão II"

O cantor sertanejo foi indiciado pela polícia, conforme divulgação do Bonde. O inquérito depois de concluído será remetido ao Ministério Público. E a proteção à imagem do acusado - com segredo de justiça - mostra que se trata de gente com influência e acesso a advogados.

Pobres não podem se dar a esse luxo porque advogado não é gênero de primeira necessidade. Afinal custam caro, muito caro. Por isso, quando pobre é acusado acaba execrado publicamente tanto pela polícia quanto pela imprensa. Decididamente, os brasileiros não são iguais perante a lei. Lamentável!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Inquietudes (30) do Rei


Rugas não são um problema, se acompanhadas de conteúdo.
Sem conteúdo, até formas belas são um problema.
Tudo bem... elas podem encher os olhos e excitar...
Mas não sustentam a ereção eternamente.
A convivência exige muito mais do que beleza.

Inquietudes (29) do Rei

Escrever um texto não é igual à dirréia, que sai tudo de uma vez. É preciso cuidar das palavras, da estrutura e também do conteúdo. Forma sem conteúdo pode ser fashion, mas não sobrevive ao tempo porque cria rugas.