terça-feira, 26 de julho de 2011

Gula empresarial

Segundo informa hoje o Bonde, a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) é favorável ao projeto de lei que "revoga a 'Lei da Muralha', de 2006, que delimita áreas no centro da cidade onde não poderiam ser instalados estabelecimentos como supermercados." 

O projeto do vereador Roberto Fu (PDT) pretende arreganhar o centro de Londrina para grandes empreendimentos. O que é lamentável. Em muitas capitais mundo afora, empresas de grande porte se instalam em áreas afastadas do centro.

Segundo o Bonde, o documento da Acil "traz ainda referência ao jurista Alberto de Paula Machado, baseada em entrevista concedida pelo advogado à Rádio Paiquerê AM, na qual ele afirma que a lei 10.092 tem "clara ofensa a princípios constitucionais, à livre concorrência".  

Imaginem o estrago que o Wall Mart teria proporcionado à região do terreno do antigo Colossinho se tivesse instalado ali. Senhor jurista e dona Acil, em nome da livre concorrência, devemos apagar o nosso patrimônio arquitetônico, por exemplo? Como entidade corporativa que é, a posição da Acil faz jus a sua atuação. Seria estranho o contrário.

Se nossos vereadores forem responsáveis com o patrimônio londrinense manterão a legislação atual. O patrimônio arquitetônico, histório e cultural da cidade não pode correr riscos e ser destruído por causa da gula empresarial de alguns grupos econômicos. Derrubar a Lei da Muralha envolve ainda muitos outros aspectos como meio ambiente, geração de lixo e tráfego. 

O dito segmento produtivo - com todas as suas entidades - perde uma boa oportunidade para debater a questão. Se os empresários fossem contra o projeto do vereador e mantivessem a Lei da Muralha dariam uma prova eficiente que a tal responsabildiade social não é apenas mote para discurso e campanha publicitária.

Inquietudes (83) do Rei

Há pessoas queridas no passado e é melhor deixá-las lá para não estragar as lembranças.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Palavras da profissão

__Mãe, você quer essas uvas?
__Não filho, obrigado.
__Por que.
__Porque essas aqui estão com lesão.
__Que é isso?
__Estão machucadas.
__Estão estragadas, você quer dizer?
__Isso mesmo.
__Ah então tá!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Inquietudes (82) do Rei

Por que quando se pensa em geração de renda e resgate da cidadania de mulheres, o poder público investe em artesanato? Crochê, tricô e muito retalho fazem a festa das políticas públicas para as mulheres. Tecnologia seria uma boa opção e, em vez de servir para complementar a renda, poderia ser a renda.

A cara da educação

Imperdível a reportagem de hoje no Jornal de Londrina, com a secretária de Educação de Londrina, Karin Sabec. Imperdível por vários motivos.

Primeiro, porque a secretária mostrou como não deve ser o comportamento de um agente público, seja homem seja mulher. O agente público deve satisfação pública.

Segundo, problemas administrativos - com dinheiro público pago pelo contribuinte - não devem ser tratados como segredo.

Terceiro, a entrevista é em formato pingue pongue, provavelmente gravada pelo repórter para dirimir possíveis dúvidas do que teria sido dito pela “otoridade” máxima da educação municipal.

Quarto, porque em vez de se explicar, a secretária acusa a imprensa de tumultuar e transformá-la numa vítima. Vítima ela não é.

Contextualizando.

A reportagem é um desdobramento da compra da coleção “Vivenciando a cultura afro-brasileira e indígena” para ser distribuída nas unidades escolares do município.

Tal coleção foi acusada de racismo, discriminação e conter erros básicos de português pelo Fórum de Entidades Negras de Londrina (Fenel). A acusação foi corroborada por pareceres de pesquisadores e pelo Ministério Público que determinou o recolhimento do livro. A coleção é da Editora Ética. Ética? Isso mesmo.

O valor investido – com o nosso dinheiro nesta compra questionável – foi de R$ 600 mil, com dispensa de licitação – uma prática corrente na atual administração. Quem duvidar que busque informações sobre os contratos da limpeza pública em Londrina.

A reportagem trata especificamente do parecer da Secretaria de Educação que embasou a compra da tal coleção.

__Não tenho obrigação nenhuma de divulgar esse parecer. Está no processo, está com o promotor, está na Secretaria de Gestão, está em todos os lugares. Acho que a imprensa está batendo pesado nesse parecer sem nenhuma necessidade. 

