segunda-feira, 30 de maio de 2011

Inquietudes (77) do Rei

O cristianismo - aquele que se dividiu em várias denominações religiosas para dar  poder a quem não tinha - diz que a Bíblia é a palavra de Deus. Quem seguir seus ensinamentos terá garantido um lugar no céu. A Bíblia condena isso, condena aquilo e matém cativos seus fiéis. E se não for a verdade Dele?  

PS. Eu acredito em Deus, apenas questiono as intenções daqueles que dizem falar por Ele.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sobre homofobia e diversidade II

A presidenta Dilma Roussef determinou a suspensão da distribuição do kit anti-homofobia nas escolas. Considero a discussão do assunto na escola de fundamental importância para a construção de uma cultura de respeito às diferenças e aos diferentes. 

Se não foi agora, por pressão da bancada evangélica - aquela que fala em nome de Deus, mas segrega e divide em vez de somar - que venham então outras oportunidades.

Um viés que foge à atenção é o fato de a escola ter assumido um papel que é obrigatoriamente dos pais: educar. Hoje a escola educa, mas essa função é da família. Escola é para ensinar conteúdo específico e formal. Se a escola não da conta do conteúdo formal, imagine então o informal. 

Veja o caso deste mesmo tema: a homofobia. Se a escola desse conta de abordá-lo, não haveria polêmica alguma. Se um professor tem na sala de aula uma criança com valores consolidados, dependendo dos valores, não vai conseguir interferir, apenas lamentar.

E convenhamos, nada vai ajudar se uma criança cresce num lar intolerante cujos pais não respeitam as diferenças e os diferentes. Não será um vídeo ou cartilha ou planfleto ou professor que a levará a respeitar quem não é igual a ela. 

Neste sentido, o kit anti-homofobia deveria ser direcionado para muitos pais e não para os filhos.

sábado, 21 de maio de 2011

O senso comum é comum

O senso comum não envolve, obrigatoriamente, inteligência intelectual e não está relacionado ao conceito e às definições de ser culto ou inculto. 

Neste sentido, o senso comum atinge pessoas de todas as classes sociais. Do mais simples ao intelectual, sem distinção.

Existe gente simples mais aberta ao novo, mais tolerantes às diferenças que muitos mestres e doutores. 

Aliás, muitos mestres e doutores reproduzem tanto o senso comum que se tornam herméticos, ou seja, fechados a vácuo.
 
O senso comum é uma praga porque seus adeptos reproduzem qualquer coisa sem refletir, sem pensar se vai afetar ou prejudicar esse ou aquele.

Os adeptos do senso comum falam porque ouviram dizer - até no telejornal da noite - e ainda batem no peito dizendo que têm opinião formada. 

O senso comum se reproduz na ignorância, ou seja, na falta de capacidade para admitir que existem outras possibilidades.

É nos dogmas religiosos que o senso comum se multiplica porque encontra terreno preparado para o plantio de crenças.

As crenças não são ruins, o problema é que muitas são manipuladas gerando preconceito, que tem como consequência a discriminação.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sobre homofobia e diversidade


O kit contra a homofobia já mostrou um aspecto positivo: aumentar o debate sobre a diversidade sexual e a tolerância às diferenças. E nesse debate existem mais perguntas que respostas. Muitos que são contrários ao kit dizem que ele vai incentivar a homossexualidade. Em que pesem as pesquisas da área, ainda não há consenso definitivo cientificamente sobre a origem da homossexualidade. Homossexuais nascem ou “viram” durante sua vida?

O senso comum diz que se trata de opção, ou seja, a pessoa opta por sentir atração por alguém do mesmo sexo, mas esse mesmo senso comum diz que heterossexual não é opção, é uma condição genética. Ora se alguém opta por ser homossexual, então os heterossexuais também optam, certo?

Quando um hetero diz que nasceu assim e que o homossexual optou durante a vida, ele desclassifica a condição do outro como se a sua sexualidade fosse fruto de algo maior, divino, desprezando a orientação sexual alheia. Isso passa por aspectos também ideológicos para não conferir ao homossexual o mesmo status do heterossexual. A realidade é perversa e mostra isso todos os dias.

Partindo da ideia que hetero e homossexual nascem com sua orientação definida, até que ponto cartilha e vídeo fariam um indivíduo mudar de orientação sexual? O meio influencia, mas outros fatores devem ser levados em conta e são mais decisivos. Dizer que alguém “vai virar gay” por causa da mídia ou de um kit é o mesmo que dizer que um pobre vai ser necessariamente traficante porque mora na favela.

