quinta-feira, 26 de julho de 2012

Inquietudes (131) do Rei

O silicone percorre o corpo como gênero de primeira necessidade.
O implante nas nádegas transforma a mulher hatch em mulher sedan.
Os seios viram airbags que, instalados, ficam em exposição permanente.

O silicone turbina.
E a mulher 1.0 aumenta sua potência, transformando-se numa máquina 2.0.
Depois elas reclamam que muitos homens querem apenas fazer um test drive.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sinceridade sincera

A Creide não manda recados e diz o que pensa.
Claro, isso traz muitos problemas.
Às vezes, ela acha que a sinceridade não precisa ser tão sincera.
Mas, não consegue ser diferente mesmo.

Dia desses, a Creide cometeu um erro e teimou - além do normal - que estava certa e foi até ríspida com seu interlocutor.
E sinceridade pede educação.
Afinal, sinceridade sem educação é grosseria.
No final, depois de comprovado o erro, ela pediu desculpas.
O interlocutor aproveitou para espezinhar.


__Se disser que desculpo, estarei mentindo. Por isso, não a desculpo, disse ele, repetindo o comportamento ríspido com o qual tinha se ofendido.
__Tudo bem. Eu aceito.
__Como assim... tudo bem? Você não vai se sentir ofendida?
__Absolutamente. Eu pedi desculpas para aliviar a minha consciência por causa do erro que cometi. Agora você me desculpar é um ato seu com a sua consciência.

É verdade!
A sinceridade não precisa ser tão sincera!
Incomoda demais.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Acertada, necessária e esperançosa

A decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de proibir a partir do dia 23 a comercialização de novas linhas de celulares da Tim, Oi e Claro é acertada, necessária e esperançosa.

Acertada porque atende a reclamações de milhares de consumidores que têm seus direitos afetados, visto que as operadoras oferecem algo e não cumprem.

Necessária porque a Anatel é um órgão de regulação e controle e, neste sentido, tem a prerrogativa de aplicar sanções a empresas (concessionárias do governo) que descumprem os contratos.

Esperançosa porque quando o poder público quer pode fazer a diferença num mercado predador que vê no consumidor apenas uma possibilidade de lucro fácil.

Empresário neoliberal brasileiro não gosta da regulação do estado porque este atrapalha seus negócios, impondo sanções.

Mas são esses mesmos empresários que cobram do governo o pagamento da conta quando o tema é crise e fuga de investimentos?

Esse mesmo modelo de regulação poderia ser aplicado aos veículos de comunicação que são concessões públicas, como as emissoras de rádio e de televisão.

O exemplo mais atual que mostra, revela e prova a necessidade de regulação é o boicote da Rede Globo às Olimpíadas, visto que a emissora do Jardim Botânico do Rio ignora a competição na TV aberta.

Com o silêncio da Globo, a rede afirma, reafirma e confirma que o mais importante não é o interesse público do evento, mas a capacidade que o mesmo tem de gerar lucro.

Dane-se o telespectador e esse tal interesse público porque, para as corporações midiáticas, o importante é ter os direitos exclusivos de transmissão dos jogos olímpicos e ganhar muito dinheiro com isso.

Neste sentido, estabelecer a regulação do setor - nada além do que preconiza os capítulos específicos da Constituição Federal - é acertada, necessária e esperançosa.

Acertada porque o que passa a valer é o direito à informação do público e não o direito de transmissão das grandes redes.

Necessária porque rádio e TV são concessões públicas e devem seguir regras, assim como fazem, por exemplo, as concessionárias da telefonia e das rodovias pedagiadas.

Esperançosa porque mostra que o poder público tem realmente poder e, quando quer, faz a diferença em prol da coletividade.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ladainha da fazenda

Record, tende piedade de nós.
Bispo Macedo, tende piedade de nós.
Britto Junior, tende piedade de nós.
Santa audiência, ouvi-nos.
Fama rápida, atendei-nos.

Angelas
Felipes
Gretchens
Léos
Nicholes

Personalidades instantâneas, rendei-nos graças.
Dublês de artistas, rendei-nos graças.
Nádegas cantoras, rendei-nos graças.
Transformistas, rendei-nos graças.
Silicones, rendei-nos graças.
Peões e peoas, rendei-nos graças.

Aos telespectadores, fornalha ardente sem castidade,
Aos telespectadores, sedentos pelos pecados alheios,
Aos telespectadores, atentos e exultantes ao pecado,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, não ligai a televisão,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, mude de estação,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-os?
Eles bem sabem o que fazem.

A de muitas coisas

O Ministério da Saúde divulgou ontem (dia 18) que a gripe já A matou 159 pessoas no Brasil.
O número de pacientes internados e com a confirmação da doença chega a quase 1.500 pessoas em todo o Brasil.
As informações são da Agência Estado.