Se o parecer está em tantos lugares, por que a secretária não fornece uma cópia para a imprensa preferindo não divulgar? Isso porque o parecer é um documento público, imagine se não fosse.

PS:
Exemplo de racismo em livro da coleção “Vivenciando a cultura afro-brasileira e indígena”. Poema “A Borboleta” (3º ano, p. 13).

“De manhã bem cedo, uma borboleta saiu do casulo, era parda e preta, foi beber no açude viu-se dentro da água e se achou tão feia que morreu de mágoa. Ela não sabia que Deus deu para cada bicho a cor que escolheu, Deus ralhou com ela, mas deu roupa nova azul e amarela.” 

Quem quiser conhecer o parecer do Fórum de Entidades Negras de Londrina (Fenel), pode acessar o texto publicado no blog "História, nossa Vida”.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Corno famoso

Ele suspeitava da mulher.
Traição.
O amante?
Um empresário da pequena cidade.

Um amigo confirma.
A traição da mulher.
O amante?
Um empresário da pequena cidade.

Ele não se contém.
Quatro tiros.
O amante?
Cai morto na pequena cidade.

O acontecimento vira notícia.
Primeira edição do jornal estadual.
O corno era local.
Na TV, vira assassino e corno estadual.

Delicada e monstruosa

domingo, 10 de julho de 2011

Página de famosos

Fulana Paes casou-se.
Ciclana Cicarelli separou-se.
Beltrana Winits engravidou.

Fulana Paes separou-se.
Ciclana Cicarelli casou-se.
Beltrana Winitis pariu.

Fulano Reis visita Mônaco.
Ciclano Guinle exibe seu conversível.
Fulano Reis sai no tapa com Ciclano Guinle.
Beltrano Cortez foi traído.

Por que as revistas de celebridade fazem tanto sucesso?
O trivial nas páginas semanais da vida alheia ganha status de acontecimento.
Coisa de gente famosa e de gente que quer ser famosa.

Os famosos se exibem.
Os emergentes também.
Os leitores admiram a realidade.
Que realidade?

Fama pode virar drama que pode acabar na lama.
Se acontecer...
vira manchete.

sábado, 9 de julho de 2011

Carnavalesca

Capacidade destrutiva

A Creide folheava o Jornal de Londrina (JL) de ontem (dia 10) e leu com muita atenção a reportagem "Falta de estrutura ameaça coleta seletiva". Ela se ateve inicialmente no trecho.

"A coleta seletiva em Londrina, que já foi referência nacional, vive uma situação extremamente crítica. Apenas metade da cidade tem o material reciclável coletado porta a porta com certa regularidade."

E ao JL, Sandra Araújo, presidente da Coocepve, entidade que recolhe e faz a triagem do lixo reciclável, fez um alerta pessimista.

A coleta seletiva em Londrina vai acabar. Está prestes a entrar em falência. Depois de um trabalho tão bonito e difícil, que foi sair do lixão, enfrentar os moradores com medo da gente e o nosso medo deles, conseguimos que Londrina se tornasse referência nacional em coleta seletiva. Agora tudo isso está indo por água abaixo."


A repórter Erika Pelegrino afirma que segundo Sandra Araújo, "desde que a prefeitura rompeu o contrato com a Visatec (empresa que transportava o material reciclado para os barracões), em maio deste ano, o serviço está desestruturado."

Érika Pelegrino afirma ainda que "a cidade que já foi premiada por sua eficiência em coleta seletiva, hoje tem amontoados de material reciclável pelas ruas, praticamente em todas as regiões." O programa de coleta seletiva premiado foi responsabilidade da administração municipal que cumpriu dois mandatos: 2001/2004 e 2005/2008.

A repórter destacou que "a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU) foi procurada durante dois dias, mas não se posicionou sobre o caos da coleta seletiva em Londrina." Silêncio e caos são duas marcas da irresponsabilidade.

Depois de ler o JL, a Creide ficou pensando sobre o ser humano e a política. Ela ruminou algumas ideias sobre a capacidade de uma administração pública desfazer - para ser mais exato destruir - o que outras fizeram. O que leva um prefeito a destruir programas que deram certo para a cidade, implantados por administrações anteriores?

__Ego? Incompetência? Falta de projeto político? E o pior é que a atual gestão de Londrina ainda quer encontrar um culpado para o seu fracasso. Nessas horas lembro-me de uma frase célebre de Winston Churchill.