Para que exibir material com esse cunho para crianças menores de 10 anos? Por que não esperar que a criança amadureça para ter acesso a esse tipo de informação? Por uma simples razão. Adolescente ou adulto têm seus preconceitos enraizados e não será um kit que o fará respeitar as diferenças se ele não enxerga essas diferenças como algo comum. Quanto antes as crianças aprenderem a respeitar a diversidade, melhor será a convivência entre os diferentes.

Alguém pode dizer que respeita o homossexual, desde que não veja homens de mãos dadas e mulheres se beijando, e que não é obrigado a conviver com essa situação. Não é obrigado mesmo, mas isso também não é respeito, é hipocrisia.

Essa discussão ainda passa pelo conceito de família e que os homossexuais destruiriam a célula familiar, um argumento notadamente religioso. Provavelmente quem defende essa tese tenha como noção de família: pai, mãe e filhos, ou seja, um conceito que sofreu profundas transformações nas últimas décadas.

Nem padres e pastores podem negar que muitos filhos têm pai e madrasta, outros têm mãe e padrasto, uns não têm nenhum, outros são educados por tios ou avós e muitos por mães sociais. O conceito, portanto, de família passa mais pela noção de núcleo familiar, no qual há papéis a serem desempenhados. E nestes papéis também há espaço para os homossexuais.

Artigo publicado no Jornal de Londrina (19/05/2011) na seção "Ponto de Vista".

terça-feira, 17 de maio de 2011

Inquietudes (76) do Rei

A Bombril está com uma campanha com a Marisa Orth e a Dani Calabresa, na qual ambas depreciam os homens.

Elas terminam o anúncio com um bordão.

__Bombril - os produtos que evoluíram com as mulheres.


Segundo a empresa, na campanha, a mulher evoluiu.

Usa terno e gravata - símbolo do mercado - mas continua limpando a casa.

Realmente, a mulher evoluiu muito, muito mesmo, mas a Bombril parece que ainda não percebeu.

sábado, 14 de maio de 2011

Tum, tum, tum, tum...

O repórter liga para a casa da fonte e pede para falar com ele.

__Ele não está em casa. Está no hospital.
__Nossa! ele foi hospitalizado?
__Não! ele trabalha lá.

Tum, tum, tum, tum!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Buracos de rua de estimação

Ele acordou feliz hoje e foi para o trabalho como faz todos os dias.
Usa sempre o mesmo roteiro: as mesmas ruas e avenidas.
Na esquina onde ele dobra para deixar o filho na escola, um susto.
O buraco de rua foi coberto com massa asfáltica.

A tristeza é exatamente por isso.
Ele viu aquele buraco de rua nascer, crescer e crescer muito.
Ele nutria muitos sentimentos pelo buraco de rua, sempre desviava cuidadosamente.
Aquele buraco tinha personalidade, era um típico formador de opinião.
Todo mundo que passava por ele xingava o secretário de obras, o prefeito, a mãe do prefeito.

Agora, o buraco não existe mais.
Uma mancha anuncia que ali jaz um buraco de rua.
Mas ele se consola.
Outros buracos nascerão, crescerão e se desenvolverão pelas ruas que ele cruza todos os dias.
Ele ainda poderá nutrir muita estimação pelos buracos de rua.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sem noção

Ele nutria  muito carinho pela amiga, mesmo a vendo pouco.

Da última vez que se encontraram, ela disse que estava grávida.

Primeiros meses de gestação.

Passou um tempo.

Eles se encontraram novamente.


Ele não fez as contas dos meses e, na euforia, levou a mão à barriga da amiga.

__Nossa! pra quando é?
__Ganhei faz três meses.


Ui!

Sem noção!

Inquietudes (74) do Rei

Paz com morte e investimento bélico não é paz. É guerra. E para muitas potências mundiais, guerra é negócio!

terça-feira, 10 de maio de 2011

O mundo muda, as pessoas também

Ele não entende como o primo amigo pode renegar todas as experiências vividas. Ficava intrigado porque o que ele é hoje, também é uma somatória de todas as coisas de ontem, fossem positivas fossem negativas. Aprender com os erros é normal. Aliás, os erros parecem ensinar com muito mais força que os próprios acertos.

Quando você erra, para e reflete sobre o que deu errado, o caminho percorrido e o resultado desastroso, que poderia ter sido diferente. Quando você acerta, não reflete, infla o peito e saboreia uma vitória com sabor de orgulho. Poderia ter feito melhor? Não há resposta porque o ego toma conta das possibilidades.

