terça-feira, 31 de janeiro de 2012

De gaveta

Cena de velório


A Creide não acredita nas coisas que vê e ouve em velório.

Cada um que chega quer ser íntimo do falecido.

E
xaltar as qualidades daquele que foi.
Lembrar as trapalhadas de quem não está mais aqui.


Citar gafes e episódios que o falecido faz questão de levar junto.


Enfim...


A Creide lembra-se do velório de um parente, quando uma conhecida - a Inês, dessas que se acham amiga íntima, chegou com um figurino nada adequado para a ocasião.


Com um tubinho preto longo e um bolero de renda - também preto - e um ar melancólico, Inês fala à Creide.


__Amiiiiiiiiiiiiiiiiiiiga! Que coisa horrííííííííííííííííííííííííível. Não sei o que dizer nessas horas... Meus sentimentos para você.


A Creide tinha perdido um parente
, mas não o senso de humor sarcástico.

__Obrigada, Inês, mas pode ficar com os seus sentimentos. Não estou aguentando nem os meus.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Inquietudes (106) do Rei

Vida, dignidade e cidadania valem pouco quando o estado é incompetente, o mercado é insensível e a sociedade é indiferente.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Inquietudes (105) do Rei

Controle é diferente de censura.
Censura impede a veiculação e a divulgação.
Controle estabelece regras punindo os excessos dos veículos de comunicação depois de terem sido divulgados e se caracterizarem violação à legislação.

Tranças de aço

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Inquietudes (104) do Rei

O trabalho engrandece o homem e a mulher. Com certeza engrandece desde que o salário e as condições de trabalho sejam boas e o ambiente - na relação entre patrão, chefe e empregado - seja saudável.

Livre mesmo?

Quando o assunto é marco regulatório para os meios de comunicação, o senso comum da direita ataca a esquerda acusando-a de censora.
O senso comum da esquerda ataca a direita acusando-a de manter relações carnais com o mercado.

Muitos defendem a liberdade dos meios de comunicação.

Liberdade para que mesmo? 

Para mostrar suposto estupro ao vivo?

Para entrevistar, ao vivo, num programa de auditório um sequestrador, interferindo no processo de negociação da polícia para libertar a refém?
Para exibir entrevistas falsas com supostos criminosos do PCC ameaçando autoridades e celebridades?
Para publicar imagens de cadáveres vilipendiados em cemitérios?
Para exibir corpo de ditador morto enforcado com a corda ainda no pescoço?

A informação deve ser maior que o espetáculo.

E enquanto muitos alegam ter veículos de comunicação livres, esses mesmos veículos:

-escondem os crimes dos políticos dos partidos apoiados pela organização.

-exaltam os crimes dos políticos dos partidos adversários da organização. 
-exaltam músicas com letras vulgares em horário de maior audiência, quando escondem a produção cultural regional.
-ignoram a produção cultural independente.

Tudo em nome da audiência.

Controle é diferente de censura.
Censura impede a veiculação e a divulgação.
Controle estabelece regras punindo os excessos dos veículos de comunicação depois de terem sido divulgados e se caracterizarem violação à legislação.

De que veículos de comunicação livres estamos falando mesmo?

O Deus-Estado quando controla os veículos de comunicação, sempre usa em seu favor.
O Deus-Mercado quando controla os veículos de comunicação, sempre usa em seu favor.
Quem perde é o cidadão.

Quem deve mandar na programação dos meios de comunicação é o expectador a partir da regulamentação prevista na Constituição Federal.

Participação popular já!
Alguém pode dizer que a participação popular não tem qualidade.
Então qualifiquemos.
A democracia precisa de veículos de comunicação livres.
Ser livre do estado, mas atrelado carnalmente ao mercado não é liberdade.
Ser livre do mercado, mas atrelado carnalmente ao estado não é liberdade.
Quem perde é o cidadão.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Assistencialismo ou assistência social?

O governo Dilma Rousseff sancionou ontem (dia 16), antes tarde do que nunca, a regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, que estabelece as ações de saúde que devem receber investimento público. Na prática, a regulamentação enquadra os governos estaduais no investimento em saúde, já que esses muitas vezes incluem no orçamento gastos que não são do setor. O Paraná é um exemplo flagrante (e absurdo) dessa situação.

O governo peemedebista de Roberto Requião incluía como gastos de saúde, os valores de saneamento básico; do Serviço de Assistência à Saúde (SAS), plano de saúde dos servidores públicos estaduais; pensão por hanseníase e do Hospital da Polícia Militar. O governo Beto Richa já havia anunciado ano passado a correção dessas distorções praticadas pelo governo Requião. E não faz mais que a obrigação. 


Já o programa "Leite das Crianças", incluído como gasto de saúde por Requião e que foi questionado, vai continuar sendo gasto de saúde. À Folha de Londrina de hoje (dia 17), o secretário de Estado da Saúde, Michele Caputo Neto, (isso mesmo, na Itália Michele é menino), disse que o programa consiste numa "carência nutricional". Até aí nada demais.
"O programa foi remodelado, não tem mais o viés do assistencialismo", afirmou o Michele à Folha de Londrina.

