terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cena de velório


A Creide não acredita nas coisas que vê e ouve em velório.

Cada um que chega quer ser íntimo do falecido.

E
xaltar as qualidades daquele que foi.
Lembrar as trapalhadas de quem não está mais aqui.


Citar gafes e episódios que o falecido faz questão de levar junto.


Enfim...


A Creide lembra-se do velório de um parente, quando uma conhecida - a Inês, dessas que se acham amiga íntima, chegou com um figurino nada adequado para a ocasião.


Com um tubinho preto longo e um bolero de renda - também preto - e um ar melancólico, Inês fala à Creide.


__Amiiiiiiiiiiiiiiiiiiiga! Que coisa horrííííííííííííííííííííííííível. Não sei o que dizer nessas horas... Meus sentimentos para você.


A Creide tinha perdido um parente
, mas não o senso de humor sarcástico.

__Obrigada, Inês, mas pode ficar com os seus sentimentos. Não estou aguentando nem os meus.

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