quarta-feira, 7 de março de 2012

Mendigos em chamas

Pobre incomoda muito. Pobre morador de rua incomoda muito mais.
O comerciante incomodado contrata um bando de quatro homens, três de 19 anos e um, de 21,  para dar um susto nos mendigos.


R$ 100,00 é o preço do susto. O bando põe fogo num sofá, pobre coitado que recosta os pobres coitados moradores de rua. Um grupo apaga o fogo e tira uma da cara do bando.

Irritado, parte do bando compra gasolina. R$ 15,00 é o valor da arma. Arma usada para jogar sobre os moradores de rua. E com um fósforo, as labaredas consomem carne humana.

Um morador de rua não resiste aos ferimentos e morre. 63% do corpo queimado. Uma vida por R$ 100,00. O preço da liberdade do comerciante. Pobre incomoda muito. Pobre morador de rua incomoda muito mais.

Outro morador de rua escapa da morte e responde bem aos tratamentos da equipe de um hospital de Brasília. Morador de rua. queimado. Escapa da morte. Sorte ou azar?

Os incendiários e o mandante vão responder por homicídio e tentativa de homicídio. Pena de 12 a 30 anos. Se forem julgados. Se forem condenados. Se tiverem bom comportamento, a pena é reduzida.

A vida humana vale pouca coisa. E as atitudes diárias mostram isso. Atear fogo em morador de rua parece ter virado moda. Moda de que pobre não deve existir. Moda de que o patrimônio é mais importante que a vida.

Um comentário:

Bruxices tolas disse...

Infelizmente, a pergunta do Humberto Gessinger "quanto vale a vida?" já foi respondida: nada. Adorei e enfoque do texto, Rei.