terça-feira, 4 de outubro de 2011

Trabalhadores e trabalhadores

R7 Notícias
“Greve dos bancários já prejudica população brasileira”

Jornal do Commercio
“Greve dos bancários prejudica os clientes“

Band News
“Greve nos bancos prejudica clientes em todo o país“

Folha.com
“Greve dos Correios prejudica negócios"

Jornal da Paraíba
“Greve bancária prejudica comércio”

Meio Norte.com
“Greve dos bancários prejudica Piauienses”

Bahia Notícias
“Greve dos Correios prejudica quem vende pela internet”

Por que trabalhadores da imprensa insistem - em notícias sobre greves - jogar a população contra os grevistas?

Sim, pode não parecer, mas jornalistas (repórteres, redatores e editores) - mesmo porta-vozes dos interesses midiáticos – são trabalhadores, muitas vezes mal remunerados, sem plano de cargos, carreira e salários e o piso da categoria – quando pago – é comemorado até pelo sindicato.

Alguns profissionais nas redações podem argumentar que o enfoque noticioso dos exemplos acima atende ao interesse público, já que afeta serviços à população, e que por isso é o fato principal e merece ser destaque na manchete.

Não merecem destaque os índices de reposição da inflação à categoria em greve?

Não merece destaque a busca por melhorias das condições de trabalho?

Não merecem destaque os direitos ao reajuste real dos salários?

Não merece destaque a exploração a que os trabalhadores estão submetidos?

Pois é! Quando a greve de trabalhadores “prejudica” a população, a população trabalhadora não quer reconhecer os direitos dos trabalhadores grevistas.

Neste cenário, surge outro fator: a imagem dos sindicatos, trabalhada também pela imprensa para ser sinônimo de atraso do desenvolvimento, no qual a rigidez das leis trabalhistas impede investimentos e blá, blá, blá...

Aí a população “prejudicada” sente-se no direito de atacar os trabalhadores (em greve) de serviços essenciais, inclusive para si mesma, sem se preocupar se as condições de trabalho são dignas e os salários justos.

Colocar a população contra grevistas é muito mais que escolher um enfoque para uma notícia, é construir sentidos e dividir a população.

Essa situação lembra o título do livro do jornalista Carlos Dorneles. “Deus é inocente, a imprensa não…”

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