quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O indignado e a feminista

Ele é um ser indignado por natureza.

Ela é um ser feminista por natureza.

__Por que bom dia? pergunta o reflexo dele para ele próprio no espelho do banheiro.

__A mulher deve ter autonomia absoluta sobre o seu corpo. Se quiser, deve fazer aborto sim.

 
Ele não concorda.

__Como assim?
__É isso mesmo. A decisão deve ser dela.
__Isso não tá certo. É um absurdo.
__Não é a sociedade que condena a mulher que faz aborto? Ninguém quer saber se ela tinha um namorado e quando, ele soube da gravidez, sumiu e a deixou sozinha. Então a decisão é da mulher.
__Mas é uma questão física. O homem não tem útero e ele não vai poder decidir nunca se quer a criança?
__O peso da gravidez é da mulher, tanto social, pessoal quanto profissionalmente. Então é ela quem deve decidir se vai ou não ter a criança.
__Mas onde fica o meu desejo de querer acompanhar a gravidez, curtir a gestação, crescer e brincar com meu filho?

 
Ela para, dá três tapinhas nas costas dele e encerra a conversa.

__Meu amigo, se um dia você estiver nesta situação e agir deste jeito, nenhuma mulher - na vida - vai querer tirar um filho seu.

2 comentários:

Bruxices tolas disse...

A última frase poderia ter começado com "Pode legalizar o aborto, meu amigo, que se um dia ...", porque mesmo com o aborto legalizado, muito dificilmente uma mulher interromperia gravidez se tivesse um pai interessado em curtir a gestação e cuidar da criança. Nem que fosse para, depois de nascimento, dizer "Queria tanto, agora toma que o filho é teu!!!"

Guilherme Palma disse...

aborto jamais