sábado, 27 de novembro de 2010

Controlar não é censurar - II

Censura aos meios de comunicação todo mundo sabe o que significa, até porque a memória do brasileiro em relação aos mecanismos da ditadura militar está viva. No entanto, existe um tipo de censura que poucos conhecem, poucos admitem e poucos discutem: a autocensura. Não se trata de um processo organizado em manual nem sistematizado na redação, mas é perverso para com a informação e o público consumidor de notícias e de entretenimento.

Como funciona então? O comunicador neste caso, o jornalista no dia-a-dia - independente do meio - conhece muito bem a política editorial do veículo para o qual trabalha. Assuntos que não são pertinentes a esta linha e aos interesses do proprietário, muitas vezes, não viram pauta do noticiário.

Algum exemplo? Alguém se lembra de a imprensa londrinense ter publicado o nome dos estudantes de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que invadiram e soltaram rojão no Pronto Socorro do Hospital Universitário para comemorar o fim do ano letivo? Alguém se lembra do nome dos médicos residentes do mesmo hospital que caluniaram a saúde pública, funcionários e gestantes atendidas pelo hospital em comunidade do orkut? Não. A imprensa não publicou.

Agora, a publicação do nome do adolescente que assaltou a farmácia, do nome do pobre acusado de furtar no supermercado e do nome do outro pobre preso durante uma perseguição policial não sofrem restrições e são publicados, às vezes, com destaque. Se duvidar, publicam até o endereço do pobre infeliz. Ter dois pesos e duas medidas na publicação de notícias é autocensura. Diriam muitos, que se trata de senso de preservação do próprio couro ou senso de sobrevivência. Enfim...

O jornalista sabe que rico - se não conhece a legislação - tem dinheiro para contratar advogado que conhece as leis para propor ações contra profissionais e veículos de comunicação, enquanto os pobres - muitas vezes - nem sabem que seu nome foi publicado na imprensa. O jornalista sabe que tal tratamento é diferenciado e que atende aos seus interesses já que está em jogo a capacidade de retaliação dos envolvidos.

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