quinta-feira, 5 de maio de 2011

A morte é lucrativa

A morte - ou melhor o assassinato - de Bin Laden pelos Estados Unidos não vai tornar o mundo mais seguro. Não farei nenhum exercício de vidência sobre os desdobramentos deste fato, mas a realidade costuma ser mais perversa do que se gostaria.

Terrorismo por terrorismo a ação americana e de aliados em solo afegão não difere dos ataques de homens-bombas. Difere sim, tem apoio dos mecanismos internacionais que deveriam zelar pela paz. Para se ter uma ideia do estrago da invasão ao Afeganistão, em 2010, morreram, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), em relatório divulgado em março deste ano, 2.777 afegãos. 

Entre os responsáveis pelas mortos dos civis estão as forças internacionais, grupos de rebeldes afegãos e forças afegãs. Nos últimos quatros anos, morreram 8.832 afegãos. E o número de mortos em 10 anos de invasão internacional soma muitos outros milhares. A morte de civis é um efeito colateral indesejado por causa da invasão estadunidense e seus aliados ditos de primeiro mundo?

A violência tem origem e contexto. E a origem também está no interesse da indústria bélica, que movimenta bilhões anualmente e movimenta a economia das potencias mundiais. Talvez este seja um dos setores econômicos que não sente os efeitos da crise. A morte tem preço e, para muitos, gera lucro, muito lucro mesmo.

Em junho de 2010, documento divulgado pelo Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo, revelou que em 2009 em todo o mundo,  os gastos militares somaram cerca de 1,531 trilhão de dólares. Esse número representa um aumento de 5,9%, quando comparados os gastos com o ano anterior (2008) e um aumento absurdo - devidamente registradas as taxas de lucros - de 49%, desde o ano de 2000. 

Em 2009, os campeões no ranking de gastos militares, em dólares, foram os Estados Unidos, com 661 bilhões; em segundo, a China com 100 bilhões; seguida da França, com 63,9 bilhões; da Inglalterra, 58,3 bilhões; da Rússia, 53,3 bilhões; e do Japão, 51,8 bilhões. Sozinhos os seis gastaram militarmente 988,3 bilhões. Deste total, quantos por cento seriam suficientes para acabar com a fome no mundo?

As guerras no Afeganistão e no Iraque, conforme o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo custaram ao governo americano, de 2001 a 2010, mais de 1 trilhão de dólares, recursos destinados diretamente ao setor militar. Alguém se lembra por que os EUA invadiram o Afeganistão? Para caçar Osama Bin Laden, o líder da Al-Qaeda, responsável pela derrubada das torres do World Trade Center (WTC), o símbolo do capitalismo mundial.

Pois bem, Osama Bin Laden foi achado, foi morto e foi jogado fora 10 anos depois da invasão, coincidindo com o ano do 10º aniversário da queda do WTC. Não há fotos do governo americano que mostrem Bin Laden morto. Por que? Respeito às tradições islâmicas? Ah tá!

E alguém se lembra por que os Estados Unidos invadiram o Iraque? Para achar as armas de destruição em massa do arsenal de Saddam Hussein. A guerra movimentou a indústria bélica americana, Sadam foi achado num buraco - literalmente, e enforcado. E as armas de destruição em massa? Não estavam no mesmo buraco onde foi achado Saddam.

E aí, a quem interessa promover a paz e a guerra?

Um comentário:

Lorena disse...

Parabéns, Rei, disse tudo que eu gostaria de dizer, mas não tive sac..., ops, paciência. Só fiquei pensando em quanto significou em mortes esse 1 trilhão de dólares.

Nem ouso pensar.