Primos de primeiro grau, eles cresceram juntos. Alimentavam a esperança de fazer algo grandioso. Jovens, queriam mudar o mundo. Transformar a aldeia global num lugar melhor para todos. Participaram de movimentos estudantis, usaram palavras de ordem, fizeram política, muita política. Nunca se filiaram a partidos. Eles acreditavam que se o fizessem perderiam a legitimidade de criticar, apontar falhas.

Ainda na juventude, depois da faculdade, os dois acreditavam que a transformação estava na organização, fosse comunitária, fosse sindical. Era preciso organizar-se. Frases feitas faziam parte do vocabulário de ambos. Às vezes, eles mesmos afirmavam que não aguentavam ficar juntos. A crítica era ácida, corrosiva. Não havia nuances nas cores. Eram absolutas. Sobrava para todo mundo.

O mundo mudou, eles também. O Muro de Berlim caiu. As Torres Gêmeas também. Um conheceu uma menina. Namoraram dois anos e cinco meses. Casaram. Já no segundo mês, ele raspou a barba e cortou o cabelo. Arrumou emprego como professor de ensino médio e, para manter a casa, trabalha num colégio particular, dirigindo um curso pré-vestibular. Vive a pressão de aumentar os números dos aprovados.

Ele e a mulher estão esperando o primeiro filho. Agora só tem cabeça para o quarto do bebê, a decoração, o berço, as roupinhas. Acredita, hoje, no livre mercado. Entre outros temas, é contra as políticas afirmativas das cotas públicas, contra o reconhecimento da união estável de homossexuais, contra o aborto em qualquer circunstância.

__Tudo o que defendi ficou no passado. Aliás, tenho vergonha de como eu era.
O outro ainda acredita que é possível transformar a aldeia global num lugar melhor para todos. Virou professor universitário. Assessora movimentos sociais, realiza oficinas de organização comunitária, envolve-se com questões cotidianas de segmentos excluídos. Também casou-se. Ele e a mulher são pais de dois filhos pequenos. Acredita e defende tudo que o primo abomina.

__ Não me orgulho de muita coisa que fiz, mas não nego o feito.

Os primos amigos continuam apenas primos. O elo que os une são os avós. Na Páscoa. No Natal. A convivência se restringe às datas comemorativas mais familiares. E esse elo deve se romper logo. É que os avós estão com a saúde debilitada.

domingo, 8 de maio de 2011

Coisas de mãe

Os filhos alimentam muitos sonhos e acho que é isso que dá forças para eu, como mãe, continuar amando e cuidando dos meus filhos

Hoje é mais um dia da minha rotina. Casa. Filhos. Filhos. Casa. Cuidar dos meus três meninos e das minhas cinco meninas não é uma tarefa fácil, mas eu os amo muito e sempre vou querer o melhor para todos. Mãe releva muita coisa feia que filho faz porque vê-los crescendo, com saúde, para ser alguém na vida é o sonho maior de todos.

Mariana tem 13 anos. Karen Stépanhie tem 12. Marlon, 10. Jeniffer Patrícia, 8. Amanda, 7. Grace Maria, 6. Christian, 4 e João Marcelo, 2. Meus filhos estudam no colégio público aqui perto de casa. Alguns de manhã, alguns à tarde. Isso significa que eu passo o dia cuidando deles.

Café da manhã, lavar roupa, limpar a casa, fazer o almoço, limpar a cozinha, passar roupa, fazer a janta, botar pra dormir. A vida de uma dona de casa com muitos filhos não é brincadeira, mas é gratificante. Ver essa criançada crescer e alimentar seus sonhos vale cada tarefa. Apesar de que todos - menos os pequenos - ajudam nas coisas da casa: varrer, passar pano no chão, arrumar cozinha, deixar o próprio quarto em ordem.

O esforço não é em vão. Nunca! Receber um beijo de surpresa, ver o sorriso no canto da boca ou ouvir um obrigado mãe apaga qualquer cansaço. É reanimador! E assim eu me dedico hoje, amanhã, outro dia, no outro, mais outro...  

Falei em sonhos? É isso mesmo. Os filhos alimentam muitos. Acho que é isso que dá forças para eu, como mãe, continuar amando e cuidando dos meus filhos. Ter a certeza que você fez o melhor por eles e eles terão o seu melhor para o resto da vida. Tem coisas na vida que não têm preço mesmo.