"Construir pode ser a tarefa lenta e difícil de anos. Destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia."

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Disfunção erétil

Um problemão para quem queria entrar no prédio.
E a fila aumentava. Cada vez mais.
A cancela apresentou disfunção erétil.
Não subia.
Nem mecanicamente.

Chamaram a assistência técnica.
Viagra tecnológico.
Problema do chip.
O componente eletrônico substituiu o ser humano.

O ser tecnológico não é infalível.
O diagnóstico da cancela.
Disfunção erétil tecnológica.

Rosa com aura

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sombra de passarinho

Tradições esquecidas, ou quase

Pedir benção aos mais velhos.
Os tios e as tias se assustam quando ouvem o sobrinho quarentão pedindo.

Chamar de senhor e senhora.
O senhor e a senhora se ofendem. Eles não assumem a idade que têm.

Desejar bom dia, boa tarde e boa noite.
O funcionário se assusta quando o gerente o cumprimenta. Não é mais costume.

Pedir por favor.
Pior é uma ordem disfarçada de pedido. Faça! Por favor.

Dizer obrigado.
Deixou de ser agradecimento.

Jantar em família à mesa.
As refeições são fast-food e a TV é a principal companhia.

Visitar os amigos sem avisar.
Os amigos são muito atarefados. Encontro, somente com agenda.

O mundo mudou.
As pessoas também.
As relações não são as mesmas.

Tudo bem.
Novas tradições nascem.
Afinal é a evolução.
Evolução?
Será?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Charmoso, saboroso e elegante

O frio é charmoso.
A água da torneira é quentinha.
O edredom é macio.
À noite, na frente da lareira, a família reunida.

O frio é nada charmoso.
No barraco, falta água.
O cobertor é disputado por três.
À noite, o pai é porteiro; a mãe, auxiliar de enfermagem.
O filho mais velho cuida dos três mais novos.

O frio é saboroso.
Fondue de chocolate, creme de beterraba com aspargo, canja francesa, sopas italianas.
Quanto sabor!
O paladar é refinado.

O frio é nada saboroso.
No barraco, o que é fondue?
Beterraba é salada. Aspargo?
A canja é rala.
A sopa é de anteontem.

O frio é elegante.
Os casacos, as jaquetas, as echarpes e os cachecóis.
Quanta elegância!
A coleção outono-inverno saiu para os desfiles nas ruas.

O frio é nada elegante.
No barraco, os casacos são da campanha do inverno passado.
As jaquetas surradas tentam - em vão - conter o vento.
As echarpes e os cachecóis são peças da novela das oito.

O frio tem duas caras.
A que embeleza.
A que causa sofrimento.

Tem quem o espera, ansiosamente.
Tem quem o espera, aflitamente.

O frio tem dupla face.
A que faz sorrir.
A que faz chorar.

O frio tem dupla personalidade.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Inquietudes (81) do Rei

Em Londrina (PR), o vereador Eloir Valença (PT) propõe o sistema de rodízio para a circulação de veículos na cidade. Claro, a regra vale para o cidadão comum. Aqui valem algumas reflexões.

1º) A indústria automobilística e, por consequência o governo - com sua fome insaciável por impostos, enriquece às custas de processos nada ecológicos.

2º) O poder público não atua para melhorar o transporte público e coletivo. Não adianta ter veículos novos e limpos, por exemplo - se for o caso, e esperar mais de 30 minutos no ponto.

3º) O trânsito não é planejado em longo prazo. Apaga-se incêndio diariamente, criando outros em curto e médio prazo.

4º) Quando a conta estoura, o consumidor é sempre responsabilizado e chamado a contribuir com a sua parte. Os outros não fizeram a parte deles e o cidadão comum paga a conta. Mais uma vez.

5º) Pagarão o preço pelo rodízio as famílias que tiverem apenas um veículo. Famílias de classe média e alta têm mais de um veículo, às vezes, vários. A mãe tem carro. O pai tem carro. O filho mais velho tem carro. O filho mais novo tem carro.

A concentração veicular familiar deveria ser punida, assim como todo tipo de concentração. E aí, vereador aceita o desafio?

Inquietudes (80) do Rei

Por que a polícia informa - toda vez - que morre alguém na periferia que o "elemento" tinha passagem pela polícia e/ou envolvimento com drogas e/ou acerto de contas? Isso justifica o seu assassinato? É uma desculpa oficial para não investigar os assassinos? Essa execução é muito conveniente para o Estado, que deveria tornar iguais os que são iguais perante a lei.

sábado, 2 de julho de 2011

"E eu não vou nada bem"

Há dias em que o melhor é não sair da cama mesmo.

