segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Democracia e democracia

A greve da Polícia Militar na Bahia revelou algumas situações interessantes, e preocupantes. Muito já se escreveu sobre o tema e, por isso, abordo um viés que envolve a presidenta Dilma Rousseff e seu passado de combatente.

Imagens de policiais, pagos com o dinheiro do contribuinte, empunhando armas em locais públicos correram a internet. Veículos incendiados e barreiras feitas por policiais grevistas. A Assembleia Legislativa do estado invadida e sitiada.

A presidenta disse ser contra a anistia aos policiais, presos por planejar e executar atos de vandalismo, espalhando o medo e o pânico pela Bahia. Ela defende que os policiais pegos em atos criminosos devem ser punidos. E isso é o que se espera numa democracia.

Existe uma corrente que ataca a presidenta comparando a situação atual ao tempo de militância de Dilma na clandestinidade no regime da ditadura militar. Muitos questionam como pode uma rebelde que lutou pela democracia não reconhecer a legitimidade dos trabalhadores em greve. Aqui há algumas vírgulas que merecem reflexão.

1º) Numa democracia, as regras são claras. O direito à greve é legítimo. É constitucional. Mesmo sendo proibida para militares e algumas categorias de servidores públicos, existem formas legítimas de protesto e reivindicação de direitos usurpados.

2º) Numa ditadura militar, as regras não são claras. Portanto, atos de rebeldia (ou terrorismo como preferem os conservadores) são legítimos. Contra um governo que mata e esconde o corpo, diplomacia serve pouca coisa. Por isso, lutar na clandestinidade pede ações à altura da violência oficial do governo que deveria proteger.

Neste sentido, lutar pela democracia usando a violência contra uma ditadura e ser policial grevista numa democracia usando a violência para reivindicar seus direitos não são a mesma coisa.

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