terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aqui você não tem preferência


Às 8h, ela vai à padaria buscar a encomenda que fez, no dia anterior.

__Bom dia! Eu vim buscar a encomenda de pão sírio.


A atendente vai até a parte interna da loja e volta.

__Mas o pedido é para o meio-dia.

__Não! Eu pedi para as 8h da manhã.

__É, mas aqui está anotado meio-dia.


Com cara de tenho-mais-gente-para-atender, a atendente quer encerrar a conversa.

__Eu pedi para as 8h. A festa vai ser a uma da tarde. Como eu iria pedir para meio-dia? Eu não cometeria um engano desses.

A atendente troca olhares com a outra atendente que é filha da dona da padaria, que vai até o caixa verificar com a mãe, a dona do estabelecimento.

Depois de remexer num monte de anotações, ela verifica que são dois pedidos de pão sírio. Um para as 8h. Outro para o meio-dia.

__É! Alguém anotou o pedido, mas não agendou, diz a caixa-mãe-proprietária-da-padaria, sem resolver o problema. E o pior, olhava para a cliente como se ela fosse a responsável pela confusão.

Sem apresentar solução para o problema, a coitada da cliente sugere pegar o pão sírio mais tarde. Não quer passar vergonha com os convidados.

O padeiro-casado-com-a-caixa-dono-do-estabelecimento - de dentro da parte interna - diz que faz para as 11h, sem a menor vontade de resolver o problema que eles mesmo criaram.

Passo no caixa, pago minha conta - cinco pães, 150 gramas de carolina, 200 gramas de mortadela - e vou embora. Não sei o desfecho do pão sírio.

O fato é que o comércio está longe - generalizadamente, naturalmente - de tratar bem o consumidor. O comerciante culpa o cliente quando este está errado. O comerciante culpa o cliente quando este não está errado.

E o problema não é apenas naquela padaria-lerda-da-vila - como demora o atendimento, sem falar que as atendentes não têm capacidade de esboçar um bom dia sorrindo, até parece que acham que vou pedir fiado.... Voltando ao problema...

Essa situação no Brasil é generalizada para pequenas, médias e grandes empresas. Outro exemplo? Atendimento 0800 de operadora de celular. Um inferno! somente para ficar num substantivo-adjetivo.

Os ensinamentos de órgãos de apoio ao empresário parecem norma de etiqueta usada somente em congressos corporativos como discurso. Sim porque na prática, a teoria está longe de ser uma realidade e o consumidor crítico - que deveria ser tido como consultor gratuito - é nada mais que um incômodo.

Um comentário:

Bruxices tolas disse...

Para os comeriantes e comerciários, meu amigo, nós somos os pés no sacos dos chatos que eles torcem o nariz quando aparecem, disputam no palitnho para não ter que atender, e ainda falam mal porque entamos na loja e pedimos exatamente o que queremos e levamos... (e não ficamos de papo furado, mandamos descer metade da loja para não levar nada com um sorriso no rosto e um monted queridas e meu bem).
Somos penalizados por sermos sinceros, corretos e objetivos.