terça-feira, 10 de abril de 2012

Senso comum sofisticado

Político é tudo igual! O senso comum não é tão comum quando o assunto é política partidária. Houve um tempo no Brasil, nada distante, que existiam duas forças. A da direita. A da esquerda. Você apoiava a Arena ou apoiava o MDB. Duas forças claramente diferentes. A ideologia estampava a atuação dos políticos e definia as bandeiras de cada partido.

Com o pluripartidarismo, a atuação partidária passou a ser multifacetada. Há políticos de siglas progressistas mais conservadores que muitos democratas. Há muitos conservadores mais progressistas que muitos comunistas. E nesta tal liberdade partidária, coitado do eleitor, que vive dizendo para si mesmo e quem mais quiser ouvir. Político é tudo igual.

Um caso interessante para analisar é a candidatura do ex-senador Gustavo Fruet à capital paranaense. Fruet até algum tempo atrás era morador do ninho tucano no PSDB do Paraná e, como oposição, deitou e rolou em críticas ao PT do Lula. Como senador, Fruet foi sub-relator da CPI dos Correios, gestada a partir das acusações de corrupção na estatal. Não faltaram holofotes a Fruet na imprensa nacional.

O ex-tucano deixou o ninho e virou pedetista, em julho do ano passado, por não ter espaço no PSDB para disputar o cargo de prefeito de Curitiba. Os tucanos rifaram o tucano Fruet e devem apoiar a reeleição do atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), que virou prefeito depois que Beto Richa renunciou para ser candidato a governador do Paraná em 2010. Não terminar mandato no atual modelo político brasileiro parece ser a regra de quem usa um cargo como trampolim para outro. Mas esse é tema para outro artigo.

O ex-tucano e atual pedetista Gustavo Fruet disputa o apoio do PT em Curitiba. O Partido dos Trabalhadores rachou na capital. Novidade seria o PT unido. Uma ala aprova o apoio e outra ala abomina. Mais que avaliar a atuação pessoal deste ou daquele é pertinente avaliar que essa situação é consequência do próprio modelo partidário. Assim, adversário na eleição passada vira melhor aliado na eleição atual.

O senso comum não é tão comum quando o assunto é política partidária, quando afirma que em política não há inimigos. Talvez - por isso - adversário vira aliado e aliado vira adversário, com uma desenvoltura de enrubescer até os menos pudorosos.

E o eleitor, aquele do senso comum, acaba por não entender esse jogo. A correlação de forças não é equilibrada porque em períodos eleitorais importam menos a ideologia, o programa do partido, os projetos de governo. Importam mais o tempo da coligação, a chapa completa, as projeções das pesquisas, os cargos futuros no governo.

Tucano ataca petistas, vira ex-tucano e conta com o apoio de petistas. Petistas atacam tucano e apoiam ex-tucano. E o senso comum diz que político é tudo igual. O senso comum é mais sofisticado do que a gente imagina.

Nenhum comentário: