quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Inquietudes (47) do Rei

O que a virada do ano tem de tão especial, quando pensamos em nós mesmos? Comemorar o fim ou o começo? Fim e começo do que? No dia seguinte, tudo volta ao normal e, em muitos casos, com dores de cabeça. Quando estamos bem, a companhia dos nossos é suficiente. O resto é carência.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sobre gravidez, mulher e homem

Leio reportagem na Folha de S. Paulo, de hoje, em que um bebê, nascido na véspera do Natal, sobreviveu a uma queda de dois metros, depois de ter sido atirado dentro de um saco plástico pela mãe, que acabava de dar a luz. Na reportagem, um tom sutilmente condenatório, a começar pela manchete "Recém-nascido é abandonado pela mãe e sobrevive a queda de 2 metros em Belém".

Os motivos da mãe, uma jovem de 20 anos. Segundo a Folha,"foi o medo de ser descoberta por sua família, que é do Maranhão e não queria que ela engravidasse, e pelos patrões em Belém, que a contrataram para ser babá e de quem escondia a gravidez." As informações para a Folha são da Polícia Civil de Belém.

Realmente, a atitude da mãe não é bonita, mas a imprensa quando aborda mães que abondam seus filhos publicam os fatos de maneira sensacionalista e não contextualizam o sofrimento que a mulher passa. Apenas e somente o sofrimento do bebê. Que é real e não deve ser subestimado.

Mas mães que abandonam seus filhos podem sofrer de distúrbios e doenças, por exemplo? Nessas matérias, essa reflexão não é feita. Prevalece o senso comum. Ao final da leitura, a sensação (não! certeza) que fica é que a mulher é um monstro, não tem alma e que não merece ter filhos.

Essa sensação é reforçada pelos comentários dos leitores na reportagem: "Uma vaca jamais faria isso com seu filhote"; "Peste (a progenitora, porque isso não é mãe nunca)"; "lixo humano (a mãe, lógico)." Naturalmente que nem todos os comentários são desse nível. Há leitores que refletem sobre o que lêem.

E por falar em refletir sobre o que ler, façam isso também sobre o que escrevo. Faz sentido ou não? E aqui vão alguns pontos que lanço ao debate. Aviso os navegantes: são pontos generalizados e existem exceções belíssimas. Aqui são provocações para a discussão.

. Por que reportagem desse tipo nunca cita o pai do bebê? Por que a imprensa não busca responsabilizá-lo também? Por que toda responsabilidade pela gravidez é da mulher? Mães que abandonam seus filhos recém-nascidos não engravidaram sozinhas. 

. Gravidez indesejada é consequência e não causa. Consequência da falta de informação, da falta de planejamento familiar, da busca pelo prazer a qualquer custo (de ambos, não só dela hein!) e, principalmente, da falta de educação sexual. De ambos, não só dela hein!

. Questão de gênero 1. A gravidez é responsabilidade exclusiva da mulher. O homem é coadjuvante (talvez por isso, muitos dêem no pé quando a namorada engravida). E muitas famílias viram as costas para a mulher (filha, irmã, sobrinha...), restando-lhe sortes variadas.

. Questão de gênero 2. A sociedade não aceita a mulher que rejeita ou não quer ter filhos. É normal confundir gravidez com maternidade. Conheço excelentes mães que não engravidaram e muitas que engravidaram e que não são boas mães. Por que a mulher tem que parir? É um processo natural? É um processo construído socialmente?

. No caso específico da reportagem em questão 1. Como é a relação dessa garota com a família (e como os pais a tratam?) para ela encontrar coragem para jogar seu bebê pelo muro e não ter coragem para enfrentá-los? 

. No caso específico da reportagem em questão 2. Ela diz que tinha medo dos patrões que a contrataram. Medo de perder o emprego por estar grávida? Quantas mulheres grávidas são demitidas por causa da gravidez tendo seus direitos trabalhistas desrespeitados? Isso não é desumano também?

Se analisarmos a notícia fora do tom condenatório da reportagem da Folha, veremos que a mãe que jogou o filho pelo muro de dois metros não é a única ré da história.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Promessas e sonhos

Promessas renovadas também renovam as esperanças.
Enquanto elas não morrem, ainda podemos sonhar.
Sonhos...
movem,
concretizam,
conquistam,
realizam.
Bastam atitudes.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Inquietudes (46) do Rei

Noel, que não se cansa das viagens, passou e deixou - para todos - paz, saúde e muita luz.
__E os presentes?
__Esses, a gente encontra no shopping mesmo.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ah! essa televisão

Em época de final de ano, a televisão se supera. Exibe programas e reportagens que repetem as fórmulas do ano passado, do ano anterior, do ano anterior, do ano anterior, do anterior... enfim! E o pior, é que a gente assiste.

__Veja as dicas para não cometer gafes no presente do amigo secreto.

__Espumante ou frisante? Veja as diferenças para não fazer feio no fim de ano.

__Aprenda a fazer um peru recheado, macio e - o melhor de tudo - saboroso.

__Vai viajar? Faça uma revisão do carro para não ficar na estrada.

__Veja o que usar na ceia de Natal. Dicas para ela e para ele. 

E a repórter pega o barco com um grupo de voluntários para distribuir brinquedos para crianças em comunidades distantes, que sobrevivem do que a mata oferece. Papai noel magrelo está à caráter. Travesseiro na barriga, barba longa e desfiada, gorro esfolado e o típico casaco vermelho. O voluntário noel assa a 40ºC na subida da barranca do rio. A criançada delira com bolas, bonecas e carrinhos de plástico com rodas que não giram. A repórter pergunta a um menino.

__Você gostou do presente?

À pergunta cretinamente óbvia, uma resposta inocentemente óbvia. Ai se em vez de espírito natalino, o moleque fosse tomado pelo espírito de porco. Ele poderia responder.

__Não! Detestei! Mas como é de plástico, vou levar esse carrinho pra casa e reciclar.

Inquietudes (45) do Rei

Por que Papai Noel parece representante de associações de comerciantes e de promotor de vendas?

Uma coisa simples

Ele é um menino de apenas 5 anos de idade e já sofreu muito. Hoje cresce num abrigo com pais sociais dedicados. O pai dele está preso porque matou a mãe. Ele não viu a cena, mas sentiu cada golpe. Os quatro irmãos foram separados. Cada um dos três foi morar com um tio. Ele foi parar no abrigo porque foi recusado pela família. Ele tem deficiência visual severa. Faltam alguns dias para o Natal e ele escreve uma cartinha para Papai Noel. A mãe, no abrigo, ajuda o menino.

__Querido Papai Noel! Eu não quero muita coisa nesse Natal. Eu quero uma coisa simples: uma família. Papai Noel, um abraço.

Pedidos a Papai Noel

Papai Noel, eu não tive tempo de escrever a minha cartinha de Natal antes.

Eu queria que não existissem preconceito e discriminação.

Eu queria que não existisse gente com fome.

Eu queria que não existisse gente morando na rua.

Eu queria que não existisse desemprego.

Eu queria que não existisse concentração de renda.

Eu queria que não existisse violência no Brasil.

Eu queria que não existisse criança sem pais.

Eu queria que não existisse criança fora da escola.

Eu queria que não existissem políticos corruptos.

Eu queria que não existisse elite corrupta.

Eu sei que o senhor é apenas o Papai Noel.

Eu queria que o senhor existisse para atender os meus pedidos.