terça-feira, 6 de setembro de 2011

Polícia ineficiente, justiça conivente

Jornal de Londrina, 5 de setembro de 2011.
Há quatro anos, vítima de mal-entendido tenta provar a inocência
Alexandre Pontes foi preso, mesmo sem provas, em 2007, acusado de ter furtado um achocolatado de R$ 2,50. Nova audiência do caso será realizada nesta segunda

A justiça brasileira nem sempre é justa, é lenta e privilegia quem tem dinheiro. Isso não é novidade para ninguém. Afinal advogados de criminosos ricos retardam, muitas vezes, o andamento de ações e protelam a realização de julgamentos. 

Em Londrina, artista plástica foi acusada de degolar a empregada e o que aconteceu? Em Londrina, a mulher foi esfaqueada 72 vezes pelo ex-marido e o que aconteceu?

E quem não pode comprar advogado caro não consegue provar sua inocência há quatro anos. 

Alexandre Pontes, que tem deficiência auditiva, foi acusado de roubar um achocolatado de R$ 2,50, foi tirado de dentro de um ônibus e ficou preso por 13 dias.

"Pontes foi preso por policiais militares dentro de um ônibus do transporte coletivo no dia 21 de fevereiro de 2007. O que tornou a situação incomum é que os funcionários do estabelecimento comercial, que teria sido alvo do assalto, afirmaram em depoimento que o rapaz não teria cometido crime algum. Eles teriam dito apenas que estranharam o comportamento de Pontes pelo fato de ele não ter falado nada quando foi acusado."

A Polícia - ineficiente para proteger a vida - consegue ser rápida para resolver problemas de danos ao patrimônio, mesmo que o dano seja de R$ 2,50.

Se a polícia é ineficiente, a justiça é conivente.

Para que legislação? se o ônus da prova não cabe mais a quem acusa, mas ao acusado que tem que provar sua inocência.

Quanto vale a vida? Quando vale a dignidade? Quanto vale a cidadania?

Vida, dignidade e cidadania valem pouco quando o estado é incompetente, o mercado é insensível e a sociedade é indiferente.

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