terça-feira, 15 de novembro de 2011

Manifestações e declarações

"A gente vê com estranheza, desconfiando que é uma ação eleitoreira de quem está fazendo a reclamação sem escutar oficialmente o que a prefeitura tem a dizer sobre projeto." A declaração é do secretário de Governo de Londrina, Marco Cito, à rádio Paiquerê AM e também reproduzida pelo Bonde.

Para mim, é secundária a discussão se o local vai ser terminal de ônibus ou não. Depois de reaberta a rua, o tom será dos escapamentos. Um retrocesso para quem conquistou, anos atrás, uma área verde e de lazer, bem no centro de Londrina.

Aqui o que me interessa é a declaração do agente público, o secretário de governo, e não da pessoa Marco Cito. Faço essa distinção porque as opiniões costumam ganhar conotação de tudo, menos de opinião. Aqui, é só mais uma opinião de quem pensa e reflete sobre o que lê.

O secretário de governo classifica de eleitoreira a manifestação, e - portanto rotula de manipulados por agentes políticos com fins eleitorais - os manifestantes que são contra o corte de árvores no bosque e a reabertura da rua Piauí para o trânsito de veículos.

O debate público sobre ações públicas é bem-vindo, saudável e necessário, até porque o Executivo, assim como os outros poderes, deve satisfação pública e ao público.

A declaração, infelizmente, não é novidade no cenário político e acomete muitos representantes indiretos do povo. Indiretos porque não foram eleitos e sim indicados pelo vencedor nas urnas, neste caso o prefeito. Mesmo este, deve dar satisfação ao público.

Independente de colorações partidárias e de elasticidades ideológicas da esquerda e da direita, essa postura de se sentir acima da voz da população é um problema crônico dos políticos brasileiros. Quando a réplica sai e entra a desqualificação, todos perdem. Principalmente, o debate.

O agente público, sob a argumentação da ação eleitoreira desqualifica os manifestantes.

O agente público, sob a argumentação da ação eleitoreira desqualifica o debate.

O agente público, sob a argumentação da ação eleitoreira "sem escutar oficialmente o que a prefeitura tem a dizer" supõe que sua voz é mais legítima que a dos manifestantes.

A manifestação pública integra o rol das garantias de liberdade de expressão e nenhum manifestante, numa sociedade democrática, precisa de alvará do poder público para isso, nem para escrever um artigo como este.

Um comentário:

Bruxices tolas disse...

É, Rei... pena que o debate esteja fora de questão para o poder público e que a soberania do indivíduo seja esmagada por aqueles que estão no poder unicamente por voto popular!