Na janta um dia desses, a Mariana disse que queria ser professora. Ela falou que acha a função de ensinar muito nobre. É verdade! Pena que o magistério anda tão desvalorizado. Acho que é porque o conhecimento está muito acessível e os alunos, quando chegam à escola, parece que não valorizam o que aprendem.

A Karen Stépanhie quer ser modelo. Só porque é magrela, mas a danada é muito bonita. Tem uma pele que lembra a camurça, com um marronzinho lindo e suave. Já o Marlon disse que não sabe o que quer ser, mas adiantou que quer mandar. Não quer ser empregado, quer ser patrão. Os outros filhos ainda são pequenos e não pensam essas coisas do futuro, tanto que a Karen Stéphanie perguntou para o Christian o que ele quer ser quando crescer. A resposta foi deliciosamente óbvia.

__Quero ser grandão.

E assim, os dias vão passando. Cuidado e mais cuidado. Amor de mãe é mesmo mágico. Cura tudo. De tristeza a machucado no joelho. Amo minha família e, mesmo não tendo muito dinheiro, eu faço tudo por eles. Sou louca pelos meus filhos. Gosto de saber como eles estão. Quero participar de cada passo da vida deles. Ajudar na tarefa da escola.

Hoje vou dar uma notícia. A família vai crescer de novo. Gêmeos. Vamos reorganizar a casa para receber mais essas duas alminhas, que são uma benção para mim. Todo mundo recebe bem a notícia. Um quer dividir o quarto, o outro diz que dá a cama, o outro diz que divide o guarda-roupa.

Os gêmeos têm 3 aninhos. A mãe biológica entregou os meninos, disse que não tem condições de cuidar deles. Serão meus filhos. A magia da maternidade está em cada momento que a gente exerce a função de mãe. Protegendo. Cuidando. Acompanhando. Amando.

Esse projeto de mãe social faz um bem imenso. Essas crianças encontram uma casa. Mais que uma cama e comida, encontram amor e apoio para reconstruir a própria história, com tão pouco tempo de vida.

sábado, 7 de maio de 2011

Inquietudes (73) do Rei

Se não fosse a legislação que obriga a contratação de pessoas com deficiência, o empresariado brasileiro desenvolveria projetos de responsabilidade social?

Se não fosse a legislação que determina regras para a área de meio ambiente e desenvolvimento, o empresariado brasileiro aliaria seu nome a projetos de preservação ambiental?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sobre a decisão do STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu em decisão, ontem (dia 5), de forma unânime, a legalidade da união estável entre casais homossexuais. A decisão iguala os direitos de um casal do mesmo sexo aos de um casal heterossexual. Na prática, vale dizer que os homosseuxais terão reconhecidos e efetivados direitos como herança, pensão, inclusão em planos de saúde, clubes e - até mesmo - a adoção.

Se um casal homossexual pleitear a inclusão de um deles como dependente em plano de saúde e tiver um não como resposta, poderá entrar com uma ação na Justiça, com grandes chances de vencer porque o juiz deve se basear na decisão do STF. Isso não impede que o casal ainda acione o plano de saúde por perdas morais, entre outros.

Independentemente dos dogmas religiosos, das crenças e dos preconceitos enraizados, a decisão do Supremo é importante para reconhecer esse tipo de união estável como um núcleo familiar. O próprio ministro Carlos Ayres Britto, relator do caso, disse reconhecer a relação de casais homossexuais  como "entidade familiar".

Há tempos a família não é mais constituída somente de pai, mãe e filhos. Muitos são educados pelos avós, tios, irmãos mais velhos, famílias substitutas, dois pais, duas mães, pai e madastra, mãe e padastro, pais separados ou por pais sociais em lares e abrigos. Todos, de alguma forma, cumprem o papel de unir o núcleo familiar.

Uma escola que fizer, atualmente, uma homenagem às mães, desconsiderando o universo familiar transformado, corre o risco de criar um enorme problema para seus alunos e para si próprios. A sociedade mudou e, com ela, também a família. Melhorou? Piorou? Depende do que cada um constrói para e nas suas relações.

