quinta-feira, 26 de abril de 2012

Síndrome da Gabriela

Cotas raciais.
Cotas para estudantes de escolas públicas.
Cotas para indígenas.
Cotas para pessoas com deficiência.
Bolsa Família.
Sacolas públicas.
Vale-gás.
Vale isso e aquilo.
As políticas públicas afirmativas são necessárias.
O princípio é constitucional.
Geralmente quem ataca as políticas públicas o faz do seu ponto de vista, da sua realidade. 
Recusam-se a refletir sobre o tema fora da sua zona de conforto.
Mudar de opinião?
Aceitar o diferente?
Um atentado aos ideais forjados na educação que recebeu.
É a síndrome da Gabriela, cantada na composição de Dorival Caymmi.

"Eu nasci assim 
Eu cresci assim 
E sou mesmo assim
Vou ser sempre assim
Gabriela..."

4 comentários:

Marco A. Rossi disse...

Zanardi, meu velho, tentei discutir a abrangência das políticas afirmativas em sala de aula, expondo alguns argumentos, digamos, "liberais" (não é preciso ir além disso), e fiquei o tempo todo com a sensação de que iriam me espancar, praticar linchamento. O que ocorre com essa juventude estranhamente tão reacionária? Bem que podíamos organizar um evento no CCESA para discutir essa tendência conservadora entre os mais jovens... Abraço. E parabéns pela coragem. Agora, não me sinto tão só.

Reinaldo C. Zanardi disse...

Grande Rossi, por trás do conservadorismo desta juventude existe um individualismo absurdo. A sociedade do consumo vive no espetáculo e o que não faz parte do roteiro do show deve continuar excluído. Para esses, simples assim. Calejado! Já passei por muitos momentos de quase linchamento. hahahaha Mas se desistirmos quem fará esse papel? Se a universidade não provocar a reflexão quem vai fazer? Se não incomodarmos, quais as possibilidades de mudança? Felizmente não estamos só.

Lorena disse...

Rei, mais que conservadorismo e individualismo absurdo é o egoísmo, claro que com uma parcela (grande) de ignorância. No entanto, os mesmos que criticam e não aceitam são os primeiros a aproveitar quaisquer vantagens que lhes forem apresentadas. Na verdade, o que ocorre é que quem tinha cota antes eram só eles, já que os demais eram praticamente excluídos. A cota dos que podiam mais, que sempre foi uma minoria. Quem entrava com dificuldade em uma universidade, por exemplo, passava por muita discriminação. Passei por isso.

Reinaldo C. Zanardi disse...

Exatamente, minha amiga Lorena, disse tudo. As cotas existiam para quem podia. E o pior, distorcem a discussão falando em capacidade, quando o foco deve ser a oportunidade. Isso me lembra discussões em sala de aula quando muitos criticam a revista Raça argumentando que não há uma revista de branco. Por que uma revista para negros? É verdade, eu digo. Não tem uma revista de branco. Tem várias: Caras, Capricho, Contigo, Cláudia e todas as outras que exaltam o modelo de massa cheirosa que a colunista Eliane Cantanhêde tanto gosta.