quinta-feira, 31 de março de 2011

Fazer 40 anos é...

É dizer com mais frequência do que gostaria __Nossa! conheci quando você era desse tamaninho.

Dizer com mais frequência do que gostaria __Porque na minha época...

Ser chamado de senhor com mais frequência do que gostaria.

Sentir dores com mais frequência do que gostaria.

Ter vivido pelo menos a metade da vida. Ou ter vivido um pouco mais da metade.

Parar para refletir sobre o que fez com você mesmo. E com os outros.

Ter urgência em fazer as coisas que fazem a diferença.

Não ter paciência nem disposição para fazer coisas que não fazem a diferença.

Fazer de cada momento algo agradável e evitar os desagradáveis (em todos os sentidos).

É ser professor e dar aulas para os filhos dos amigos e dos conhecidos.

Dar exemplos vividos que seus alunos não conhecem porque ainda não tinham nascido.

Usar camiseta regata e boné e ou outros dizerem que você é um velhão descolado.

Ouvir de jovens que quando eles forem mais velhos, querem se parecer com você: um velhão estiloso.

Não se assustar com os cabelos brancos, porque não é um fio de cabelo apenas. Melhor eles brancos do que sem eles.

Descobrir um fio de pentelho branco e ter a certeza de que está envelhecendo. Mesmo!

Não me importo de envelhecer. Afinal, idoso tem fila exclusiva, mas isso me atormenta - e muito - porque quando poderei usar a fila para velhinhos - estilosos ou não - vai ter tanto velho no Brasil, mas tanto velho, que é possível ter fila preferencial para jovens.

__Ô merda!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Inquietudes (62) do Rei

As redes sociais são uma praga no Brasil. Ultimamente - no ritmo alucinante da vida - não consigo dar conta de ver pessoalmente os amigos de carne e osso. Então o que fazer com os amigos virtuais?

terça-feira, 29 de março de 2011

Quanto vale a vida?

A violência policial no Brasil é uma triste realidade para a qual a maioria da população pede transformações radicais apenas quando é vítima direta dos maus policiais. Dois episódios divulgados recentemente voltam a trazer ao debate a qualidade da atuação dos policiais militares do Brasil. Que a polícia brasileira é uma das mais violentas do mundo, ninguém duvida. Tanto que a organização não-governamental Justiça Global, em um de seus programas atua na perspectiva da "Segurança Pública e Violência Institucional." Leia mais aqui.

Num dos episódios, policiais militares espirraram spray de pimenta em manifestantes em Niterói, no Rio de Janeiro. Moradores protestavam pelo pagamento do benefício Aluguel Social, ou seja, eram moradores pobres reivindicando que o Estado cumprisse o seu papel. No segundo caso, policiais militares de Manaus, Amazonas, aparecem atirando à queima-roupa em um adolescente de 14 anos.

Segundo o Ministério Público do Amazonas, o jovem não tem antecedentes criminais. Se tivesse, isso justificaria tamanha violência? Obviamente, não!

As cenas – repugnantes – revelam um caos que é conhecido de toda a população e do Estado brasileiro: o sucateamento dos órgãos de segurança pública, incluindo as relações de trabalho dos policiais. No entanto, salários baixos, excessiva carga horária e más condições de trabalho não são justificativas para o policial cometer os crimes que deveria prevenir. Bandido de farda é um perigo para a sociedade, talvez ainda maior que o oferecido pelos próprios bandidos. E, infelizmente, os bons profissionais pagam o preço pela atuação criminosa dos bandidos fardados.

Apoio ilícito e criminoso

Além disso, é de conhecimento geral que faltam investimentos básicos nos organismos policiais para investigar os crimes cometidos. A ciência forense no Brasil engatinha e, não raro, os policiais que chegam à cena do crime são os primeiros a comprometer os possíveis indícios e provas que poderiam resolver o caso. Falta muito investimento neste sentido: recursos humanos, materiais e financeiros.

É comum no noticiário brasileiro delegados, capitães, coronéis e sargentos alegarem que Fulano morreu (e não, foi assassinado) e que se tratava de acerto de contas do crime organizado. E isso basta para não investigar o acontecimento? Outra interpretação possível a ser feita das falas oficiais, nesses casos, é que se alguém morre é porque está envolvido com o crime e isso é uma consequência, algo da natureza da atividade. Convenhamos, morte violenta nunca é natural.