Chama a atenção o tal viés do assistencialismo apontado pelo secretário de Saúde. Governos tucanos como o do Paraná adoram atacar o tal assistencialismo. Afinal pobre dá trabalho mesmo e é obrigação do estado prover as necessidades básicas. Só para lembrar, está na Constituição Federal. 

Mudando o viés da assistência social, como prefere o Michele - assistencialismo - para a saúde, o que muda no programa? A essência na distribuição do leite.

A política de saúde, regulamentada pelo SUS, é universal. Qualquer pessoa, independente da renda, pode ter acesso aos serviços de saúde. Basta para isso entrar pela porta de entrada correta. Por exemplo, se você for a uma farmácia e pelo programa federal "Farmácia Popular" (com a receita médica), vai receber o medicamento da lista e nenhum balconista vai pedir o seu holerite.


O mesmo não acontece com a política de assistência social que é voltada para a população de baixa renda. O público desses programas deve ser obrigatoriamente pessoas com uma determinada renda per capta. A assistência social não é universal e tem limites claros. E deve continuar assim.


No site do programa "Leite das Crianças", na pergunta "Quem pode se beneficiar?", a resposta é clara. 
"Crianças de 6 a 36 meses de idade; Todos os beneficiários deverão pertencer às famílias cuja renda per capta mensal seja inferior a meio salário mínimo."

Ou seja, o programa é direcionado para um público específico - o de baixa renda - mesmo que seja para corrigir uma carência nutricional, caracterizado como saúde. Portanto, o público do programa continua sendo o da assistência social, ou como prefere o Michele - o público do assistencialismo paranaense.

Inquietudes (103) do Rei

Ambev/Guaraná Antarctica, Fiat, Niely, Schincariol/Devassa e Unilever/Omo são as marcas que patrocinam até supostos estupros no BBB, além de outras baixarias. E agora, as marcas estão preocupadas com a imagem. "Quem financia a baixaria é contra a cidadania." Esse é um slogan do Congresso Nacional. Isso mesmo do Congresso Nacional.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Oração de um fã do BBB

Creio em Boninho, Todo Poderoso, diretor do BBB; e nos participantes da casa, seus filhos, nossos ídolos; que foram concebidos pelo poder da Rede Globo; nasceram de desconhecidas, padeceram sob Pôncio Bial, foram crucificados, mortos e sepultados no paredão; desceram à mansão dos mortos; ressuscitaram no mesmo dia; subiram aos céus; estão clicados pela Playboy, G e Paparazzo, donde há de vir mais 15 minutos de fama. Creio no Big Brother, em Nossa Senhora das Organizações Globo, na confusão dos participantes, na exultação dos pecados, na conjunção da carne, na audiência eterna. Amém.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Oração de um BBB

Boninho Nosso que estais na direção do BBB, santificado seja o Vosso Nome, venha a nós a Vossa Fama, assim na casa como fora dela. O ego nosso de cada dia nos dai hoje; instigai-nos as nossas vaidades, assim como nós provocamos a quem nos provoca, e não nos deixeis cair em audiência, mas livrai-nos do paredão. Amém.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Oportunismo e nada mais?

O episódio, lamentável - diga-se de passagem, sobre os implantes de silicone da marca francesa Poly Implant Protheses (PIP) revela vários ângulos de um drama que não tem apenas um responsável e que vai demorar um tempo para ser resolvido.

O drama das mulheres afetadas pelo vazamento de matéria-prima inadequada que causa problemas sérios de saúde.

O drama de médicos que terão de trocar os implantes e meter a mão no próprio bolso para realizar novas cirurgias.
O drama da Anvisa que não tem um sistema ágil para fiscalizar a matéria-prima dos produtos que ela mesma autoriza.

Neste cenário uma medida chama a atenção. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica anunciou que vai rastrear todas as mulheres que fizeram implantes de silicone no país. Antes tarde do que nunca, mas será que a medida é eficiente ou apenas um factóide oportunista para alavancar a imagem dos cirurgiões plásticos?


Vejamos, então. Em reportagem do dia 08/01, 
"O Estadão" divulgou que "Cadastro nacional rastreará mulheres que colocarem silicone nas mamas". Trata-se do Cadastro Nacional de Implantes Mamários (CNIM). O texto foi distribuído, dias antes, aos jornais de todo o país que assinam a Agência Estado, e publicado, por exemplo, pelo jornal Folha de Londrina,  também no domingo dia 08/01, na página 6 do primeiro caderno.

O que chama a atenção na reportagem é o tom do texto que dá a sensação de que todos os problemas de implantes de silicone serão resolvidos a partir do tal cadastro. A linha-fina de "O Estadão" exorta:


"Iniciativa inédita da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica foi alavancada após contaminações em Campinas, em 2004; numeração e marca da prótese, além do motivo do implante, serão registrados; órgãos governamentais não estão envolvidos"


Ou seja, quando o poder público está envolvido é problema na certa. Quando a iniciativa privada assume o comando é solução na certa. Não é bem assim. 
Se a motivação inicial da SBCP foi a contaminação de pacientes em 2004, por que a sociedade demorou cerca de sete anos para implementar o cadastro? Wanda Elizabeth Correa, presidente da Comissão de Silicone da sociedade, explica.