__A decisão do STF vai mudar o preconceito dos que são contrários à medida?
__Não e, em muitos momentos, essa decisão ainda pode revelar mais esse preconceito, descortinando a intolerância que aparece em situaçãoes de tensão.
__E por que não preparar a sociedade antes de aprovar medidas assim?
__Porque a sociedade nunca estará preparada com antecedência para as adversidades. As coisas acontecem juntas. E a provocação é uma estratégia interessante para tirar as pessoas da sua comodidade.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A morte é lucrativa

A morte - ou melhor o assassinato - de Bin Laden pelos Estados Unidos não vai tornar o mundo mais seguro. Não farei nenhum exercício de vidência sobre os desdobramentos deste fato, mas a realidade costuma ser mais perversa do que se gostaria.

Terrorismo por terrorismo a ação americana e de aliados em solo afegão não difere dos ataques de homens-bombas. Difere sim, tem apoio dos mecanismos internacionais que deveriam zelar pela paz. Para se ter uma ideia do estrago da invasão ao Afeganistão, em 2010, morreram, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), em relatório divulgado em março deste ano, 2.777 afegãos. 

Entre os responsáveis pelas mortos dos civis estão as forças internacionais, grupos de rebeldes afegãos e forças afegãs. Nos últimos quatros anos, morreram 8.832 afegãos. E o número de mortos em 10 anos de invasão internacional soma muitos outros milhares. A morte de civis é um efeito colateral indesejado por causa da invasão estadunidense e seus aliados ditos de primeiro mundo?

A violência tem origem e contexto. E a origem também está no interesse da indústria bélica, que movimenta bilhões anualmente e movimenta a economia das potencias mundiais. Talvez este seja um dos setores econômicos que não sente os efeitos da crise. A morte tem preço e, para muitos, gera lucro, muito lucro mesmo.

Em junho de 2010, documento divulgado pelo Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo, revelou que em 2009 em todo o mundo,  os gastos militares somaram cerca de 1,531 trilhão de dólares. Esse número representa um aumento de 5,9%, quando comparados os gastos com o ano anterior (2008) e um aumento absurdo - devidamente registradas as taxas de lucros - de 49%, desde o ano de 2000. 

Em 2009, os campeões no ranking de gastos militares, em dólares, foram os Estados Unidos, com 661 bilhões; em segundo, a China com 100 bilhões; seguida da França, com 63,9 bilhões; da Inglalterra, 58,3 bilhões; da Rússia, 53,3 bilhões; e do Japão, 51,8 bilhões. Sozinhos os seis gastaram militarmente 988,3 bilhões. Deste total, quantos por cento seriam suficientes para acabar com a fome no mundo?

As guerras no Afeganistão e no Iraque, conforme o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo custaram ao governo americano, de 2001 a 2010, mais de 1 trilhão de dólares, recursos destinados diretamente ao setor militar. Alguém se lembra por que os EUA invadiram o Afeganistão? Para caçar Osama Bin Laden, o líder da Al-Qaeda, responsável pela derrubada das torres do World Trade Center (WTC), o símbolo do capitalismo mundial.

Pois bem, Osama Bin Laden foi achado, foi morto e foi jogado fora 10 anos depois da invasão, coincidindo com o ano do 10º aniversário da queda do WTC. Não há fotos do governo americano que mostrem Bin Laden morto. Por que? Respeito às tradições islâmicas? Ah tá!

E alguém se lembra por que os Estados Unidos invadiram o Iraque? Para achar as armas de destruição em massa do arsenal de Saddam Hussein. A guerra movimentou a indústria bélica americana, Sadam foi achado num buraco - literalmente, e enforcado. E as armas de destruição em massa? Não estavam no mesmo buraco onde foi achado Saddam.

E aí, a quem interessa promover a paz e a guerra?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Trabalho e exploração

A Creide está injuriada. Naquela loja recém-inaugurada, ao chegar, ela lê numa faixa pendurada entre as colunas de estilo romano da fachada algo mais ou menos com isso. "O sindicato não deixa a gente trabalhar." 

Ela foi entender depois que se tratava de uma reclamação da empresa - devidamente marcada no nome dos funcionários - contra o horário do comércio. 

Na cidade nova, o horário varia entre o comércio do centro, os shoppings e os supermercados. A loja  quer ter o mesmo direito de abrir à noite, aos sábados inteiros, aos domingos todos e aos feriados.

Depois de escolher qualquer coisa na loja - a Creide adora uma promoção, principalmente em inaugurações - ela  vai ao caixa pagar e pergunta à atendente se ela ajudou a pendurar a faixa contra o sindicato.

