quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ninguém me ouve!

Reunir o grupo todo na mesma data com um cardápio em comum não é uma tarefa fácil. Ai essas bu.../lheres indecisas...

Um grupo de amigos e amigas marca de se reunir na casa da Lúcia Aparecida.

Levam uma infinidade de tempo - são pessoas indecisas - para definir o cardápio.

Quando a comilança está definitivamente combinada, marcam a primeira data.

Alguém não pode.

Marcam a segunda data.

Outra não pode.

Marcam a terceira data.

__Não estarei na cidade. Por isso, tenham um bom sukiaki. Ele escreveu sem paciência.

Silêncio na rede. O vazio do vácuo virtual toma conta da conversa internética.

Os e-mails calam-se.

Claro que por poucos instantes.

A Lucia Aparecida - como boa anfitriã e negociadora da data e do cardápio - consegue uma nova agenda.

Ah! e o cardápio mudou.

A Denise Clarice - a cozinheira do dia (ou melhor, da noite) - vai chegar mais tarde.

Todos concordam com a mudança do cardápio e ninguém mais se atreve a pedir para mudar o dia (ou melhor, a noite).
 
__Vou me esforçar para ir.
__Estou com um problema, chego mais tarde.
__Não poderei ir por causa disso.
__Não poderei ir por causa daquilo.


As justificativas são muitas porque, afinal, ausência não justificada tira o elemento faltoso da comilança.

Depois não adianta reclamar que foi excluída.

No horário combinado, a comida está pronta e os convidados ainda não chegaram.

Chega um.

Chegam dois.

Chegam vários.

Na porta do apartamento, a Joelma de Fátima toca a campainha.

Ninguém ouve.

De dentro, ela ouve o tilintar das taças e a gargalhada frouxa dos convidados.

Joelma de Fátima bate na porta três vezes.

Ninguém ouve.

Joelma de Fátima toca a campainha novamente.

Ninguém ouve.

Joelma de Fátima bate na porta três vezes novamente.

Ninguém ouve.

Cansada, Joelma de Fátima liga no celular da Lúcia Aparecida.

__Oi Lúcia Aparecida. Ninguém me ouve.
__Vem pra cá Joelma de Fátima. Tá todo mundo aqui.
__Mas ninguém me ouve.
__A gente ouve você sim! Tá todo mundo morrendo de saudade. Vem pra cá!
__Porra! Ninguém me ouve batendo na porta. Toquei a campainha e bati um monte.


Ops!

A gargalhada corre frouxa mais que nunca.

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