Se a violência é consequência, por exemplo, do tráfico de drogas, que a polícia combata então as causas: a produção e a distribuição das drogas, cujos verdadeiros donos, muitas vezes, contam com o apoio ilícito e criminoso das instituições que deveriam proteger o cidadão.

Pobre morto na periferia não incomoda

Em que pesem as tantas interpretações que podem ser feitas dos episódios de Niterói e Manaus, que não são isolados no Brasil – afinal são os que vieram à tona porque as câmeras flagraram a ação violenta da polícia –, outro aspecto chama ainda mais a atenção: a vida. Nesses casos, a vida – principalmente de pobres na periferia – vale pouca coisa para o Estado.

O desrespeito à vida humana é flagrante. A polícia que desrespeita a vida do pobre é a mesma que parece funcionar como instrumento da segurança patrimonial dos ricos. E o pior: o policial que desrespeita e mata o pobre é, muitas vezes, tão miserável quanto a sua própria vítima. E isso torna a situação ainda mais dramática e lamentável.

A sociedade brasileira, neste sentido, está profundamente dividida. Não é preciso estudos sociológicos para verificar isso. Basta ver os telejornais, ouvir as emissoras de rádio, ler nos jornais e na internet diariamente para constatar que pobres e ricos são iguais somente perante a lei.

Setores da classe média e da elite – em episódios como esses – se revoltam momentaneamente porque a situação é aguda, ou seja, ganha grande repercussão e ninguém – por mais insensível que seja – consegue ficar inerte diante das cenas. Mas passado o susto factual, tudo volta ao normal e não se exigem transformações radicais. Ou seja, pobre morto na periferia não incomoda tanto.

O assunto voltará a ser motivo de debate, de revolta, quando a polícia matar no centro da cidade ou matar algum universitário que "tinha um futuro brilhante pela frente". Quem pode realmente interferir e promover a transformação somente o faz quando os problemas o afetam diretamente.

Texto publicado na seção "Caderno da Cidadania", do portal "Observatório da Imprensa", Nº 635, de 29/03/2011.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Inquietudes (61) do Rei

Pobre de quem nega o próprio passado. Assim, deixa de ser digno do seu presente. E o futuro? Um ideal sem memória nem cicatriz.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A tal fidelidade

Ser fiel não é resultado de transar apenas com a mesma pessoa.
Alguém pode ser fiel...
à mulher ou ao marido, mas também...
aos amigos,
aos colegas de trabalho,
às próprias ideias e ideais,
ao estilo de música,
ao tipo de filmes que gosta,

às marcas preferidas.
Ser infiel é...
trair a pessoa amada e também...
trair os colegas de trabalho,
trair as próprias ideias e ideais,
trair as próprias preferências.
Portanto, a infidelidade é mais comum do que se imagina.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Eita molecada!

Criança tem cada coisa, principalmente as da minha época.

A molecada não tinha acesso à informação como hoje em dia e, por isso, imaginava, fantasiava e acreditava em cada coisa!

A internet, neste sentido, é uma maravilha porque descentraliza o conhecimento.

Por exemplo...

Eu jurava quando era criança que a ponte tinha o nome Niterói porque ficava sobre o rio Niterói. Oceano Atlântico, Rio de Janeiro, Niterói? Eram pontos bem distantes no mapa.

Eu jurava que devia parar no sinal vermelho, mas não sabia que era quando estava de carro. Achava que era a pé. Na escola da cidade pequena - que não tinha semáforo - a professora ensinava na perspectiva do motorista e não na do pedestre.

Descobri aos 10 anos que as pessoas tinham pelos pubianos. Como assim? Criança não via pai e mãe pelados. Claro que não! O saco e a perereca eram coisas íntimas. E não havia mulheres frutas peladas em todas as mídias. Achava que era tudo lisinho. Levei um susto quando vi a minha primeira playboy. Um susto erótico, eu diria.

Os tempos mudaram, o comportamento também. Afinal, saco e perereca viraram celebridade e os pelos pubianos desfilam em 3D. Cidade pequena agora tem semáforo. E a molecada de hoje vê vídeos e fotos da ponte que liga Rio a Niterói em tempo real. 

Eita molecada!

sábado, 19 de março de 2011

Fantasmas de infância

Eles são implacáveis.
Perseguem mesmo depois de muito tempo.
São inconvenientes.
São assustadores.
Lembram momentos ruins.
A festa de aniversário que não deu certo.
O presente frustrado do Natal.
As surras não merecidas.
A perversidade infantil na escola.
Enfim...
Eles são implacáveis.

terça-feira, 15 de março de 2011

Sexo, sexualidade e fidelidade

"As relações envolvem sentimentos. Percebemos que, quanto mais segura a pessoa se sente, mais risco ela corre. Tanto que 70% das mulheres infectadas nos últimos anos tinham parceiros fixos."

A declaração acima é da enfermeira Regina Cortez, gerente do Programa Municipal de DST, Aids e Tuberculose de Londrina, sobre o aumento da infecção pelo vírus HIV em mulheres jovens, em reportagem da Folha de Londrina (6/3) nas páginas 8 e 9 do primeiro caderno. Clique aqui para ler o material. (O acesso é gratuito, mas o internauta precisa ser cadastrado)

A constatação de que mulheres jovens estão sendo infectadas pelos parceiros exclusivos e fixos revela uma situação preocupante e, muitas vezes, explosiva por juntar num mesmo palco o sexo, a sexualidade e a fidelidade. O público jovem tem acesso à informação abundante, mas isso não interfere diretamente na mudança do seu comportamento – ele continua fazendo sexo e exercendo sua sexualidade, independente da orientação, sem o uso de preservativos. Generalizando, a educação sexual está longe de ser a ideal, seja nas famílias, seja na escola ou na igreja. Todos fingem. Filhos fingem que não transam. Pais fingem que os filhos não transam. Padres e pastores fingem que os fiéis não transam. E assim, o trânsito fica livre para o vírus da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e também para a gravidez indesejada.

Negligência e omissão

Se o sexo é natural, o mesmo não se pode dizer da forma como é tratado. Muitos se recusam a conversar com os filhos a respeito do tema. Menos ainda se discute sobre sexualidade que, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), "não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo". Para a organização, a sexualidade "é energia que motiva encontrar o amor, contato e intimidade, e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas tocam e são tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e integrações, portanto a saúde física e mental’."

Neste sentido, pode-se afirmar, então, que a sexualidade pode definir, por exemplo, a orientação sexual dos indivíduos e aqui o tema ganha contornos ainda mais dramáticos, visto que o que foge à heterossexualidade é encarado socialmente, por muitos segmentos, como anormal. No entanto, a heterossexualidade desprevenida, assim como qualquer outra orientação sexual, também é vítima de DSTs, mas muitos preferem ignorar a situação e acham que o problema é dos outros. A máscara precisa ser retirada e o assunto deve ser enfrentado sem demagogia ou hipocrisia. O indicador de 70% de mulheres infectadas pelo HIV por parceiros fixos mostra que a sociedade negligencia, ou joga para debaixo do tapete, alguns fatores que interferem diretamente no percentual citado. Como o parceiro fixo pode ter contraído o vírus da Aids e transmitido a essas mulheres, esposas ou namoradas?

O complexo comportamento humano

Algumas respostas cabíveis: ele pode ter feito sexo sem preservativo com outras mulheres e outros homens; pode ter se infectado compartilhando seringas, agulhas ou, menos provável, ter recebido sangue contaminado. Em qualquer uma das situações, fica em xeque um valor propagado, principalmente, pela religião: a fidelidade. E se ele sabia que era soropositivo, independentemente da forma como contraiu o vírus, quebrou esse valor quando não comunicou à parceira o seu diagnóstico.

De qualquer forma, a fidelidade não deve ser a mola propulsora das políticas públicas em saúde para combater o avanço do vírus HIV. A família e a igreja, quando adotarem posições dogmáticas sem aceitar a realidade imposta pela própria realidade, podem se dar ao luxo de fechar os olhos e pregar a fidelidade como forma de prevenção às DSTs. A prática mostra que esse valor não é tão universal como pregam. Se assim o fosse, os índices de DSTs e Aids não aumentariam.

A educação sexual deve incluir o tema sexo e sexualidade de forma responsável e plural. E essa é uma tarefa para todos: família, escola, igreja, poder público, enfim, a tal sociedade organizada. Não é admissível que as DSTs continuem se alastrando a partir da ignorância humana; ignorância que prefere não enxergar o complexo comportamento humano e continua ditando regras e padrões que não são seguidos.


Texto  publicado na seção "Feitos & Desfeitas" do portal "Observatório da Imprensa", edição 63, de 15/03/2011.

domingo, 13 de março de 2011

Inquietudes (60) do Rei

Errar.
Arrepender-se.
Pedir perdão.
Ser perdoado.
Errar de novo.
Arrepender-se.
Pedir perdão.
Ser perdoado.
E continuar errando.
Tem coisa mais cristã que essa?

