terça-feira, 17 de julho de 2012

Cenas de sempre

As chapas de candidatos aos cargos de prefeito e de vereadores - de todos os partidos - já estão na rua. A campanha eleitoral já começou e junto com ela, o eleitor deve acompanhar, nos próximos meses, as cenas de sempre.

As mesmas promessas.
Os mesmos candidatos sem militância e sem projeto.
Os mesmos acordos que transformam em amigos íntimos antigos inimigos.
Os mesmos cabos eleitorais que nem conhecem seus candidatos.
Os mesmos eleitores que escolhem porque o voto é obrigatório.

Muitos têm propostas para tornar o ambiente político melhor. Acabar com a remuneração de vereadores, reduzir o número de parlamentares e seus orçamentos, diminuir o número de partidos políticos, enxugar a máquina administrativa.

Em que pesem os problemas estruturais do sistema político brasileiro (e o financiamento da campanhas é apenas um deles), um grande problema está na expectativa da maioria que se candidata a um cargo eletivo.

Esses estão menos preocupados em resolver as querelas coletivas e mais interessados em solucionar sua situação pessoal, ou seja, enxergam no cargo, no salário, nos benefícios e nas vantagens das relações parlamentares a possibilidade de melhorar de vida. E não é à toa que a maioria termina o mandato com grande evolução patrimonial.

Neste período, muitos cientistas políticos aparecem em programas de televisão que vão de debates a culinária para ensinar o eleitor a votar.

__Prestem a atenção na história do candidato.
__Verifiquem o passado do candidato.

E daí? O candidato pode ter uma boa atuação na área dele e para outros pode ser um desastre. Por exemplo, se o candidato for um empresário que defende a desregulamentação trabalhista, com o fim de direitos do trabalhador, ele pode ser o quão coerente e honesto quiser, mas não representa os interesses do trabalhador. Este tem seus direitos e o outro como empresário enxerga esses direitos como um peso que onera a produção (e também a margem de lucros).

Exemplos não faltam. Candidato contrário ao aborto não representa os interesses nem os direitos da mulher, na perspectiva de gênero. Candidato latifundiário não representa os interesses do pequeno produtor nem os do sem terra. Tudo bem, há exceções, e como tais, são exceções.

Escolher o candidato certo é uma tarefa difícil porque a dissimulação eleitoral é exacerbada, ou seja, o candidato simula ser o que não é e, depois de eleito, sente-se no direito de não dar satisfação alguma.

Neste sentido, o mais coerente é cobrar o candidato pelas áreas de interesse. Ele é e representa os interesses de quem representa. Basta o eleitor saber onde está inserido e quem representa melhor seus interesses. E essa também não é uma tarefa simples.

Enquanto o eleitor e o candidato não forem honestos consigos mesmos nem com as cidades ondem moram, as cenas de sempre vão continuar se repetindo.

As mesmas promessas.
Os mesmos candidatos sem militância e sem projeto.
Os mesmos acordos que transformam em amigos íntimos antigos inimigos.
Os mesmos cabos eleitorais que nem conhecem seus candidatos.
Os mesmos eleitores que escolhem porque o voto é obrigatório.

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