O A da gripe significa que a doença é:
agressiva porque pode propagar-se rapidamente,
acessível porque qualquer pessoa pode ser vítima,
assustadora porque pode fazer vítimas aos milhares.

O Ministério da Saúde, no início do mês, descartou a possibilidade de o país registrar uma epidemia de gripe A.
A definição de epidemia segue critérios técnicos (localização geográfica, número de casos, relação dos casos, circulação do vírus) que interessam muito pouco para quem foi vítima da doença.

Independente da classificação técnica da situação da gripe A no Brasil, é necessário um plano para conter a doença.
Uma tarefa ingrata, já que a combinação: circulação viral, frio e falta de adoção de medidas preventivas, pode fazer explodir o número de casos.

Que as autoridades de saúde façam o seu papel e o cidadão siga medidas simples como não levar a mão à boca e ao nariz na hora de espirrar e tossir; preferindo lenços descartáveis. 
Álcool gel ajuda, mas não substitui a água e o sabão.
Perder uma vida por causa de uma doença evitável é estupidez.
E fazer nada para evitar a proliferação da doença é uma estupidez ainda maior.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Inquietudes (130) do Rei

A vadiagem das vadias é sadia.
Porque estabelece a igualdade de gêneros, dividindo o poder.
Porque luta pelos direitos humanos. 
Porque aponta o preconceito e a discriminação contra as mulheres.
Porque é um movimento legítimo contra a opressão.
Porque incomoda aqueles que não gostam de mudanças.
A vadiagem das vadias é sadia.

Inquietudes (129) do Rei

Mesmo que a indústria das escolas particulares esperneie, que a oposição conservadora grite, que a imprensa elitizada destile seu veneno, que os racistas reclamem, que os divisionistas de classe social repudiem, as políticas afirmativas são necessárias para promover a igualdade entre os desiguais. O resto é interpretação e preconceito.

Cenas de sempre

As chapas de candidatos aos cargos de prefeito e de vereadores - de todos os partidos - já estão na rua. A campanha eleitoral já começou e junto com ela, o eleitor deve acompanhar, nos próximos meses, as cenas de sempre.

As mesmas promessas.
Os mesmos candidatos sem militância e sem projeto.
Os mesmos acordos que transformam em amigos íntimos antigos inimigos.
Os mesmos cabos eleitorais que nem conhecem seus candidatos.
Os mesmos eleitores que escolhem porque o voto é obrigatório.

Muitos têm propostas para tornar o ambiente político melhor. Acabar com a remuneração de vereadores, reduzir o número de parlamentares e seus orçamentos, diminuir o número de partidos políticos, enxugar a máquina administrativa.

Em que pesem os problemas estruturais do sistema político brasileiro (e o financiamento da campanhas é apenas um deles), um grande problema está na expectativa da maioria que se candidata a um cargo eletivo.

Esses estão menos preocupados em resolver as querelas coletivas e mais interessados em solucionar sua situação pessoal, ou seja, enxergam no cargo, no salário, nos benefícios e nas vantagens das relações parlamentares a possibilidade de melhorar de vida. E não é à toa que a maioria termina o mandato com grande evolução patrimonial.

Neste período, muitos cientistas políticos aparecem em programas de televisão que vão de debates a culinária para ensinar o eleitor a votar.

__Prestem a atenção na história do candidato.
__Verifiquem o passado do candidato.

E daí? O candidato pode ter uma boa atuação na área dele e para outros pode ser um desastre. Por exemplo, se o candidato for um empresário que defende a desregulamentação trabalhista, com o fim de direitos do trabalhador, ele pode ser o quão coerente e honesto quiser, mas não representa os interesses do trabalhador. Este tem seus direitos e o outro como empresário enxerga esses direitos como um peso que onera a produção (e também a margem de lucros).

Exemplos não faltam. Candidato contrário ao aborto não representa os interesses nem os direitos da mulher, na perspectiva de gênero. Candidato latifundiário não representa os interesses do pequeno produtor nem os do sem terra. Tudo bem, há exceções, e como tais, são exceções.

Escolher o candidato certo é uma tarefa difícil porque a dissimulação eleitoral é exacerbada, ou seja, o candidato simula ser o que não é e, depois de eleito, sente-se no direito de não dar satisfação alguma.

Neste sentido, o mais coerente é cobrar o candidato pelas áreas de interesse. Ele é e representa os interesses de quem representa. Basta o eleitor saber onde está inserido e quem representa melhor seus interesses. E essa também não é uma tarefa simples.

Enquanto o eleitor e o candidato não forem honestos consigos mesmos nem com as cidades ondem moram, as cenas de sempre vão continuar se repetindo.