Estilo próprio

O menino tem 10 anos e é muito amigo do pai. Eles se identificam em muitas coisas. Por coincidência - ou não - ambos são de áries e têm bastante coisa em comum, como a vaidade. O menino, tão novo, aprendeu com o pai.

__Nossa! pai, você se veste bem moderno pra sua idade.

__E você gosta, filho?

__Gosto. É bom a gente se sentir bem.

__Que bom! E quando você vai colocar uma roupa, você pensa em se vestir que nem o papai?

__Não!

__Mas você não disse que eu sou moderno e me visto bem?

__Disse, mas é que eu tenho meu próprio estilo.

Ah! então tá!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Inquietudes (59) do Rei

O carnaval acabou, mas muitos não querem largar a fantasia para não ter que lidar com a realidade. Fantasia e dia-a-dia não combinam.

sábado, 5 de março de 2011

Quero e não quero

Neste carnaval, quero descansar.

Neste carnaval, quero dormir muito.

Neste carnaval, quero andar descalço.

Neste carnaval, quero trocar a calça por uma bermuda.

Neste carnaval, quero tirar a camisa e vestir uma camiseta.

Neste carnaval, quero desligar a TV.

Neste carnaval, quero ouvir o silêncio.

Neste carnaval, não quero barulho.

Neste carnaval, não quero planejar as aulas da semana seguinte.

Neste carnaval, não quero folia nem fantasia.

Neste carnaval, não quero trio nem elétrico.

Neste carnaval, não quero frevo nem fervo.

Neste carnaval, não quero carnaval.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Inquietudes (57) do Rei

Por que fingir virtudes que não se tem?
Por que manifestar bons sentimentos que não existem?
Por que afirmar devoção religiosa quando não se tem fé?
Por que mostrar compaixão inexistente?
Por que fingir?
Porque a verdade assusta até seus donos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Juro que não entendo

Jurado ou apresentador de reality show que critica duramente os concorrentes deveria ser melhor que os candidatos do próprio reality show.

Se o reality for de cabeleireiros, o jurado ou apresentador deve ter um cabelo mais bonito que os que critica.

Se o reality for de cantores, o jurado ou apresentador deve saber cantar. E muito bem.

Se o reality for de cozinheiros, o jurado ou apresentador deve saber cozinhar. E muito bem.

Se o reality for de modelos, o jurado ou apresentador deve ser uma beldade.

Não é isso o que a gente pode ver em reality shows, que se multiplicam como praga pela TV aberta e paga.

O jurado ou apresentador derruba os candidatos por derrubar.

Até aqui bem feito, quem manda se expor em rede nacional ou internacional

Quer fama, pague o preço!

O pior é que o jurado está ali não para criticar os candidatos e escolher o melhor.

Fica bonito - diante das câmeras - tripudiar os candidatos publicamente, dizer que ele sabe nada, que não fez direito, que deve pegar sua malinha e sumir dali.

Ele é apenas parte do show.

Uma figura excêntrica que faz questão de ser excêntrico.

Apenas isso!

Pena que jurado e apresentador não podem ser eliminados do reality show.

Se pudessem, o Bial já teria ido pro paredão há muitos BBBs.

terça-feira, 1 de março de 2011

Foi a óbito ou morreu?

"A vítima não resistiu aos ferimentos e foi a óbito no local."
 
É comum no jornalismo, a expressão acima: foi a óbito. Um termo técnico muito usado também por profissionais da saúde. Neste contexto, o termo é interessante porque ameniza a informação aos parentes do falecido. Aliás, falecido também é uma palavra usada por profissionais da saúde para amenizar o significado da palavra morto. 

Estilisticamente, as palavras têm significados que variam conforme o seu uso. Por exemplo, casa, moradia, lar, habitação. Conforme o contexto, o uso da palavra muda e também muda o seu sentido, indo de algo mais aconchegante, como lar, até o excessivamente técnico moradia.

Jornalisticamente, o termo "foi a óbito" pode ser substituído pelo verbo no passado "morreu". Em nenhum momento, a palavra agrediria familiares e amigos que lessem que a alguém próximo morreu. O espanto, neste caso, se dá pela própria morte em si e não pelo verbo que a representa.

Além disso, "morreu" lembra uma ação externa, independente da vontade de quem partiu desta para melhor (ou pior). Já a expressão "foi a óbito" não parece que o falecido foi caminhando, por vontade própria, para o encontro da morte?

Pois é... coisas da língua portuguesa.