quinta-feira, 7 de junho de 2012

Vadiagem sadia

Os organizadores da Marcha das Vadias tiveram uma sacada incrivelmente inteligente ao usar a palavra vadia para compor o sentido da manifestação.
Vadia, para o vocabulário machista, é a mulher vagabunda que não se dá ao respeito por não seguir as regras machistas.
A mulher moderna e dona de si, dos seus desejos, das suas vontades, da sua vida e do próprio nariz - para os machistas - são vadias.
Neste contexto, disputar o sentido da palavra vadia significa dar novo significado ao termo, mandando os machistas para lugares insalubres.

Vadia é a mulher segura.
Vadia é a mulher moderna.
Vadia é a mulher que toma decisões e assume as decisões tomadas.
Vadia é a mulher que tem desejos e vive sua sexualidade sem escondê-la.
Vadia é a mulher emancipada que vive de forma independente.

E quem teme as vadias?
Os homens que querem uma mulher padrão dona de casa ISO 9000.
As empresas que pagam salários menores que os dos homens.
Os segmentos que acham que o estupro é ato provocado pela própria vítima por causa das suas roupas e atitudes.
Os machistas porque não reinam mais de forma absoluta.

A vadiagem das vadias é sadia.
Porque estabelece a igualdade de gêneros, dividindo o poder.
Porque luta pelos direitos humanos. 
Porque aponta o preconceito e a discriminação contra as mulheres.
Porque é um movimento legítimo contra a opressão.
Porque incomoda aqueles que não gostam de mudanças.
A vadiagem das vadias é sadia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Reinaldo sua análise é perfeita, essa descontrução do sentido da palavra vadia é o cerne do que querem as feministas: que a mulher seja dona do seu próprio corpo! É isso o que os machistas não querem, o que eles querem é perpetuar a mulher objeto. Parabéns pela lucidez!!!! Alessandra Pajolla