As mesmas promessas.
Os mesmos candidatos sem militância e sem projeto.
Os mesmos acordos que transformam em amigos íntimos antigos inimigos.
Os mesmos cabos eleitorais que nem conhecem seus candidatos.
Os mesmos eleitores que escolhem porque o voto é obrigatório.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Explicações nas eleições

Está dada a largada. A campanha eleitoral começa hoje. A corrida é pela cadeira de prefeito e de vereadores. Na salada ideológica dos partidos, tem conservador defendendo o aborto e progressista contra a reforma agrária. Coisa de político de ocasião. Se o eleitor quiser, vai cobrar explicações dos candidatos. E são muitas.

Em Londrina, o PSDB durante o pleito vai ter que explicar a coligação com Belinati. Apesar de ser o sobrinho, o sobrenome e o partido (PP) são os mesmos do Bila - velho de guerra - que todos conhecem. Amado por muitos e odiado por outros tantos. O moreirista Junker Grassiotto vai ter que explicar a coligação com o clã belinatista, adversário de Wilson Moreira, de quem foi secretário municipal de Obras.

O PT vai com uma mulher, Márcia Lopes, que terá que explicar os governos petistas anteriores que terminaram em baixa e amargaram índices quase zero de popularidade. Terá que explicar a alta rejeição ao PT da cidade, mesmo tendo governado três vezes. Lula, de quem Márcia foi ministra, deve figurar nos materiais de campanha. Lula - velho de guerra - que todos conhecem. Amado por muitos e odiado por outros tantos.

O PDT de Barbosa Neto, prefeito candidato à reeleição, terá que explicar os escândalos da sua administração. Das ações por improbidade, para citar duas: os kits escolares e a Guarda Municipal. Vai ter que explicar também as comissões municipais que o processam e os secretários presos, acusados de corrupção.

E os outros candidatos vão ter que explicar muita coisa também, mas quem são mesmo?

Inquietudes (128) do Rei

Luta de classes não é causa. É consequência da existência de classes.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Arte da natureza

Sobre golpes e luta de classes

Muito se falou sobre o golpe constitucional da direita sobre o presidente paraguaio, Fernando Lugo. Acertada foi a decisão do Mercosul e Unasul de suspender o Paraguai dessas instâncias regionais até que a ordem democrática seja restabelecida. Isso significa um novo processo eleitoral que deve ser realizado no ano que vem. O novo governo, golpista, reclama que autoridades do Mercosul e da Unasul não deram chances de defesa ao Paraguai. Uia! Exatamente como os golpistas fizeram com Fernando Lugo?

Agora começa um processo para definir as chapas que vão concorrer nas eleições do ano que vem. Nesta terça-feira (dia 3), à Folha de S.Paulo, o empresário Horácio Cartes, pré-candidato do conservador Partido Colorado, descartou ter participado do golpe que tirou Lugo, da presidência. Em meio a análises e previsões, Cartes faz uma afirmação (editada, pelo jornal?) que acabou virando manchete: "Temos de evitar luta de classes criada por Lugo, diz pré-candidato".

Luta de classes não é causa. É consequência da existência de classes, sendo a maioria pobre e a minoria rica. Uma minoria que explora e enriquece, muitas vezes, sem respeitar direitos básicos. A concentração de renda é a face mais perversa da existência das classes sociais. E a luta é mera coincidência. A distribuição da riqueza de um país é sintoma de um governo preocupado com a maioria.

Neste sentido, não foi Fernando Lugo - ou qualquer outro - que criou a luta de classes. Ele apenas deu visibilidade ao problema, ou seja, jogou luzes sobre a miséria da maioria e a ostentação de uma minoria. Reservadas as devidas proporções, o governo Lula - na ótica de Horácio Cartes - também teria criado a luta de classes. Afinal, as modalidades de transferência de renda, como o Bolsa Família, também põem em conflito o interesse de classes.

Para muitos brasileiros, transferir renda para pobre é cultuar a vadiagem. E os conflitos de classe ficam ainda mais exacerbados em períodos eleitorais. Quem se lembra de 2010? O ano eleitoral em que no Brasil, o preconceito contra pobre e nordestino foi estampado nas redes sociais? Infelizmente, esse não foi um caso isolado. É prática comum de quem acredita que o sucesso e o fracasso são meros resultados de um esforço individual.

São visíveis a desfaçatez, o cinismo e a arrogância dos que acreditam que não existe luta de classe. Desfaçatez porque ignoram o fosso entre as classes. Cinismo porque acreditam que pobre deve ser obediente e, ainda, agradecer a Deus por sua condição. Arrogância porque se acham melhores.

Pobre incomoda. Pobre que reivindica seus direitos, incomoda ainda mais. Enquanto existir alta concentração de renda e exclusão social, a luta de classes continua.