quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sobre Mercedes-Benz e BMW

''O condutor do veículo BMW prestou declaração, mas não podemos expor porque a declaração é de cunho subjetivo.'' "O boletim de ocorrência ficará à disposição das partes apenas.''

As declarações acima são do inspetor chefe do Núcleo de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, em Londrina, Vicente Zangirolani, sobre o fato do prefeito de Londrina, Barbosa Neto ter se envolvido num acidente de trânsito na noite de segunda-feira (dia 31).

O prefeito dirigia uma Mercedez-Benz e bateu em uma BMW, dirigida por Nilton Silva. O motorista da BMW afirma que o prefeito avançou o sinal. O fato é negado por pessoas próximas a Barbosa, que estariam atrás do carro do prefeito, em outro veículo.

A polícia não pode expor o conteúdo das declarações por serem subjetivas. O boletim de ocorrência não ficará à disposição do público como ficam os boletins de motoristas comuns lidos e relidos por radialistas ao longo de um dia inteiro.

A Folha de Londrina noticia hoje (dia 2) que o "o inspetor afirmou que policiais fizeram o levantamento das condições em que o acidente ocorreu, mas a polícia não deve emitir juízo de valor."

Que beleza! Juízo de valor da polícia é para gente comum. Motorista que não dirige BMW ou Mercedes-Benz, nem é prefeito, vai parar nas páginas dos jornais e nas ondas do rádio, em informações recheadas de opiniões de representantes de organismos policiais.

Delegados da Polícia Civil e relações públicas da Polícia Militar são campeões em fazer isso, julgando e condenando, sem ao menos iniciar e concluir os processos investigatórios.

Leia "Sobre estupros e tesão".

Leia "Polícia ineficiente, justiça conivente".

Leia "Quanto vale a vida?".

Leia  "Inquietudes (80) do Rei".

Leia "Varejo e atacado".

A atitude do inspetor Vicente Zangirolani, mais exceção que regra, deveria ser uma conduta normal de quem representa a segurança bancada com dinheiro do contribuinte.

Esse episódio mostra que quando a polícia quer, ela sabe fazer o serviço com responsabilidade e ética, sem servir de pano de fundo para programas policiais sensacionalistas.

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