quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sempre o aborto

Um tema sempre delicado e que causa náuseas em épocas de eleição é o aborto. Não precisa ser favorável à medida para perceber que o assunto é um problema de saúde pública. O SUS não faz aborto ilegal, mas paga as consequências de um aborto mal feito ilegalmente. Afinal, meninas ricas são levadas pelos pais e amigas ao melhor médico da cidade para interromper a gravidez, termo politicamente correto e sinônimo? para aborto.

O tema tem implicações de cunho social, moral e religioso que, muitas vezes, cegam os ferrenhos defensores da vida - humana, diga-se de passagem. Afinal, muitas vidas animais e vegetais são abortadas diariamente e não provocam a mesma indignação. Uma vida humana vale mais ou menos que a vida de bois que são mortos para alimentar? Uma vida humana vale mais ou menos que a vida de milhares de árvores centenárias, abatidas para o avanço de áreas supostamente agricultáveis? Afinal vida não é vida?

O aborto tem que ser encarado sim como problema de saúde pública e a gravidez indesejada não deve ser vista como uma punição ao prazer da mulher desfrutável em noites de deleites sexuais, sem a proteção da camisinha. Até porque numa gravidez indesejada o peso recai quase totalmente sobre a mulher. E a mesma sociedade que a condena, absolve o dono do espermatozóide, livre para continuar suas noites de deleites sexuais, sem a proteção da camisinha.

Antes de ser condenado por Bento XVI, antecipo que não sou pessoalmente favorável ao aborto, mas defendo o direito de a mulher escolher essa opção. A bebida alcoólica é legalizada. Os custos sociais da pessoa embriagada, termo politicamente correto para bêbado, são altíssimos. Assim como os custos de quem fuma e adoece. Eu não bebo (um vinhozinho de vez em quando vai bem) e não fumo, nem passivamente, mas nem por isso saio atacando bebuns e fumantes cidade afora. A lei está aí e usa quem quer.

__Mas isso vai aumentar o número de abortos. Vai ser um incentivo à promiscuidade e ao assassinato de seres inocentes.

Isso vai acontecer independente de uma lei que regularize o aborto. Sim porque o que falta é uma educação sexual séria e responsável. Enquanto os pais se omitirem de educar seus filhos de forma sexualmente responsável, estes não vão se prevenir e muito mais do que uma gravidez, que representa vida, ainda podem contrair doenças sexualmente transmissíveis, que muitas vezes representam morte.

A educação sexual deve ser democrática também. A diversidade sexual deve ser respeitada para que o tema não seja visto como tabu, como algo proibido. O preconceito é o grande atraso para o desenvolvimento das sociedades. E a pessoa preconceituosa é a grande barreira para a consolidação de uma cultura de respeito à diversidade. Ninguém é obrigado a conviver com quem não quer, mas respeito é bom. E todo mundo gosta.

4 comentários:

Bruxices tolas disse...

Concordo com vc q a mulher deveria ter a liberdade d escolha legalizada. Mas, principalmente, concordo q toda a questão é um problema de EDUCAÇÃO. Educação sexual no sentido amplo da sexualidade diversa, arriscada, segura, prazerosa, divertida, sem tabus... simples e imparcialente EDUCAÇÃO!

Guilherme Palma disse...

Eu acho mais facil fazer uma educacao sexual mais rigorosa do que fazer aborto
"e não fumo, nem passivamente, mas nem por isso saio atacando bebuns e fumantes cidade afora. A lei está aí e usa quem quer..." Eu não sei se entendi essa analogia.
de qualquer forma foi um bom texto e corajoso
abraço

Maíra disse...

O aborto deve realmente ser encarado como um problema de saúde pública. Este é inclusive o posicionamento da nossa futura presidente, ao contrário do que tentam, desesperadamente, fazer parecer os oposicionistas.

Juliana disse...

Além dos pais que levam as meninas ricas (e nem tão ricas assim) a hospitais e médicos particulares para fazer o aborto, há aquelas que procuram medicamentos abortivos em lugares dos mais variados. Em algumas lojas do camelô é possível encontrar esses remédios, que são vendidos a preços altos e não possuem nenhuma orientação ou coisa parecida, aumentando assim os riscos de um aborto mal realizado. Eu poderia citar umas três, quatro mulheres que conheço - jovens, bonitas e de classe média - que procuraram a alternativa. Algumas passaram mal, foram parar no hospital e outras ficaram ‘bem’, dentro das possibilidades. É preciso acabar com essa tal clandestinidade perigosa, que é tão sabida e conhecida por todos.