sexta-feira, 29 de junho de 2012

Neoliberal sim, mas nem tanto

O pacote anunciado pelo governo federal nesta semana, com investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento, conhecido como PAC Equipamentos, é considerado pela Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep) uma esmola. As críticas estão em reportagem da Folha de Londrina, desta quinta-feira (dia 28).

"Primeiro não podemos esquecer que estão utilizando dinheiro público para fazer estas compras. Fazer todo este alarde é como pedir esmola com o chapéu alheio." A declaração é do presidente da Fiep, Edson Campagnolo, à reportagem da Folha de Londrina.

O chapéu alheio é o montante de recursos anunciado pela presidenta Dilma Rousseff. Em entrevista coletiva, ela disse que dos R$ 8,4 bilhões injetados no pacote, mais de R$ 6 bilhões não estavam no orçamento de 2012.  Os R$ 6 bilhões serão usados para compras de equipamentos produzidos no Brasil. A Folha de S.Paulo também trata do assunto e mostra outras medidas anunciadas pelo governo.

O
 PAC Equipamentos prevê várias medidas como a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6% para 5,5%. Essa taxa é usada para corrigir os empréstimos obtidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a redução vai beneficiar os empréstimos já contratados.

Segundo a Folha de Londrina, para Campagnolo, "todas as medidas tomadas pelo governo neste momento acabam ajudando, mas esperava medidas mais ousadas." Mais ousadia, neste caso, é mais dinheiro público para o empresariado.

E dinheiro público neste sentido poderia vir, segundo o empresário paranaense, em forma de "desoneração da folha de pagamento e a redução de impostos." Tudo bem, mas desonerar a folha de pagamento não é necessariamente apostar no crescimento do país. Pode ser uma via, apenas para aumentar a margem de lucro das empresas em tempos de crise.

A fala do presidente da Fiep comparando o pacote de medidas do governo federal à esmola revela algumas situações muito interessantes sobre o comportamento do empresário brasileiro. Arrisco alguns palpites.

1) Ajuda do governo ao empresariado para o crescimento do país deve ter valores altos para ser legítimo, porque quando as medidas não são satisfatórias - na perspectiva do empresário - torna-se uma mera ajuda, uma esmola.

2) Os mesmos empresários que clamam por dinheiro público em seus negócios - naturalmente para não deixar o país estagnado - muitas vezes, são os mesmos que criticam os programas de transferência de renda do governo, ou seja, bolsa-empresário pode, bolsa-família não.

3) O empresário brasileiro é menos neoliberal do que imagina e mais contraditório do que gostaria. Estado mínimo somente quando ele ganha (e muito). Intervenção governamental no mercado nem pensar. No entanto, em tempos de crise, o empresário recorre ao dinheiro do governo para arcar com a conta. Culpa da crise. Sei!

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