__Você viu que coisa? Puseram lá e falam que foi a gente. Se reclamarmos ainda perdemos o emprego.
__Vocês não sabem o que estão reivindicando. É um absurdo. Eu tenho uma sobrinha que trabalha num supermercado e a coitada não tem vida. É sabado. É domingo. É feriado. Ela é católica e nem conseguiu ir na procissão do Senhor Morto!
__Trabalhamos muito mesmo. E quem ganha é sempre o dono porque o salário mesmo não é grande coisa.
__Pois é, além disso as horas extras vão para um tal de banco de horas e as folgas são sempre no meio da semana. E depois dizem que o trabalho dignifica, mas isso não é trabalho. É exploração!

Depois de solidarizar-se com a atendente do caixa, a Creide deseja-lhe sorte e sugere que em vez de xingar o sindicato, deveria filiar-se. Não que o sindicato vai resolver todos os problemas, mas com certeza vai atrasar um pouco a gula do mercado.

E essa história de livre mercado enche o saco da Creide.

__Livre? Se com regras, sindicato, fiscalização e Ministério do Trabalho, os trabalhadores são desrespeitados em seus direitos mínimos, imagine se arreganhar tudo!
Deus do céu!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Inquietudes (72) do Rei

Os Estados Unidos anunciaram que mataram Osama Bin Laden. Nenhuma imagem - até agora - com o corpo do terrorista morto comprova o fato. É a palavra do presidente americano Barack Obama de que Bin Laden não existe mais.

Será que ele existiu algum dia? Será que ele não é uma invenção estadunidense para justificar algumas invasões, promover algumas guerras para aumentar o faturamento da indústria bélica?


Com a palavra os seguidores da Teoria da Conspiração.

domingo, 1 de maio de 2011

Com feriado, é melhor ainda

Hoje, 1º de maio é comemorado o Dia do Trabalhador.

Sobre o trabalho tenho algumas inquietações, que foram construídas pelo senso comum com origem na história. A discussão é ideológica. Aviso: dos dois lados. Ideologia envolve tanto empregado quanto empregador.

E não venham com essa conversinha de colaborador. Afinal, colaborador colabora quando quer. Segundo o Dicionário Michaelis, colaborador é a "pessoa que, sem pertencer ao quadro de funcionários de uma empresa, trabalha para ela habitualmente ou alguma vez." Viu? O colaborador está fora do quadro de funcionários, do quadro de empregados. Então não aceite esse rótulo. Afinal é melhor ser empregado que desempregado.

Então, vamos a outras inquietações.

O trabalho engrandece o homem e a mulher. Com certeza engrandece desde que o salário e as condições de trabalho sejam boas e o ambiente - na relação entre patrão, chefe e empregado - seja saudável.

Só não trabalha quem não quer. Tem gente que enche a boca para falar isso como se houvesse emprego para todo mundo. E quem gosta de trabalhar em subemprego?

Quem não trabalha é vagabundo. Isso é historicamente direcionado para o filho do pobre. Afinal filho de rico que não trabalha é sortudo, certo? Pode ser sortudo, mas se filho de pobre que não trabalha é vagabundo, filho de rico que não trabalha também está na mesma condição.

Trabalho é sinônimo de esforço. Por que a gente se sente mal quando ganha um bom salário ou um bom cachê? Por que a gente tem a noção enraizada de que para ganhar dinheiro tem que suar e sofrer muito?

Me ajude para eu ajudar vocês. É muito comum empresários, em início do empreendimento ou em fase ruim, pedirem que os funcionários se sacrifiquem, inclusive, para não perder o emprego. Isso é chantagem, assédio moral. Poucos são os empregadores que dividem, ao final de um determinado período, os lucros obtidos.

Sindicato é um atraso. Muitos empregadores alegam isso, mas para a organização dos empregados. Afinal, eles fortalecem a própria representatividade. Patrão criticar e atacar sindicato de empregado é normal, faz parte... Agora, triste é ver empregado fazendo coro à voz do patrão. Marx - com a tal falsa consciência - deve se revirar no túmulo.

Os direitos trabalhistas devem ser flexibilizados. Quem defende isso não defende os trabalhadores. Os empresários, por exemplo, que não tiverem que pagar o 13º ao final do ano, vão melhorar o salário mensal dos empregados ou vão investir na empresa para aumentar suas margens de lucro? Os interesses do empregador não são necessariamente os interesses do empregado. Não dá para conciliar interesses inconciliáveis.

E, para concluir, nada melhor que comemorar o Dia do Trabalho com feriado. Viva o ócio! E se for criativo, melhor ainda. Afinal, comemoração e festa não combinam com batente. Definitivamente!