Estava um frio de rachar; foi tomar banho e não havia energia na região.

Mesmo sabendo que não havia luz, em todo cômodo que passava, pressionava o interruptor para acender a lâmpada.

Conseguiu se arrumar.

Foi dar a partida no carro e percebeu que o pneu estava furado.

Trocou o pneu.

Pegou a avenida que costuma; trânsito impedido; uma batida bloqueava o caminho.

Teve que dar uma volta maior e todos - naquela hora - fizeram o mesmo; trânsito lento.

Ao chegar ao trabalho não conseguiu entrar; um problema no sistema bloqueou o crachá eletrônico.

O porteiro - com cara de porteiro - disse que não poderia resolver; somente com ordens superiores.

Meia hora depois, conseguiu localizar alguém que tivesse autonomia para resolver o problema.

Já no trabalho, foi terminar o relatório do dia anterior; o computador não havia salvado a última operação; perdeu quatro páginas de conteúdo.

Refez as quatro páginas de conteúdo do relatório; entregou com duas horas de atraso.

A chefia - com cara de chefia - estrebuchou.

Foi almoçar; na saída do restaurante um desavisado - com cara de desavisado - bateu atrás do carro.

Chamaram a polícia; acionaram o seguro; guincharam o carro.

Voltou para o trabalho; tentou não fazer muita coisa para não ter mais problemas.

Final de expediente; voltou para casa de ônibus.

Não sabia ao certo a linha que pegar; pegou a errada e parou distante de casa umas 12 quadras.

Foi andando o trecho que faltava; era muito trecho; não percebeu um buraco; torceu o tornozelo.

Mancando chegou em casa; queria tomar um banho quente d-e-m-o-r-a-d-a-m-e-n-t-e.

Pressionou o interruptor; a energia havia sido restabelecida na região.

Mancando foi para o quarto; o frio continuava frio.

Sem roupa, mancando, foi para o banheiro; ligou o chuveiro.

Não caiu uma gota; a companhia de água cortou o abastecimento; reparos de emergência; a caixa d'água do prédio estava vazia.

Com muito custo, mancando, colocou a roupa novamente; queria apenas paz; somente tranquilidade.

Foi para a sala, mancando, e ligou o som; música para relaxar.

No CD, Ana Carolina e Seu Jorge agonizam Chatterton.

Sangue, Sangue,
Sangue...

Chatterton, suicidou;
Kurt Cobain, suicidou;
Getúlio Vargas, suicidou;
Nietzsche, enloqueceu;
E eu não vou nada bem.
Não vou nada bem,

Chatterton, suicidou;
Cléopatra, suicidou;
Isócrates, suicidou;
Goya, enloqueceu;
E eu não vou nada nada bem
Não vou nada bem

Não vou haha, nada bem
Hahahaa
Hohohahaa
hahaaa
Nada beeem
Não vou nada bem
Chatterton, suicidou;
Marc-Antoine, suicidou;
Cleópatra [foda-se], suicidou;
Schumann, enlouqueceu;
E eu, puta que pariu!!, não vou nada nada bem
não vou nada bem
não vou nada cof! cof! cof!
não vou nada bem caham
suicidou!
Todo mundo que vocês tiverem pensando aí: suicidou! [tiro no pé]
Deram tiro no pé!
não vou nada bem
Puta que pariu!!!
Yeaaaaaaeeeeh!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O mal-educado e a incoerente

O paciente estava com a consulta marcada; chegou na hora e esperou algum tempo.

A secretária do consultório - aquela que faz o tipo não pode isso, não pode aquilo - chama o paciente e diz que o médico teve um problema e não vai atendê-lo.

__Tudo bem.
__Eu tenho horário agora somente na semana que vem. Pra quando você quer?
perguntou a secretária.
__Pra amanhã.
__Amanhã eu não tenho. Somente na semana que vem como eu j-á-d-i-s-s-e.
__Então por que você perguntou pra quando eu quero?
devolveu ele.
__Nossa! Você é sempre mal-educado assim?
__Claro que não. Somente quando as pessoas são incoerentes.


Um senhor estava ao lado, esperando para ser atendido. Ele não aguentou.

__Então, meu caro jovem, você é mal-educado com muito mais frequência que gostaria, certo?