sábado, 11 de setembro de 2010

Fila única

A fila do restaurante é única e ao chegar ao balcão de comida se bifurca. Um grupo vai para um lado. O outro para o outro. O mesmo balcão. Os mesmos pratos frios. Os mesmos pratos quentes. As mesmas saladas.

Ela chega. Entra do lado direito do balcão. A fila estava mais à esquerda, para respeitar os que entram no restaurante.

Ele fica incomodado com a cara de pau porque Ela entrou na frente dele, desrespeitando todos na fila. Baixinho, Ele a denuncia para Ela mesma.

Ele: Furando fila?
Ela: São duas filas. Ninguém está nesta daqui.
Ele: A fila é uma só e quando chega aqui se divide.
Ela: São duas filas. Todos estão naquela.
Ele: A fila é uma só.
Ela: Você quer passar na minha frente?
Ele: Não se trata de passar na sua frente.
Ela: Você quer passar na minha frente?
Ele: Não! E é assim - nas pequenas coisas - que tudo começa dar errado.
Ela: É uma questão de interpretação.
Ele: É verdade! Cada um vê como quer. Eu prefiro a interpretação correta.
Ela: Eu também!
Ele: Muitos bandidos falam a mesma coisa.

Ambos se servem.
Ele pega sobremesa.
Ela não.
O almoço dela não teve um final doce.

2 comentários:

Bruxices tolas disse...

Sem comentários...mas, com certeza, com sobremesa! rsrsrsrsrs Realmente é desde as pequenas coisas, que parecem tolices, que se percebem o caráter e a ética.

Guilherme Palma disse...

sem sobremesa e aposto que a digestão foi mais lenta
boa reinaldo