segunda-feira, 20 de junho de 2011

Respeito, direitos civis e hipocrisia

"O juiz Jeronymo Pedro Villas Boas, que cancelou na última sexta-feira (17) um dos primeiros contratos de união civil entre homossexuais do país, disse que não tomou a decisão por discriminação."

A informação é da Folha.com, desta segunda-feira (dia 20).

O juiz discrimina, mas diz que não discrimina.

A reportagem diz que o juiz afirmou que os homossexuais "não podem querer a aceitação dos demais membros da sociedade como se fosse natural". 

Se a argumentação sobre a homossexualidade não ser natural não é discriminação, é o que então?

O que é natural? O casamento civil de pessoas de sexos diferentes é uma construção social, feita por homens para resguardar os direitos de um e os da outra.

O que tem de natural nisso? A mão divina? Isso é interpretação imbuída de valores morais e também religiosos. Portanto, uma construção social.

Deus pode ter criado Adão e Eva que viveram no paraíso. Diga-se em concubinato, amasiados, amigados. Por acaso, Deus criou uma certidão de casamento e nomeou um juiz para lavrar o ato?

Aviso aos leitores afoitos: não tenho nada contra Deus.

Pelo contrário, acredito Nele, mas não nas interpretações sociais que insistem em atribuir coisas a Ele, coisas que geram preconceito, discriminação, exclusão.

Deus não é isso. Isso é coisa de gente (des)humana.

A reportagem da Folha.com afirma que o juiz de Goiás disse que "defende que os homossexuais sejam livres para ter qualquer tipo de relação".

É comum ouvir muitos dizerem que respeitam o homossexual, mas que não aceitam a união civil estável ou que não reconhecem os direitos civis de um casal do mesmo sexo.

Respeitar o homossexual sem reconhecer seus direitos civis não é respeito.

É hipocrisia!

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