"Esse é um projeto antigo, não surgiu de uma hora para outra. Foram anos de trabalho, de pesquisa e de projetos, para definir esse protocolo. Já contratamos a empresa responsável e agora estamos na fase de cadastramento dos médicos."


Se fosse o poder público seria morosidade, irresponsabilidade, burocracia excessiva, falta de vontade política. A resposta da cirurgiã não teve eco nos questionamentos seguintes da repórter que assina o texto. E como se trata de um órgão corporativo da iniciativa privada, a demora ganha status de pesquisa, de projeto, de definição de protocolo. Ah então tá!


Esse comportamento é típico da imprensa brasileira que, geralmente, desqualifica órgãos públicos e enaltece órgãos e empresas privadas. Isso ocorre numa mistura vai de desconhecimento (ignorância mesmo!), falta de capacidade jornalística ou má-fé. 


Segundo informa "O Estadão", "assim que terminar o cadastramento, os médicos já poderão começar a alimentar o programa com dados das pacientes." Isso significa afirmar que o sucesso da medida depende da iniciativa dos médicos em alimentar o sistema.


E se os médicos não alimentarem o cadastro? A inserção dos dados é obrigatória? A pista é fornecida pela própria reportagem. "Segundo ela [a cirurgiã Wanda Elizabeth Correa], a sociedade possui cerca de 5 mil cirurgiões plásticos cadastrados e, se todos preencherem os dados corretamente, essa será a maneira mais fiel de rastrear as próteses de silicone no Brasil."

Se todos preencherem corretamente? 


Os médicos podem não preencher o cadastro e se fizer, fazer errado. A medida é apenas um controle da sociedade e o cadastro apenas um cadastro, um controle interno. Controle, aliás, que deve ser feito pelos próprios cirurgiões nos seus consultórios.


Afinal os clientes pagam muito caro por cirurgias estéticas e nada mais normal que o médico saber o que implantou, quando implantou e em quem implantou. A reportagem, que anuncia a medida como "iniciativa inédita", aposta numa ação inócua cujo controle depende mais do cirurgião do que da própria SBCP.


E vale destacar que a sociedade é uma entidade que tem como "objetivo exclusivo de aprimorar e promover a ciência da Cirurgia Plástica." A afirmação consta no site da própria sociedade. E essa promoção da ciência plástica passa por interesses econômicos em um mercado que movimenta milhões. Não é á toa que a própria SBCP anuncia na home do seu site produtos que variam de instrumental cirúrgico a implantes de silicone de diferentes marcas. 
Basta acessar o site e conferir.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A vaidade do ego II

O caso de vaidade explícita virou caso de polícia.
A indústria da cirurgia plástica conta com vários personagens.
A mulher do ego com deficiência.
O cirurgião plástico ganancioso.
A fábrica de produtos de silicone irresponsável.
A mídia orgástica com uma novidade de mercado supérflua.

O episódio que envolve a prótese de silicone francesa Poly Implant Protheses (PIP) é a prova cabal da indústria da estética que não mede consequências.

Até elas aparecerem e se mostrarem perversamente reais.
Silicone industrial nos peitos da classe média e da elite é caso de polícia.
Afinal, silicone industrial é coisa de travesti pobre que injeta pelo corpo com a ajuda de outra travesti, na casa dos fundos.

Quem imagina fraude em uma indústria internacional de um país europeu que troca a matéria-prima de suas próteses para lucrar mais?

Isso é coisa de corrupto do terceiro mundo que conta com o aval de governos igualmente corruptos.
Empresa de primeiro mundo é séria e respeita as normas sanitárias e de segurança para o bem de seus clientes.
Então tá!

A vaidade do ego

O caso é de estética e apego excessivo à vaidade.
O valor da imagem conta mais que o valor do ser.
O ego precisa ser bem nutrido. 
As mulheres, principalmente elas, se submetem a cirurgias plásticas para corrigir o ego com deficiência.

 __Quero seios maiores.

__Meus seios são muito pequenos.

O silicone percorre o corpo como gênero de primeira necessidade.

O implante nas nádegas transforma a mulher hatch em mulher sedan.
Os seios viram airbags que, instalados, ficam em exposição permanente.
E quando o transplante não dá certo?

__Culpa do médico.

__Culpa da Anvisa que não fiscaliza os produtos.
__Culpa da mídia que cria modelos de padrão.

Padrão que as pessoas seguem por vontade própria, mesmo que influenciadas.

Cirurgia plástica estética para saciar o ego tem preço.
E quando não dá certo quem paga é a própria vaidade.
Que vai torturar sua dona ou seu dono procurando um culpado pelo resto da vida.