quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Inquietudes (41) do Rei

Pobre se organiza, rico faz lobby. Por que a imprensa é contra a participação popular na comunicação e distorce o debate? Por que a participação é bem-vinda em áreas como saúde, educação, assistência social, criança e adolescente, cultura, meio ambiente, entre outras, mas é rechaçada na comunicação? Conselhos de Comunicação já, com participação popular na definição das diretrizes da política do setor.

2 comentários:

Guilherme Palma disse...

Eu tambem sou a favor de conselho de comunicação Reinaldo. Mas como impedir que isso se torne um meio para o governo censurar.

Reinaldo C. Zanardi disse...

Qualificando a participação popular, Guilherme. E não é a censura externa que me assusta porque ela é concreta, visíviel. Fica fácil se organizar para denunciar os abusos, se mobilizar. Exite algo muito pior que isso e que não é debatido.

Trata-se da autocensura, ou seja, essa é invisível porque é silenciosa e se concretiza nos medos de uma redação, de um repórter, de um diretor de jornal que não quer bater de frente e, por isso, não publica para não ter problemas também financeiros porque pode ser processado.

A autocensura de uma redação, por exemplo, permeia a relação com o anunciante privado. Você já reparou que na imprensa existe vereador sem vergonha, prefeito e governador ladrão, presidente safado, mas não existe empresário corrupto? Parece que as empresas no Brasil são exemplos de honestidade, não sabotam a qualidade do produto, não sonegam impostos, respeitam absolutamente todos os direitos trabalhistas.

E por que isso não vira notícia? Exatamente porque o profissional na redação sabe que terá problemas se divulgar o nome da empresa e do empresário. Esses, com seus advogados, costumam fazer um estrago enorme nas contas dos veículos de comunicação.

A autocensura impõe um toque de recolher nas pretensões da imprensa que divulga informações sobre empresários desde que as informações venham de organismos como a Polícia Federal, a justiça, o MP, entre outros. Inclusive o Conselho de Comunicação pode dar respaldo para veículos atacados por corruptos da iniciativa pública e privada também. E aí entra novamente a questão: qualificar a participação nos conselhos.