quarta-feira, 4 de maio de 2011

Trabalho e exploração

A Creide está injuriada. Naquela loja recém-inaugurada, ao chegar, ela lê numa faixa pendurada entre as colunas de estilo romano da fachada algo mais ou menos com isso. "O sindicato não deixa a gente trabalhar." 

Ela foi entender depois que se tratava de uma reclamação da empresa - devidamente marcada no nome dos funcionários - contra o horário do comércio. 

Na cidade nova, o horário varia entre o comércio do centro, os shoppings e os supermercados. A loja  quer ter o mesmo direito de abrir à noite, aos sábados inteiros, aos domingos todos e aos feriados.

Depois de escolher qualquer coisa na loja - a Creide adora uma promoção, principalmente em inaugurações - ela  vai ao caixa pagar e pergunta à atendente se ela ajudou a pendurar a faixa contra o sindicato.

__Você viu que coisa? Puseram lá e falam que foi a gente. Se reclamarmos ainda perdemos o emprego.
__Vocês não sabem o que estão reivindicando. É um absurdo. Eu tenho uma sobrinha que trabalha num supermercado e a coitada não tem vida. É sabado. É domingo. É feriado. Ela é católica e nem conseguiu ir na procissão do Senhor Morto!
__Trabalhamos muito mesmo. E quem ganha é sempre o dono porque o salário mesmo não é grande coisa.
__Pois é, além disso as horas extras vão para um tal de banco de horas e as folgas são sempre no meio da semana. E depois dizem que o trabalho dignifica, mas isso não é trabalho. É exploração!

Depois de solidarizar-se com a atendente do caixa, a Creide deseja-lhe sorte e sugere que em vez de xingar o sindicato, deveria filiar-se. Não que o sindicato vai resolver todos os problemas, mas com certeza vai atrasar um pouco a gula do mercado.

E essa história de livre mercado enche o saco da Creide.

__Livre? Se com regras, sindicato, fiscalização e Ministério do Trabalho, os trabalhadores são desrespeitados em seus direitos mínimos, imagine se arreganhar tudo!
Deus do céu!

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