quinta-feira, 14 de julho de 2011

A cara da educação

Imperdível a reportagem de hoje no Jornal de Londrina, com a secretária de Educação de Londrina, Karin Sabec. Imperdível por vários motivos.

Primeiro, porque a secretária mostrou como não deve ser o comportamento de um agente público, seja homem seja mulher. O agente público deve satisfação pública.

Segundo, problemas administrativos - com dinheiro público pago pelo contribuinte - não devem ser tratados como segredo.

Terceiro, a entrevista é em formato pingue pongue, provavelmente gravada pelo repórter para dirimir possíveis dúvidas do que teria sido dito pela “otoridade” máxima da educação municipal.

Quarto, porque em vez de se explicar, a secretária acusa a imprensa de tumultuar e transformá-la numa vítima. Vítima ela não é.

Contextualizando.

A reportagem é um desdobramento da compra da coleção “Vivenciando a cultura afro-brasileira e indígena” para ser distribuída nas unidades escolares do município.

Tal coleção foi acusada de racismo, discriminação e conter erros básicos de português pelo Fórum de Entidades Negras de Londrina (Fenel). A acusação foi corroborada por pareceres de pesquisadores e pelo Ministério Público que determinou o recolhimento do livro. A coleção é da Editora Ética. Ética? Isso mesmo.

O valor investido – com o nosso dinheiro nesta compra questionável – foi de R$ 600 mil, com dispensa de licitação – uma prática corrente na atual administração. Quem duvidar que busque informações sobre os contratos da limpeza pública em Londrina.

A reportagem trata especificamente do parecer da Secretaria de Educação que embasou a compra da tal coleção.

__Não tenho obrigação nenhuma de divulgar esse parecer. Está no processo, está com o promotor, está na Secretaria de Gestão, está em todos os lugares. Acho que a imprensa está batendo pesado nesse parecer sem nenhuma necessidade. 

Se o parecer está em tantos lugares, por que a secretária não fornece uma cópia para a imprensa preferindo não divulgar? Isso porque o parecer é um documento público, imagine se não fosse.

PS:
Exemplo de racismo em livro da coleção “Vivenciando a cultura afro-brasileira e indígena”. Poema “A Borboleta” (3º ano, p. 13).

“De manhã bem cedo, uma borboleta saiu do casulo, era parda e preta, foi beber no açude viu-se dentro da água e se achou tão feia que morreu de mágoa. Ela não sabia que Deus deu para cada bicho a cor que escolheu, Deus ralhou com ela, mas deu roupa nova azul e amarela.” 

Quem quiser conhecer o parecer do Fórum de Entidades Negras de Londrina (Fenel), pode acessar o texto publicado no blog "História, nossa Vida”.

Nenhum comentário: